Autos

Novo BYD Song Plus 2026 percorre 2.100 km com custo de R$ 1.000 e consumo abaixo do esperado

Novo BYD Song Plus
Novo BYD Song Plus - Foto: Divulgação Novo BYD Song Plus - Foto: Divulgação

O novo BYD Song Plus 2026, SUV híbrido plug-in da montadora chinesa, passou por um teste rigoroso de 2.100 km entre São Paulo e Foz do Iguaçu, em junho de 2025, destacando avanços em tecnologia e conforto, mas desapontando com um consumo rodoviário de apenas 13,3 km/l. Produzido em Camaçari, Bahia, o modelo combina um motor elétrico de 197 cv e um a combustão de 98 cv, com preço inicial de R$ 249.990. A viagem, realizada com cinco ocupantes e carga máxima, consumiu 160 litros de gasolina, totalizando mais de R$ 1.000, o que gerou críticas sobre sua eficiência em longas distâncias. O percurso na BR-369 revelou uma autonomia real de 820 km, bem abaixo dos 1.200 km anunciados, expondo desafios como recarga lenta e desempenho limitado em ultrapassagens.

A apresentação do veículo no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2024, criou grande expectativa com seu design renovado e tecnologia DM-i. Apesar disso, motoristas relataram dificuldades em manter a eficiência fora do modo elétrico, especialmente em rodovias.

Principais destaques do teste:

  • Consumo de 13,3 km/l, com 160 litros de gasolina gastos.
  • Autonomia elétrica de 63 km, ideal para trechos urbanos.
  • Custo de R$ 1.000 em combustível, considerado elevado.
  • Recarga completa em 5 horas no modo AC, limitando praticidade.

Design renovado e tecnologia avançada

O BYD Song Plus 2026 adota o conceito estético “Ocean”, caracterizado por faróis afilados, grade frontal horizontal e lanternas traseiras unidas por uma barra iluminada. Suas rodas de 19 polegadas com pneus 235/50 run-flat conferem sofisticação, mas transmitem impactos secos em buracos, conforme relatos de motoristas. No interior, a central multimídia giratória de 15,6 polegadas e o painel digital de 12,3 polegadas garantem conectividade com Android Auto e Apple CarPlay.

O conforto é elevado por bancos aquecidos, teto solar panorâmico e iluminação full-LED, mas os assentos dianteiros, considerados estreitos, incomodam motoristas acima de 1,85 m devido à ausência de ajuste lombar. A tecnologia DM-i, que entrega 235 cv combinados, proporciona transições suaves entre os modos elétrico e híbrido. Contudo, o sistema SOC, que preserva a bateria acima de 20%, compromete a eficiência em velocidades altas, como nas rodovias testadas.

Desempenho em longas distâncias

Na viagem de 2.100 km, a suspensão ajustada para o mercado brasileiro absorveu bem as irregularidades do asfalto, e a direção firme trouxe segurança. Apesar disso, o consumo de 13,3 km/l, equivalente a 7,1 litros por 100 km, ficou abaixo das expectativas. Em trechos a 60 km/h, o SUV registrou 21,5 km/l, mas a 130 km/h, caiu para 10 km/l, evidenciando a dependência do motor a combustão em altas velocidades.

O motor 1.5 aspirado, com torque de 121 Nm a 4.500 rpm, mostrou limitações em ultrapassagens na BR-369, uma rodovia de pista simples e tráfego intenso. A regeneração de energia foi eficiente em áreas urbanas, mas o carregamento AC de 6,6 kW, que exige 5 horas, dificultou recargas rápidas em eletropostos, forçando maior uso do motor a combustão.

Autonomia real versus promessa

Com uma bateria de 18,3 kWh, o Song Plus 2026 oferece 63 km de autonomia no modo elétrico, segundo o PBEV do Inmetro, superando os 28 km da geração anterior. No entanto, a autonomia total, com tanque de 60 litros, alcançou apenas 820 km no teste, contra os 1.200 km divulgados pela BYD. A versão Premium, equipada com bateria de 26,6 kWh e tração AWD, entrega 87 km elétricos e 324 cv, mas seu preço de R$ 299.800 representa um investimento considerável.

Detalhes da tecnologia DM-i:

  • Combinação de motor elétrico (197 cv) e a combustão (98 cv).
  • Sistema SOC para gestão de carga mínima da bateria.
  • Eficiência energética de 0,58 MJ/km e emissões de 38 g/km de CO2.
  • Ausência de recarga rápida DC na versão base, limitando praticidade.

A eficiência ideal de 55,5 km/l, anunciada pela montadora, só é alcançada em velocidades abaixo de 80 km/h, tornando o modelo menos vantajoso para viagens rodoviárias longas.

Conforto para famílias

Com 4,77 m de comprimento e 2,78 m de entre-eixos, o Song Plus garante espaço generoso para pernas e cabeça, superando concorrentes como o Toyota Corolla Cross (4,46 m). O porta-malas de 574 litros é um diferencial para famílias, e a cabine silenciosa, especialmente no modo elétrico, eleva o conforto em trechos urbanos. O isolamento acústico reduz vibrações em rodovias, mas os pneus run-flat geram desconforto em pisos irregulares.

Os assentos dianteiros, sem ajuste lombar, foram criticados por motoristas altos, que relataram desconforto em longos percursos. Ainda assim, o espaço interno é funcional, com capacidade para cinco ocupantes e bagagens, destacando-se no segmento de SUVs híbridos.

BYD Song Plus
BYD Song Plus – Foto: Divulgação

Segurança e assistências de condução

O pacote Adas do Song Plus inclui frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, manutenção de faixa e controle de cruzeiro adaptativo. A câmera 360° e os sensores de estacionamento facilitam manobras, enquanto seis airbags e freios a disco nas quatro rodas reforçam a segurança. O modelo obteve nota A no Inmetro, mas ainda aguarda avaliação do Latin NCAP.

A regeneração de energia é eficaz em trechos urbanos, mantendo a bateria com carga mínima e reduzindo emissões. No entanto, a ausência de carregamento rápido DC na versão base limita sua praticidade em viagens longas, onde eletropostos de alta potência são mais comuns.

Comparação com o mercado

No segmento de SUVs híbridos, o Song Plus enfrenta concorrência acirrada:

  • Toyota Corolla Cross híbrido: R$ 210.000, com 24,3 km/l e autonomia de 1.200 km.
  • GWM Haval H6: R$ 235.000, com 1.000 km de autonomia e 204 cv.
  • Caoa Chery Tiggo 8 PHEV: R$ 250.000, com 100 km elétricos e 317 cv.
  • Jeep Compass 4xe: R$ 280.000, com 50 km elétricos e 272 cv.

O Song Plus se destaca pela garantia de 8 anos para a bateria e preço competitivo, mas seu consumo rodoviário é inferior ao Corolla Cross. Sua autonomia elétrica de 63 km supera o Compass, mas fica atrás do Tiggo 8.

Produção em Camaçari

A fábrica da BYD em Camaçari, Bahia, começou a produzir o Song Plus em 2024, utilizando 65% de componentes locais. Com capacidade para 150 mil unidades anuais, a planta criou 1.500 empregos diretos em 2025. A montadora planeja expandir a produção para modelos como o King L e o Dolphin, com exportações previstas para Argentina e Chile, mantendo preços acessíveis frente a rivais importados.

Liderança em vendas

Em janeiro de 2025, o Song Plus registrou 3.185 unidades vendidas, liderando o segmento de híbridos, à frente do GWM Haval H6 (2.800 unidades) e do Corolla Cross (2.500), segundo a Fenabrave. A BYD detém 25% do mercado de veículos eletrificados, impulsionada por descontos de R$ 20.000 e isenção de IPVA até julho de 2025. Com 180 concessionárias, 60% das vendas concentram-se em São Paulo e Rio de Janeiro.

Infraestrutura de recarga

A BYD instalou 50 eletropostos em 2024 e planeja mais 150 até 2026, em parceria com Raízen e Shell. O carregamento AC de 6,6 kW da versão base exige 5 horas, enquanto a versão Premium, com DC de 18 kW, recarrega 80% em 30 minutos. Em São Paulo, 25 eletropostos estão disponíveis em shoppings e rodovias, mas a recarga lenta da versão base limita sua praticidade em viagens longas.

Pontos de melhoria

O teste de 2.100 km revelou limitações significativas. O consumo rodoviário de 13,3 km/l ficou bem abaixo dos 55,5 km/l anunciados, e o carregamento lento comprometeu a experiência em eletropostos. O motor 1.5 aspirado apresentou desempenho fraco em ultrapassagens, e os bancos dianteiros, sem ajuste lombar, geraram desconforto para motoristas altos. A versão Premium, embora mais cara, pode oferecer melhor desempenho para longas distâncias.

To Top