A BYD, gigante chinesa do setor automotivo, anunciou a redução de preços dos modelos Dolphin Mini e Song Pro, coincidindo com a inauguração de sua nova fábrica em Camaçari, na Bahia, em julho de 2025. O Dolphin Mini, um dos carros elétricos mais vendidos no Brasil, teve seu preço reduzido de R$ 122.800 para R$ 119.990, enquanto o SUV híbrido Song Pro caiu de R$ 204.800 para R$ 199.990. A estratégia visa aumentar a competitividade no mercado brasileiro, que a montadora considera essencial para sua expansão na América Latina. Além dos descontos, os modelos ganharam novas opções de cores, como azul para o Dolphin Mini e preto para o Song Pro. A produção local, que começa com esses modelos, promete impulsionar a mobilidade sustentável no país.
Essa movimentação da BYD ocorre em um momento estratégico, às vésperas do início das operações em sua planta industrial, construída no antigo complexo da Ford. A fábrica, que já realizou montagens experimentais do Dolphin Mini, é a maior da empresa fora da China e tem capacidade inicial para produzir 150 mil veículos por ano. A iniciativa reflete o compromisso da montadora em se consolidar no Brasil, com geração de empregos e redução de custos por meio da nacionalização.
A seguir, os principais pontos da estratégia da BYD:
- Redução de R$ 2.810 no preço do Dolphin Mini, agora a R$ 119.990.
- Desconto de R$ 4.810 no Song Pro, que passa a custar R$ 199.990.
- Novas opções de cores para atrair consumidores.
- Início da produção local em Camaçari, com foco em sustentabilidade.
A chegada da produção nacional é um marco para o setor automotivo brasileiro, especialmente no segmento de veículos eletrificados, que ganha cada vez mais relevância.

Preços mais acessíveis para o mercado
A redução nos preços do Dolphin Mini e do Song Pro é um passo ousado da BYD para se posicionar como líder no mercado de veículos elétricos e híbridos no Brasil. O Dolphin Mini, que já é o carro elétrico mais vendido do país, com quase 22 mil unidades emplacadas em 2024, agora se torna ainda mais competitivo. Com preço de R$ 119.990, ele se aproxima do Renault Kwid E-Tech, que custa R$ 99.990 e detém o título de elétrico mais barato do Brasil. A diferença, porém, está na proposta: o Dolphin Mini oferece mais tecnologia e espaço interno, com uma autonomia de 280 km, segundo o Inmetro.
O Song Pro, por sua vez, é um SUV híbrido plug-in que combina um motor 1.5 a gasolina com um elétrico, entregando desempenho robusto e eficiência energética. A queda de preço para R$ 199.990 o coloca em uma faixa atraente para consumidores que buscam versatilidade sem abrir mão da sustentabilidade. A BYD informou que os descontos são parte de uma estratégia para escoar estoques importados antes da produção em larga escala na Bahia, mas os novos valores devem se manter mesmo com a nacionalização.
Além dos preços, a montadora aposta na personalização. O Dolphin Mini ganhou uma nova cor azul, que adiciona um toque moderno ao subcompacto, enquanto o Song Pro agora oferece a opção de carroceria preta, ampliando as escolhas para os compradores. Essas mudanças, embora sutis, reforçam o apelo visual dos modelos em um mercado cada vez mais exigente.
Fábrica em Camaçari: um marco para a BYD
A nova fábrica da BYD em Camaçari, inaugurada oficialmente em julho de 2025, representa um investimento de R$ 5,5 bilhões, um aumento de 83% em relação ao valor inicialmente anunciado. Construída no terreno que abrigava a antiga planta da Ford, desativada em 2021, a unidade é a maior da montadora fora da China e tem como meta inicial a produção de 150 mil veículos por ano, com potencial para dobrar essa capacidade até 2027. O complexo conta com tecnologia avançada, incluindo robôs para tarefas como instalação de vidros e baterias, além de um sistema de sequenciamento inteligente que otimiza a linha de montagem.
Inicialmente, a produção opera no sistema SKD (Semi Knocked-Down), com peças importadas da China. No entanto, a BYD planeja evoluir para uma fabricação completa, incluindo estampagem, soldagem e pintura, o que aumentará o índice de nacionalização para até 80%. Essa transição deve reduzir custos e permitir preços ainda mais competitivos no futuro. A fábrica também será responsável pela produção de outros modelos, como o sedã híbrido King, além de componentes como baterias e veículos pesados, como ônibus elétricos.
Os números impressionam:
- Capacidade inicial de 150 mil veículos por ano.
- Geração de 20 mil empregos diretos e indiretos.
- Investimento de R$ 5,5 bilhões na construção do complexo.
- Meta de 80% de nacionalização em cinco anos.
A planta de Camaçari posiciona o Brasil como o principal centro de operações da BYD na América Latina, com planos de exportação para outros países da região.
Estratégia de mercado e concorrência
A decisão de reduzir preços antes do início da produção em larga escala reflete a agressividade da BYD no mercado brasileiro. A montadora, que já é a oitava maior do país, com 29 mil carros emplacados em 2025 até o momento, busca consolidar sua liderança no segmento de veículos eletrificados. O Dolphin Mini, por exemplo, superou modelos tradicionais como o Citroën C3 e o Honda City em vendas, mesmo sendo importado. Com a produção local, a expectativa é que a BYD amplie ainda mais sua participação.
A concorrência, no entanto, não fica parada. Marcas como Renault, com o Kwid E-Tech, e Toyota, com o Corolla híbrido, também apostam em preços competitivos e tecnologia para atrair consumidores. A BYD, porém, tem uma vantagem: sua expertise global em veículos elétricos, aliada à produção local, que elimina parte dos impostos de importação. Essa combinação permite oferecer preços mais acessíveis sem comprometer a qualidade.
Outro fator que joga a favor da BYD é sua rede de concessionárias, que já conta com 180 unidades no Brasil e deve chegar a 272 até o fim de 2025. Essa expansão facilita o acesso dos consumidores aos modelos e reforça a presença da marca em todo o país.
Novidades nos modelos
O Dolphin Mini, carro-chefe da BYD no Brasil, é um subcompacto elétrico que combina praticidade e tecnologia. Equipado com um motor de 75 cv e torque de 13,8 kgfm, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 14,9 segundos, segundo a fabricante. Nos testes da Autoesporte, o tempo foi ligeiramente melhor: 14,5 segundos. A lista de equipamentos é generosa, incluindo:
- Tela giratória de 10,1 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
- Seis airbags e freios a disco nas quatro rodas.
- Câmera e sensores de estacionamento traseiros.
- Painel digital de 7 polegadas.
O Song Pro, por outro lado, é voltado para quem busca um SUV híbrido plug-in. Com uma autonomia elétrica de 51 km, ele combina um motor 1.5 a gasolina de 110 cv com um elétrico de 179 cv, resultando em um desempenho equilibrado. A versão GS, agora por R$ 199.990, inclui itens como banco do motorista com ajustes elétricos e carregador de celular por indução.
Produção nacional e sustentabilidade
A fábrica de Camaçari não é apenas um marco industrial, mas também um passo em direção à mobilidade sustentável. A BYD destaca que a produção local reduzirá a pegada de carbono associada ao transporte de veículos importados. Além disso, a empresa planeja fabricar baterias no Brasil, um componente essencial para veículos elétricos. Essa iniciativa pode atrair fornecedores locais e fortalecer a cadeia produtiva no país.
A escolha do Dolphin Mini como o primeiro modelo produzido em série reflete sua popularidade. Em 2024, o subcompacto foi o 29º veículo mais vendido no Brasil, um feito impressionante para um carro elétrico. A produção nacional deve consolidar ainda mais sua posição no mercado, enquanto o Song Pro reforça a oferta de SUVs híbridos, um segmento em crescimento.
Expansão da linha de produção
Além do Dolphin Mini e do Song Pro, a BYD confirmou que o sedã híbrido King também será produzido em Camaçari. A montadora planeja introduzir um motor 1.5 flex, compatível com etanol, para seus modelos híbridos, uma novidade que deve atrair consumidores brasileiros. A produção desse motor na Bahia é outro indicativo do compromisso da BYD com a nacionalização.
A empresa também mira o mercado de frotas, oferecendo condições especiais para órgãos públicos e empresas que desejam eletrificar suas operações. Incentivos fiscais, tanto regionais quanto federais, devem facilitar essa transição, especialmente com a produção local.
Novas cores e personalização
A introdução de novas cores para o Dolphin Mini e o Song Pro é uma estratégia para atrair um público mais jovem e diversificado. O azul do Dolphin Mini, por exemplo, dá um toque vibrante ao modelo, enquanto o preto do Song Pro reforça sua sofisticação. Embora essas mudanças ainda não estejam refletidas no site oficial da BYD, elas já geraram expectativa entre os consumidores, conforme destacado pelo vice-presidente sênior da marca, Alexandre Baldy, em vídeo nas redes sociais.
A personalização é um diferencial em um mercado onde os consumidores valorizam a exclusividade. A BYD planeja expandir as opções de cores e acabamentos à medida que a produção em Camaçari ganha escala, o que pode atrair ainda mais compradores.
Planos para o futuro
A BYD tem metas ambiciosas para o Brasil. Além de aumentar a capacidade de produção para 300 mil veículos por ano na segunda fase da fábrica, a empresa planeja fabricar ônibus e caminhões elétricos na Bahia. A produção de baterias também está nos planos, o que pode reduzir a dependência de importações e baratear os custos dos veículos.
A montadora também aposta na inovação. Um sistema de fricção silenciosa na linha de montagem mantém o ruído abaixo de 70 decibéis, garantindo um ambiente de trabalho mais confortável. Robôs e tecnologias de rastreamento em tempo real otimizam a produção, posicionando a fábrica de Camaçari como uma das mais modernas do mundo.
Crescimento no mercado brasileiro
O sucesso do Dolphin Mini e do Song Pro é apenas o começo. A BYD já vende outros modelos no Brasil, como o Dolphin, o Yuan Plus e o Seal, todos elétricos, além do Song Plus, um SUV híbrido. Com a produção local, a expectativa é que novos modelos sejam lançados, incluindo versões atualizadas de sedãs e SUVs. A marca também planeja exportar veículos produzidos na Bahia para outros países da América Latina, consolidando o Brasil como um hub regional.
A rede de concessionárias, que deve crescer para 272 unidades até o fim de 2025, será essencial para atender à demanda. A BYD também investe em treinamento de equipes e infraestrutura de recarga, facilitando a adoção de veículos elétricos no país.