A partir de 5 de julho de 2025, a nova Tarifa Social de Energia Elétrica entrou em vigor no Brasil, oferecendo isenção total na conta de luz para famílias de baixa renda que consomem até 80 kWh por mês. Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Medida Provisória nº 1.300/2025 beneficia cerca de 17,1 milhões de famílias, impactando aproximadamente 60 milhões de brasileiros. Regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a iniciativa tem como objetivo promover justiça social, garantindo acesso à energia para populações vulneráveis. A inscrição é automática para quem está no Cadastro Único (CadÚnico), mas exige atualização de dados. O programa, custeado pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), também inclui descontos para outros grupos, como indígenas e quilombolas.
A medida representa um avanço significativo na política energética brasileira, substituindo descontos escalonados por uma gratuidade simplificada. Famílias elegíveis precisam estar atentas aos critérios e à manutenção de seus cadastros.
Principais benefícios da iniciativa:
- Gratuidade total para consumo de até 80 kWh mensais.
- Cadastramento automático para inscritos no CadÚnico.
- Inclusão de comunidades indígenas, quilombolas e sistemas isolados.
Elegibilidade e critérios claros
A nova Tarifa Social estabelece requisitos precisos para garantir que o benefício alcance as populações mais necessitadas. Famílias inscritas no CadÚnico com renda per capita de até meio salário mínimo, equivalente a R$ 759 em 2025, formam o principal grupo contemplado. Além disso, a medida abrange outros perfis específicos, ampliando a inclusão social.
Beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), como idosos acima de 65 anos ou pessoas com deficiência, também têm direito ao desconto automático. Famílias com renda de até três salários mínimos que possuam membros dependentes de equipamentos elétricos para tratamento médico contínuo são outro grupo elegível, desde que apresentem laudo médico atualizado. Comunidades indígenas e quilombolas inscritas no CadÚnico recebem condições especiais, com gratuidade garantida até 50 kWh mensais em alguns casos.
A iniciativa também se estende a famílias em sistemas isolados, como os da região Norte, atendidas por módulos de geração off-grid. Essas comunidades, frequentemente distantes da rede elétrica pública, enfrentam desafios logísticos significativos, e a tarifa social reforça o compromisso com a universalização do acesso à energia.
Como funciona o cadastramento
O processo de inscrição na Tarifa Social foi simplificado para facilitar o acesso. Para famílias já registradas no CadÚnico, o benefício é concedido automaticamente, desde que os dados estejam atualizados. A atualização cadastral deve ser feita a cada dois anos no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou, no caso de beneficiários do BPC, em agências da Previdência Social.
Para novos cadastros, é necessário comparecer a um CRAS com documentos como CPF, RG ou outro documento de identificação com foto. Indígenas sem esses documentos podem apresentar o Registro Administrativo de Nascimento Indígena (RANI). Além disso, é importante que a conta de energia esteja no nome do titular inscrito no CadÚnico para agilizar a concessão do benefício.
Em casos de mudança de endereço, a Neoenergia, por exemplo, orienta que as famílias atualizem o cadastro para manter a gratuidade. Cada núcleo familiar tem direito ao benefício em apenas uma residência, evitando duplicidades.

Benefícios financeiros da gratuidade
A isenção total para consumos de até 80 kWh por mês representa uma economia significativa para famílias de baixa renda. Em 2024, a Tarifa Social movimentou R$ 6,4 bilhões em descontos, beneficiando 17,4 milhões de famílias, com uma redução média de R$ 32,25 por fatura em dezembro. Com a expansão em 2025, o governo estima que os números cresçam, alcançando mais residências.
A gratuidade cobre apenas a tarifa de energia, enquanto impostos federais, estaduais e taxas de iluminação pública podem continuar sendo cobrados. Para famílias que ultrapassam os 80 kWh, o valor excedente é cobrado normalmente, incentivando o consumo consciente.
A seguir, os principais impactos financeiros:
- Economia de até R$ 816 anuais para famílias dentro do limite de 80 kWh.
- Redução de custos para atividades essenciais, como iluminação e refrigeração.
- Diminuição da inadimplência e de práticas como furtos de energia.
- Alívio no orçamento doméstico de populações vulneráveis.
Abrangência para comunidades específicas
A nova regulamentação prioriza grupos historicamente marginalizados, como comunidades indígenas e quilombolas. Para esses grupos, a gratuidade de até 50 kWh mensais já era aplicada, mas a Medida Provisória ampliou os benefícios, garantindo descontos adicionais para consumos entre 51 kWh e 100 kWh (40%) e entre 101 kWh e 220 kWh (10%).
Na região Norte, onde muitas comunidades ribeirinhas dependem de sistemas off-grid, a tarifa social torna-se ainda mais relevante. Esses módulos de geração, frequentemente movidos a diesel, têm custos elevados, e a gratuidade até 80 kWh alivia a pressão financeira dessas populações.
Mecanismo de custeio do programa
Os recursos para a Tarifa Social são provenientes da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo que subsidia diversas iniciativas do setor elétrico. A ANEEL define anualmente as cotas da CDE, que são repassadas às distribuidoras de energia. Em 2025, o programa demandará R$ 4,45 bilhões adicionais, compensados por medidas como a limitação de descontos para contratos de energia renovável.
Além de custear a gratuidade, a CDE financia outros projetos, como o Programa Luz para Todos, que busca universalizar o acesso à energia elétrica. A sustentabilidade fiscal do programa é um ponto central, com o governo ajustando encargos para equilibrar os custos.
Passo a passo para acessar o benefício
Garantir a gratuidade na conta de luz exige atenção a alguns procedimentos simples, mas essenciais. A seguir, um guia prático para famílias interessadas:
- Verificar a inscrição no CadÚnico e atualizar dados no CRAS.
- Confirmar que a conta de energia está no nome do titular cadastrado.
- Apresentar documentos como CPF, RG ou RANI (para indígenas).
- Para casos de equipamentos médicos, fornecer laudo atualizado.
- Entrar em contato com a distribuidora em caso de dúvidas.
Importância da atualização cadastral
Manter os dados atualizados é fundamental para evitar a suspensão do benefício. A ANEEL e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social verificam regularmente as informações dos beneficiários. Famílias que não atualizam o CadÚnico por mais de dois anos podem perder a gratuidade, sendo necessário realizar uma nova solicitação.
Mudanças de endereço ou titularidade da conta também exigem comunicação imediata à distribuidora. A falta de atualização pode resultar em atrasos na aplicação do desconto ou até na exclusão do programa.
Ampliação do acesso à energia
A nova Tarifa Social reforça a política de universalização do acesso à energia, iniciada com programas como o Luz para Todos. Ao garantir gratuidade para consumos básicos, o governo busca não apenas aliviar o orçamento das famílias, mas também promover inclusão social. A energia elétrica é essencial para atividades como estudo, trabalho e preservação de alimentos, impactando diretamente a qualidade de vida.
A medida também contribui para reduzir a inadimplência e os chamados “gatos” (furtos de energia), práticas comuns em áreas de maior vulnerabilidade. Com a simplificação do cadastramento, mais famílias podem ser alcançadas, especialmente em regiões remotas.
Dicas para maximizar a economia
Além da gratuidade, as famílias podem adotar práticas para otimizar o consumo de energia e permanecer dentro do limite de 80 kWh. Pequenas mudanças no dia a dia fazem diferença no orçamento:
- Utilizar lâmpadas LED, que consomem menos energia.
- Desligar aparelhos em stand-by, como TVs e carregadores.
- Aproveitar a luz natural durante o dia.
- Evitar o uso simultâneo de eletrodomésticos de alto consumo.