A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos 1.0 flex de até 90 cavalos, prevista no programa Carro Sustentável, está prestes a transformar o mercado automotivo brasileiro. Anunciado pelo governo federal, o incentivo visa baratear carros produzidos no Brasil com foco em eficiência energética e baixa emissão de poluentes. Entre os beneficiados, destacam-se os SUVs de entrada Volkswagen Tera e Citroën Basalt, que atendem aos critérios técnicos e podem ter preços reduzidos em até R$ 7 mil. A medida, que deve vigorar até dezembro de 2026, abrange pessoas físicas e jurídicas, mas não obriga as montadoras a repassarem os descontos ao consumidor final. O programa, que será regulamentado em breve, também exclui modelos turbo, elétricos e importados, priorizando a produção nacional.
Essa iniciativa surge em um momento crucial para o setor automotivo, que enfrenta desafios como juros altos e concorrência de importados. A proposta, integrada ao programa Mover, busca estimular a indústria e facilitar o acesso a veículos mais acessíveis. Além disso, o foco em sustentabilidade reforça a preferência por combustíveis como o etanol, que emite menos CO2.
Os SUVs de entrada, uma categoria em ascensão, ganham protagonismo nesse cenário. Diferentemente de incentivos anteriores, que priorizavam hatches compactos, a nova rodada contempla modelos como Tera e Basalt, que combinam design moderno com motores econômicos.
- Critérios do programa: Motor 1.0 flex aspirado, até 90 cv, produção nacional, emissões de até 83 g CO2/km e alta reciclabilidade.
- Exclusões: Veículos turbo, elétricos e importados ficam fora do incentivo.
- Impacto esperado: Redução de até 7% no preço final, dependendo da estratégia das montadoras.
O que é o programa Carro Sustentável?
O Carro Sustentável é uma evolução de medidas anteriores, como o incentivo de 2023, que reduziu IPI e PIS/Cofins para carros de até R$ 120 mil. Diferentemente da iniciativa passada, o novo programa elimina o teto de preço e foca em critérios ambientais e técnicos. A alíquota de IPI para veículos 1.0 flex, atualmente em 7%, pode ser zerada ou reduzida, dependendo do desempenho ambiental de cada modelo.
A regulamentação, prevista para julho de 2025, será acompanhada do IPI Verde, que premia veículos menos poluentes e penaliza os mais emissivos. A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e busca modernizar a frota brasileira, incentivando a produção local.
O programa também responde à pressão de estados com polos automotivos, como São Paulo e Pernambuco, que buscam fortalecer a indústria local. A expectativa é que o aumento nas vendas compense a renúncia fiscal, estimulando a economia.
Volkswagen Tera: O novo SUV de entrada
Lançado em março de 2025, o Volkswagen Tera chegou para competir na faixa de SUVs compactos, enfrentando rivais como Citroën Basalt, Fiat Pulse e Renault Kardian. Com preço inicial de R$ 103.990, a versão MPI MT utiliza o motor 1.0 aspirado de 84 cv e 10,3 kgfm, acoplado a um câmbio manual de cinco marchas.
O modelo se destaca pelo pacote de equipamentos generoso, mesmo na configuração de entrada:
- Seis airbags, painel digital de 8 polegadas e central multimídia VW Play de 10,1 polegadas.
- Faróis e lanternas em LED, sensor de estacionamento traseiro e vidros elétricos nas quatro portas.
- Porta-malas de 350 litros, ideal para famílias pequenas.
Com a isenção de IPI, o preço do Tera MPI MT pode cair para R$ 96.711, uma redução de R$ 7.279. Essa diferença, embora significativa, depende da decisão da Volkswagen em repassar o desconto integralmente. A montadora, que já enfrentou críticas por preços elevados em modelos como o Nivus, vê no Tera uma oportunidade de conquistar consumidores na faixa de R$ 100 mil.

Citroën Basalt: O SUV-cupê mais acessível
O Citroën Basalt, apresentado em outubro de 2024, é o SUV-cupê mais barato do Brasil, com preço de tabela de R$ 100.490 na versão Feel 1.0 MT. No entanto, concessionárias praticam valores promocionais, com o modelo saindo por cerca de R$ 93.990. Equipado com o motor 1.0 Firefly de 75 cv e 10 kgfm, o Basalt combina design arrojado com itens de série competitivos.
Entre os destaques da versão de entrada, estão:
- Central multimídia de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
- Quatro airbags, rodas de liga leve de 16 polegadas e câmera de ré.
- Porta-malas de 490 litros, um dos maiores da categoria.
Com a redução de IPI, o preço de tabela do Basalt Feel MT pode chegar a R$ 93.456, uma economia de R$ 7.034. Como a Citroën já oferece descontos agressivos, o impacto real para o consumidor pode ser menor, mas o incentivo reforça a competitividade do modelo frente a rivais como o Tera.

Por que SUVs de entrada estão em alta?
Os SUVs compactos ganharam espaço no mercado brasileiro, representando quase metade das vendas de veículos novos em 2025. Modelos como Honda HR-V e Hyundai Creta, que migraram para faixas de preço mais altas, abriram espaço para opções acessíveis como Tera e Basalt. Esses veículos combinam a robustez visual dos SUVs com a economia de motores 1.0, atraindo consumidores que buscam estilo sem abrir mão da eficiência.
A ascensão dessa categoria reflete uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que valoriza design e praticidade. Além disso, a produção nacional desses modelos garante custos mais baixos e maior disponibilidade de peças, facilitando a manutenção.
O programa Carro Sustentável, ao incluir SUVs de entrada, reconhece essa tendência e busca democratizar o acesso a veículos que aliam sustentabilidade e preço competitivo.
Critérios técnicos do incentivo
Para se enquadrar no Carro Sustentável, os veículos devem atender a requisitos rigorosos:
- Motorização: 1.0 flex aspirado, com potência máxima de 90 cv.
- Emissões: Até 83 g de CO2 por km, considerando o ciclo do poço à roda.
- Produção: Fabricação no Brasil, excluindo importados.
- Reciclabilidade: Alto índice de materiais recicláveis, ainda em definição.
Esses critérios favorecem modelos como Tera e Basalt, mas excluem opções turbo, como o Fiat Pulse 1.0 T, e elétricos, que ainda não são produzidos localmente. A priorização do etanol, menos poluente que a gasolina, também beneficia os motores flex, comuns nos SUVs de entrada.
Comparação de preços com e sem IPI
A tabela abaixo detalha o impacto da isenção de IPI nos preços dos dois SUVs:
- Citroën Basalt Feel 1.0 MT: De R$ 100.490 para R$ 93.456 (economia de R$ 7.034).
- Volkswagen Tera MPI MT: De R$ 103.990 para R$ 96.711 (economia de R$ 7.279).
Embora os valores sejam estimativas, a redução de 7% no IPI é um atrativo significativo. No entanto, especialistas alertam que montadoras podem absorver parte do desconto para aumentar margens de lucro, especialmente em um mercado com alta demanda por SUVs.
Outros SUVs elegíveis?
Além de Tera e Basalt, poucos SUVs de entrada atendem aos critérios do programa. Modelos como Fiat Pulse e Renault Kardian, que utilizam motores 1.0 turbo, ficam de fora devido à potência superior a 90 cv. A ausência de outros concorrentes diretos reforça a posição de Volkswagen e Citroën nesse nicho.
Montadoras como Chevrolet e Hyundai, que produzem hatches 1.0 como Onix e HB20, ainda não anunciaram SUVs com motores aspirados elegíveis. Caso o programa tenha sucesso, é possível que novas versões sejam desenvolvidas para aproveitar o incentivo.
Benefícios para consumidores e frotistas
O Carro Sustentável beneficia tanto pessoas físicas quanto jurídicas, incluindo locadoras e frotistas. Essa abrangência aumenta o potencial de impacto no mercado, já que empresas de aluguel de veículos representam uma fatia significativa das vendas. Para consumidores individuais, a redução de preços pode facilitar o financiamento, especialmente em um contexto de juros altos, que chegam a 24% ao ano.
A iniciativa também é uma oportunidade para renovar a frota brasileira, que tem idade média de 10 anos. Veículos mais eficientes, como Tera e Basalt, contribuem para a redução de emissões e o consumo consciente.
Desafios da implementação
A implementação do programa enfrenta obstáculos. A renúncia fiscal, estimada em bilhões de reais, exige compensações fiscais, como o aumento de impostos sobre veículos importados ou combustíveis fósseis. Além disso, a alta da taxa Selic e o crédito caro limitam o acesso a carros novos, especialmente para a classe média, com renda média de R$ 3.270, segundo o IBGE.
Outro ponto é a incerteza sobre o repasse dos descontos. Em 2023, algumas montadoras mantiveram preços promocionais sem refletir integralmente a redução de impostos. A Stellantis, dona da Citroën, é conhecida por oferecer descontos agressivos, o que pode diluir o impacto do IPI zerado no Basalt.
Expectativas do setor automotivo
O setor automotivo, que emprega 1,2 milhão de pessoas e responde por 20% do PIB da indústria de transformação, aguarda com otimismo a regulamentação do programa. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) destaca que o incentivo pode aquecer as vendas, mas cobra previsibilidade nas políticas fiscais.
A produção de veículos no Brasil, que caiu de 3,7 milhões em 2013 para 2,8 milhões em 2024, enfrenta capacidade ociosa e custos elevados. O Carro Sustentável é visto como uma chance de reverter essa estagnação, especialmente para modelos de entrada.
Sustentabilidade em foco
A ênfase na sustentabilidade é um diferencial do programa. A medição de emissões do “poço à roda” considera todo o ciclo de produção e uso do combustível, favorecendo o etanol. Além disso, a exigência de reciclabilidade incentiva montadoras a adotarem materiais mais sustentáveis, alinhando a indústria automotiva às metas globais de descarbonização.
O IPI Verde, que acompanha o Carro Sustentável, reforça essa tendência, premiando veículos com eficiência energética superior. A iniciativa é um passo rumo à modernização da frota brasileira, mas a exclusão de elétricos e híbridos, devido à falta de produção local, limita o alcance das metas ambientais.