A desvalorização de veículos no Brasil em 2025 é um tema crucial para quem planeja comprar ou vender um carro, com modelos como o JAC E-JS4 liderando as perdas, segundo a análise do Qual Comprar 2025, publicada pela Autoesporte. Realizada com base na Tabela Fipe, a pesquisa avaliou mais de 180 automóveis em 20 categorias, considerando fatores como consumo, manutenção, seguro e revenda. O estudo destaca os 10 carros que mais perdem valor, trazendo alertas para consumidores e investidores do setor automotivo. Essa alta depreciação reflete desafios como baixa capilaridade de concessionárias, autonomia limitada em elétricos e custos elevados de peças. O levantamento foi divulgado em julho de 2025, com dados coletados entre junho de 2024 e maio de 2025, apontando tendências do mercado brasileiro.
A escolha de um veículo vai além do preço inicial, já que a desvalorização impacta diretamente o bolso na hora da revenda. Modelos elétricos e híbridos, embora econômicos em combustível, dominam o ranking devido a fatores como infraestrutura limitada e percepção de mercado. A seguir, os principais destaques do estudo:
- Liderança do JAC E-JS4: Com 37,5% de perda, o SUV elétrico é o que mais desvaloriza no Brasil.
- Presença de elétricos: Renault Kwid E-Tech e JAC E-JS7 também figuram entre os mais depreciados.
- Modelos premium: Jeep Commander e Honda Accord aparecem, apesar de pacotes robustos de equipamentos.
O mercado automotivo brasileiro enfrenta um cenário dinâmico, com consumidores cada vez mais atentos a custos de longo prazo. A seguir, exploramos os detalhes desses veículos e os fatores que influenciam suas altas taxas de desvalorização.
JAC E-JS4: O campeão indesejado da desvalorização
O JAC E-JS4, SUV médio elétrico, encabeça a lista com uma depreciação de 37,5% em apenas um ano. Vendido por R$ 254.900, o modelo enfrenta desafios significativos no mercado brasileiro. Sua bateria de 55 kWh alimenta um motor de 150 cv e 34,7 kgfm, mas a autonomia de apenas 256 km, segundo o Inmetro, fica aquém de concorrentes. O porta-malas de 520 litros é um ponto positivo, mas não compensa a percepção de risco dos compradores. A baixa capilaridade da rede de concessionárias da JAC Motors e a infraestrutura limitada para elétricos no Brasil agravam a situação.
Além disso, o mercado de revenda de veículos elétricos ainda é restrito, com consumidores receosos sobre a durabilidade das baterias e os custos de manutenção. A combinação desses fatores torna o E-JS4 uma escolha arriscada para quem prioriza o valor de revenda, apesar de seu preço competitivo na categoria.
Elétricos no topo: JAC E-JS7 e Renault Kwid E-Tech
Os veículos elétricos dominam o pódio da desvalorização, com o JAC E-JS7 e o Renault Kwid E-Tech ocupando o segundo e terceiro lugares, respectivamente. O JAC E-JS7, um sedã médio que compete com o BYD Seal, perde 32,6% de seu valor (R$ 259.990). Equipado com um motor elétrico de 192 cv e bateria de 50,1 kWh, ele oferece 249 km de autonomia e um porta-malas de 520 litros. Apesar da cabine espaçosa e da aceleração de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos, a marca enfrenta dificuldades com a percepção de qualidade e a rede de assistência técnica.
Já o Renault Kwid E-Tech, com preço de R$ 139.990, desvaloriza 25,9%. Sua bateria de 26 kWh entrega 65 cv e 11,5 kgfm, com autonomia de 265 km. O hatch elétrico tem um porta-malas de 290 litros, superior ao rival JAC E-JS1, mas sofre com a baixa demanda no mercado de usados. Fatores como o alto custo de reparos e a concorrência de modelos a combustão mais acessíveis impactam sua revenda.

Fatores que impulsionam a desvalorização
A desvalorização de um carro é influenciada por múltiplos aspectos, que vão desde a marca até a percepção do consumidor. No caso dos modelos listados, alguns elementos se destacam:
- Infraestrutura para elétricos: A limitada rede de carregamento no Brasil desestimula a compra de veículos elétricos, reduzindo seu valor de mercado.
- Rede de concessionárias: Marcas como JAC têm baixa presença, dificultando manutenção e revenda.
- Custo de peças e seguro: Modelos como o Honda CR-V Advanced Hybrid enfrentam preços elevados de componentes, afastando compradores de usados.
- Percepção de marca: Marcas menos consolidadas no Brasil, como JAC, sofrem com menor confiança do público.
Esses fatores criam um ciclo de baixa demanda, que pressiona ainda mais os preços no mercado de usados.
Honda CR-V e Accord: Surpresas entre os híbridos
Entre os híbridos, o Honda CR-V Advanced Hybrid (R$ 352.900) e o Honda Accord Advanced Hybrid (R$ 332.400) aparecem com desvalorizações de 22,4% e 20,1%, respectivamente. O CR-V, em sua sexta geração, combina um motor 2.0 aspirado a um sistema híbrido, entregando 207 cv e 34,5 kgfm. Seu porta-malas de 581 litros e o espaço para cinco ocupantes são atrativos, mas os altos custos de peças e seguro prejudicam a revenda.
O Accord, por sua vez, é um sedã de luxo com motor 2.0 a gasolina e um propulsor elétrico, totalizando 207 cv. Seu porta-malas de 574 litros e a economia de combustível são pontos fortes, mas a categoria de sedãs premium enfrenta baixa procura no Brasil, impactando o valor de revenda. Ambos os modelos refletem a dificuldade de híbridos premium em manterem seu valor em um mercado dominado por SUVs.
Caoa Chery Tiggo 8 PHEV: Híbrido com desafios
O Caoa Chery Tiggo 8 Plug-in Hybrid, com preço de R$ 269.990, desvaloriza 21%. O SUV combina um motor 1.5 turbo a gasolina com um propulsor elétrico, entregando 317 cv e 56 kgfm. Seu porta-malas de 889 litros (com a terceira fileira rebatida) e os novos equipamentos, como head-up display e acabamento em couro, são atrativos. Contudo, a desvalorização reflete a concorrência acirrada no segmento de SUVs híbridos e a percepção de risco associada à marca, que ainda busca maior consolidação no Brasil.
Mini Countryman SE All4: Estilo que custa caro
O Mini Countryman SE All4, modelo elétrico de R$ 379.990, perde 20,5% de seu valor. Com bateria de 66 kWh e motores elétricos nos dois eixos, ele entrega 306 cv e 50,4 kgfm, alcançando 0 a 100 km/h em 5,8 segundos. A autonomia de 320 km é razoável, mas o design controverso da nova geração e o preço elevado limitam sua aceitação no mercado de usados. A sofisticação e o conforto do SUV inglês não foram suficientes para compensar a depreciação.
Jeep Commander Overland: SUV premium na lista
O Jeep Commander Overland, com preço de R$ 335.990, é um dos SUVs de sete lugares mais vendidos no Brasil, mas desvaloriza 19%. Equipado com um motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e câmbio automático de oito marchas, o modelo oferece 661 litros de porta-malas (sem a terceira fileira). Seu pacote competitivo de equipamentos e preço atrativo não evitam a depreciação acima da média, impulsionada pela alta concorrência no segmento de SUVs premium.
Nissan Frontier XE: A única picape do ranking
Fechando a lista, a Nissan Frontier XE (R$ 315.690) desvaloriza 18,8%. A picape, que teve sua produção suspensa na Argentina, conta com um motor 2.4 turbodiesel de 190 cv e 45,9 kgfm, além de uma caçamba com 1.010 kg de carga útil. Apesar da garantia de seis anos e do pacote de manutenção acessível, a incerteza sobre sua fabricação e a concorrência com modelos mais modernos afetam seu valor de revenda.
Tendências do mercado automotivo em 2025
O ranking de desvalorização reflete as mudanças no mercado brasileiro, com a crescente presença de elétricos e híbridos. Esses veículos, embora sustentáveis, enfrentam barreiras como custos de manutenção e infraestrutura limitada. Marcas consolidadas, como Honda e Jeep, também aparecem na lista, mostrando que até modelos premium não estão imunes à depreciação.
A escolha de um carro em 2025 exige atenção a fatores como marca, tecnologia e rede de assistência. Consumidores que planejam revender o veículo em curto prazo devem priorizar modelos com boa aceitação no mercado de usados, enquanto aqueles que buscam economia de combustível podem optar por elétricos e híbridos, desde que estejam cientes das perdas na revenda.