A Red Bull Racing anunciou a demissão de Christian Horner, seu diretor de equipe por 20 anos, em uma decisão que pegou o mundo da Fórmula 1 de surpresa na quarta-feira, 9 de julho de 2025. O comunicado, emitido pela equipe, não especificou os motivos da saída, mas destacou a trajetória vitoriosa do britânico de 51 anos, que liderou a equipe desde sua entrada na categoria em 2005. Laurent Mekies, até então chefe da Racing Bulls, equipe irmã da Red Bull, foi nomeado como novo CEO e diretor da equipe principal, assumindo o cargo com efeito imediato. A mudança ocorre em um momento de instabilidade para a Red Bull, com desempenho abaixo do esperado na temporada de 2025 e rumores sobre o futuro do piloto Max Verstappen. A decisão marca o fim de uma era para a equipe, que sob Horner conquistou oito títulos de pilotos e seis de construtores.
A trajetória de Horner na Red Bull é marcada por momentos de glória e controvérsias recentes que abalaram a imagem da equipe. Nos últimos meses, a Red Bull enfrentou desafios dentro e fora das pistas, incluindo a perda de figuras-chave como o projetista Adrian Newey e o diretor esportivo Jonathan Wheatley. A demissão de Horner, no entanto, não era esperada, especialmente após ele ter resistido a um escândalo em 2024 envolvendo acusações de comportamento inapropriado, das quais foi absolvido. A seguir, detalhamos os principais aspectos dessa mudança histórica.
- Legado de Horner: Liderou a Red Bull a 124 vitórias em GPs, 107 poles e 287 pódios.
- Novo comando: Laurent Mekies traz experiência da Ferrari e da Racing Bulls.
- Desafios atuais: Red Bull está em quarto no campeonato de construtores, atrás de McLaren, Ferrari e Mercedes.
Uma carreira de conquistas na Red Bull
Christian Horner assumiu o comando da Red Bull Racing em 2005, quando a empresa de energéticos adquiriu a equipe Jaguar. Aos 31 anos, ele era um dos diretores mais jovens da Fórmula 1, mas rapidamente transformou a equipe em uma potência. Sob sua liderança, a Red Bull conquistou seu primeiro título mundial em 2010, com Sebastian Vettel, iniciando uma sequência de quatro campeonatos consecutivos de pilotos e construtores entre 2010 e 2013. Anos mais tarde, a chegada de Max Verstappen consolidou a equipe como dominante, com o holandês vencendo quatro títulos seguidos entre 2021 e 2024.
O sucesso de Horner também foi marcado por decisões estratégicas, como a contratação do projetista Adrian Newey em 2006, cuja genialidade foi essencial para os carros vencedores da equipe. Além disso, Horner foi responsável por criar uma cultura de inovação e competitividade, transformando a Red Bull em uma das marcas mais reconhecíveis do esporte. No entanto, os últimos anos trouxeram desafios que começaram a ofuscar esse legado.
Polêmicas que marcaram a trajetória recente
Nos últimos 18 meses, Horner enfrentou uma série de controvérsias que abalaram sua posição na Red Bull. Em fevereiro de 2024, uma funcionária da equipe acusou o diretor de comportamento inapropriado, incluindo mensagens de cunho sexual. A Red Bull contratou um advogado independente para investigar as alegações, e Horner foi absolvido em duas ocasiões, mesmo após o vazamento de supostas mensagens para a imprensa. A situação gerou tensões internas, especialmente com Jos Verstappen, pai de Max, que chegou a declarar que a equipe “se desintegraria” se Horner permanecesse no cargo.
A pressão sobre Horner aumentou com a saída de figuras importantes da equipe. Adrian Newey, considerado o maior projetista da história da F1, anunciou sua saída em 2024, seguido por outros nomes como Jonathan Wheatley e Rob Marshall. Essas perdas enfraqueceram a estrutura técnica da Red Bull, enquanto a equipe enfrentava dificuldades para manter sua competitividade nas pistas. A temporada de 2025, em particular, expôs as fraquezas do time, com apenas duas vitórias em 12 corridas.
Desempenho em declínio na temporada de 2025
A temporada de 2025 tem sido um dos maiores desafios para a Red Bull desde a era dominante de Mercedes, entre 2014 e 2020. Max Verstappen, apesar de conquistar duas vitórias, está em terceiro no campeonato de pilotos, 69 pontos atrás do líder Oscar Piastri, da McLaren. A equipe, por sua vez, ocupa a quarta posição no campeonato de construtores, com 162 pontos, contra 417 da McLaren. O desempenho inconsistente de Yuki Tsunoda, que substituiu Liam Lawson após duas corridas, também contribuiu para os resultados decepcionantes.
No Grande Prêmio da Grã-Bretanha, a última corrida sob o comando de Horner, Verstappen largou na pole, mas terminou em quinto após um erro em condições de chuva. A corrida simbolizou os problemas da Red Bull, que luta para acompanhar o ritmo de McLaren, Ferrari e Mercedes. A falta de competitividade do carro, aliada às saídas de membros-chave, colocou a equipe em uma posição vulnerável, aumentando a pressão sobre a liderança.
- Pontuação no campeonato de construtores:
- McLaren: 417 pontos
- Ferrari: 333 pontos
- Mercedes: 245 pontos
- Red Bull: 162 pontos
- Vitórias em 2025: Apenas duas, ambas de Verstappen.
- Desempenho de Tsunoda: Último entre os carros que completaram o GP da Áustria.
Quem é Laurent Mekies, o novo chefe da Red Bull?
Laurent Mekies, o novo CEO e diretor da Red Bull Racing, traz uma vasta experiência no automobilismo. Antes de ingressar na Racing Bulls, Mekies trabalhou como diretor de corridas da Ferrari, onde desenvolveu habilidades em gestão de equipe e estratégia. Sua passagem pela Racing Bulls foi marcada por avanços significativos, com a equipe conquistando resultados sólidos em 2024. Agora, Mekies enfrenta o desafio de liderar a Red Bull em um momento de transição, com a missão de recuperar a competitividade e manter Verstappen na equipe.
A nomeação de Mekies também gerou mudanças na Racing Bulls, onde Alan Permane, ex-diretor esportivo da Alpine, assumiu o cargo de chefe de equipe. Permane é conhecido por sua experiência técnica e deve trabalhar ao lado do CEO Peter Bayer para fortalecer a equipe secundária da Red Bull. A reestruturação reflete o desejo da empresa de revitalizar suas operações em um momento crítico para o futuro da marca na Fórmula 1.
Rumores sobre o futuro de Max Verstappen
A demissão de Horner intensificou as especulações sobre o futuro de Max Verstappen, que tem contrato com a Red Bull até 2028, mas com cláusulas de saída baseadas em desempenho. A Mercedes, liderada por Toto Wolff, tem manifestado interesse no holandês, especialmente após a confirmação da transferência de Lewis Hamilton para a Ferrari em 2025. Verstappen, no entanto, evitou comentários definitivos sobre seu futuro, focando em sua busca por resultados na atual temporada.
A relação entre Verstappen e Horner nem sempre foi harmoniosa, especialmente após as tensões com Jos Verstappen durante o escândalo de 2024. A saída de Horner pode ser vista como uma tentativa de apaziguar o entorno do piloto, mas também levanta questões sobre a estabilidade da equipe. A Red Bull agora precisa convencer Verstappen de que pode voltar a ser competitiva, especialmente com as mudanças regulamentares previstas para 2026, que prometem alterar a hierarquia da Fórmula 1.
Divisões internas e a luta pelo poder
A Red Bull enfrentou divisões internas significativas desde a morte de Dietrich Mateschitz, fundador da empresa, em 2022. A equipe é controlada por dois grupos principais: 49% pertencem à família Mateschitz, liderada por Mark Mateschitz, enquanto a maioria é detida pela família Yoovidhya, da Tailândia. Essas divisões se refletiram em conflitos entre Horner e outros membros da equipe, incluindo Helmut Marko, consultor de automobilismo da Red Bull. Marko, aliado próximo de Verstappen, também esteve sob pressão, mas permanece na equipe até o momento.
A luta pelo poder foi agravada pelas saídas de figuras-chave e pelas dificuldades na pista. A Red Bull, que já foi conhecida por sua coesão e eficiência, passou a ser vista como uma equipe instável, com impacto direto em sua imagem e desempenho. A demissão de Horner pode ser interpretada como um movimento para estabilizar a organização, mas também sinaliza o fim de uma era de domínio.
Preparativos para o futuro da Red Bull
Com Laurent Mekies no comando, a Red Bull agora enfrenta o desafio de reconstruir sua competitividade. A equipe está desenvolvendo um motor próprio para 2026, quando novas regras de motores entrarão em vigor. Esse projeto, liderado pela Red Bull Powertrains, é visto como crucial para o futuro da equipe, especialmente após anos dependendo de fornecedores como Renault e Honda. Mekies terá a tarefa de supervisionar essa transição enquanto mantém a equipe unida.
Além disso, a Red Bull precisa resolver a questão do segundo piloto. Yuki Tsunoda, que assumiu a vaga de Liam Lawson, tem enfrentado dificuldades para pontuar, enquanto Verstappen carrega o peso dos resultados da equipe. A escolha de um companheiro de equipe competitivo será essencial para melhorar a posição da Red Bull no campeonato de construtores.
O que esperar do próximo GP
O próximo Grande Prêmio, na Bélgica, será o primeiro sob a liderança de Mekies. A corrida, marcada para os dias 25 a 27 de julho, será uma oportunidade para a Red Bull demonstrar sua capacidade de reação. Verstappen, apesar dos desafios, continua sendo um dos favoritos, mas a equipe precisará de um desempenho coletivo mais forte para reduzir a diferença para McLaren, Ferrari e Mercedes. A pista de Spa-Francorchamps, conhecida por suas longas retas e curvas desafiadoras, pode favorecer a Red Bull, mas apenas se a equipe conseguir ajustar o carro às condições.
A temporada de 2025, com 24 corridas, ainda oferece chances para a Red Bull se recuperar, mas o caminho será árduo. A demissão de Horner, embora surpreendente, pode marcar o início de uma nova fase para a equipe, que busca recuperar sua posição como líder da Fórmula 1.