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IPCA registra alta de 0,24% em junho puxada por energia e alimentos

IPCA, inflação, economia
IPCA, inflação, economia - Foto: MT.PHOTOSTOCK/ Shutterstock.com IPCA, inflação, economia - Foto: MT.PHOTOSTOCK/ Shutterstock.com

Os preços no Brasil registraram alta de 0,24% em junho de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (10). A variação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi impulsionada principalmente pelo aumento nas tarifas de energia elétrica, que subiram 3,06% no período. A divulgação ocorreu em um contexto de preocupações com a inflação acumulada, que atingiu 5,35% nos últimos 12 meses, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,5%. O resultado, registrado em 13 áreas urbanas do país, reflete pressões em setores como habitação e alimentação, com impactos diretos no bolso dos consumidores. A alta foi maior que as projeções do mercado, que esperavam variação de 0,19%, e marca a maior taxa para o mês desde 2022.

A energia elétrica, principal responsável pela elevação do IPCA, sofreu reajustes em várias regiões, além da aplicação da bandeira tarifária vermelha patamar 1, que adicionou R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos. Outros grupos, como alimentação e bebidas, também contribuíram, embora com menor intensidade. O IBGE destacou que o índice desacelerou em relação a maio, quando a alta foi de 0,26%, mas a inflação acumulada em 12 meses preocupa analistas.

supermercados verduras e frutas
supermercados verduras e frutas

O cenário econômico, marcado por um mercado de trabalho aquecido e aumento na demanda por bens e serviços, pressiona os preços. O Banco Central, em resposta ao descumprimento do teto da meta, publicará uma carta explicando os motivos do resultado.

  • Principais fatores da alta em junho:
    • Energia elétrica: +3,06% devido à bandeira vermelha e reajustes regionais.
    • Alimentação e bebidas: +0,29%, com destaque para leite longa vida e batata inglesa.
    • Saúde e cuidados pessoais: +0,42%, influenciada por planos de saúde.

Alta da energia elétrica pressiona o IPCA

O grupo de habitação, que inclui a energia elétrica, foi o grande destaque na composição do IPCA de junho, com alta de 1,21%. A energia elétrica residencial, sozinha, respondeu por 0,12 ponto percentual do índice geral, segundo o IBGE. A mudança para a bandeira tarifária vermelha, acionada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) devido à redução de chuvas e maior uso de termelétricas, encareceu as contas de luz.

Além disso, reajustes tarifários em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte intensificaram a pressão. Em algumas regiões, como Recife e Fortaleza, os aumentos superaram 5%. O gerente da pesquisa do IPCA, André Almeida, explicou que a transição do período chuvoso para o seco elevou os custos de geração de energia, impactando diretamente as tarifas.

A alta no setor de habitação não se limitou à energia. A taxa de água e esgoto subiu 0,89%, com ajustes em Brasília e Salvador, enquanto o gás encanado avançou 0,45%. Esses aumentos, embora menores, reforçam o peso do grupo no orçamento familiar, especialmente para famílias de baixa renda.

Alimentação e bebidas com impacto moderado

O grupo de alimentação e bebidas registrou alta de 0,29% em junho, contribuindo com 0,06 ponto percentual para o IPCA. Apesar de menor que em meses anteriores, a variação reflete desafios na oferta de alguns produtos. O leite longa vida, com aumento de 6,82%, foi o item de maior impacto, seguido pela batata inglesa, que subiu 12,34%.

A redução na produção de leite, causada por condições climáticas adversas no Sul e entressafra no Sudeste e Centro-Oeste, elevou os preços. Já a batata inglesa sofreu com a menor oferta no mercado. Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter a alta do grupo:

  • Tomate: -8,45%, beneficiado por melhores condições de safra.
  • Arroz: -1,23%, com maior oferta no mercado interno.
  • Frutas: -0,89%, com destaque para a queda no preço da banana.

A alimentação fora do domicílio, como refeições em restaurantes, subiu 0,38%, influenciada pelo aumento na demanda durante o período de férias escolares. Esse movimento sazonal, segundo o IBGE, é comum em junho, mas foi menos intenso que em anos anteriores.

Saúde e cuidados pessoais em alta

O setor de saúde e cuidados pessoais avançou 0,42%, impulsionado pelo reajuste de 0,56% nos planos de saúde, autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Produtos farmacêuticos também subiram 0,34%, refletindo aumentos autorizados em março.

Itens de higiene pessoal, como perfumes (+1,12%), também pesaram no índice. A alta nesse grupo reflete tanto fatores sazonais, com maior consumo no período de inverno, quanto a pressão de custos repassados ao consumidor. Apesar do impacto, o IBGE destacou que a variação foi menor que em maio, quando o grupo subiu 0,54%.

Transportes com variação positiva

O grupo de transportes registrou alta de 0,27%, puxada principalmente pelo aumento de 2,89% nas passagens aéreas. O período de férias escolares contribuiu para a maior demanda, elevando os preços. Os combustíveis, por outro lado, tiveram variação modesta:

  • Gasolina: +0,15%.
  • Etanol: +0,32%.
  • Gás veicular: -0,18%.

A estabilidade nos preços dos combustíveis, segundo analistas, reflete a ausência de reajustes significativos pela Petrobras no período. Já o transporte por aplicativo subiu 1,45%, influenciado pelo aumento na demanda urbana.

Inflação acumulada preocupa

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,35%, acima do teto da meta de inflação de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No acumulado do ano, a inflação atingiu 3,01%, com destaque para os meses de fevereiro (1,31%) e março (0,56%), que registraram as maiores taxas de 2025.

O descumprimento da meta por seis meses consecutivos levou o Banco Central a preparar uma carta aberta, a ser publicada ainda nesta quinta-feira (10). O documento explicará as razões para a inflação elevada, como o mercado de trabalho aquecido, que aumenta a demanda, e fatores climáticos que afetam preços de alimentos e energia.

Comparação com meses anteriores

A alta de 0,24% em junho é inferior à de maio (0,26%), mas superior à de junho de 2023, quando houve deflação de 0,08%. O IBGE destacou que a inflação de junho de 2025 é a maior para o mês desde 2022, quando os preços subiram 0,67%.

A desaceleração em relação a maio foi influenciada pela queda em alguns grupos, como comunicação (-0,12%), puxada por tarifas de telefonia e internet. Vestuário também recuou 0,09%, com promoções sazonais em roupas e calçados. Esses fatores ajudaram a conter o avanço do índice geral.

Regiões com maior alta

As variações do IPCA diferiram entre as 13 regiões pesquisadas pelo IBGE. Recife registrou a maior alta, de 0,48%, devido a reajustes na energia elétrica e aumento nos preços de alimentos. Em contrapartida, São Luís teve a menor variação, de 0,11%, beneficiada por quedas em itens como combustíveis e vestuário.

  • Maiores altas regionais:
    • Recife: 0,48%.
    • Fortaleza: 0,39%.
    • Belo Horizonte: 0,35%.
  • Menores variações:
    • São Luís: 0,11%.
    • Brasília: 0,14%.

Fatores sazonais e climáticos

A alta do IPCA em junho reflete, em parte, fatores sazonais, como o aumento na demanda por passagens aéreas e serviços de turismo durante as férias. Além disso, condições climáticas adversas impactaram a produção de alimentos, como leite e batata, enquanto a seca elevou os custos de energia.

O IBGE destacou que o fenômeno La Niña, esperado para 2025, pode trazer alívio às safras agrícolas, mas a transição para o período seco continua desafiando o setor energético. A combinação desses fatores mantém a inflação em patamares elevados, apesar da desaceleração mensal.

Pressão sobre o Banco Central

O resultado do IPCA reforça a pressão sobre o Banco Central, que elevou a taxa Selic para 13,25% ao ano em 2025, após uma sequência de quatro altas. A política de juros mais altos visa conter o consumo e reduzir a demanda, mas os efeitos demoram meses para impactar a economia.

Analistas apontam que a inflação acumulada acima do teto da meta pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a manter ou aumentar a Selic nas próximas reuniões. A carta do Banco Central, aguardada para hoje, detalhará as medidas para reconduzir a inflação ao intervalo da meta.

Setores com deflação

Nem todos os grupos pesquisados pelo IBGE registraram alta. O setor de comunicação, por exemplo, caiu 0,12%, influenciado por promoções em serviços de telefonia e internet. O grupo de vestuário também apresentou deflação de 0,09%, com destaque para a queda de 0,45% em roupas femininas.

Essas reduções, embora pequenas, ajudaram a equilibrar o índice geral. O IBGE destacou que promoções sazonais e maior concorrência no setor de telecomunicações foram os principais fatores para a queda nesses grupos.

Cenário econômico em 2025

O ano de 2025 tem sido marcado por desafios econômicos, com a inflação pressionada por fatores climáticos, alta na demanda e custos de produção. Apesar da desaceleração em junho, o acumulado de 5,35% em 12 meses preocupa o governo e analistas, que temem impactos no poder de compra das famílias.

O mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, eleva a circulação de renda, mas também pressiona os preços de bens e serviços. A expectativa é que o Banco Central intensifique medidas para conter a inflação, enquanto o governo busca estratégias para aliviar os custos de itens essenciais, como energia e alimentos.

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