Milhares de estudantes da rede pública de ensino médio no Brasil estão deixando de acessar mais de R$ 1.000 em incentivos financeiros do programa Pé-de-Meia em 2025, devido à falta de informação e barreiras no cadastro. Lançado pelo governo federal em 2024, o programa oferece pagamentos para estimular a permanência e a conclusão escolar, com depósitos que incluem incentivos de matrícula, frequência e bônus por desempenho. Apesar de beneficiar cerca de 3,9 milhões de jovens, muitos não sabem que têm valores disponíveis em contas digitais abertas automaticamente pela Caixa Econômica Federal. O problema, identificado em 9 de julho de 2025, reflete desafios como desinformação, dificuldades de acesso a aplicativos e cadastros desatualizados, que impedem o uso de recursos essenciais para a educação.
O Pé-de-Meia, coordenado pelo Ministério da Educação, tem como alvo estudantes de baixa renda inscritos no Cadastro Único, com idades entre 14 e 24 anos. A iniciativa já reduziu a evasão escolar em 25% desde sua criação, mas a falta de comunicação eficaz ainda limita seu alcance.
- Incentivo de matrícula: R$ 200 pagos no início do ano letivo.
- Incentivo de frequência: Até R$ 1.800 anuais, divididos em parcelas mensais.
- Bônus de conclusão: R$ 1.000 por ano letivo aprovado, sacado após a formatura.
A desinformação e os entraves burocráticos têm gerado preocupação entre educadores, que buscam formas de ampliar o acesso aos benefícios.
Barreiras no acesso aos valores
A principal razão para que muitos estudantes desconheçam os valores disponíveis é a falta de acesso a canais oficiais de comunicação. O programa utiliza o aplicativo Jornada do Estudante para informar sobre elegibilidade e extratos, mas nem todos os jovens têm smartphones ou conexão à internet. Além disso, a divulgação nas escolas varia entre os estados, com algumas redes públicas enfrentando dificuldades para orientar os alunos.
Outro obstáculo é a exigência de dados atualizados no Cadastro Único (CadÚnico). Famílias que mudaram de endereço, alteraram a composição familiar ou não regularizaram o CPF do estudante enfrentam bloqueios nos pagamentos. Em algumas regiões, a ausência de Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) próximos agrava o problema, dificultando a atualização cadastral.
Como funciona o Pé-de-Meia
Instituído pela Lei nº 14.818/2024, o Pé-de-Meia oferece uma poupança educacional para estudantes do ensino médio público, com foco em reduzir a desigualdade social e promover a mobilidade social. Os pagamentos são divididos em incentivos de matrícula, frequência, conclusão e participação no Enem, podendo chegar a R$ 9.200 ao longo dos três anos do ensino médio.
- Elegibilidade: Estudantes de 14 a 24 anos, inscritos no CadÚnico, com renda familiar per capita de até meio salário mínimo.
- Frequência mínima: 80% das aulas, aferida mensalmente.
- Bônus de conclusão: R$ 1.000 por ano letivo, bloqueado até a formatura.
- Incentivo Enem: R$ 200 para alunos do 3º ano que participam do exame.
A Caixa Econômica Federal abre contas digitais automaticamente para os beneficiários, mas menores de 18 anos precisam do consentimento dos responsáveis para movimentar os valores.
Desafios na comunicação escolar
As secretarias estaduais de educação têm intensificado campanhas para informar os estudantes, mas o alcance ainda é desigual. Em estados como Bahia e Pernambuco, onde o programa já beneficia mais de 400 mil alunos, as escolas organizam palestras e distribuem cartilhas. No entanto, em regiões mais remotas, a falta de infraestrutura digital e a baixa alfabetização tecnológica dificultam o acesso às informações.
Um exemplo é o caso de escolas rurais, onde diretores relatam que muitos alunos não possuem CPF ou não sabem como acessar o aplicativo Caixa Tem. Professores têm se mobilizado para orientar as famílias, mas a sobrecarga de tarefas administrativas nas escolas públicas limita essas ações.

Impacto na redução da evasão
O Pé-de-Meia já demonstra resultados significativos. Dados do Ministério da Educação apontam que, desde 2024, o programa reduziu a evasão escolar em 25%, com cerca de 90% dos beneficiários aprovados no ano letivo. Em 2025, a expectativa é atender 2,5 milhões de estudantes, com um investimento de R$ 12,5 bilhões.
Estudantes como Gustavo Henry, de 17 anos, do Distrito Federal, destacam a importância do programa. Com os R$ 200 mensais, ele conseguiu custear materiais escolares e transporte, reduzindo a dependência financeira da família. Casos como esse mostram como o incentivo financeiro impacta diretamente a permanência escolar.
Passos para consultar os valores
Para verificar se há valores disponíveis, os estudantes devem acessar o aplicativo Jornada do Estudante ou o Caixa Tem, utilizando o CPF e a senha do portal Gov.br. O processo é simples, mas exige que os dados estejam atualizados.
- Baixe o aplicativo: Disponível para Android e iOS.
- Acesse com CPF: Use a conta Gov.br ou crie uma senha no Caixa Tem.
- Consulte o extrato: Verifique pagamentos e pendências.
- Regularize pendências: Atualize o CadÚnico no CRAS, se necessário.
Se houver inconsistências, como dados divergentes entre o MEC e a Caixa, a escola deve ser contatada para corrigir as informações. Pagamentos retroativos podem ser liberados após a regularização.
Problemas cadastrais frequentes
Muitos estudantes enfrentam bloqueios nos pagamentos devido a problemas no cadastro. A ausência de CPF regularizado é um dos principais entraves, especialmente entre adolescentes de 14 a 16 anos. Além disso, famílias que não atualizam o CadÚnico há mais de dois anos podem perder a elegibilidade temporariamente.
Em 2025, o MEC estima que cerca de 10% dos beneficiários potenciais estão com cadastros desatualizados. Para resolver, é necessário comparecer ao CRAS com documentos de todos os membros da família, incluindo comprovante de residência e CPF.
Benefícios para a educação de jovens e adultos
O Pé-de-Meia também contempla estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), com idades entre 19 e 24 anos. Nessa modalidade, os incentivos são pagos em quatro parcelas semestrais de R$ 225, além do bônus de matrícula e conclusão. A inclusão da EJA reflete o compromisso do programa em atender jovens que retornam aos estudos após interrupções.
Em 2025, a expansão para estudantes de licenciatura foi anunciada, oferecendo até R$ 1.050 mensais para futuros professores, com o objetivo de suprir a carência de educadores na rede pública.
Gestão financeira dos valores
Os incentivos de matrícula e frequência, como os R$ 200 mensais, podem ser sacados livremente pelos estudantes, permitindo o uso em despesas como transporte, alimentação ou material escolar. Já os bônus de conclusão e Enem ficam bloqueados em uma poupança, acessível apenas após a formatura no ensino médio.
Para menores de idade, o responsável legal deve autorizar a movimentação da conta pelo aplicativo Caixa Tem ou em uma agência da Caixa. Estudantes com 18 anos ou mais têm acesso direto aos valores desbloqueados.
Ampliação do programa em 2025
O Pé-de-Meia passou por ajustes em 2025, com a inclusão de novos beneficiários do CadÚnico e a renovação automática para alunos que avançaram para o 2º ou 3º ano. O calendário de pagamentos, divulgado em fevereiro, prevê o primeiro depósito de matrícula entre 31 de março e 7 de abril.
A expansão para a Bahia, anunciada em 2025, elevou o número de beneficiários no estado para 406 mil, um aumento de 50% em relação a 2024. Outros estados, como São Paulo e Minas Gerais, também registraram crescimento no número de alunos atendidos.
Depoimentos de beneficiários
Estudantes relatam que o programa transformou suas rotinas. Sofia Suzart, de 15 anos, do Distrito Federal, usa os R$ 200 mensais para custear um curso preparatório para o Enem, enquanto Renzo Cosmo, de 17 anos, conseguiu independência financeira para despesas escolares. Esses relatos reforçam o papel do Pé-de-Meia como um suporte para jovens em vulnerabilidade.
A diretora Vanessa Nogueira, de uma escola no Distrito Federal, observou que a evasão escolar caiu significativamente desde a implementação do programa, especialmente entre alunos do ensino diurno que conciliam estudos com trabalho informal.
Importância da regularização cadastral
A regularização do CadÚnico é essencial para garantir o acesso aos benefícios. Famílias devem atualizar informações como endereço, renda e composição familiar pelo menos a cada dois anos. O processo pode ser iniciado pelo aplicativo CadÚnico ou presencialmente no CRAS, com a apresentação de documentos como RG, CPF e comprovante de residência.
Escolas também desempenham um papel crucial, enviando dados de matrícula e frequência ao MEC por meio do Sistema Gestão Presente. Em 2025, o prazo para envio de informações do ano letivo de 2024 foi estendido até maio, permitindo a liberação de pagamentos atrasados.