O governo federal anunciou, em 10 de julho de 2025, o programa Carro Sustentável, uma iniciativa que zera o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos compactos produzidos no Brasil que atendam a critérios de eficiência energética, sustentabilidade e segurança. A medida, válida até dezembro de 2026, foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e regulamenta o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover). Com o objetivo de aquecer a indústria automotiva e tornar os carros mais acessíveis, o programa já levou montadoras como Volkswagen, Fiat e Renault a divulgarem descontos de até R$ 20 mil em modelos populares. A redução do imposto, que antes variava de 5,27% a 7% para carros 1.0 flex, promete impactar 60% dos veículos vendidos no país, segundo estimativas do governo.
A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e busca incentivar a produção nacional, priorizando veículos com baixa emissão de poluentes e alta reciclabilidade. O decreto também introduz o IPI Verde, que ajusta alíquotas com base em critérios ambientais e técnicos, beneficiando modelos mais eficientes e penalizando os menos sustentáveis.
- Critérios para isenção do IPI: Emissão de até 83g de CO2 por quilômetro, 80% de materiais recicláveis, produção nacional e classificação como veículo compacto.
- Impacto esperado: Aumento de 30% nas vendas de carros populares, segundo concessionárias.
- Modelos beneficiados: Incluem Renault Kwid, Fiat Mobi, Volkswagen Polo, entre outros.
Benefícios do programa Carro Sustentável
O programa Carro Sustentável foi desenhado para tornar os veículos mais acessíveis, especialmente para consumidores de baixa renda. A isenção do IPI reduz o preço final de modelos de entrada, que hoje custam a partir de R$ 80 mil. Por exemplo, o Renault Kwid Zen, antes vendido por R$ 78.690, agora custa R$ 67.290, uma economia de R$ 11.400. A medida também estimula a renovação da frota, substituindo veículos antigos por modelos mais eficientes e menos poluentes.
Além disso, o programa reforça a indústria automotiva nacional, que enfrenta desafios como juros altos e concorrência com importados. O MDIC estima que o Mover, que engloba o Carro Sustentável, já atraiu R$ 190 bilhões em investimentos no setor desde 2023. As montadoras devem solicitar o credenciamento de seus modelos junto ao MDIC, que publicará uma portaria com a lista oficial dos veículos elegíveis.
O impacto fiscal da medida foi planejado para ser neutro. Veículos menos eficientes, como os movidos a gasolina ou diesel, terão acréscimos no IPI, compensando a renúncia fiscal dos modelos isentos.

Modelos com descontos já anunciados
Várias montadoras anteciparam a aplicação dos descontos, mesmo antes da publicação da portaria oficial. A redução do IPI, combinada com promoções das fabricantes, resultou em cortes significativos nos preços de modelos populares.
- Renault Kwid: Versão Zen caiu de R$ 78.690 para R$ 67.290; Intense, de R$ 81.790 para R$ 71.290.
- Fiat Mobi: Modelo Like passou de R$ 80.990 para R$ 67.990, com desconto de R$ 13.000.
- Volkswagen Polo: Versão Track foi reduzida de R$ 95.790 para R$ 87.845.
- Hyundai HB20: Versão Comfort 2025/2026 caiu de R$ 95.790 para R$ 83.990.
- Outros modelos: Incluem Fiat Argo, Citroën C3 e Chevrolet Onix em suas configurações de entrada.
Esses descontos refletem não apenas a isenção do IPI, mas também campanhas promocionais, como a “Grande Chance Fiat” e a oferta de “IPI em dobro” da Volkswagen, que amplificam os benefícios para o consumidor.
Critérios técnicos para a isenção do IPI
Para se qualificar ao IPI zero, os veículos devem atender a requisitos rigorosos de sustentabilidade e produção nacional. O programa prioriza modelos compactos com motores 1.0 flex, que utilizam etanol ou gasolina e possuem potência de até 115 cv. Carros elétricos, como o Renault Kwid E-Tech, não foram incluídos, pois a produção local de veículos 100% elétricos ainda é limitada.
- Emissão de CO2: Máximo de 83g por quilômetro, medido pelo Inmetro.
- Reciclabilidade: Pelo menos 80% da massa do veículo deve ser composta por materiais recicláveis.
- Produção nacional: Etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem devem ser realizadas no Brasil.
- Segurança: Veículos devem incluir tecnologias como controle de estabilidade e frenagem automática de emergência.
Esses critérios garantem que apenas modelos alinhados com os objetivos de descarbonização e segurança do programa sejam beneficiados. O decreto também estabelece que as alíquotas para outros veículos serão ajustadas em 90 dias, com base em uma tabela que varia de 3,9% a 6,3%, dependendo de fatores como eficiência energética e potência.
Impacto na indústria e no consumidor
A redução do IPI é vista como um impulso para o setor automotivo, que enfrenta desafios como a queda na produção e o aumento dos preços dos veículos. Em 2023, um programa semelhante resultou na venda de 125 mil carros em apenas um mês, esgotando os R$ 1,5 bilhão em créditos disponibilizados. Desta vez, sem limite de cota, o programa Carro Sustentável pode ter um impacto ainda maior.
Para o consumidor, a medida representa uma oportunidade de adquirir veículos novos a preços mais acessíveis. O Fiat Mobi, por exemplo, voltou a custar menos de R$ 68 mil, um patamar não visto nos últimos anos. Além disso, a iniciativa beneficia empresas, como locadoras, que respondem por grande parte das vendas de modelos de entrada.
- Renovação da frota: Carros novos emitem até 23 vezes menos gases de efeito estufa que veículos antigos.
- Apoio à indústria: O programa incentiva a produção local e a adoção de tecnologias mais limpas.
- Acessibilidade: Preços reduzidos tornam os carros mais acessíveis para a população de baixa renda.
Contexto histórico dos incentivos automotivos
O Brasil tem uma longa história de programas para baratear carros populares. Em 1965, o governo lançou iniciativas para financiar modelos simplificados, como o Volkswagen Fusca Pé de Boi. Mais recentemente, em 2023, o programa Carro Popular ofereceu descontos de R$ 2 mil a R$ 10 mil, com resultados expressivos. O Carro Sustentável, no entanto, se destaca por seu foco ambiental, alinhado à agenda da COP30, que será realizada em 2025.
O programa também responde à necessidade de modernizar a frota brasileira, que tem uma idade média de 10 anos. Veículos mais eficientes reduzem o consumo de combustível e as emissões, contribuindo para metas de descarbonização. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que a medida é fiscalmente neutra, pois taxa mais quem polui mais, equilibrando os incentivos.
Reações do mercado e expectativas futuras
As concessionárias projetam um aumento de 30% nas vendas de modelos populares até o final de 2025. Montadoras como Chevrolet e Citroën devem anunciar em breve os preços ajustados de seus modelos, ampliando a lista de veículos beneficiados. A Volkswagen, por exemplo, incluiu até modelos fora do programa, como o T-Cross, com descontos promocionais.
A iniciativa também gerou debates. Enquanto consumidores celebram os preços mais baixos, especialistas apontam que a exclusão de carros elétricos pode limitar o impacto ambiental do programa. Ainda assim, a produção local de veículos elétricos, como o BYD Dolphin Mini, pode mudar esse cenário nos próximos anos.
- Reação positiva: Consumidores e concessionárias celebram a redução de preços.
- Críticas: Ausência de incentivos para elétricos é vista como lacuna na política.
- Perspectiva de longo prazo: Investimentos de R$ 190 bilhões podem modernizar o setor.
A lista oficial de modelos com IPI zero será publicada em breve pelo MDIC, trazendo mais clareza sobre os veículos contemplados. Até lá, as montadoras continuam a ajustar preços, e o mercado se prepara para uma nova onda de vendas.