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Criminosos sequestram 18 ônibus e paralisam Madureira em operação policial na Serrinha no Rio de Janeiro

18 onibus no rio de Janeiro
18 onibus no rio de Janeiro - Foto: Rocord 18 onibus no rio de Janeiro - Foto: Rocord

Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, viveu um dia de caos na tarde de 15 de julho de 2025, quando criminosos sequestraram 18 ônibus, incluindo veículos do BRT, e os usaram como barricadas na Avenida Ministro Edgard Romero, uma das principais vias do bairro. A ação foi uma resposta à operação policial do Comando de Operações Especiais (COE) na comunidade da Serrinha, iniciada na segunda-feira (14), com o objetivo de reprimir atividades do tráfico de drogas liderado por Wallace Brito Trindade, conhecido como Lacoste. A interdição total da avenida causou transtornos, com desvios em 15 linhas de ônibus, suspensão temporária do BRT e fechamento de escolas e unidades de saúde. Moradores relatam medo e insegurança, enquanto o comércio local foi impactado. A situação expõe a fragilidade da segurança pública em áreas dominadas por facções criminosas.

Record Ao vivo Madureira e Iraja Rio de Janeiro
Record Ao vivo Madureira e Iraja Rio de Janeiro

O cenário de tensão começou pela manhã, após confrontos entre policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e criminosos em uma área de mata na Serrinha. Um suspeito foi baleado e não resistiu, o que intensificou a reação do tráfico. Criminosos desceram às vias, renderam motoristas, roubaram chaves e posicionaram os coletivos para bloquear o trânsito. A violência não se limitou aos ônibus: caçambas de lixo foram incendiadas, e tiros ecoaram pela região, forçando moradores a se abrigarem em comércios e estações.

  • Impactos imediatos: 18 ônibus sequestrados, incluindo 4 articulados do BRT.
  • Trânsito: Avenida Edgard Romero interditada nos dois sentidos até o início da tarde.
  • Serviços afetados: Quatro escolas suspenderam aulas, e duas unidades de saúde paralisaram atividades externas.

A operação policial, que mobilizou o Bope, o Batalhão de Choque e unidades táticas, segue em andamento, com reforços enviados para a região. A Polícia Militar informou que a ação visa desarticular o controle do tráfico, mas a resposta violenta dos criminosos evidencia os desafios enfrentados pelas forças de segurança.

Reação do tráfico e estratégias covardes

A tenente-coronel Claudia Moraes, porta-voz da PM, classificou as barricadas como uma tática covarde para desviar o foco da operação. Segundo ela, os criminosos usam moradores e pessoas ligadas ao tráfico para criar obstáculos, dificultando o avanço policial. A ação na Serrinha, iniciada após informações de inteligência, teve como alvo lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que domina a região. Um fuzil foi apreendido, mas a resistência armada intensificou o clima de tensão.

A prática de usar ônibus como barricadas não é nova no Rio. Em 2025, 81 coletivos já foram sequestrados, segundo a Rio Ônibus, um aumento significativo em relação aos 95 casos registrados em 2024. A repetição desse tipo de ação reflete a vulnerabilidade do transporte público em áreas de conflito.

  • Números alarmantes: 81 ônibus sequestrados no Rio em 2025, média de 11 por mês.
  • Facção dominante: Terceiro Comando Puro (TCP) controla a Serrinha desde 2012.
  • Alvo principal: Traficante Lacoste, foragido desde 2007, lidera o tráfico local.
  • Tática recorrente: Barricadas com veículos e incêndios para obstruir a polícia.

A Avenida Edgard Romero, principal via de Madureira, ficou completamente bloqueada até o início da tarde, quando mecânicos começaram a usar ligação direta para remover os veículos. A circulação do BRT no corredor Transcarioca foi retomada às 13h20, mas os transtornos persistiram.

Impactos no transporte e na rotina dos moradores

A paralisação do transporte público gerou um efeito dominó em Madureira e arredores. Quinze linhas de ônibus, incluindo rotas como 298 (Acari x Castelo) e 775 (Madureira x Jardim América), sofreram desvios, afetando milhares de trabalhadores e estudantes. O BRT, essencial para a mobilidade na Zona Norte, teve serviços como a linha 42 (Madureira x Galeão) suspensos temporariamente.

Moradores relatam medo constante. Muitos se abaixaram dentro dos coletivos ou buscaram abrigo em lojas durante os tiroteios. O comércio local, conhecido pela efervescência do Mercadão de Madureira, fechou as portas, e a insegurança afastou clientes.

  • Linhas afetadas: 15 linhas de ônibus com desvios, incluindo 355 e 918.
  • BRT impactado: Corredor Transcarioca paralisado entre 11h e 13h20.
  • Comércio prejudicado: Lojas no Mercadão suspenderam atividades.
  • Rotas alternativas: Motoristas orientados a usar Av. Pastor Martin Luther King Jr.

A Secretaria Municipal de Educação confirmou que quatro escolas na Serrinha suspenderam as aulas, enquanto duas unidades de saúde limitaram atendimentos, com uma delas interrompendo atividades externas. A normalização do trânsito só ocorreu no início da tarde, mas a sensação de insegurança permaneceu.

A cultura de Madureira sob ameaça

Madureira, eternizada em canções de Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, é mais do que um polo comercial. O bairro carrega a história do samba, com escolas como Portela e Império Serrano, e uma identidade cultural que atrai cariocas e turistas. No entanto, a violência crescente ameaça essa essência. A imagem de ônibus atravessados e ruas bloqueadas contrasta com a memória de um bairro vibrante, onde o som do pagode prevalecia.

Moradores lamentam a perda de espaços culturais e a dificuldade de manter a rotina em meio aos confrontos. A operação na Serrinha, embora necessária, expõe a fragilidade da segurança pública em áreas densamente povoadas, onde a população sofre as consequências diretas da guerra entre facções e polícia.

  • Patrimônio cultural: Portela e Império Serrano simbolizam a história do samba.
  • Comércio icônico: Mercadão de Madureira é ponto de referência na Zona Norte.
  • Impacto social: Moradores relatam medo e interrupção da rotina diária.

A PM informou que a operação segue com varreduras na região, mas não divulgou novas prisões ou apreensões até o momento. A comunidade espera por medidas que restaurem a tranquilidade.

A escalada da violência no Rio

A situação em Madureira reflete um problema maior no Rio de Janeiro. Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que, em 2024, a região da Avenida Brasil registrou 61 tiroteios, muitos ligados a disputas entre o TCP e o Comando Vermelho. Nos últimos oito anos, mais de 1.500 confrontos armados foram documentados em áreas próximas, como Irajá e Vaz Lobo.

O uso de barricadas com ônibus é uma tática recorrente para impedir o avanço policial. Em abril de 2025, sete coletivos foram sequestrados no Complexo do Chapadão, e em setembro, três foram usados no Complexo da Pedreira. A Rio Ônibus apela por ações urgentes das autoridades para proteger o transporte público e garantir o direito de ir e vir dos cariocas.

  • Tiroteios em 2024: 61 registros na região da Avenida Brasil.
  • Confrontos históricos: Mais de 1.500 em oito anos na Zona Norte.
  • Outros casos: Sequestros de ônibus em Chapadão e Pedreira em 2025.
  • Apelo do sindicato: Rio Ônibus cobra medidas para segurança pública.

Histórico do tráfico na Serrinha

A comunidade da Serrinha, parte do Complexo da Serrinha, é controlada pelo traficante Lacoste desde 2012. Foragido desde 2007, ele comanda as atividades criminosas nas comunidades da Serrinha, Fazenda, Patolinha, São José e Dendezinho. A Polícia Civil aponta que Lacoste tenta expandir seu domínio para favelas sob influência do Comando Vermelho, o que intensifica os conflitos na região.

A operação do COE, iniciada no domingo (13), foi planejada com base em informações de inteligência. O confronto na área de mata, onde um suspeito foi baleado, marcou o início da escalada de violência. A PM reforçou o efetivo com batalhões táticos e motociclistas, mas a resistência do tráfico permanece um obstáculo.

  • Liderança criminosa: Lacoste comanda a Serrinha desde 2012.
  • Expansão territorial: Tentativas de domínio sobre favelas do Comando Vermelho.
  • Operação policial: Iniciada no domingo, com reforços na terça-feira.
  • Confronto fatal: Suspeito baleado portava fuzil, segundo a PM.

A população de Madureira segue refém da violência, enquanto autoridades buscam estratégias para conter o avanço do crime organizado. A normalização do trânsito e dos serviços é um alívio temporário, mas a solução definitiva exige ações coordenadas e de longo prazo.

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