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Criminosos sequestram 21 ônibus em Madureira e bloqueiam vias em operação policial no Rio de Janeiro: cidade em guerra

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Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, viveu um dia de tensão nesta terça-feira, 15 de julho de 2025, quando criminosos sequestraram 21 ônibus, incluindo veículos do BRT, e os usaram como barricadas na Avenida Ministro Edgard Romero, principal via do bairro. A ação foi uma resposta a uma operação do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar no Morro da Serrinha, iniciada na segunda-feira, com o objetivo de reprimir o tráfico de drogas. Confrontos intensos, com tiroteios e pedradas contra viaturas, marcaram o dia, resultando na morte de um suspeito e na suspensão de serviços essenciais, como o BRT e escolas municipais. A circulação foi interrompida por quase duas horas, e o comércio local foi fortemente impactado. A operação expôs a fragilidade da segurança pública em áreas dominadas por facções criminosas, enquanto moradores enfrentaram medo e transtornos.

A violência começou ainda na madrugada, com disparos ouvidos por moradores da região. Durante a manhã, criminosos intensificaram as ações, utilizando caçambas de lixo incendiadas e coletivos para bloquear vias estratégicas. A Avenida Edgard Romero, próximo ao Mercadão de Madureira, ficou interditada nos dois sentidos, dificultando a mobilidade de milhares de pessoas. A Polícia Militar informou que a operação visava desarticular lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que controla a Serrinha.

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Manifestão – Foto: Globo
  • Principais impactos imediatos:
    • Suspensão do BRT no corredor Transcarioca por cerca de 1h50.
    • Interdição total da Avenida Edgard Romero, com desvios em 15 linhas de ônibus.
    • Fechamento de quatro escolas municipais e impacto em duas unidades de saúde.
    • Comércio local, incluindo o Mercadão, fechado por segurança.
    • Apreensão de dois fuzis e munições durante a operação.

A situação gerou um clima de insegurança, com vídeos de moradores mostrando homens mascarados interceptando ônibus e ordenando que motoristas abandonassem os veículos. A Rio Ônibus relatou que as chaves dos coletivos foram roubadas, exigindo reboques para liberar as vias.

Operação policial e confronto armado

A operação no Morro da Serrinha, conduzida pelo COE, envolveu o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), o Batalhão de Choque, o Batalhão de Ações com Cães e o Batalhão Tático de Motociclistas. Iniciada na segunda-feira, a ação foi intensificada na terça, após informações de inteligência apontarem a presença de lideranças do tráfico, como Wallace Brito Trindade, conhecido como Lacoste. Durante os confrontos, um suspeito foi baleado em uma área de mata e levado ao Hospital Estadual Carlos Chagas, mas não resistiu. Com ele, a PM apreendeu um fuzil e munições.

Os policiais enfrentaram resistência armada, com criminosos usando a vegetação da comunidade para se esconder e atacar. Uma estrutura de concreto com aberturas, conhecida como “seteira”, foi encontrada, utilizada para posicionar armas contra as forças de segurança. Além disso, duas “casas mata”, esconderijos usados em disputas territoriais, foram demolidas no alto da Serrinha.

A tenente-coronel Cláudia Moraes, porta-voz da PM, classificou o uso de ônibus como barricadas como uma tática “covarde” para impedir o avanço policial. Segundo ela, criminosos mobilizam moradores e pessoas ligadas ao tráfico para criar obstáculos, dificultando a repressão ao crime organizado.

Impactos no transporte público

O sequestro de 21 ônibus, sendo 15 municipais e 6 intermunicipais, marcou um dos maiores episódios do tipo em 2025. Segundo a Rio Ônibus, 83 coletivos já foram tomados por criminosos neste ano, um aumento em relação aos 95 casos de 2024. As chaves dos veículos foram roubadas, exigindo a intervenção de mecânicos para removê-los das vias. O BRT, essencial para a mobilidade na Zona Norte, teve o corredor Transcarioca interrompido entre as estações Manaceia e Vicente de Carvalho.

  • Linhas de ônibus municipais sequestradas:
    • 778 (Cascadura x Pavuna)
    • 940 (Ramos x Madureira)
    • 775 (Madureira x Jardim América)
    • 298 (Acari x Castelo)
    • 355 (Madureira x Praça Tiradentes)
  • Linhas de BRT impactadas:
    • 42 (Madureira x Galeão)
    • 46 (Penha x Alvorada)
    • 31 (Alvorada x Vicente de Carvalho)
    • 43 (Santa Efigênia x Paulo da Portela)

A Mobi-Rio informou que a circulação do BRT foi retomada às 13h, mas novos bloqueios no fim da tarde suspenderam o serviço novamente até as 19h20. Os desvios em 15 linhas de ônibus afetaram milhares de trabalhadores e estudantes, que enfrentaram dificuldades para retornar para casa.

Repercussão na comunidade e no comércio

A violência impactou diretamente a rotina de Madureira, um dos bairros mais movimentados da Zona Norte. O Mercadão de Madureira, conhecido por sua efervescência comercial, teve lojas fechadas por segurança, afastando clientes e gerando prejuízos. Moradores relataram momentos de pânico, com pessoas buscando abrigo em comércios e estações de BRT durante os tiroteios.

Quatro escolas municipais suspenderam as aulas, e duas unidades de saúde tiveram o funcionamento comprometido. Uma delas interrompeu atividades externas, enquanto a outra manteve atendimento interno com restrições. A Secretaria Municipal de Educação informou que as aulas seriam retomadas conforme a situação se estabilizasse.

Moradores organizaram um protesto na Avenida Edgard Romero, pedindo paz e segurança. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram manifestantes ocupando as faixas do BRT, enquanto outros jogavam pedras contra viaturas policiais, que responderam com bombas de efeito moral.

Histórico de violência na região

A Serrinha, localizada em uma área estratégica de Madureira, é palco de confrontos frequentes devido à disputa entre o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV). Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que, em 2024, a região da Avenida Brasil registrou 61 tiroteios, muitos ligados a conflitos entre facções. Nos últimos oito anos, mais de 1.500 confrontos armados foram documentados em bairros próximos, como Irajá e Vaz Lobo.

O uso de ônibus como barricadas é uma tática recorrente. Em abril de 2025, sete coletivos foram sequestrados no Complexo do Chapadão, e em setembro, três foram usados no Complexo da Pedreira. Esses episódios reforçam a vulnerabilidade do transporte público em áreas de conflito, com a Rio Ônibus apelando por medidas urgentes para proteger os serviços.

  • Outros casos recentes de barricadas:
    • Abril 2025: Sete ônibus sequestrados no Complexo do Chapadão.
    • Setembro 2025: Três coletivos usados no Complexo da Pedreira.
    • Outubro 2024: Confronto na Serrinha com interdição da Avenida Edgard Romero.
    • 2024: 95 ônibus sequestrados em todo o Rio de Janeiro.
    • 2025: 83 coletivos tomados até julho.

Medidas das autoridades

A Polícia Militar informou que a operação na Serrinha faz parte de um planejamento para conter a expansão territorial do tráfico. Segundo o coronel Menezes, secretário da PM, a comunidade é usada como base para tentativas de controle de áreas como Juramento e Campinho. Durante a ação, além dos fuzis, foram apreendidas dez granadas caseiras e uma quantidade de drogas, com apoio de cães farejadores.

O Centro de Operações Rio orientou motoristas a evitarem a Avenida Edgard Romero, sugerindo rotas alternativas como a Avenida Pastor Martin Luther King Jr. e a Estrada do Portela. A PM reforçou o policiamento na região, mas a ausência de informações sobre prisões adicionais gerou questionamentos sobre a eficácia imediata da operação.

A Rio Ônibus destacou a necessidade de ações coordenadas para garantir a segurança do transporte público. A entidade reforçou que os sequestros de coletivos representam uma ameaça ao direito de ir e vir dos cariocas, exigindo respostas firmes das autoridades.

Rotina afetada e apelo por segurança

O dia de caos em Madureira evidenciou os desafios enfrentados por moradores de áreas marcadas pela violência. Relatos de passageiros deitados no chão dos ônibus para se proteger de disparos e de comerciantes fechando as portas por medo refletem o impacto da operação na vida cotidiana. A interrupção do BRT e a interdição de vias transformaram a volta para casa em um desafio logístico.

Moradores da Serrinha, que convivem há pelo menos 15 anos com tiroteios frequentes, expressaram frustração com a situação. O protesto realizado no fim da tarde, com pedidos por paz, destacou a exaustão da comunidade frente à violência recorrente. A operação, embora necessária para combater o tráfico, trouxe transtornos imediatos, reacendendo o debate sobre estratégias de segurança pública em áreas dominadas por facções.

  • Medidas para minimizar transtornos:
    • Desvios pela Estrada do Portela e Avenida dos Italianos.
    • Reforço policial no entorno da Avenida Edgard Romero.
    • Retomada gradual do BRT a partir das 19h20.
    • Comunicação do COR-Rio sobre rotas alternativas.

A operação na Serrinha expôs a complexidade do combate ao crime organizado em áreas urbanas densas. Enquanto a PM busca enfraquecer as facções, a população enfrenta as consequências de confrontos que afetam serviços essenciais e a segurança diária. A repetição de táticas como o uso de ônibus como barricadas reforça a necessidade de abordagens integradas, que combinem repressão policial com políticas de prevenção e desenvolvimento social.

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