A partir da meia-noite de 6 de julho de 2025, motoristas que trafegam por rodovias do interior de São Paulo enfrentarão aumentos de até 31,3% nas tarifas de pedágios administrados pela Entrevias Concessionária de Rodovias. O reajuste, aprovado por unanimidade pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), afeta oito praças de cobrança nas rodovias SP-322, SP-330 e SP-333, em cidades como Echaporã, Florínia e Marília. A medida, baseada na variação do IPCA entre maio de 2024 e junho de 2025, já começou a ser aplicada em outras rodovias do estado desde 1º de julho. O aumento mais expressivo ocorre em Echaporã, onde a tarifa para carros de passeio salta de R$ 7,70 para R$ 11,20. A justificativa é a atualização de custos operacionais, mas motoristas questionam os impactos no bolso e a qualidade dos serviços oferecidos.
Os novos valores variam conforme a categoria do veículo e o método de pagamento, com descontos para quem utiliza cobrança automática via tags. A Entrevias, responsável por trechos que cruzam o interior paulista, adota um sistema de fator multiplicador para calcular tarifas de veículos pesados, como caminhões e ônibus.
As rodovias SP-322, SP-330 e SP-333 conectam regiões importantes do estado, facilitando o transporte de cargas e o deslocamento de passageiros. A alta nas tarifas, porém, pode elevar custos logísticos e pressionar preços de produtos transportados.
- Principais praças afetadas: Echaporã, Florínia, Pongaí, Marília, Pitangueiras, Sertãozinho, Sales Oliveira e Ituverava.
- Período de aplicação: A partir de 6 de julho de 2025.
- Base do reajuste: Variação do IPCA, com média de 5,32%, mas com picos em algumas praças.
- Impacto imediato: Aumento de até R$ 3,50 para automóveis em Echaporã.

Detalhes dos novos valores
A Entrevias aplicou reajustes que variam entre 5,2% e 31,3%, dependendo da praça de pedágio. Em Echaporã, no km 354+727 da SP-333, o aumento de 31,3% elevou a tarifa de R$ 7,70 para R$ 11,20 para automóveis na cobrança manual, enquanto a cobrança automática custará R$ 10,64. Já em Florínia, no km 447+458 da mesma rodovia, a tarifa subiu 16,9%, passando de R$ 11,30 para R$ 13,60. Em Sertãozinho, o reajuste foi mais moderado, de 6,6%, com a tarifa para carros de passeio indo de R$ 8,50 para R$ 9,10.
Os valores são calculados com base em um preço base multiplicado por um fator que varia conforme o tipo de veículo. Motocicletas, por exemplo, pagam metade do valor de automóveis, enquanto caminhões com reboque podem ter tarifas até seis vezes maiores.
- Echaporã: R$ 11,20 (cobrança manual), aumento de R$ 3,50.
- Florínia: R$ 13,60 (cobrança manual), aumento de R$ 2,30.
- Sertãozinho: R$ 9,10 (cobrança manual), aumento de R$ 0,60.
- Ituverava: R$ 17,30 (cobrança manual), aumento de R$ 1,00.
Sistema de cobrança e descontos
A Entrevias oferece descontos para motoristas que utilizam o sistema de cobrança automática (AVI), como tags de pagamento eletrônico. Em média, o desconto é de 5% sobre a tarifa manual, o que pode representar uma economia significativa para usuários frequentes. Em Pongaí, por exemplo, a tarifa para automóveis cai de R$ 11,50 (manual) para R$ 10,92 (automática). Esse incentivo visa agilizar o tráfego nas praças e reduzir custos operacionais.
A tecnologia de cobrança automática tem ganhado espaço nas rodovias paulistas, com sistemas como o Free Flow, que elimina a necessidade de parar em cabines, já em teste em algumas regiões. A adoção dessas soluções pode mudar a experiência dos motoristas, mas os custos ainda são uma preocupação.
- Benefícios da cobrança automática: Redução de até 5% nas tarifas.
- Tecnologia disponível: Tags de pagamento como Sem Parar e ConectCar.
- Impacto no tráfego: Menos filas e maior fluidez nas praças.
- Adoção crescente: Mais motoristas optam por pagamento eletrônico.
Reajustes anteriores e panorama estadual
Desde 1º de julho, outras concessionárias, como Ecovias, CCR AutoBan e Rota das Bandeiras, já haviam aplicado reajustes em rodovias como Anhanguera, Bandeirantes e Imigrantes. A média de aumento, também baseada no IPCA, foi de 5,32%, com exceção da Rodovia dos Tamoios, que teve reajuste de 5,37%. A tarifa mais cara do estado está na Via Anchieta e na Rodovia dos Imigrantes, onde o valor passou de R$ 36,80 para R$ 38,70.
Esses aumentos sucessivos refletem a política de atualização anual das tarifas, que considera a inflação e os investimentos das concessionárias em manutenção e melhorias. No entanto, a alta acumulada em algumas praças, como Echaporã, levanta debates sobre a proporcionalidade dos reajustes.
Reações dos motoristas e setor logístico
Os aumentos geram impacto direto no bolso de motoristas e no custo do transporte de cargas. Caminhoneiros, que enfrentam tarifas multiplicadas, relatam dificuldades para manter a competitividade. Em cidades como Marília e Ituverava, onde as rodovias são essenciais para o escoamento de produtos agrícolas, os novos valores podem pressionar os preços finais de mercadorias.
Associações de transportadores têm questionado a falta de transparência na composição dos reajustes, especialmente em praças com aumentos bem acima do IPCA. Motoristas de aplicativos e taxistas, que utilizam as rodovias diariamente, também sentem o peso das novas tarifas.
- Setores afetados: Transporte de cargas, motoristas de aplicativos e taxistas.
- Preocupação principal: Aumento dos custos operacionais.
- Reação comum: Demanda por maior transparência nos cálculos das tarifas.
- Impacto econômico: Possível repasse para preços de produtos e serviços.
Investimentos e justificativas da concessionária
A Entrevias afirma que os recursos arrecadados com os pedágios são direcionados para manutenção, melhorias na infraestrutura e serviços de atendimento ao usuário, como socorro médico e mecânico. Nos últimos anos, a concessionária investiu em pavimentação, sinalização e modernização de praças de pedágio. No entanto, motoristas relatam que a qualidade das rodovias nem sempre justifica os aumentos.
A ARTESP, por sua vez, destaca que os reajustes seguem contratos de concessão e são necessários para garantir a sustentabilidade financeira das operações. A agência também monitora a qualidade dos serviços prestados pelas concessionárias.
- Investimentos realizados: Pavimentação, sinalização e atendimento ao usuário.
- Justificativa oficial: Ajuste baseado no IPCA e contratos de concessão.
- Fiscalização: ARTESP acompanha a aplicação dos recursos.
- Críticas: Motoristas questionam a relação entre custo e qualidade.
Alternativas para os motoristas
Diante dos aumentos, motoristas buscam alternativas para reduzir custos. Além da adesão a tags de pagamento automático, alguns optam por rotas alternativas, embora isso possa aumentar o tempo de viagem. Outros avaliam caronas compartilhadas ou o uso de aplicativos que calculam os trajetos mais econômicos.
A escolha por veículos mais eficientes, como os incentivados pelo programa Carro Sustentável, também é uma tendência. Esses veículos podem oferecer economia de combustível, compensando parcialmente o impacto dos pedágios.
- Opções de economia: Uso de tags, rotas alternativas e veículos econômicos.
- Programas de incentivo: Carro Sustentável reduz custos com modelos eficientes.
- Planejamento de rotas: Aplicativos ajudam a evitar praças mais caras.
- Caronas: Solução para dividir custos de viagem.