A Red Bull Racing, uma das equipes mais dominantes da história recente da Fórmula 1, atravessa sua pior crise em uma década na temporada de 2025. Com apenas a quarta posição no Mundial de Construtores, a equipe austríaca acumula 172 pontos, um terço dos 460 da líder McLaren, após 12 corridas. A demissão de Christian Horner, chefe de equipe por 20 anos, a saída de figuras-chave como Adrian Newey e os rumores sobre uma possível transferência de Max Verstappen para a Mercedes intensificam as turbulências. O cenário, agravado por trocas de pilotos e um carro menos competitivo, coloca a RBR em xeque na luta pelo topo. A crise começou a se desenhar em 2024, com a ascensão da McLaren e problemas internos, e se consolidou em 2025, marcando o pior desempenho da equipe desde 2015. Este texto detalha os fatores que levaram a esse declínio e os desafios enfrentados pela RBR.
A temporada de 2025 começou com expectativas altas para a RBR, impulsionada pelos quatro títulos consecutivos de Max Verstappen entre 2021 e 2024. No entanto, o desempenho irregular do carro RB21 e a instabilidade na gestão da equipe comprometeram os resultados. Verstappen, apesar de ainda ser o principal ativo do time, venceu apenas duas corridas até agora, um contraste gritante com sua dominância anterior. A saída de Horner, responsável por liderar a equipe a seis títulos de construtores e oito de pilotos, foi um divisor de águas.
- Mudanças na liderança: Christian Horner foi substituído por Laurent Mekies, ex-chefe da equipe-irmã Racing Bulls, em julho de 2025.
- Saídas estratégicas: Adrian Newey, lendário projetista, e Jonathan Wheatley, diretor esportivo, deixaram a RBR em 2024, enfraquecendo a estrutura técnica.
- Instabilidade no grid: O segundo assento da equipe passou por três pilotos em um ano, com Sergio Pérez, Liam Lawson e Yuki Tsunoda enfrentando dificuldades para acompanhar Verstappen.
- Concorrência acirrada: McLaren, Ferrari e Mercedes superaram a RBR em desempenho, com a McLaren liderando o campeonato de construtores.
A combinação desses fatores transformou a RBR, antes imbatível, em uma equipe lutando para manter sua relevância na temporada. A pressão agora recai sobre Mekies e Verstappen para reverter o quadro antes das mudanças de regulamento em 2026.
Demissão de Horner e suas consequências
A saída de Christian Horner, anunciada em 9 de julho de 2025, marcou o fim de uma era para a Red Bull Racing. Após 20 anos à frente da equipe, o britânico liderou o time a conquistas históricas, incluindo quatro títulos de pilotos com Sebastian Vettel (2010-2013) e quatro com Max Verstappen (2021-2024). Sua demissão, decidida pela Red Bull GmbH, veio após uma temporada de resultados aquém do esperado e tensões internas que remontam a 2024. Horner enfrentou acusações de conduta imprópria no início do último ano, mas foi absolvido após investigação interna. Ainda assim, o caso gerou instabilidade, com disputas envolvendo o consultor Helmut Marko e Jos Verstappen, pai de Max.
Laurent Mekies, que assumiu o comando, traz experiência como ex-diretor técnico da Ferrari e chefe da Racing Bulls. Sua chegada é vista como uma tentativa de reestruturar a equipe, mas o desafio é enorme. A RBR perdeu consistência técnica e estratégica, e Mekies precisa lidar com a pressão de recuperar o terreno perdido em meio a uma temporada já comprometida. A transição ocorre em um momento delicado, com a equipe focada em atualizações para o RB21 e na preparação para o novo regulamento de 2026, que trará motores movidos a combustíveis 100% sustentáveis.
Perdas de pilares técnicos
A saída de Adrian Newey, projetista responsável por carros campeões da RBR, foi um golpe significativo. Newey, que se juntou à Aston Martin, deixou um vazio técnico que se reflete no desempenho do RB21. O carro de 2025, o primeiro sem a influência direta de Newey em 18 anos, sofre com problemas de equilíbrio e degradação de pneus, especialmente em circuitos técnicos. Testes de pré-temporada em Bahrain revelaram dificuldades com subviragem e instabilidade em curvas, limitando a competitividade da equipe.
Além de Newey, a saída de Jonathan Wheatley, diretor esportivo, enfraqueceu a capacidade da RBR de executar estratégias de corrida eficazes. Esses movimentos ocorreram em 2024, período em que a McLaren começou a superar a RBR em consistência e velocidade. A perda de figuras-chave comprometeu o desenvolvimento do carro, que não acompanhou as melhorias implementadas por rivais como McLaren, Ferrari e Mercedes.
Instabilidade no segundo assento
O segundo carro da RBR tem sido um ponto fraco em 2025. Sergio Pérez, que enfrentou críticas por seu desempenho irregular em 2024, foi substituído por Liam Lawson no início da temporada. O neozelandês, promovido da equipe-irmã Racing Bulls, não conseguiu se adaptar ao RB21, sendo rebaixado após apenas duas corridas sem pontuar. Yuki Tsunoda, outro piloto da Racing Bulls, assumiu a vaga a partir do GP do Japão, mas também enfrenta dificuldades. Até o momento, Tsunoda pontuou em apenas quatro das dez corridas disputadas, com um sexto lugar como melhor resultado.
A instabilidade no segundo assento reflete um problema recorrente na RBR: a dificuldade de encontrar um piloto capaz de complementar Verstappen. Desde 2022, com a introdução dos carros de efeito solo, o desenvolvimento do carro tem sido voltado para o estilo de pilotagem agressivo de Verstappen, que prefere um carro com maior responsividade na dianteira. Isso torna o RB21 desafiador para outros pilotos, que enfrentam dificuldades com sua sensibilidade excessiva.
- Desafios de adaptação: Liam Lawson qualificou-se em último em suas duas corridas, evidenciando a dificuldade de dominar o RB21.
- Desempenho de Tsunoda: O japonês, apesar de mais experiente, não conseguiu reduzir a diferença para Verstappen, que tem sido até sete décimos mais rápido em classificações.
- Histórico de instabilidade: Pilotos como Daniil Kvyat, Pierre Gasly e Alex Albon também sofreram para acompanhar Verstappen, reforçando a tendência de a RBR ser uma equipe de “um carro só”.
Ascensão da concorrência
A McLaren assumiu a liderança do Mundial de Construtores em 2025, com 460 pontos, impulsionada pela consistência de Lando Norris e Oscar Piastri. A equipe britânica venceu corridas em Melbourne, Xangai e outras pistas, aproveitando a estabilidade de sua dupla de pilotos e um carro bem equilibrado, o MCL39. A Ferrari, com Charles Leclerc e Lewis Hamilton, também superou a RBR, alcançando o segundo lugar após pódios em Mônaco e na Espanha. A Mercedes, vice-líder, mostra sinais de fortalecimento com George Russell e o estreante Andrea Kimi Antonelli.
A RBR, por sua vez, enfrenta dificuldades em circuitos com curvas de média e baixa velocidade, onde a gestão de pneus é crucial. Verstappen destacou que o RB21 é o quarto carro mais rápido em ritmo de corrida, ficando atrás de McLaren, Ferrari e Mercedes. Atualizações introduzidas em Miami, Imola e Barcelona melhoraram o equilíbrio do carro, mas não foram suficientes para recuperar a liderança.
Rumores sobre Verstappen
Max Verstappen, tetracampeão da F1, é o pilar da RBR, mas rumores sobre sua saída para a Mercedes ganharam força em 2025. Apesar de seu contrato até 2028, cláusulas de desempenho podem permitir uma transferência, especialmente com a perspectiva de um carro competitivo da Mercedes em 2026. O holandês, que venceu apenas duas corridas em 2025, está 69 pontos atrás do líder Oscar Piastri e admitiu que o título de pilotos está fora de alcance.
A possibilidade de Verstappen deixar a RBR é alimentada pela instabilidade da equipe e pela saída de Horner, com quem o piloto tinha uma relação de confiança. No GP da Inglaterra, Verstappen desconversou sobre os rumores, mas a incerteza persiste. Sua saída seria um golpe devastador para a RBR, que depende quase exclusivamente de seus pontos para se manter na briga pelo Mundial.
Comparação com temporadas anteriores
A temporada de 2025 marca o pior desempenho da RBR na primeira metade do campeonato desde 2015, quando o time também ocupava a quarta posição com 63 pontos. Naquela época, a equipe enfrentava dificuldades com o motor Renault e contava com Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat. Apesar do cenário semelhante, a situação atual é mais grave devido às expectativas criadas pelos títulos recentes e pela concorrência mais acirrada.
- Pontuação histórica: Em 2023, a RBR acumulou 452 pontos na primeira metade do campeonato, contra apenas 172 em 2025.
- Domínio perdido: Entre 2021 e 2024, a RBR venceu três campeonatos de construtores e quatro de pilotos, contrastando com a atual quarta colocação.
- Fator Verstappen: Mesmo em 2015, a equipe dependia menos de um único piloto, com Ricciardo e Kvyat conquistando pódios, ao contrário da atual dependência de Verstappen.
Preparação para 2026
Com o novo regulamento de 2026 se aproximando, a RBR divide seus esforços entre melhorar o RB21 e desenvolver um novo motor em parceria com a Ford. A equipe planeja testes para o motor Red Bull Ford Powertrains, que será usado a partir de 2026, quando os carros serão mais leves e movidos a combustíveis sustentáveis. A transição para o novo regulamento exige que a RBR resolva suas questões internas rapidamente para evitar ficar ainda mais atrás da concorrência.
A equipe também enfrenta a pressão de manter Verstappen, cujo desempenho é crucial para os planos futuros. A chegada de Mekies pode trazer uma nova abordagem estratégica, mas o sucesso dependerá da capacidade da RBR de recuperar sua coesão técnica e competitiva.
Desafios técnicos do RB21
O RB21 apresentou problemas desde os testes de pré-temporada, com dificuldades de equilíbrio e subviragem que limitam seu desempenho em pistas técnicas. Atualizações introduzidas ao longo da temporada, como um novo assoalho em Miami e mudanças na asa dianteira em Barcelona, trouxeram melhorias, mas não resolveram os problemas fundamentais do carro. Verstappen destacou que a falta de aderência em curvas longas compromete o ritmo de corrida, especialmente em comparação com a McLaren.
A equipe também enfrenta desafios na adaptação do carro a diferentes tipos de pneus. Em Xangai, Verstappen sofreu com desgaste excessivo dos pneus médios, perdendo quase um segundo por volta para os líderes. A RBR continua a realizar testes aerodinâmicos, como o uso de tinta flo-vis nos sidepods durante os testes em Bahrain, para entender melhor o comportamento do carro.
Perspectiva dos pilotos
Yuki Tsunoda, que assumiu o segundo assento da RBR, reconheceu as dificuldades de se adaptar ao RB21. Em entrevistas, o japonês destacou que o carro exige ajustes constantes de direção, o que compromete a consistência em voltas rápidas. Verstappen, por outro lado, continua a extrair o máximo do carro, mas admitiu que a equipe precisa de mudanças significativas para voltar a competir pelo título.
A pressão sobre Tsunoda é alta, especialmente após a breve passagem de Lawson. A RBR espera que o japonês, com mais experiência em carros de efeito solo, possa fornecer feedback técnico para melhorar o RB21. No entanto, a diferença de desempenho entre ele e Verstappen permanece um obstáculo para a equipe.
Cenário competitivo atual
A McLaren domina a temporada de 2025, com Norris e Piastri formando uma dupla consistente. A Ferrari, impulsionada pelos pódios de Leclerc, ocupa o segundo lugar, enquanto a Mercedes, com Russell e Antonelli, mostra sinais de recuperação. A RBR, com apenas 172 pontos, está 38 pontos atrás da Mercedes e enfrenta dificuldades para alcançar o pódio com regularidade.
A temporada de 2025, com 24 corridas, ainda tem 12 GPs e quatro corridas sprint pela frente. A RBR planeja atualizações significativas para o GP da Áustria e Silverstone, mas Verstappen alertou que os rivais também estão evoluindo. A equipe precisa maximizar seus pontos nas próximas corridas para evitar um resultado ainda mais desastroso.

