Vasco é goleado em Quito e precisa de milagre para avançar na Sul-Americana

Fernando Diniz

Fernando Diniz - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com

O Vasco da Gama enfrentou um duro revés na noite de terça-feira, 15 de julho de 2025, ao ser goleado por 4 a 0 pelo Independiente del Valle, no estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, no jogo de ida dos playoffs da Copa Sul-Americana. A partida, marcada pela expulsão precoce do lateral-esquerdo Lucas Piton aos 12 minutos do primeiro tempo, praticamente eliminou as chances de classificação do clube carioca. O técnico Fernando Diniz destacou a dificuldade de jogar na altitude de 2.800 metros e lamentou o cartão vermelho, que alterou completamente o planejamento tático da equipe. Para avançar no tempo regulamentar, o Vasco precisa vencer por cinco gols de diferença no jogo de volta, em São Januário, na próxima terça-feira, às 21h30. A derrota expôs fragilidades do elenco cruz-maltino, que agora enfrenta uma missão quase impossível para seguir na competição continental.

A preparação para o confronto em Quito envolveu chegada antecipada da delegação vascaína, visando adaptação à altitude. Mesmo assim, o desempenho foi comprometido pela inferioridade numérica após a expulsão de Piton, que desestabilizou a estratégia de marcação alta proposta por Diniz. O treinador, em coletiva, apontou que o time estava bem adaptado, mas o incidente mudou o rumo do jogo.

  • Principais desafios enfrentados pelo Vasco em Quito:
  • Altitude de 2.800 metros, que afeta o desempenho físico dos jogadores.
  • Expulsão precoce de Lucas Piton, reduzindo o time a dez jogadores.
  • Domínio tático do Independiente del Valle, com aproveitamento nas finalizações.
  • Falta de contundência ofensiva, mesmo com Vegetti em campo.

O jogo de volta será decisivo, mas a torcida e os jogadores sabem que reverter o placar exige um desempenho histórico. A derrota por 4 a 0 é a pior da temporada do Vasco, superando até mesmo a goleada sofrida para o Puerto Cabello, por 4 a 1, na fase de grupos da Sul-Americana.

Estratégia frustrada na altitude

O planejamento de Fernando Diniz para o confronto em Quito era claro: pressionar o Independiente del Valle desde os minutos iniciais, marcando alto para forçar erros do adversário. A expulsão de Lucas Piton, no entanto, obrigou o time a recuar suas linhas, dificultando a execução do plano. No primeiro tempo, o Vasco conseguiu segurar o 0 a 0 por alguns momentos, mas sofreu com cruzamentos e a intensidade do adversário. No segundo tempo, as tentativas de ajustar a marcação não surtiram efeito, e os equatorianos ampliaram o placar com eficiência.

Diniz destacou que a equipe tentou manter a área mais protegida após o intervalo, mas os gols sofridos evidenciaram a dificuldade de jogar com um jogador a menos em condições adversas. O treinador evitou apontar culpados, reforçando que o grupo precisa se unir para buscar a virada em casa. A confiança na torcida e no ambiente de São Januário foi mencionada como um fator motivador para o próximo jogo.

Vegetti e GB: decisões táticas em debate

A decisão de manter Pablo Vegetti em campo, mesmo após a expulsão de Piton, gerou questionamentos na coletiva de imprensa. Diniz justificou a escolha pela experiência e preparo físico do argentino, que costuma ter alta quilometragem em jogos, mesmo em condições desafiadoras. Vegetti, apesar de não marcar, cumpriu função tática ao brigar pela bola e ajudar na marcação.

Por outro lado, a substituição de GB, jovem promessa do elenco, foi explicada pela falta de ritmo do jogador em um cenário de alta exigência física. Diniz destacou que GB, embora talentoso, ainda está em processo de adaptação ao time principal, e a opção por jogadores mais experientes foi considerada mais segura na altitude.

  • Fatores que influenciaram a escolha por Vegetti:
  • Alta resistência física, com maior quilometragem em jogos.
  • Experiência em jogos de alta pressão.
  • Função tática de contenção e disputa aérea.
  • Necessidade de preservar jovens como GB em condições extremas.

A torcida, no entanto, expressou insatisfação nas redes sociais, cobrando mais ousadia nas substituições e lamentando a falta de poder ofensivo em Quito.

Janela de transferências: limitações financeiras

Outro ponto abordado na coletiva foi o mercado de transferências. Fernando Diniz foi questionado sobre possíveis reforços, especialmente após a atuação abaixo do esperado. O treinador foi direto ao afirmar que o Vasco enfrenta limitações financeiras que dificultam contratações de peso. Mesmo assim, a diretoria trabalha para trazer nomes que se encaixem no orçamento e nas necessidades do elenco.

A prioridade, segundo Diniz, é reforçar o setor ofensivo, que tem sofrido com a falta de opções criativas. A recente contratação de Thiago Mendes foi citada como um exemplo de movimentação planejada, mas o clube ainda busca outros nomes. Rumores apontam interesse no zagueiro uruguaio Alan Saldivia, do Colo Colo, embora Diniz tenha evitado confirmar negociações, limitando-se a elogiar o jogador.

Interesse em Alan Saldivia

O nome de Alan Saldivia, zagueiro uruguaio do Colo Colo, ganhou destaque nas últimas semanas como possível reforço do Vasco. Com contrato até 2028 e uma cláusula de rescisão de cerca de 4 milhões de dólares, Saldivia é visto como uma peça valiosa para fortalecer a defesa cruz-maltina. Diniz, que já enfrentou o jogador, elogiou suas qualidades, mas reforçou que as negociações são tratadas internamente.

A possível chegada de Saldivia pode estar vinculada a uma troca envolvendo Jean David, conforme especulações recentes. A diretoria do Vasco avalia opções para reforçar o elenco sem comprometer o orçamento, e o zagueiro uruguaio é uma das apostas para trazer solidez ao setor defensivo, que sofreu com falhas em Quito.

Reação da torcida em Quito

A goleada em Quito não passou sem protestos. Torcedores vascaínos presentes no Equador cobraram jogadores e diretoria na chegada ao hotel, com críticas direcionadas à atuação e à gestão do clube. O zagueiro João Victor respondeu com tom de deboche, o que gerou ainda mais insatisfação entre os torcedores. Vídeos dos protestos circularam nas redes sociais, mostrando a frustração da torcida com o resultado.

Apesar do clima tenso, Diniz pediu apoio dos torcedores para o jogo de volta. Ele destacou a importância de São Januário como fator decisivo para motivar o time, mesmo diante de um placar tão adverso. A torcida, conhecida por sua paixão, promete lotar o estádio na tentativa de empurrar o time rumo a uma virada histórica.

Desafios da altitude no futebol

Jogar na altitude é um obstáculo conhecido para times brasileiros. A 2.800 metros acima do nível do mar, Quito apresenta condições que afetam diretamente o desempenho físico dos atletas, como menor oxigenação e maior desgaste. O Vasco tentou minimizar esses efeitos com uma preparação antecipada, mas a expulsão de Piton e a qualidade do adversário amplificaram as dificuldades.

Outros clubes brasileiros, como Flamengo e Palmeiras, também enfrentaram problemas semelhantes em jogos na altitude. O Independiente del Valle, acostumado ao ambiente, soube explorar a vantagem com um jogo rápido e eficiente, especialmente após a expulsão vascaína.

Preparação para o jogo de volta

O Vasco agora volta suas atenções para o confronto em São Januário, onde terá o apoio da torcida para tentar reverter o placar. A missão é árdua: vencer por cinco gols de diferença no tempo regulamentar ou por quatro gols para levar a decisão aos pênaltis. Diniz reforçou que, apesar da dificuldade, o time não desistirá e buscará seu melhor desempenho em casa.

A preparação para o jogo inclui ajustes táticos e recuperação física dos jogadores. A ausência de Lucas Piton, suspenso, será um desafio adicional, mas o treinador confia na capacidade do elenco de se superar. A torcida, por sua vez, já organiza ações para transformar São Januário em um caldeirão.

  • Estratégias para o jogo de volta:
  • Reforçar a marcação no meio-campo para evitar contra-ataques.
  • Explorar bolas paradas com Vegetti e João Victor.
  • Contar com o apoio da torcida para pressionar o adversário.
  • Ajustar a escalação para suprir a ausência de Piton.

Histórico do Vasco na Sul-Americana

A Copa Sul-Americana tem sido um desafio para o Vasco nos últimos anos. A goleada em Quito se junta a outros resultados negativos, como a derrota para o Puerto Cabello na fase de grupos. Apesar disso, o clube já teve momentos de destaque na competição, como a campanha de 2018, quando chegou às quartas de final.

O jogo de volta será uma oportunidade para o Vasco mostrar resiliência e tentar repetir feitos históricos, como viradas improváveis em São Januário. A torcida, mesmo diante do placar adverso, mantém a esperança de ver o time lutar até o fim.

Reforços e planejamento

Além da busca por Alan Saldivia, o Vasco avalia outras opções no mercado. A diretoria trabalha para equilibrar as finanças e trazer jogadores que agreguem qualidade ao elenco. A chegada de Thiago Mendes foi um passo importante, mas a falta de recursos limita contratações de grande impacto.

O clube também enfrenta pressão para renovar contratos de jogadores-chave, como Léo Jardim, que desperta interesse de outros clubes. A gestão da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) tem sido alvo de críticas, mas Diniz defende o planejamento a longo prazo, mesmo com os desafios financeiros.

Momento do Independiente del Valle

O adversário do Vasco, o Independiente del Valle, vive boa fase. O clube equatoriano é conhecido por sua organização tática e por revelar jovens talentos. Em Quito, a equipe aproveitou a altitude e a superioridade numérica para construir o placar. No jogo de volta, o Vasco precisará neutralizar o jogo rápido do adversário e evitar erros defensivos.

A qualidade do elenco equatoriano, aliada à experiência em competições continentais, torna a missão vascaína ainda mais complicada. Mesmo assim, o fator casa pode ser decisivo para o Cruz-Maltino.

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