Porto Alegre, 18 de julho de 2025 – O ex-zagueiro Lúcio, pentacampeão mundial com a Seleção Brasileira em 2002, abriu as portas de sua casa em Porto Alegre para falar sobre o atual momento da equipe canarinho, agora sob o comando do técnico italiano Carlo Ancelotti. Em entrevista exclusiva à RBS TV, enquanto se recupera de um acidente doméstico que queimou 18% de seu corpo, o ex-jogador destacou a importância de maior cobrança entre os atletas, elogiou a chegada de Ancelotti e apontou o jovem zagueiro Alexsandro, do Lille, como uma promessa para a defesa brasileira. Lúcio, que acumula mais de 100 jogos pela Seleção, também relembrou o espírito coletivo que marcou a conquista do penta, enfatizando a necessidade de união para buscar o hexacampeonato na Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.
Aos 47 anos, Lúcio traz a experiência de quem viveu momentos históricos com a amarelinha, incluindo três Copas do Mundo (2002, 2006 e 2010). Ele acredita que o Brasil precisa resgatar o senso de coletividade para voltar ao topo do futebol mundial. “Ancelotti tem a bagagem de um multicampeão. Com a experiência dele, pode organizar a equipe, mas é preciso cobrança. Os jogadores precisam ralar, lutar um pelo outro, sem vaidade”, afirmou.
- Recado ao vestiário: Lúcio enfatizou a importância de humildade e trabalho em equipe.
- Elogio a Ancelotti: O técnico italiano é visto como peça-chave para o sucesso em 2026.
- Destaque na zaga: O jovem Alexsandro foi apontado como uma aposta promissora.
O ex-zagueiro, que se recupera de queimaduras sofridas em maio, falou com otimismo sobre sua trajetória e a da Seleção. Sua análise reflete a expectativa de torcedores e especialistas para o ciclo de preparação rumo ao Mundial.
Ancelotti e a missão de resgatar o Brasil
Carlo Ancelotti assumiu a Seleção Brasileira em maio de 2025, após uma passagem vitoriosa pelo Real Madrid, onde conquistou cinco títulos da UEFA Champions League. Anunciado como o quarto treinador do ciclo para a Copa de 2026, ele estreou com vitórias contra Equador e Paraguai, garantindo a classificação antecipada do Brasil para o Mundial. Lúcio elogiou a escolha do italiano, destacando sua capacidade de transformar equipes. “Ele é um estrategista. Sabe como montar times vencedores. Mas o grupo precisa querer o mesmo objetivo”, disse.
O pentacampeão comparou o atual momento com o de 2002, quando o Brasil venceu a Alemanha na final. Ele lembrou que, apesar de estrelas como Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, o sucesso veio do coletivo. “Ninguém jogava por si. Todos se sacrificavam pela equipe. É isso que falta hoje”, analisou. Ancelotti, segundo Lúcio, tem o desafio de implementar essa mentalidade em um grupo repleto de talentos, mas que enfrenta críticas por atuações inconsistentes nas Eliminatórias.
- Desafio do técnico: Unir jovens promessas e veteranos em um projeto coeso.
- Exemplo de 2002: Espírito coletivo foi decisivo para o penta, segundo Lúcio.
- Pressão por resultados: A Seleção precisa superar a instabilidade recente.
Lúcio também destacou a importância de Ancelotti aproveitar os próximos amistosos, programados para outubro de 2025, para testar formações e consolidar o estilo de jogo. Com a vaga garantida, o treinador terá oito amistosos até a convocação final para o Mundial, além de dois jogos antes da estreia em 11 de junho de 2026.
Alexsandro: a nova aposta na defesa
Entre os jovens talentos da Seleção, Lúcio apontou o zagueiro Alexsandro, de 25 anos, como um nome promissor. O jogador do Lille, que estreou nas Eliminatórias em junho de 2025, impressionou pela determinação e segurança defensiva. “Ele tem potencial, mas precisa de tempo para se firmar. Não dá pra comparar ainda, mas é um bom começo”, avaliou Lúcio, que enxerga semelhanças com sua própria trajetória como zagueiro aguerrido.
Alexsandro foi uma das surpresas na primeira convocação de Ancelotti, anunciada em 26 de maio de 2025. Sua atuação contra o Paraguai, na Neo Química Arena, foi decisiva para a vitória por 1 a 0, com uma defesa sólida que ajudou a garantir a classificação. Lúcio acredita que o jovem pode se tornar um pilar na zaga, especialmente ao lado de nomes experientes como Éder Militão.
- Estreia marcante: Alexsandro mostrou personalidade em seus primeiros jogos.
- Comparação cautelosa: Lúcio evita projeções exageradas sobre o jovem.
- Futuro da zaga: A defesa brasileira busca renovação para 2026.
O ex-zagueiro também destacou a importância de jogadores como Vinicius Jr., que foi elogiado por Ancelotti como peça central do time. “Vini Jr. tem tudo para brilhar, mas precisa do apoio do grupo. Não adianta só ele querer”, completou Lúcio.
O legado do penta e lições para 2026
Relembrando a campanha de 2002, Lúcio destacou momentos que marcaram sua carreira. Ele recordou a união do elenco, liderado por Luiz Felipe Scolari, e a capacidade de superar adversidades, como a pressão após eliminações precoces em Copas anteriores. “Tínhamos um grupo que jogava junto, que se cobrava. Isso fazia a diferença”, afirmou.
O ex-jogador também falou sobre a importância de líderes no vestiário. Em 2002, nomes como Cafu e Roberto Carlos assumiam a responsabilidade de motivar a equipe. Para Lúcio, Ancelotti precisa identificar esses líderes no elenco atual. “Tem que ter alguém que chame a responsabilidade, que coloque o pé no chão e cobre os outros. Isso é essencial”, disse.
- Liderança em campo: Lúcio cobra jogadores que assumam o protagonismo.
- Lições do passado: O penta foi construído com união e sacrifício.
- Papel de Ancelotti: O técnico deve fomentar a mentalidade coletiva.
Lúcio também mencionou a necessidade de o Brasil recuperar a confiança da torcida, abalada após eliminações na Copa América e resultados irregulares nas Eliminatórias. A goleada sofrida para a Argentina por 4 a 1, em 2025, foi um dos momentos mais críticos do ciclo. Ancelotti, com sua experiência, é visto como a esperança para mudar esse cenário.
A trajetória de Lúcio no futebol
Natural de Planaltina, no Distrito Federal, Lúcio começou sua carreira no Guará-DF antes de chegar ao Internacional, em 1997. No clube gaúcho, ganhou destaque e foi convocado para a Seleção em 2000, ano em que se transferiu para o Bayer Leverkusen. Sua carreira internacional inclui passagens vitoriosas por Bayern de Munique, Inter de Milão – onde conquistou a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes em 2010 – e Juventus. No Brasil, ainda jogou por São Paulo e Palmeiras antes de se aposentar em 2020.
Como zagueiro, Lúcio marcou época por sua força física e faro de gol, algo incomum para a posição. “Eu queria ser ponta direita, mas acabei na zaga. Mesmo assim, ia pra frente sempre que podia”, brincou. Ele recordou broncas de técnicos como José Mourinho, que cobravam seu retorno à defesa, mas reconheceu que sua ousadia resultou em gols importantes.
- Carreira internacional: Lúcio brilhou na Europa por mais de uma década.
- Faro de gol: Marcou gols decisivos, mesmo sendo zagueiro.
- Disciplina: O ex-jogador destaca a dedicação como chave para o sucesso.
Hoje, aos 47 anos, Lúcio aplica a mesma disciplina à recuperação de seu acidente. Em maio de 2025, uma lareira ecológica causou queimaduras em 18% de seu corpo, exigindo tratamento intensivo. Transferido para Porto Alegre, ele segue com fisioterapia e mantém o otimismo. “É uma caminhada longa, mas estou confiante”, afirmou.
Recuperação e otimismo para o futuro
Enquanto se recupera, Lúcio mantém o olhar atento ao futebol. Ele acompanha a Seleção e acredita que Ancelotti pode levar o Brasil ao hexa, desde que o grupo abrace a mentalidade coletiva. “O Brasil sempre teve talento. O que precisa é transformar isso em time”, disse. O ex-zagueiro também elogiou a nova geração, incluindo nomes como Estêvão, do Palmeiras, e João Pedro, do Chelsea, que brilharam no Mundial de Clubes.
A Copa de 2026 será um teste crucial para Ancelotti e seus jogadores. Com a classificação garantida, o foco agora é construir um time competitivo. Lúcio, que viveu o auge do futebol brasileiro, aposta na experiência do italiano e na união do elenco para reacender a esperança da torcida. “O Brasil tem tudo para voltar ao topo. Basta querer e trabalhar junto”, concluiu.

