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Rede D’Or planeja aquisição do Fleury (FLRY3) para consolidar mercado de saúde

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Fleury - Foto: Felipecbit / Shutterstock.com Fleury - Foto: Felipecbit / Shutterstock.com

A Rede D’Or, maior rede hospitalar privada do Brasil, está estruturando uma oferta para adquirir o Grupo Fleury, líder em medicina diagnóstica, em um movimento que pode redefinir o setor de saúde suplementar no país. A operação, que envolve negociações iniciadas há cerca de três meses, foi confirmada por fontes próximas ao Brazil Journal e antecipada por Lauro Jardim, do O Globo, em 20 de julho de 2025. A transação, que combina pagamento em dinheiro e ações, visa integrar as operações das duas gigantes, avaliadas em R$ 75 bilhões (Rede D’Or) e R$ 6,9 bilhões (Fleury). As conversas envolvem o Bradesco, que detém 24,9% do Fleury, e buscam agradar acionistas-chave, como médicos e a família Pardini. O objetivo é consolidar serviços hospitalares e diagnósticos, ampliando a eficiência e a competitividade no mercado. A oferta, assessorada por JP Morgan e Morgan Stanley, não é iminente, mas sinaliza uma nova fase de consolidação no setor.

A transação reflete a estratégia de verticalização da Rede D’Or, que busca integrar diferentes elos da cadeia de saúde. A proposta inclui:

  • Oferta mista: Pagamento em dinheiro e ações para manter acionistas interessados na nova estrutura.
  • Apoio do Bradesco: O banco, maior acionista do Fleury, vê a fusão com entusiasmo.
  • Histórico de parcerias: A joint venture Atlântica D’Or, firmada em 2024, já une Rede D’Or e Bradesco em três hospitais.

Estratégia de consolidação no setor de saúde

A Rede D’Or, com 79 hospitais e mais de 13 mil leitos, tem expandido agressivamente sua presença no Brasil. A possível aquisição do Fleury, que opera 25 diagnostic centers e processa 5,8 milhões de testes anuais, fortalece sua posição em medicina diagnóstica. A empresa, que já atua no segmento com a marca Richet no Rio de Janeiro, enxerga na integração com o Fleury uma oportunidade de ampliar serviços e reduzir custos operacionais. A transação também reforça a parceria com o Bradesco, que busca otimizar sua operação de saúde suplementar em um cenário de alta inflação médica.

A verticalização é uma tendência crescente no setor. A combinação de hospitais e laboratórios permite maior controle sobre a jornada do paciente, desde a prevenção até o tratamento. Analistas apontam que a Rede D’Or pode alcançar sinergias significativas, como melhores condições de compra de insumos e maior poder de negociação com planos de saúde. O Goldman Sachs destaca que o Fleury se beneficiaria da gestão eficiente da Rede D’Or, enquanto o Bradesco BBI prevê aumento na receita do Fleury com a expansão de unidades e credenciamentos.

Histórico de relações entre Rede D’Or e Fleury

A Rede D’Or e o Fleury já tiveram uma relação comercial no passado. Há 15 anos, a família Moll, fundadora da Rede D’Or, vendeu sua rede de laboratórios, a Labs D’Or, ao Fleury por R$ 1,2 bilhão. Posteriormente, os Moll zeraram sua participação no Fleury, mas o interesse em medicina diagnóstica permaneceu. Em 2021, a Rede D’Or tentou adquirir a Alliar, outra gigante do diagnóstico, mas a negociação não avançou. Agora, a nova investida no Fleury demonstra a persistência da empresa em consolidar esse segmento.

A operação atual é mais complexa devido à estrutura acionária do Fleury. Além do Bradesco, que detém 24,9%, um grupo de médicos com 11% do capital e a família Pardini, com influência no conselho, têm peso nas decisões. A oferta precisa conquistar esses acionistas para prosperar. A inclusão de ações no pagamento é uma estratégia para manter esses grupos na nova estrutura, garantindo continuidade e engajamento.

Benefícios e sinergias esperados

A aquisição pode transformar o mercado de saúde brasileiro ao criar uma gigante integrada de serviços médicos. A Rede D’Or, com receita de R$ 51,3 bilhões em 2024, e o Fleury, com R$ 5,8 bilhões no mesmo período, formariam um conglomerado com forte presença em hospitais, diagnósticos e clínicas especializadas. A integração promete:

  • Economia de escala: Redução de custos com compras centralizadas e processos otimizados.
  • Expansão de serviços: Ampliação de unidades diagnósticas com a força da marca Fleury.
  • Fortalecimento com pagadores: Maior poder de barganha com operadoras como SulAmérica e Bradesco.
  • Inovação tecnológica: Investimentos em digitalização e telemedicina para melhorar a experiência do paciente.

O Bradesco BBI estima que a operação pode aumentar em 18 pontos percentuais a contribuição do segmento de diagnósticos para o EBITDA da Rede D’Or. Além disso, a transação é vista como viável financeiramente, com a Rede D’Or mantendo uma alavancagem de 2,0 vezes dívida/EBITDA e o Fleury em 1,5 vez.

Reações do mercado e desafios regulatórios

As ações do Fleury dispararam 15% na B3 em 21 de julho de 2025, atingindo R$ 14,53, enquanto a Rede D’Or registrou alta modesta de 0,4%. A reação reflete o otimismo com o potencial de sinergias, mas também a cautela diante da ausência de um acordo formal. Ambas as empresas negaram, em comunicados à CVM, que haja decisão ou documentos assinados, mas confirmaram avaliar oportunidades de expansão. Isso sugere que as negociações estão em estágio inicial, com possibilidade de ajustes na proposta.

Um desafio é a aprovação regulatória. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) deve avaliar o impacto da fusão no mercado de saúde. No entanto, o Bradesco BBI acredita que a baixa exposição da Rede D’Or em diagnósticos ambulatoriais reduz riscos de objeção. A experiência da empresa em aquisições anteriores, como a da SulAmérica em 2022, reforça a confiança em navegar esse processo.

O papel do Bradesco na negociação

O Bradesco desempenha um papel central na transação, não apenas como acionista majoritário do Fleury, mas também como parceiro estratégico da Rede D’Or. A joint venture Atlântica D’Or, anunciada em 2024, já sinalizava a aproximação entre as duas instituições. A fusão com o Fleury pode fortalecer essa aliança, permitindo ao banco acessar serviços diagnósticos mais competitivos e melhorar a gestão de custos em saúde suplementar. A operação também diversifica os negócios da Rede D’Or, reduzindo a dependência de hospitais de alta complexidade.

A relação entre as partes é vista como um diferencial competitivo. Jorge Moll, fundador da Rede D’Or, iniciou as conversas diretamente com o Bradesco, que demonstrou apoio à ideia. A estrutura da oferta, com pagamento em ações, pode facilitar a adesão de outros acionistas, mantendo o alinhamento estratégico entre as partes.

Cenário competitivo e próximos passos

O setor de saúde suplementar no Brasil enfrenta pressões como regulação rígida e inflação médica. A consolidação é uma resposta para manter a rentabilidade em um mercado fragmentado. A Rede D’Or, com sua estratégia de aquisições, tem se destacado nesse cenário, enquanto o Fleury reforça sua posição com 19 aquisições desde 2017, incluindo a recente compra da Confiance Medical Diagnostics por R$ 130 milhões. A união das duas empresas pode criar uma líder de mercado com capacidade para enfrentar concorrentes como Dasa e Hapvida.

As próximas etapas incluem a finalização da oferta e a aprovação pelos acionistas do Fleury. O envolvimento de bancos como JP Morgan e Morgan Stanley sugere uma transação bem estruturada, mas o prazo para conclusão permanece incerto. A Rede D’Or deve continuar avaliando oportunidades de expansão, enquanto o Fleury mantém sua estratégia de crescimento orgânico e aquisições seletivas.

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