O país chega ao segundo semestre de 2025 com cerca de 26 milhões de brasileiros, praticamente um em cada oito habitantes, investindo em criptoativos, segundo um levantamento da Triple‑A citado pelo InfoMoney. Além disso, a América Latina movimentou 415 bilhões de dólares em criptomoedas entre julho de 2023 e junho de 2024, e o Brasil respondeu por uma grande fatia regional desse fluxo.
Brasil ganha seu lugar na elite cripto
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, revelou que mais de 90% das transações locais utilizam stablecoins. A preferência por ativos atrelados ao dólar ocorre, em boa parte, porque eles servem como proteção contra a volatilidade do real e facilitam pagamentos internacionais pela via digital.
A combinação de popularização do Pix, inflação sob pressão e avanço regulatório transformou o Brasil num laboratório de inovações financeiras. O ecossistema brasileiro se tornou tão receptivo que é cada vez mais comum que os brasileiros buscam pelos pré‑lançamentos das melhores criptomoedas, etapa em que tokens chegam ao mercado antes de listar em grandes corretoras.
Mesmo após cair para a 10ª posição no Índice Global de Adoção da Chainalysis em 2024, o país ainda lidera a América Latina graças à forte entrada de investidores de varejo e institucionais, que enxergam nas stablecoins um atalho barato para enviar e receber dólares sem fricção bancária. O arcabouço legal também ajuda.
A Lei 14.478/2022, em vigor desde junho de 2023, estabeleceu diretrizes para prestadores de serviços de ativos virtuais e delegou ao Banco Central a supervisão do setor, medida que aumentou a confiança de empresas e consumidores. Do lado da infraestrutura, o Pix movimentou mais de R$ 26 trilhões em 2024, alta de 54% sobre o ano anterior.
O Drex, versão tokenizada do real em testes avançados, promete integrar contratos inteligentes à economia doméstica, reforçando a ponte entre finanças tradicionais e web3. Essa maturidade já transborda para o comércio físico. No interior gaúcho, a cidade de Rolante contabiliza 187 estabelecimentos que aceitam Bitcoin via Lightning Network.
O que o investidor brasileiro precisa saber
O primeiro ponto diz respeito ao enquadramento jurídico. Desde que a Resolução CVM 175/2022 abriu espaço para que fundos invistam diretamente em criptoativos, a autarquia passou a exigir que qualquer oferta pública de tokens com promessa de remuneração seja registrada ou, ao menos, notificada.
Na prática, o investidor deve verificar se a emissão aparece na base da CVM ou se o emissor divulga prospecto com cláusulas de risco, tal como ocorre nos mercados de ações e debêntures. A regulamentação fiscal também entrou no radar.
A Instrução Normativa 1888/2019 impõe que transações acima de R$ 30 mil em exchanges estrangeiras sejam reportadas à Receita Federal até o último dia útil do mês subsequente. O Fisco prepara, ainda, a Declaração de Criptoativos (DeCripto), em consulta pública desde novembro de 2024, que deve substituir a IN 1888 e obrigar exchanges globais a repassar dados diretamente ao governo.
Por fim, não se pode negligenciar o Imposto de Renda. A regra em vigor tributa ganhos mensais acima de R$35 mil com alíquotas que variam de 15% a 22,5%. A novidade para 2025 é que lucros obtidos em corretoras fora do país passaram a ser declarados diretamente na ficha de rendimentos sujeitos à tributação, eliminando a antiga DARF mensal.

