Em um movimento inesperado, a Red Bull Racing anunciou, em 21 de julho de 2025, a dispensa do piloto japonês Yuki Tsunoda após uma passagem de apenas dez corridas na temporada de 2025. A decisão, tomada pela escuderia austríaca em Milton Keynes, Reino Unido, reflete as dificuldades do jovem de 25 anos em se adaptar ao exigente carro RB21 e em atender às expectativas ao lado de Max Verstappen. Com apenas sete pontos conquistados, Tsunoda não conseguiu oferecer o suporte técnico necessário para o desenvolvimento do carro, essencial para a preparação da equipe para as novas regras de 2026. A Honda, parceira histórica do piloto, agora busca realocá-lo, com a Aston Martin, sua nova equipe de motores, como principal opção, embora apenas para um papel de piloto de testes. A saída de Tsunoda abre espaço para novos talentos e levanta debates sobre a pressão enfrentada por pilotos na Red Bull.
A trajetória de Tsunoda na equipe principal começou com grande expectativa, mas rapidamente revelou desafios. Promovido da Racing Bulls para substituir Liam Lawson no Grande Prêmio do Japão, o piloto viu na oportunidade a chance de brilhar. No entanto, o RB21, com sua janela operacional estreita, exigia precisão que Tsunoda não conseguiu entregar, resultando em desempenhos inconsistentes.
Principais dificuldades de Tsunoda na Red Bull:
- Saídas frequentes na Q1 durante classificações.
- Apenas sete pontos em dez corridas.
- Dificuldade em fornecer feedback técnico para ajustes no carro.
- Comparação constante com o desempenho dominante de Verstappen.
A decisão da Red Bull reflete não apenas os resultados em pista, mas também a necessidade de um piloto que complemente Verstappen na busca pelo título de construtores em 2026.
Desafios técnicos do RB21
O RB21, projetado sob a liderança de Pierre Waché, apresentou obstáculos significativos para Tsunoda. Diferentemente do carro da Racing Bulls, que permitia maior margem de erro, o RB21 exigia pilotagem precisa devido à sua aerodinâmica complexa e instabilidade na traseira. Verstappen, conhecido por sua habilidade técnica, conseguiu extrair vitórias em pistas como Suzuka e Ímola, enquanto Tsunoda enfrentava dificuldades para encontrar ritmo. Em Miami, o japonês admitiu que precisava de mais tempo para entender o carro, mas os resultados não acompanharam.
A falta de feedback técnico foi um fator decisivo. Engenheiros da Red Bull destacaram que Tsunoda tinha dificuldades em traduzir dados do simulador para a pista, limitando o desenvolvimento do RB21. A equipe, que terminou 2025 em quarto no campeonato de construtores, agora foca em pilotos que possam contribuir para os novos motores Red Bull Powertrains-Ford.
Fatores que dificultaram a adaptação de Tsunoda:
- Janela operacional limitada do RB21.
- Falta de experiência com carros de alto desempenho.
- Pressão para igualar o desempenho de Verstappen.
- Dificuldade em ajustes finos durante corridas.
A saída de Tsunoda marca uma mudança estratégica para a Red Bull, que busca maior sinergia entre pilotos e engenheiros.
Futuro incerto com a Aston Martin
A Honda, que acompanha Tsunoda desde as categorias de base, está empenhada em mantê-lo na Fórmula 1. Com o fim da parceria com a Red Bull em 2025, a fabricante japonesa agora foca na Aston Martin, que usará seus motores a partir de 2026. Koji Watanabe, presidente da Honda Racing Corporation, expressou apoio ao piloto, mas reconheceu que a Aston Martin, com Fernando Alonso e Lance Stroll garantidos até 2026, oferece poucas chances de uma vaga de titular.
Tsunoda, por sua vez, resiste à ideia de ser piloto reserva. “Quero competir, não apenas testar. Vou buscar todas as oportunidades possíveis”, declarou após o anúncio de sua saída. A possibilidade de um retorno à Racing Bulls ou negociações com equipes menores, como a futura Cadillac, também está em discussão.
Possíveis caminhos para Tsunoda em 2026:
- Piloto de testes na Aston Martin, com foco em desenvolvimento.
- Vaga de titular em equipes emergentes, como a Cadillac.
- Exploração de categorias alternativas, como endurance.
- Retorno à Racing Bulls, caso a Red Bull opte por mantê-lo no programa.
A transição para a Aston Martin, embora lógica, enfrenta barreiras devido à estrutura consolidada da equipe, o que torna o futuro de Tsunoda incerto.
Trajetória de um talento promissor
Yuki Tsunoda chegou à Fórmula 1 em 2021 pela AlphaTauri, atual Racing Bulls, com o respaldo da Honda. Sua velocidade natural e carisma o tornaram um destaque, especialmente em 2024, quando superou Daniel Ricciardo e conquistou 15 pontos. Formado pelo Honda Formula Dream Project, Tsunoda venceu o campeonato japonês de F4 em 2018 e terminou em terceiro na F2 em 2020, credenciais que o levaram ao grid da F1.
Na Racing Bulls, o japonês encontrou um ambiente mais favorável, com um carro que valorizava sua agressividade. No entanto, a promoção à Red Bull Racing expôs suas limitações sob pressão e com um carro projet migrantiado para Verstappen. “Na Racing Bulls, eu podia arriscar. O RB21 exige perfeição, e isso foi um choque”, admitiu Tsunoda.
Marcos da carreira de Tsunoda:
- Estreia em 2021 com quarto lugar em Abu Dhabi.
- Sétimo lugar no GP de Miami em 2024, seu melhor resultado.
- Promoção à Red Bull Racing em 2025.
- Sete pontos em dez corridas na temporada de 2025.
Apesar dos desafios, Tsunoda permanece como o piloto japonês mais consistente na história da F1, superando predecessores como Takuma Sato.
Cultura implacável da Red Bull
A Red Bull Racing é conhecida por sua abordagem rigorosa na seleção de pilotos. Desde que Verstappen se consolidou como líder, pilotos como Pierre Gasly e Alex Albon enfrentaram dificuldades para acompanhar seu ritmo. Tsunoda, apesar de sua velocidade, não escapou dessa pressão. A cultura da equipe, que valoriza resultados imediatos e feedback técnico, revelou-se incompatível com o estilo do japonês.
A chegada de Laurent Mekies como chefe da equipe trouxe uma perspectiva mais equilibrada, mas não foi suficiente para salvar Tsunoda. Mekies, que trabalhou com o piloto na Racing Bulls, elogiou sua evolução, mas a decisão de substituí-lo já estava tomada. “Yuki tem talento, mas a Red Bull exige algo além de velocidade”, afirmou.
Razões para a dispensa de Tsunoda:
- Dificuldade em lidar com a pressão de correr ao lado de Verstappen.
- Falta de sinergia com os engenheiros.
- Resultados abaixo das expectativas em 2025.
- Necessidade de um piloto mais técnico para 2026.
A saída de Tsunoda reflete a estratégia da Red Bull de priorizar pilotos que complementem Verstappen e contribuam para o desenvolvimento do carro.
Novos rumos para 2026
Com a dispensa de Tsunoda, a Red Bull já avalia nomes para 2026. Isack Hadjar, que conquistou 21 pontos na Racing Bulls em 2025, é o favorito para assumir a vaga. Arvid Lindblad, promessa da F2, também está no radar. A equipe, agora sob a liderança de Mekies e com os novos motores Red Bull Powertrains-Ford, busca recuperar o domínio perdido em 2025, quando terminou em quarto no campeonato de construtores.
A saída de Adrian Newey para¾ para a Aston Martin também impacta a equipe, que agora foca em reconstrução. A escolha do próximo piloto será crucial para o sucesso em 2026, com novos regulamentos e desafios técnicos à frente.
Candidatos para substituir Tsunoda:
- Isack Hadjar, com resultados sólidos na Racing Bulls.
- Arvid Lindblad, jovem talento da F2.
- Liam Lawson, com potencial de retorno.
- Possíveis pilotos de equipes rivais.
A Red Bull entra em uma nova fase, enquanto Tsunoda busca um recomeço na Fórmula 1, apoiado pela Honda e por sua determinação em permanecer no grid.