O programa Pé-de-meia, iniciativa do governo federal para combater a evasão escolar, entra em 2025 com regras atualizadas e um alcance que beneficia cerca de 4 milhões de estudantes do ensino médio público em todo o país. Gerido pelo Ministério da Educação (MEC) e operacionalizado pela Caixa Econômica Federal, o programa oferece incentivos financeiros de até R$ 9.600 ao longo dos três anos do ensino médio, voltado a jovens de 14 a 24 anos de famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Lançado em 2024, o Pé-de-meia já reduziu a evasão em 18% em regiões como Norte e Nordeste, promovendo inclusão educacional e mobilidade social. As novidades para 2025 incluem inclusão automática e maior rigor em critérios de desempenho, garantindo que os recursos cheguem a alunos comprometidos com os estudos.
Criado pela Lei nº 14.818/2024, o programa combina apoio financeiro com educação financeira, incentivando jovens a gerirem seus recursos desde cedo. Estudantes recebem depósitos mensais e anuais, condicionados à frequência escolar e aprovação. A iniciativa também se expandiu para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e cursos técnicos, ampliando seu impacto em comunidades vulneráveis.
- Objetivo principal: Reduzir a evasão escolar e promover igualdade educacional.
- Público-alvo: Jovens de 14 a 24 anos de famílias com renda per capita de até R$ 759.
- Incentivos financeiros: Até R$ 9.600, com saques imediatos e poupança retida até a formatura.
As mudanças de 2025 reforçam o compromisso do governo com a educação pública, simplificando o acesso e exigindo maior engajamento dos beneficiários.
Como funciona o incentivo financeiro
O Pé-de-meia opera com uma estrutura de pagamentos que combina flexibilidade e rigidez. Os depósitos mensais, chamados de incentivo-presença, são de R$ 200 e exigem frequência mínima de 80% nas aulas, verificada pelas redes de ensino. Esses valores podem ser sacados imediatamente, ajudando com despesas como transporte e material escolar. Já a poupança de conclusão, de R$ 1.000 por ano letivo aprovado, é retida até a formatura, incentivando a conclusão do ensino médio.
Além disso, estudantes do 3º ano que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) recebem um bônus de R$ 200, desde que concluam o ciclo escolar. A Caixa Econômica Federal gerencia as contas digitais, abertas automaticamente para os beneficiários, com acesso via aplicativo Jornada do Estudante. A integração entre MEC, Caixa e redes de ensino garante a agilidade nos pagamentos, embora exija dados atualizados no CadÚnico.
- Incentivo-presença: R$ 200 mensais, pago em até 10 parcelas anuais.
- Poupança de conclusão: R$ 1.000 por ano, liberado após a formatura.
- Bônus Enem: R$ 200, condicionado à participação no exame.
- EJA: R$ 225 mensais por frequência, com R$ 1.000 anuais retidos.
Essa estrutura busca equilibrar apoio imediato com planejamento financeiro de longo prazo.
Critérios de elegibilidade
Para participar do Pé-de-meia, os estudantes precisam atender a requisitos claros. A inclusão automática via CadÚnico elimina a necessidade de inscrição manual, mas exige que os dados familiares estejam atualizados. Jovens de 14 a 24 anos, matriculados no ensino médio público, e de 19 a 24 anos, na modalidade EJA, são elegíveis, desde que suas famílias tenham renda per capita de até meio salário mínimo.
A frequência escolar mínima de 80% é monitorada pelas escolas, que enviam relatórios ao MEC. Além disso, a participação em avaliações como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Enem (para o 3º ano) é obrigatória. Alunos de escolas técnicas públicas, que concluíram o ensino fundamental em instituições públicas, foram incluídos em 2025, ampliando o alcance para formações profissionalizantes.
- Idade: 14 a 24 anos (ensino médio regular); 19 a 24 anos (EJA).
- Renda familiar: Até R$ 759 por pessoa, conforme CadÚnico.
- Frequência: Mínimo de 80% de presença nas aulas.
- Documentação: CPF regular e CadÚnico atualizado.
- Exames: Participação obrigatória no Saeb e Enem (quando aplicável).
Esses critérios garantem que o programa alcance jovens em situação de vulnerabilidade, priorizando o compromisso com a educação.

Novidades nas regras de 2025
As atualizações para 2025 tornam o Pé-de-meia mais acessível, mas também mais rigoroso. A inclusão automática via CadÚnico simplifica o processo, identificando beneficiários diretamente pelo sistema, desde que os dados estejam atualizados. No entanto, o MEC aumentou a fiscalização de frequência e desempenho, exigindo aprovação anual e participação em exames nacionais.
A poupança de conclusão, de R$ 1.000 por ano, permanece bloqueada até a formatura, mas exceções para saques antecipados podem ser analisadas em casos específicos, como emergências justificadas. Estudantes da 4ª série do ensino médio, em estados com essa estrutura, agora também recebem até três parcelas anuais de R$ 1.000, equiparando-se ao 3º ano. Essas mudanças visam maximizar o impacto do programa na permanência escolar.
- Inclusão automática: Beneficiários identificados pelo CadÚnico, sem inscrição manual.
- Desempenho escolar: Aprovação anual obrigatória para receber a poupança de conclusão.
- Fiscalização reforçada: Frequência e exames monitorados com maior rigor.
As novas regras refletem o compromisso do governo em garantir que os recursos sejam usados por alunos engajados.
Educação financeira e impacto social
O Pé-de-meia vai além do suporte financeiro, promovendo a inclusão financeira entre jovens. As contas digitais, gerenciadas pela Caixa, incentivam o aprendizado sobre gestão de recursos, com muitos estudantes movimentando uma conta bancária pela primeira vez. Diretores de escolas públicas relatam que o programa fortalece a autoestima dos alunos, que se sentem valorizados e motivados a permanecer na escola.
Em 2024, o programa alcançou 3,9 milhões de beneficiários e reduziu a evasão escolar em 15% em âmbito nacional, com destaque para o Norte (18%) e Nordeste (17%). Estudantes como Maria Eduarda Silva, de 16 anos, de Recife, relatam que o incentivo-presença cobre custos com transporte e material escolar, permitindo maior foco nos estudos. O impacto também se reflete nas famílias, que veem na iniciativa uma oportunidade de romper ciclos de pobreza.
- Redução da evasão: 15% em 2024, com maior impacto em regiões vulneráveis.
- Inclusão financeira: Contas digitais estimulam gestão responsável de recursos.
- Motivação escolar: Alunos relatam maior engajamento com os estudos.
- Impacto familiar: Apoio financeiro alivia pressões econômicas.
O programa tem se consolidado como uma ferramenta de transformação social, especialmente em periferias e áreas rurais.
Calendário e acompanhamento dos pagamentos
Os pagamentos do Pé-de-meia seguem um cronograma alinhado ao ano letivo, com depósitos mensais entre março e dezembro, nos últimos 10 dias úteis de cada mês. A poupança de conclusão é liberada em fevereiro do ano seguinte, após a validação da aprovação escolar. O bônus Enem, de R$ 200, é pago entre novembro e dezembro, condicionado à participação no exame.
O aplicativo Jornada do Estudante, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), permite consultar saldos, extratos e pendências. Menores de 18 anos precisam de autorização do responsável legal para movimentar a conta, feita pelo aplicativo Caixa Tem ou em agências da Caixa. Notificações por SMS ou WhatsApp informam sobre depósitos e possíveis bloqueios, que podem ser resolvidos na escola ou no CRAS.
- Incentivo-presença: R$ 200 mensais, de março a dezembro.
- Poupança de conclusão: R$ 1.000, pago em fevereiro do ano seguinte.
- Bônus Enem: R$ 200, liberado após confirmação de participação.
- EJA: R$ 225 mensais, em até oito parcelas por semestre.
O cronograma detalhado está disponível no site do MEC e no aplicativo, facilitando o planejamento financeiro dos beneficiários.
Expansão para licenciaturas e perspectivas futuras
Uma das grandes novidades de 2025 é a expansão do Pé-de-meia para cursos de licenciatura, dentro do programa Mais Professores para o Brasil. Estudantes com alto desempenho no Enem recebem R$ 1.050 mensais durante o curso, sendo R$ 700 para saque imediato e R$ 350 retidos até o ingresso na rede pública como professores. A iniciativa visa combater a carência de docentes na educação básica, beneficiando cerca de 50 milhões de educadores e alunos.
O sucesso do programa, com 4 milhões de beneficiários em 2024, levou o governo a considerar sua extensão ao ensino fundamental II. Propostas para bônus por excelência acadêmica também estão em estudo, visando incentivar o desempenho escolar. Estados e municípios têm se inspirado no modelo, criando políticas locais para reforçar a permanência escolar.
- Licenciaturas: R$ 1.050 mensais, com poupança para futuros professores.
- Ensino fundamental II: Proposta de ampliação em análise pelo MEC.
- Bônus acadêmico: Estudos para premiar alunos com alto desempenho.
- Iniciativas locais: Estados e municípios planejam programas similares.
Essa expansão reforça o papel do Pé-de-meia como pilar na luta contra desigualdades educacionais.