Tropas tailandesas e cambojanas entraram em confronto armado nesta quinta-feira, 24 de julho de 2025, na região fronteiriça do templo Prasat Ta Muen Thom, entre as províncias de Surin, na Tailândia, e Oddar Meanchey, no Camboja, deixando pelo menos 12 civis mortos e 14 feridos. A escalada do conflito, que teve início após semanas de tensões por uma disputa territorial, envolveu bombardeios aéreos com caças F-16 tailandeses e disparos de artilharia cambojana, com ambos os lados se acusando de iniciar as hostilidades. A crise, agravada por incidentes com minas terrestres e sentimentos nacionalistas, levou ao fechamento da fronteira e à retirada de diplomatas, intensificando a pior disputa entre os dois países em mais de uma década.
Moradores da região foram evacuados às pressas, com imagens mostrando civis buscando abrigo em bunkers de concreto enquanto explosões ecoavam. A Tailândia fechou completamente sua fronteira de 817 km com o Camboja, e o governo cambojano solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para conter a violência.
- Vítimas confirmadas: Pelo menos 12 civis mortos, incluindo uma criança de 8 anos, e 14 feridos, segundo o Ministério da Saúde tailandês.
- Ação militar: Caças F-16 tailandeses destruíram alvos militares cambojanos, enquanto o Camboja disparou foguetes e artilharia.
- Contexto: A disputa territorial na região do templo Ta Muen Thom reacendeu tensões históricas entre os dois países.
Origem da crise atual
A violência recente teve início em maio de 2025, quando um soldado cambojano foi morto em um tiroteio na área disputada do Triângulo Esmeralda, onde Tailândia, Camboja e Laos se encontram. Desde então, as tensões escalaram rapidamente, com trocas de acusações e medidas retaliatórias, como restrições a passagens fronteiriças e importações. Na quarta-feira, 23 de julho, a Tailândia anunciou a retirada de seu embaixador do Camboja e a expulsão do embaixador cambojano em Bangcoc após dois soldados tailandeses terem sido feridos por minas terrestres em uma semana.
O governo tailandês alega que as minas, de fabricação russa, foram recentemente instaladas em caminhos que deveriam ser seguros por acordo mútuo. O Camboja, por sua vez, nega as acusações, afirmando que as minas são resquícios de conflitos do século XX, como a guerra civil cambojana, que deixou milhões de explosivos não detonados no país.
- Incidente com minas: Dois soldados tailandeses perderam membros em explosões na área disputada.
- Resposta diplomática: Tailândia e Camboja reduziram relações ao nível mais baixo, com retirada de diplomatas.
- Histórico de minas: O Camboja estima que milhões de minas remanescentes de guerras passadas ainda representam risco.
O confronto armado desta quinta-feira marca a pior escalada desde 2011, quando uma troca de artilharia de uma semana resultou em dezenas de mortes. A área do templo Prasat Ta Muen Thom, um ponto de disputa centenário, voltou a ser o epicentro da violência.
Reações internacionais e apelos por paz
A comunidade internacional reagiu com preocupação à escalada do conflito. O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, presidente da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), pediu calma e anunciou que entrará em contato com líderes de ambos os países para buscar uma solução pacífica. O Camboja, por sua vez, levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU, com o primeiro-ministro Hun Manet denunciando os ataques tailandeses como “não provocados, premeditados e deliberados”.
A Tailândia, em comunicado, condenou o Camboja por disparos contra áreas civis, incluindo um hospital, e afirmou estar pronta para proteger sua soberania. O Ministério das Relações Exteriores tailandês exigiu que o Camboja cesse os ataques e assuma responsabilidade pelas mortes de civis.
- Asean: Anwar Ibrahim busca mediação para evitar nova escalada.
- ONU: Camboja solicita reunião urgente do Conselho de Segurança.
- Acusações mútuas: Tailândia acusa Camboja de atacar civis; Camboja alega autodefesa.
Enquanto isso, moradores das províncias tailandesas de Surin, Sisaket e Ubon Ratchathani foram evacuados, com cerca de 40 mil civis realocados de 86 vilarejos próximos à fronteira. Imagens nas redes sociais mostram mercados e postos de gasolina em chamas, com famílias correndo para abrigos fortificados.

Histórico de disputas na fronteira
A fronteira de 817 km entre Tailândia e Camboja, mapeada em grande parte pelos franceses durante o período colonial, é marcada por áreas não demarcadas que alimentam conflitos há mais de um século. O templo Prasat Ta Muen Thom, assim como o templo Preah Vihear, é um dos pontos mais sensíveis, com ambos os países reivindicando soberania. Em 2011, uma decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) tentou esclarecer a posse de Preah Vihear, mas áreas próximas, como Ta Muen Thom, permanecem em disputa.
Os confrontos esporádicos já resultaram em dezenas de mortes ao longo dos anos, alimentados por sentimentos nacionalistas e disputas políticas internas. Na Tailândia, a crise atual levou à suspensão da primeira-ministra em 1º de julho, sob investigação por supostas violações éticas na condução da disputa. No Camboja, o ex-primeiro-ministro Hun Sen, uma figura influente, acusou a Tailândia de bombardear duas províncias cambojanas, intensificando o tom do conflito.
- Templo Ta Muen Thom: Ponto central da disputa, com reivindicações históricas de ambos os lados.
- Corte Internacional de Justiça: Decisão de 2011 sobre Preah Vihear não resolveu todas as disputas.
- Nacionalismo: Sentimentos patrióticos agravam a crise em ambos os países.
Impacto humanitário e medidas de segurança
Os confrontos deixaram marcas profundas nas comunidades fronteiriças. Na província tailandesa de Sisaket, oito civis, incluindo estudantes, morreram em ataques próximos a um posto de gasolina. Em Surin, um menino de 8 anos foi uma das vítimas fatais, e em Ubon Ratchathani, mais uma morte foi registrada. Hospitais na região começaram a transferir pacientes para áreas seguras, enquanto o exército tailandês reforçou a presença militar na fronteira.
O Camboja, embora não tenha relatado mortes em seu território, denunciou bombardeios tailandeses em estradas próximas ao templo Preah Vihear e em outras áreas de Oddar Meanchey. O uso de drones e artilharia pesada por ambos os lados aumentou o risco de novas vítimas.
- Evacuação: 40 mil civis foram realocados de vilarejos tailandeses próximos à fronteira.
- Danos materiais: Mercados e postos de gasolina foram destruídos por artilharia.
- Reforço militar: Tailândia mobilizou caças F-16 e Camboja usou lançadores de foguetes BM-21.
A Tailândia elevou suas medidas de segurança ao nível 4, fechando todos os postos de controle na fronteira e recomendando que seus cidadãos deixem o Camboja imediatamente. O Camboja, por sua vez, rebaixou as relações diplomáticas e retirou quase todos os seus diplomatas de Bangcoc, mantendo apenas um representante.
Cenário político e diplomático
A crise atual reflete não apenas disputas territoriais, mas também tensões políticas internas. Na Tailândia, a suspensão da primeira-ministra intensificou o clima de instabilidade, com o governo interino sob pressão para responder com firmeza às provocações cambojanas. No Camboja, o governo de Hun Manet enfrenta críticas por sua gestão da crise, com o influente ex-primeiro-ministro Hun Sen usando as redes sociais para denunciar os ataques tailandeses.
Ambos os países adotaram posturas nacionalistas, o que dificulta negociações. A Asean, apesar de seus esforços, tem histórico limitado em resolver disputas entre seus membros, e a intervenção da ONU, solicitada pelo Camboja, pode levar semanas para produzir resultados concretos.
- Tailândia: Governo interino enfrenta pressão para proteger soberania.
- Camboja: Hun Manet busca apoio internacional para condenar Tailândia.
- Asean e ONU: Mediação internacional é tentativa de conter escalada.
A violência na fronteira expõe a fragilidade das relações entre Tailândia e Camboja, marcadas por rivalidades históricas e disputas territoriais. Enquanto a comunidade internacional busca uma solução, a população local enfrenta o impacto imediato da guerra, com perdas humanas e deslocamento em massa.