A BYD, líder global em veículos eletrificados, prepara o lançamento de uma nova picape intermediária híbrida flex no Brasil, com apresentação marcada para o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2025, e vendas previstas para 2026. Flagrada em testes no país, a caminhonete será produzida na fábrica de Camaçari, Bahia, e promete competir diretamente com a Fiat Toro no segmento de picapes monobloco. Equipada com o sistema híbrido DM-i, que combina um motor 1.5 flex com propulsor elétrico, a novidade reforça a estratégia da montadora chinesa de expandir sua presença no mercado brasileiro com veículos sustentáveis e adaptados às demandas locais. A produção nacional visa garantir competitividade em preço e agilidade na entrega.
A caminhonete, ainda sem nome oficial, foi avistada em testes com carroceria definitiva, conforme vídeo divulgado nas redes sociais. Inspirada no SUV Song Plus, a picape terá design robusto, com elementos visuais compartilhados com a BYD Shark, como lanternas interligadas por uma barra de LED. A escolha pelo Salão do Automóvel como palco de estreia reforça a importância do mercado brasileiro para a BYD, que planeja um debute global, já que o modelo é inédito até na China, seu país de origem.
O projeto da picape intermediária é parte de uma estratégia maior da BYD no Brasil, que inclui a produção de outros modelos, como o Song Pro e o Dolphin Mini, na mesma planta baiana. A montadora aposta na tecnologia híbrida flex para atrair consumidores que buscam versatilidade, economia de combustível e menor impacto ambiental, em um segmento aquecido liderado pela Fiat Toro.
- Principais destaques da nova picape:
- Motorização híbrida flex com sistema DM-i.
- Produção local na fábrica de Camaçari, Bahia.
- Design inspirado no SUV Song Plus e na picape Shark.
- Estreia global no Salão do Automóvel de São Paulo.
Design inovador com inspiração em modelos consolidados
A nova picape da BYD terá construção monobloco, posicionando-se como uma concorrente direta da Fiat Toro, que domina o segmento de picapes intermediárias no Brasil. Baseada no SUV Song Plus, a caminhonete apresenta vincos nas portas e linhas que remetem ao utilitário, mas com elementos exclusivos, como para-choque redesenhado e grade frontal personalizada. A traseira, ainda camuflada nos flagras, promete lanternas verticais interligadas por uma barra horizontal de LED, com a inscrição “BYD” destacada na tampa da caçamba, seguindo o estilo da picape Shark.
A inspiração no Song Plus garante um visual moderno, com faróis afilados e contornos que reforçam a robustez do veículo. A caminhonete deve oferecer um equilíbrio entre estética urbana e funcionalidade para o trabalho, atendendo tanto consumidores que buscam versatilidade quanto aqueles que valorizam design e tecnologia. A BYD planeja diferenciar o modelo com acabamentos premium, posicionando-o como uma alternativa sofisticada no segmento.
A produção local é um diferencial estratégico. A fábrica de Camaçari, que inicia operações em março de 2025, permitirá à BYD reduzir custos de importação e oferecer preços competitivos, especialmente em versões de entrada. A montadora prevê uma capacidade inicial de 150 mil veículos por ano, com potencial de expansão para 300 mil, o que reforça seu compromisso com o mercado brasileiro.
Tecnologia híbrida flex para o mercado brasileiro
A motorização é um dos pontos altos da nova picape. Equipada com o sistema híbrido plug-in DM-i, a caminhonete combina um motor 1.5 flex, compatível com gasolina e etanol, a um propulsor elétrico. No Song Plus, esse conjunto entrega 235 cv de potência combinada e 40,8 kgfm de torque, com um câmbio e-CVT que utiliza uma marcha física complementada pelo motor elétrico. A BYD adaptou o sistema para o uso de etanol, atendendo à preferência do mercado brasileiro por combustíveis renováveis.
- Características do sistema DM-i:
- Motor 1.5 flex de quatro cilindros.
- Propulsor elétrico para maior eficiência.
- Autonomia combinada superior a 1.000 km em condições ideais.
- Câmbio e-CVT com integração elétrica.
- Tração adaptada para uso urbano e off-road leve.
A tecnologia híbrida plug-in permite recarga externa, oferecendo autonomia elétrica para deslocamentos curtos e economia de combustível em viagens longas. Comparada à Fiat Toro, que utiliza motor 1.3 turbo flex de até 185 cv, a picape da BYD pode se destacar pela eficiência energética e menor emissão de poluentes, atraindo consumidores preocupados com sustentabilidade. A Chevrolet Montana, outra concorrente, aposta em um motor 1.2 turbo de 133 cv, mas não oferece opções híbridas, o que dá vantagem à BYD no quesito inovação.
O sistema DM-i já é amplamente utilizado em outros modelos da marca, como o Song Plus e o King, garantindo confiabilidade e desempenho testado. A BYD também planeja ajustes no conjunto para otimizar o uso com etanol, o que pode resultar em maior potência e eficiência em comparação com a versão a gasolina vendida em outros mercados.

Estratégia de mercado e concorrência
A escolha do Brasil para a estreia global da picape reflete a relevância do mercado nacional para a BYD. O segmento de picapes intermediárias está em alta, com a Fiat Toro liderando as vendas e a Chevrolet Montana ganhando espaço com seu design moderno. A Volkswagen também planeja entrar na disputa com a Tera, equipada com motor 1.5 TSI, prevista para 2025. A BYD, no entanto, aposta na tecnologia híbrida como diferencial, oferecendo um pacote que combina desempenho, economia e conectividade.
A produção em Camaçari é um trunfo para manter preços competitivos. A Fiat Toro tem valores entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, e a BYD deve posicionar sua picape em uma faixa semelhante, especialmente nas versões de entrada. A nacionalização de componentes, que pode alcançar 70% em cinco anos, reduzirá custos e permitirá à montadora oferecer pacotes de equipamentos mais generosos, como sistemas avançados de assistência ao motorista e conectividade de ponta.
- Concorrentes diretos da nova picape:
- Fiat Toro: líder com motor 1.3 turbo flex e versões diesel.
- Chevrolet Montana: foco em eficiência com motor 1.2 turbo.
- Volkswagen Tera: aposta em motor 1.5 TSI para 2025.
- GWM Poer: picape híbrida com produção prevista no Brasil.
A BYD também planeja expandir sua linha de picapes no Brasil, com rumores de uma caminhonete compacta para rivalizar com a Fiat Strada. Essa estratégia reforça o compromisso da montadora em atender diferentes segmentos, consolidando sua posição como líder em veículos eletrificados no país.
Produção local e impacto econômico
A fábrica de Camaçari, adquirida por R$ 287,8 milhões, é um marco na expansão da BYD no Brasil. Com 26 novas instalações, incluindo galpões e pista de testes, a planta terá capacidade para produzir 12 modelos diferentes, com foco em veículos híbridos e elétricos. A operação inicial, em regime SKD (montagem de peças importadas), começa em março de 2025, com 2.000 empregos diretos criados no primeiro semestre e previsão de 10.000 postos até o final do ano.
A BYD investiu R$ 5,5 bilhões no complexo, que inclui um centro de pesquisa e desenvolvimento com 2.000 funcionários. A produção de baterias está planejada para uma segunda fase, o que reduzirá a dependência de componentes importados e fortalecerá a cadeia de suprimentos local. A montadora também planeja uma fábrica no México para atender a América Central e os Estados Unidos, mas o Brasil permanece como prioridade na América Latina.
- Impactos da fábrica de Camaçari:
- Geração de 10.000 empregos diretos e indiretos em 2025.
- Produção inicial de 150 mil veículos por ano.
- Nacionalização de até 70% dos componentes em cinco anos.
- Centro de pesquisa para inovações locais.
Expectativas para o Salão do Automóvel
O Salão do Automóvel de São Paulo, que retorna ao Anhembi após anos de ausência, será o palco ideal para a BYD apresentar sua picape intermediária. A montadora planeja um estande que destaque sua tecnologia híbrida e o foco na produção local, reforçando sua imagem de inovação e sustentabilidade. A escolha do evento para o debute global é estratégica, considerando que a BYD não comercializa picapes na China, seu mercado de origem.
A apresentação deve revelar a picape como um conceito próximo à versão final, com detalhes técnicos e visuais que antecipam o modelo de produção. A BYD também aproveitará o evento para exibir outros lançamentos, como a marca de luxo Denza, que estreia em outubro de 2025, e possíveis atualizações nos modelos Song Pro e King. A expectativa é que o estande da montadora seja um dos mais visitados, consolidando sua liderança no mercado de veículos eletrificados no Brasil.
- Atrações previstas no Salão do Automóvel:
- Estreia global da picape intermediária híbrida flex.
- Exibição da marca de luxo Denza.
- Atualizações nos modelos Song Pro e King.
- Demonstração da tecnologia DM-i e inovações sustentáveis.
Expansão da BYD no mercado brasileiro
A nova picape é apenas uma parte da estratégia ambiciosa da BYD no Brasil. A montadora planeja lançar oito modelos produzidos localmente até 2026, incluindo o Dolphin Mini, o Song Pro e uma possível picape compacta para competir com a Fiat Strada. A marca também aposta na expansão de sua rede de concessionárias, que deve alcançar 240 pontos em 2025, garantindo maior capilaridade e atendimento ao consumidor.
A BYD já é líder em vendas de veículos eletrificados no Brasil, com modelos como o Dolphin e o Song Plus conquistando consumidores pela combinação de tecnologia e preço competitivo. A nova picape intermediária reforça essa trajetória, oferecendo uma alternativa sustentável em um segmento dominado por motores a combustão. A montadora também enfrenta desafios, como denúncias sobre condições de trabalho em fornecedores, mas já anunciou medidas para garantir conformidade com a legislação trabalhista.
A chegada da picape híbrida flex marca um novo capítulo para a BYD no Brasil, consolidando sua posição como uma das marcas mais inovadoras do setor automotivo. Com produção local, tecnologia avançada e foco em sustentabilidade, a montadora está preparada para conquistar uma fatia significativa do mercado de picapes intermediárias, desafiando gigantes como a Fiat e a Chevrolet.