A Honda anunciou o lançamento de sua primeira moto elétrica de grande porte, a EV Fun, marcada para 2 de setembro de 2025, na Europa. Revelada como conceito no Salão de Motos de Milão (EICMA) 2024, a motocicleta promete desempenho comparável a modelos de médio porte a combustão, com autonomia superior a 100 km e recarga rápida. O modelo, que rompe com a base de scooters elétricas da marca, como a EM1 e a Activa e:, será produzido em escala global, com foco em mobilidade urbana e esportividade. A iniciativa reforça o plano da Honda de atingir neutralidade de carbono até 2040 para suas motos, integrando tecnologias de ponta. A novidade desperta expectativa no mercado, especialmente no Brasil, onde a Yamaha já comercializa a Neo’s Connected.
A apresentação da EV Fun marca um passo ousado da Honda no setor de motocicletas elétricas. Diferentemente dos modelos anteriores, focados em deslocamentos curtos, a nova moto combina design agressivo, inspirado em nakeds esportivas, com inovações tecnológicas. A expectativa é que o modelo chegue a mercados estratégicos, como Europa e Ásia, antes de uma possível expansão para o Brasil.
- Principais características da EV Fun:
- Motor elétrico com potência estimada entre 34 e 45 cv.
- Autonomia urbana superior a 100 km.
- Recarga rápida em 45 a 60 minutos via padrão CCS2.
- Design inspirado em conceitos naked de médio porte.
- Tecnologia integrada de automóveis e produtos de energia da Honda.
Design e desempenho da EV Fun
A EV Fun se destaca pelo visual robusto e esportivo, que remete a motos naked tradicionais, como a Honda CB 300F Twister. O modelo abandona o formato de scooters, característico das elétricas anteriores da marca, como a EM1 e a QC1, e adota linhas agressivas que atraem entusiastas de motocicletas. A carenagem combina elementos modernos com toques retrô, inspirando-se em café racers, mas com tecnologia de ponta, como iluminação LED e painel digital TFT.
O desempenho é outro diferencial. A Honda projetou a EV Fun para oferecer potência comparável a motos de 250 a 400 cm³ a combustão, com torque instantâneo de 60 Nm, ideal para acelerações rápidas em ambientes urbanos. A bateria fixa, compatível com carregamento rápido pelo padrão CCS2, garante recargas em menos de uma hora, um avanço em relação a modelos como a EM1, que leva até seis horas para carga completa. A autonomia de mais de 100 km atende tanto a deslocamentos diários quanto a passeios recreativos.
O chassi foi desenvolvido para proporcionar agilidade, com suspensão ajustada para uma condução dinâmica. A integração de tecnologias de outros setores da Honda, como sistemas de energia de automóveis, reforça a confiabilidade do modelo. A marca ainda não divulgou detalhes sobre peso ou preço, mas especula-se que o valor inicial na Europa fique entre 5.000 e 7.000 euros, equivalente a cerca de R$ 30.000 a R$ 42.000 em conversão direta, sem impostos.
Estratégia global de eletrificação
A Honda intensifica sua aposta na eletrificação com a EV Fun, alinhada ao plano de lançar 30 modelos elétricos até 2030. A empresa já comercializa scooters elétricas, como a EM1 na Europa e a Activa e: na Índia, mas a EV Fun é o primeiro passo em direção a motos de maior porte e desempenho. A marca planeja uma fábrica exclusiva para motos elétricas na Índia, prevista para 2028, visando atender à crescente demanda por veículos sustentáveis na Ásia.
A meta da Honda é alcançar 50% de participação no mercado global de motos elétricas até 2031, mantendo sua liderança no setor de duas rodas. Para isso, a empresa investe em tecnologias como baterias removíveis e recarga rápida, além de parcerias estratégicas, como a colaboração com a Wuyang na China para o desenvolvimento da E-VO, uma moto elétrica com design retrô lançada em 2025.
- Pilares da estratégia de eletrificação da Honda:
- Lançamento de 30 modelos elétricos até 2030.
- Neutralidade de carbono para motos até 2040.
- Fábrica exclusiva na Índia a partir de 2028.
- Parcerias para desenvolvimento de baterias e motores.
- Foco em mercados estratégicos, como Europa, Ásia e América Latina.

Expectativa no mercado brasileiro
No Brasil, a chegada de motos elétricas de grandes fabricantes ganha força. A Yamaha deu o primeiro passo com a Neo’s Connected, lançada em 2024 e produzida em Manaus (AM) a partir de janeiro de 2025, com preço estimado de R$ 33.990. A Honda, líder no mercado nacional, prometeu uma moto elétrica para o Brasil em março de 2025, mas ainda não confirmou se será a EV Fun, a Activa e: ou a QC1. O mercado especula que a Activa e:, com motor equivalente a 110 cm³ e autonomia de 80 km, é a candidata mais provável devido ao seu preço acessível, cerca de R$ 8.159 em conversão direta.
A entrada da Honda no segmento elétrico brasileiro é vista como uma resposta direta à Yamaha. A Neo’s Connected, com 3,1 cv e 90 kg, é voltada para mobilidade urbana, mas a EV Fun pode atrair um público mais amplo, incluindo entusiastas de motos esportivas. A produção local, possivelmente em Manaus, pode reduzir custos e tornar o modelo competitivo.
A infraestrutura de recarga no Brasil, porém, ainda é um obstáculo. Estações de carregamento são raras, e a maioria dos usuários dependerá de recargas domésticas. A Honda estuda oferecer baterias removíveis, como no sistema Mobile Power Pack da EM1, para facilitar o uso em áreas urbanas.
Inovações tecnológicas da EV Fun
A EV Fun incorpora avanços que a colocam à frente de concorrentes como a Yamaha Neo’s Connected e a Suzuki e-Access. O sistema de recarga rápida CCS2, amplamente usado em carros elétricos, é uma novidade no segmento de motos, permitindo recargas em menos de uma hora. O painel TFT de sete polegadas oferece conectividade com smartphones, monitoramento de pressão dos pneus e controle de tração, recursos raros em motos elétricas de entrada.
A Honda também integrou tecnologias de seus automóveis, como sistemas de gestão de energia, para otimizar a eficiência da bateria. O motor trifásico sem escovas, posicionado na roda traseira, garante baixa manutenção e alta durabilidade. A frenagem combinada (CBS) e a iluminação LED completam o pacote, elevando o padrão de segurança e visibilidade.
- Tecnologias embarcadas na EV Fun:
- Painel digital TFT de sete polegadas com conectividade.
- Sistema de recarga rápida CCS2.
- Controle de tração e monitoramento de pneus.
- Iluminação full LED de alta intensidade.
- Motor trifásico sem escovas com torque de 60 Nm.
Reações do mercado e concorrência
A apresentação da EV Fun no EICMA 2024 gerou entusiasmo entre especialistas e consumidores. A Yamaha, com a Neo’s Connected e a Fluo ABS Hybrid Connected, já sente a pressão da Honda, que domina o mercado brasileiro com modelos como a CG 160 e a Biz. A Suzuki também entrou na disputa com a e-Access, uma scooter elétrica lançada na Índia em 2025, mas com foco em mobilidade urbana e menos esportividade que a EV Fun.
A Shineray, marca chinesa presente no Brasil, lidera o segmento de elétricas com modelos como SE1 e SE2, mas sua reputação é afetada por problemas de qualidade, como os enfrentados pela Voltz. A Honda, com sua tradição e rede de concessionárias, tem potencial para dominar o mercado brasileiro, caso consiga oferecer preços competitivos.
O mercado global de motos elétricas cresce rapidamente. Na Europa, a demanda por veículos de duas rodas sustentáveis aumentou 20% em 2024, segundo dados do setor. A Honda aposta na EV Fun para capturar parte desse crescimento, enquanto no Brasil a aceitação de elétricas ainda depende de incentivos fiscais e infraestrutura.
- Concorrentes diretos da EV Fun:
- Yamaha Neo’s Connected: 3,1 cv, 90 kg, R$ 33.990.
- Suzuki e-Access: bateria de 60 Ah, frenagem regenerativa.
- Shineray SE1 e SE2: preços acessíveis, mas qualidade questionada.
- Honda Activa e: (Índia): 8 cv, autonomia de 80 km.
Futuro da mobilidade elétrica no motociclismo
A Honda EV Fun representa uma mudança de paradigma no setor. Enquanto scooters elétricas, como a EM1, atendem a deslocamentos curtos, a nova moto mira um público que busca desempenho e emoção. A combinação de autonomia, recarga rápida e design esportivo pode atrair tanto motociclistas tradicionais quanto novos consumidores.
A marca planeja expandir a linha elétrica com modelos como a EV Urban, também apresentada como conceito no EICMA 2024. A EV Urban foca em uso estritamente urbano, com peso reduzido e maior praticidade, mas ainda não tem data de lançamento confirmada. A Honda também estuda parcerias para desenvolver baterias mais leves e eficientes, o que pode reduzir custos no futuro.
No Brasil, a chegada de motos elétricas de grande porte depende de fatores como incentivos governamentais e expansão da rede de recarga. A Honda, com sua experiência no mercado nacional desde 1976, está bem posicionada para liderar essa transição, mas enfrenta o desafio de tornar os preços acessíveis em um mercado sensível a custos.