John Textor, empresário americano e acionista majoritário da SAF do Botafogo, formalizou na quarta-feira, 30 de julho de 2025, uma proposta para recomprar o clube junto à Eagle Football Holdings e representantes da Ares Management. A iniciativa, revelada inicialmente pelo portal GE, visa desvincular o Botafogo da holding que também controla o Lyon, da França, e outros clubes. A negociação ocorre em meio a disputas internas na Eagle, com Textor enfrentando pressões de fundos como Ares e Iconic Sports. Os valores da proposta permanecem sigilosos, mas o clube, adquirido em 2022 por R$ 400 milhões, é avaliado hoje bem acima desse montante. A separação busca garantir maior autonomia financeira e estratégica ao Botafogo, que, segundo Textor, financia operações deficitárias do Lyon.
A proposta de recompra reflete a intenção de Textor de reestruturar sua rede de clubes. Ele planeja criar uma nova empresa nas Ilhas Cayman, a Eagle Football Group, para gerir o Botafogo e o RWDM Brussels, deixando o Lyon na atual Eagle Football Holdings. A estratégia inclui preparar a nova empresa para um IPO na Bolsa de Nova York, atraindo investidores globais.
- Objetivos da recompra:
- Separar o Botafogo do Lyon e da Eagle Football Holdings.
- Garantir maior independência financeira ao clube carioca.
- Preparar o Botafogo para parcerias estratégicas na Europa.
A movimentação ganhou força após Textor declarar, no último sábado, após o empate em 1 a 1 com o Corinthians, que o Botafogo está em sólida situação financeira e que deseja desvinculá-lo da holding. Ele destacou que o clube carioca é superavitário, contrastando com as dificuldades do Lyon.
Motivações estratégicas da proposta
A decisão de Textor de recomprar o Botafogo está ancorada em sua visão de longo prazo para o clube. Desde a aquisição da SAF em 2022, o Botafogo viveu uma transformação, culminando nos títulos do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores em 2024. Esses êxitos elevaram o valor de mercado do clube, estimado agora em cifras muito superiores aos R$ 400 milhões pagos inicialmente. Uma auditoria recente, contratada por Textor, busca determinar o valuation atual do Alvinegro.
A separação da Eagle Football Holdings também responde a tensões internas. A Ares Management, que financiou a compra do Lyon com um empréstimo de cerca de US$ 500 milhões, pressiona Textor por garantias, já que ações do Botafogo foram usadas como colateral na operação. Além disso, a Iconic Sports, outro fundo investidor, disputa o controle da holding, exigindo a recompra de suas ações por US$ 94 milhões.
- Fatores que impulsionam a recompra:
- Valorização do Botafogo após conquistas em 2024.
- Necessidade de resolver disputas com Ares e Iconic Sports.
- Planejamento de um IPO para a nova empresa nas Ilhas Cayman.
- Busca por parcerias europeias mais vantajosas para o Botafogo.
Textor enfatizou que o Botafogo não enfrenta problemas financeiros, ao contrário do Lyon, que quase foi rebaixado na França por descumprir regras fiscais. Ele afirmou que o clube carioca gera receitas significativas, incluindo premiações e vendas de jogadores, sustentando operações internacionais da Eagle.
Reações e apoio interno no Botafogo
A proposta de recompra foi bem recebida pelo clube associativo do Botafogo, que detém 10% da SAF e exerce influência em decisões estratégicas. Há duas semanas, quando a Ares tentou afastar Textor do comando do clube, o presidente do clube social, João Paulo Magalhães Lins, liderou uma mobilização em apoio ao americano. Em carta à Eagle, o dirigente reforçou que Textor é uma figura central para o projeto alvinegro.
A torcida também demonstra confiança na gestão de Textor. Após anos de instabilidade, o Botafogo se consolidou como protagonista no futebol brasileiro, atraindo reforços de peso e investimentos em infraestrutura. A presença de Textor no Estádio Nilton Santos, acompanhando jogos como o recente empate contra o Corinthians, reforça seu compromisso com o clube.
- Pontos de apoio a Textor no Botafogo:
- Mobilização do clube associativo contra a saída do americano.
- Confiança da torcida após títulos e gestão profissional.
- Investimentos em jogadores e estrutura desde 2022.
O empresário também recebeu respaldo de conselheiros da Eagle, que visitaram o Rio de Janeiro para avaliar as finanças e operações do Botafogo. A visita incluiu uma análise detalhada dos registros financeiros, demonstrando a solidez do clube.
Desafios na negociação com a Ares
Apesar de ser o acionista majoritário da Eagle Football Holdings, Textor enfrenta obstáculos para concretizar a recompra. A Ares Management, como credora, detém influência significativa devido às ações do Botafogo usadas como garantia na compra do Lyon. A negociação exige um acordo formal com os representantes do fundo, que buscam proteger seus interesses financeiros.
A disputa com a Iconic Sports adiciona complexidade. O fundo entrou com uma ação judicial na Inglaterra, exigindo a transferência das ações da Eagle para assumir o controle da holding. Textor, por sua vez, obteve uma liminar na Justiça da Flórida, alegando irregularidades no acordo com a Iconic, incluindo ligações de seus sócios com empresários russos, o que violaria sanções americanas.
- Principais entraves na recompra:
- Exigências financeiras da Ares Management.
- Disputa judicial com a Iconic Sports pelo controle da Eagle.
- Necessidade de alinhar interesses de acionistas minoritários.
Textor planeja resolver essas questões criando a Eagle Football Group, uma nova estrutura que isolará o Botafogo das turbulências financeiras do Lyon. A empresa nas Ilhas Cayman foi estrategicamente escolhida por suas vantagens fiscais e jurídicas, comuns em operações de IPO.
Planos futuros para o Botafogo
A recompra do Botafogo é apenas o primeiro passo de um projeto ambicioso. Textor pretende posicionar o clube como uma potência independente, com parcerias estratégicas na Europa e maior visibilidade global. Ele também planeja adquirir um novo clube na Inglaterra, após vender sua participação no Crystal Palace em julho de 2025 por £190 milhões, resolvendo conflitos de multiclub ownership com a UEFA.
A nova Eagle Football Group será a base para essas expansões. Além do Botafogo e do RWDM Brussels, Textor avalia oportunidades de investimento em outros mercados, reforçando sua rede multiclube. O IPO planejado para 2026 deve atrair capital para financiar essas iniciativas, consolidando o Botafogo como um ativo central.
- Metas de Textor para o Botafogo:
- Consolidar a independência financeira e estratégica do clube.
- Estabelecer parcerias com clubes europeus de elite.
- Atrair investidores globais via IPO da Eagle Football Group.
- Expandir a rede multiclube com um novo time inglês.
O empresário também destacou a eficiência da gestão alvinegra, auditada por empresas de alto calibre. Ele negou rumores de que o Lyon financiou os títulos do Botafogo, afirmando que o clube carioca é autossustentável e lucrativo.
Bastidores da proposta e próximos passos
A formalização da proposta ocorreu após semanas de planejamento. Textor contratou uma empresa independente para avaliar o valor de mercado do Botafogo, garantindo transparência na negociação. Conselheiros da Eagle, incluindo Mark Affolter e Christopher Mallon, da Ares, visitaram o Rio para analisar as operações do clube, reforçando a confiança na gestão de Textor.
Os próximos passos incluem a definição do montante final da recompra e as formas de pagamento. A criação da Eagle Football Group está em fase avançada, com a expectativa de que o Botafogo e o RWDM Brussels sejam transferidos para a nova estrutura ainda em 2025. Textor também trabalha para resolver as disputas judiciais com a Iconic Sports, priorizando a estabilidade da holding.
- Cronograma previsto:
- Conclusão da auditoria do valuation do Botafogo até agosto de 2025.
- Finalização da criação da Eagle Football Group nas Ilhas Cayman.
- Transferência do Botafogo para a nova empresa até o fim de 2025.
- Planejamento do IPO da Eagle Football Group para 2026.
A proposta de Textor representa um marco para o Botafogo, que busca consolidar sua posição de destaque no futebol brasileiro e internacional. Com o apoio da torcida, do clube associativo e de sua própria visão estratégica, o empresário americano trabalha para garantir um futuro independente e promissor ao Alvinegro.

