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Oruam é obrigado a tirar tinta vermelha do cabelo em unidade prisional do RJ

Oruam
Oruam - Foto: Instagram Oruam - Foto: Instagram

Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, rapper de 25 anos, tornou-se réu por tentativa de homicídio qualificado contra policiais civis no Rio de Janeiro, após denúncia aceita pela Justiça na terça-feira, 29 de julho. O caso ocorreu em 21 de julho, durante uma operação policial na casa do artista, no bairro do Joá, Zona Oeste da cidade. Oruam e seu amigo Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira são acusados de arremessar pedras contra agentes, ferindo um policial e danificando viaturas. Além disso, o rapper, conhecido por suas letras sobre a vida nas favelas, foi obrigado a remover a característica tinta vermelha do cabelo ao ingressar no Complexo Penitenciário de Gericinó, conforme exigência padrão da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). O caso ganhou destaque devido à gravidade das acusações e à conexão do artista com o Comando Vermelho, facção liderada por seu pai, Marcinho VP.

O incidente que culminou na prisão de Oruam começou com uma operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente, identificado como “Menor Piu”, suspeito de roubo e tráfico. A confusão escalou quando o rapper e amigos reagiram à abordagem policial, resultando em agressões físicas e verbais. Oruam se entregou no dia seguinte, 22 de julho, e agora enfrenta múltiplas acusações, incluindo resistência, desacato, lesão corporal, ameaça e dano ao patrimônio público, além da tentativa de homicídio.

Oruam se entrega à polícia
Oruam se entrega à polícia – Foto: Kleyton Cintra/TV Globo

A trajetória de Oruam, marcada por sua ascensão na cena do trap e baile funk, contrasta com os eventos recentes, levantando debates sobre a criminalização de artistas periféricos.

Operação policial no Joá: o que aconteceu

A ação policial na residência de Oruam, no bairro nobre do Joá, foi motivada por informações de que um adolescente foragido, conhecido como Menor Piu, estaria no local. Ele é apontado como segurança de Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, líder do Comando Vermelho no Complexo da Penha. Segundo a Polícia Civil, agentes monitoravam a casa e abordaram o suspeito ao sair do imóvel, acompanhado de outras pessoas.

  • Mandado de busca: A operação visava apreender Menor Piu, acusado de roubo de veículos e envolvimento com tráfico.
  • Reação de Oruam: O rapper e amigos surgiram na varanda, arremessando pedras de até 4,85 kg, segundo perícia.
  • Danos e lesões: Um policial foi atingido nas costas, e viaturas sofreram danos.
  • Vídeos e provocações: Oruam gravou a confusão, xingando policiais e desafiando autoridades nas redes sociais.

A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) destaca que as pedras, lançadas de uma altura de 4,5 metros, tinham potencial letal, configurando dolo eventual, quando os acusados assumem o risco de matar. A juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal, aceitou a denúncia, tornando Oruam e Willyam réus.

Regras prisionais e mudança de visual

Ao ingressar no Complexo Penitenciário de Gericinó, conhecido como Bangu 3, Oruam foi submetido a procedimentos padrão da Seap. A remoção da tinta vermelha do cabelo, marca registrada do rapper, foi exigida para adequação às normas do sistema penitenciário, que proíbem características que dificultem a identificação de detentos.

  • Protocolo da Seap: Todos os presos passam por inspeções e adequações, incluindo corte de cabelo ou remoção de tinturas.
  • Cela isolada: Oruam está em uma cela individual, separado de outros detentos, devido à sua classificação de alta periculosidade.
  • Alimentação padrão: O rapper recebe refeições como café com leite, pão com manteiga, frango, arroz, feijão e suco, conforme o cardápio prisional.

A mudança no visual gerou repercussão entre fãs, que acompanham o caso nas redes sociais. A assessoria do artista informou que a exigência foi cumprida, mas questiona a legalidade de algumas medidas aplicadas ao rapper.

Acusações e defesa: uma guerra de versões

Além da tentativa de homicídio, Oruam enfrenta outros sete crimes relacionados ao mesmo episódio: tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, ameaça, lesão corporal e dano ao patrimônio público. A Polícia Civil alega que a casa do rapper era usada para abrigar foragidos, reforçando sua ligação com o Comando Vermelho. O MPRJ aponta que Oruam tentou intimidar policiais ao citar ser filho de Marcinho VP, líder histórico da facção.

A defesa do rapper, por outro lado, sustenta que ele agiu em legítima defesa, após ser ameaçado com armas de fogo durante uma operação policial supostamente irregular. Segundo os advogados, mais de 20 viaturas descaracterizadas invadiram a residência à noite, fora do horário permitido para cumprimento de mandados, configurando abuso de autoridade.

  • Ausência de provas: A defesa alega que não foram encontradas drogas ou itens ilícitos na casa.
  • Ação policial questionada: A operação teria ocorrido sem mandado judicial válido, segundo os advogados.
  • Perseguição midiática: A assessoria de Oruam sugere que o caso reflete uma tentativa de criminalizar artistas periféricos.

A denúncia por tentativa de homicídio, aceita em 29 de julho, é vista pela defesa como uma manobra jurídica sem embasamento técnico, reforçando a narrativa de perseguição.

Conexão com o Comando Vermelho

Oruam, filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, carrega o peso de um sobrenome associado a uma das maiores facções criminosas do Brasil. A Polícia Civil e o MPRJ destacam que o rapper mantém vínculos com o Comando Vermelho, apontando que sua casa foi usada por foragidos em pelo menos duas ocasiões nos últimos meses.

Após a confusão no Joá, Oruam fugiu para o Complexo da Penha, área controlada pela facção, onde gravou vídeos desafiando a polícia a capturá-lo. As publicações, segundo o MPRJ, incitaram a violência e reforçaram sua associação com o crime organizado.

  • Primeiro incidente: Em fevereiro de 2025, um foragido foi encontrado na casa de Oruam, que alegou desconhecer o mandado contra o indivíduo.
  • Declarações públicas: O rapper usou redes sociais para afirmar que não é bandido, mas sua postura desafiadora gerou críticas.
  • Classificação de risco: Oruam foi classificado como preso de alta periculosidade, no terceiro nível de uma escala de quatro graus.

O caso reacende discussões sobre a relação entre artistas de favelas e a criminalidade, com defensores argumentando que Oruam é alvo de preconceito por sua origem e estilo musical.

Repercussão e impacto na carreira

Oruam, conhecido por sucessos no trap e baile funk, conquistou milhões de seguidores com letras que retratam a realidade das favelas. Sua prisão e as acusações graves levantam questionamentos sobre o futuro de sua carreira. Fãs se mobilizaram nas redes sociais, defendendo o artista e criticando a atuação policial, enquanto outros apontam que suas ações durante a operação reforçam as acusações.

A juíza Tula Correa de Mello destacou que a postura de Oruam, incluindo os vídeos desafiadores, representa um risco à ordem pública, justificando a manutenção da prisão preventiva. A magistrada também enfatizou a influência do rapper, que pode incitar comportamentos semelhantes entre seus seguidores.

  • Carreira em pausa: Shows e lançamentos musicais foram suspensos após a prisão.
  • Apoio dos fãs: Campanhas nas redes sociais pedem justiça e questionam a criminalização do artista.
  • Debate social: O caso reacende discussões sobre racismo estrutural e a relação entre música e criminalidade.

A trajetória de Oruam, que mistura talento artístico e polêmicas, segue sob os holofotes, com desdobramentos que podem impactar tanto sua vida pessoal quanto o cenário cultural brasileiro.

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