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Ciro Possobom: importar da China é fácil, mas queremos fabricar no Brasil

CEO Ciro Possobom -
CEO Ciro Possobom - Foto: Instagram CEO Ciro Possobom - Foto: Instagram

Ciro Possobom, CEO da Volkswagen do Brasil, destacou a importância de manter a produção local em meio à pressão de montadoras chinesas, como a BYD, por redução de tarifas de importação. Em entrevista ao Brazil Journal, publicada em 1º de agosto de 2025, ele reforçou que beneficiar a montagem de veículos importados com peças estrangeiras pode destruir a cadeia produtiva brasileira. A declaração veio após o governo rejeitar o pedido da BYD, mas conceder uma cota temporária para importação de carros elétricos com alíquota zero. Possobom assinou uma carta enviada ao presidente Lula, junto a outros líderes de montadoras, expressando preocupação com a concorrência desleal. A Volkswagen, com 39 fábricas na China, poderia optar por importar, mas prioriza gerar empregos e riqueza no Brasil.

A decisão do governo reflete o equilíbrio entre incentivar a eletrificação e proteger a indústria nacional. A cota temporária permite importações limitadas, mas não atende plenamente às demandas das montadoras chinesas. O setor automotivo, que responde por cerca de 20% do PIB industrial brasileiro, enfrenta desafios com a transição para veículos elétricos.

  • Principais pontos da entrevista de Possobom:
    • Beneficiar importações ameaça a cadeia de fornecedores locais.
    • A Volkswagen quer investir na produção brasileira, não apenas na comercialização.
    • A empresa busca competitividade sem abrir mão de empregos no Brasil.

Estratégia da Volkswagen no Brasil

A Volkswagen aposta na produção local como diferencial competitivo. Possobom destacou que a empresa poderia importar veículos prontos da China, onde possui uma forte presença industrial, mas opta por manter fábricas no Brasil para fortalecer a economia. As unidades de São Bernardo do Campo, Taubaté, São Carlos e São José dos Pinhais empregam milhares de trabalhadores e movimentam uma extensa rede de fornecedores.

O CEO também mencionou os investimentos recentes da empresa no país, como a modernização de linhas de produção para veículos híbridos e elétricos. Em 2024, a Volkswagen anunciou R$ 7 bilhões para o ciclo 2023-2028, com foco em tecnologias sustentáveis.

  • Investimentos da Volkswagen no Brasil:
    • R$ 7 bilhões até 2028 para novos modelos e tecnologias.
    • Produção de motores híbridos na fábrica de São Carlos.
    • Ampliação da capacidade de montagem de baterias em Taubaté.
    • Parcerias com universidades para pesquisa em mobilidade elétrica.

O posicionamento da Volkswagen reflete a preocupação com a sustentabilidade econômica do setor. Importar veículos prontos ou semidesmontados reduz custos de curto prazo, mas compromete a competitividade de longo prazo da indústria nacional.

Reação do governo às pressões do setor

Na quinta-feira, 31 de julho de 2025, o governo anunciou a cota temporária para importação de carros elétricos e semidesmontados com isenção de impostos. A medida busca atender à demanda por veículos mais acessíveis, mas não concede a redução ampla de tarifas pedida pela BYD. A decisão foi vista como uma vitória parcial para montadoras instaladas no Brasil, como Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota.

A carta enviada ao presidente Lula, assinada por Possobom e outros executivos, argumentava que a redução de tarifas para importados prejudicaria investimentos locais. O governo, pressionado por montadoras chinesas e pela necessidade de baratear elétricos, optou por um meio-termo.

A cota de importação terá validade até 2026, com limite de unidades por empresa. Isso dá fôlego às montadoras locais para acelerar a produção de elétricos e híbridos, enquanto o mercado se adapta à transição energética.

Volkswagen
Volkswagen – Foto: aquatarkus/ Istockphoto.com

Concorrência chinesa e críticas da BYD

A BYD, que planeja construir uma fábrica em Camaçari, na Bahia, intensificou a concorrência no Brasil. A montadora chinesa criticou rivais como Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota, acusando-as de usar “tecnologia velha e design preguiçoso”. A declaração, feita em julho de 2025, gerou reações no setor. Possobom, sem citar a BYD diretamente, respondeu que a Volkswagen foca em inovação e qualidade, com veículos adaptados ao mercado brasileiro.

A BYD já comercializa modelos como o Dolphin e o Song Plus, que lideram vendas de elétricos no Brasil. A empresa planeja iniciar a produção local em 2026, mas depende de importações para atender à demanda atual. A cota de isenção anunciada pelo governo beneficia a chinesa, mas não resolve a questão das tarifas de longo prazo.

  • Vantagens competitivas da BYD:
    • Preços mais baixos em modelos elétricos.
    • Tecnologia de baterias avançada.
    • Expansão agressiva no mercado global.
    • Marketing focado em sustentabilidade e inovação.

A tensão entre montadoras tradicionais e chinesas reflete o cenário global. Na China, a BYD superou a Volkswagen em vendas de elétricos em 2024, mas no Brasil, a alemã mantém liderança com modelos como o T-Cross e o Polo.

Impacto na cadeia produtiva local

A importação de veículos prontos ou semidesmontados ameaça a cadeia de fornecedores brasileiros. Segundo a Anfavea, o setor automotivo gera cerca de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos no Brasil. Componentes como baterias, motores e sistemas eletrônicos ainda dependem de importações, mas a produção de carrocerias, interiores e outros itens é majoritariamente local.

Possobom alertou que a montagem de veículos importados reduz a demanda por peças nacionais, impactando pequenas e médias empresas. A Volkswagen, por exemplo, trabalha com mais de 400 fornecedores no Brasil, muitos deles em São Paulo e Paraná.

  • Dados da cadeia automotiva brasileira:
    • 20% do PIB industrial vem do setor automotivo.
    • 1,3 milhão de empregos gerados diretamente e indiretamente.
    • 60% dos componentes de veículos são produzidos localmente.
    • Exportações do setor atingiram US$ 8 bilhões em 2024.

A proteção à indústria local é um desafio para o governo, que precisa equilibrar a competitividade com a transição para a mobilidade elétrica. A cota de importação temporária é uma solução de curto prazo, mas o futuro depende de incentivos à produção local de elétricos.

Estratégias para o futuro da Volkswagen

A Volkswagen planeja lançar novos modelos elétricos no Brasil até 2027, incluindo versões do ID.3 e ID.4, adaptadas ao mercado local. A empresa também investe em infraestrutura de recarga, com parcerias para instalar eletropostos em rodovias. Possobom destacou que a transição para elétricos exige planejamento, mas não pode comprometer a indústria nacional.

O CEO também respondeu às tarifas impostas por Donald Trump aos veículos importados do Brasil, anunciadas em 2025. Ele afirmou que a Volkswagen acelera cortes de custos para manter a competitividade nos Estados Unidos, sem reduzir investimentos no Brasil.

A empresa mantém o compromisso com a sustentabilidade, com metas de neutralidade de carbono até 2050. No Brasil, as fábricas já utilizam energia renovável em 90% das operações, e a produção de baterias recicláveis está em estudo.

  • Planos futuros da Volkswagen:
    • Lançamento de elétricos ID.3 e ID.4 até 2027.
    • Expansão de eletropostos em parceria com empresas de energia.
    • Redução de custos para enfrentar tarifas internacionais.
    • Foco em baterias recicláveis e energia renovável.

Debate sobre mobilidade elétrica no Brasil

A transição para veículos elétricos ganhou força no Brasil, mas o preço elevado ainda limita a adoção. Em 2024, os elétricos representaram apenas 2% das vendas de veículos novos, segundo a Anfavea. A cota de importação com alíquota zero pode reduzir preços, mas a falta de infraestrutura de recarga e incentivos fiscais para produção local são entraves.

A Volkswagen defende que o governo crie políticas de longo prazo, como isenção de IPI para elétricos produzidos no Brasil e financiamento para pesquisa em baterias. Possobom acredita que o país tem potencial para ser um polo de mobilidade elétrica, desde que a indústria local seja preservada.

O embate entre montadoras tradicionais e chinesas deve se intensificar nos próximos anos. Enquanto a BYD aposta em preços agressivos, a Volkswagen foca na qualidade, na produção local e na confiança da marca no Brasil.

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