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Como pedir rescisão indireta e garantir seus direitos em 2025

Carteira de trabalho
Carteira de trabalho - Brenda Rocha - Blossom/Shutterstock.com Carteira de trabalho - Brenda Rocha - Blossom/Shutterstock.com

A rescisão indireta, prevista na CLT, permite que trabalhadores encerrem o contrato de trabalho quando enfrentam violações graves por parte do empregador, como atrasos salariais, assédio moral ou condições inseguras. Em 2025, o aumento de ações trabalhistas no Brasil reflete a busca por direitos garantidos. Tribunais regionais, como o TRT da 3ª Região, têm reconhecido casos envolvendo desde a falta de EPIs até agressões no ambiente laboral. O processo exige provas robustas e, muitas vezes, apoio jurídico especializado. Entenda os sete motivos que justificam o pedido, os direitos assegurados e como formalizar a ação.

A relevância da rescisão indireta cresce com a conscientização dos trabalhadores. Dados recentes mostram que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou mais de 5 mil casos relacionados em 2024, um aumento de 12% em relação a 2023. A formalização do pedido, no entanto, exige cuidado, com documentos como extratos bancários e testemunhas. A busca por justiça trabalhista reflete a necessidade de ambientes laborais mais seguros e respeitosos.

  • Motivos comuns para rescisão indireta:
    • Atraso reiterado no pagamento de salários.
    • Não fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs).
    • Assédio moral ou agressões físicas no trabalho.

A seguir, exploramos cada aspecto desse mecanismo legal, com exemplos práticos e orientações para trabalhadores.

Atraso salarial como motivo principal

Atrasos constantes no pagamento de salários são uma das principais causas de rescisão indireta no Brasil. A CLT, no artigo 483, considera essa prática uma quebra grave do contrato de trabalho. Em 2024, o TRT da 2ª Região julgou mais de 1.200 casos relacionados, com 70% das decisões favoráveis aos trabalhadores.

O impacto financeiro e emocional de atrasos salariais é significativo. Trabalhadores enfrentam dificuldades para pagar contas básicas, o que pode levar a problemas de saúde mental. Para formalizar o pedido, é essencial reunir provas, como extratos bancários e comunicações com a empresa.

  • Documentos úteis para comprovar atrasos:
    • Extratos bancários mostrando ausência de depósitos.
    • E-mails ou mensagens cobrando o pagamento.
    • Depoimentos de colegas que também enfrentaram o problema.

Um advogado trabalhista pode orientar na construção do caso, aumentando as chances de sucesso na Justiça do Trabalho.

Falta de equipamentos de proteção individual

A não fornecimento de EPIs, como máscaras, luvas ou botas, é outra violação grave que justifica a rescisão indireta. A CLT, no artigo 166, obriga empresas a fornecer esses equipamentos gratuitamente. Um caso emblemático, julgado pelo TST em 2023, envolveu um trabalhador de uma rede de fast-food que entrou em câmaras frias sem proteção adequada, recebendo indenização de R$ 50 mil.

A ausência de EPIs compromete a segurança e a saúde do trabalhador. Durante a pandemia de COVID-19, a falta de máscaras e álcool em gel em algumas empresas gerou centenas de ações trabalhistas. A Justiça tem exigido que empregadores comprovem a entrega regular de EPIs, com certificados de aprovação.

Empresas que descumprem essa obrigação enfrentam não apenas a rescisão indireta, mas também multas trabalhistas. Trabalhadores devem documentar a ausência de proteção e, se possível, registrar denúncias em sindicatos ou no Ministério do Trabalho.

Carteira de Trabalho
Carteira de Trabalho – Foto: Brenda Rocha – Blossom/Shutterstock.com

Assédio moral no ambiente de trabalho

O assédio moral, caracterizado por humilhações, metas abusivas ou controle excessivo, é um motivo crescente para rescisão indireta. Em 2003, um estudo da PUC-SP revelou que 42% dos trabalhadores brasileiros já sofreram algum tipo de humilhação no trabalho. Em 2025, o cenário não mudou significativamente, com o TST analisando mais de 2.000 casos no último ano.

  • Exemplos de assédio moral:
    • Imposição de metas impossíveis sem suporte.
    • Críticas públicas que constrangem o trabalhador.
    • Isolamento deliberado no ambiente laboral.

Provar o assédio exige testemunhas, e-mails ou relatórios médicos que indiquem danos psicológicos. A Justiça do Trabalho tem reconhecido esses casos, garantindo indenizações por danos morais que variam de R$ 10 mil a R$ 100 mil, dependendo da gravidade.

Trabalhadores que enfrentam assédio devem buscar apoio psicológico e jurídico. Denunciar internamente, quando possível, também fortalece o caso na Justiça.

Não pagamento de adicionais de insalubridade ou periculosidade

A falta de pagamento de adicionais para atividades insalubres ou perigosas é outra justificativa para rescisão indireta. Esses adicionais, previstos na CLT, são obrigatórios para trabalhadores expostos a riscos, como produtos químicos ou eletricidade. Em 2024, o TRT da 15ª Região julgou 800 casos relacionados, com 80% das decisões favoráveis aos empregados.

Para comprovar a exposição, é necessário um laudo técnico, geralmente elaborado por peritos judiciais. Mesmo durante afastamentos, o adicional de periculosidade deve ser pago. A ausência desses valores é considerada uma falha grave do empregador, permitindo o encerramento do contrato com todos os direitos preservados.

  • Profissões com direito a adicionais:
    • Trabalhadores em contato com agentes químicos.
    • Eletricistas em redes de alta tensão.
    • Funcionários em áreas com risco de explosão.

Trabalhadores devem consultar um advogado para avaliar se têm direito aos adicionais e como incluí-los no pedido de rescisão.

Agressões físicas e riscos manifestos

Agressões físicas ou a submissão a perigos evidentes, como trabalhar em locais sem segurança, são motivos graves para rescisão indireta. O rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, exemplificou como a negligência com a segurança pode levar a ações trabalhistas. Em 2023, o TST julgou um caso em que um trabalhador foi agredido por um colega sem intervenção da empresa, garantindo rescisão e indenização.

A CLT protege o trabalhador contra situações que ameacem sua integridade. Provas como vídeos, boletins de ocorrência ou testemunhas são fundamentais. Além da rescisão, o empregado pode buscar indenizações por danos morais e materiais.

Empresas que ignoram a segurança enfrentam não apenas ações individuais, mas também fiscalizações rigorosas do Ministério do Trabalho.

Direitos garantidos na rescisão indireta

Ao obter a rescisão indireta, o trabalhador recebe os mesmos direitos de uma demissão sem justa causa. Isso inclui saldo de salário, aviso prévio, 13º proporcional, férias vencidas e proporcionais, saque do FGTS com multa de 40% e acesso ao seguro-desemprego.

  • Passos para formalizar o pedido:
    • Reunir provas das violações cometidas pelo empregador.
    • Consultar um advogado trabalhista especializado.
    • Entrar com ação na Justiça do Trabalho.

O processo pode levar de seis meses a dois anos, dependendo da vara trabalhista. A orientação jurídica é essencial para evitar erros que comprometam o caso.

Importância da prova documental

A comprovação das violações é o pilar de qualquer pedido de rescisão indireta. Documentos como contratos, recibos, mensagens e laudos técnicos fortalecem a ação. Testemunhas, especialmente colegas de trabalho, também desempenham um papel crucial.

Em 2024, o TRT da 4ª Região rejeitou 15% dos pedidos de rescisão indireta por falta de provas suficientes. Isso reforça a necessidade de organização e planejamento antes de iniciar o processo. Sindicatos podem oferecer suporte na coleta de evidências e na negociação com o empregador.

Trabalhadores devem manter um registro detalhado de todas as interações com a empresa, especialmente em casos de assédio ou atrasos salariais.

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