Novo cartão Jaé gera filas e confusão no primeiro dia útil no Rio

Validador do cartão Jaé

Validador do cartão Jaé - Foto: Reprodução/ TV Globo

A partir desta segunda-feira, 4 de agosto de 2025, o cartão Jaé tornou-se o único meio de pagamento aceito nos transportes municipais do Rio de Janeiro, como ônibus, BRT, VLT, vans e cabritinhos, substituindo o Riocard, que agora é válido apenas para integrações do Bilhete Único Intermunicipal (BUI). A mudança, implementada no último sábado, pegou muitos passageiros desprevenidos, resultando em filas, dificuldades de embarque e reclamações por falhas no sistema e falta de informação. No Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, a confusão marcou o início do dia, com relatos de cartões não funcionando e motoristas recusando Riocard. O prefeito Eduardo Paes garantiu que ninguém ficará sem embarcar e destacou a presença de equipes da prefeitura para orientar a população. A transição, que visa maior transparência na bilhetagem, enfrenta desafios operacionais, como problemas técnicos e demora na entrega de cartões.

A doméstica Joana da Costa, de 51 anos, enfrentou constrangimento ao tentar usar o Riocard na linha 805 (Alvorada x Jardim Oceânico). Sem sucesso, ela precisou recorrer ao aplicativo Jaé para embarcar, após descer do ônibus. Casos semelhantes se repetiram, com passageiros relatando dificuldades para recarregar ou obter o cartão físico. A cozinheira Georgina da Silva Santos, de 46 anos, perdeu dinheiro ao tentar usar uma máquina de autoatendimento que reteve seu cartão.

  • Principais problemas relatados: Falhas em validadores, cartões não entregues e filas em pontos de recarga.
  • Soluções propostas: Equipes da prefeitura orientam nos terminais, e o embarque é garantido mesmo com falhas.
  • Alternativas de pagamento: Além do cartão Jaé, é possível usar QR Code no aplicativo ou dinheiro em espécie.

Como funciona o novo sistema Jaé

O Jaé, implementado para modernizar a bilhetagem e aumentar o controle da prefeitura sobre a arrecadação, permite pagamentos por cartão físico, QR Code via aplicativo ou dinheiro. Disponível desde julho de 2023, o sistema já é usado em 76% a 77% das 3 milhões de viagens diárias no Rio, segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). Passageiros com o Bilhete Único Intermunicipal (BUI), voltado para quem tem renda de até R$ 3.205,20, continuam usando o Riocard em integrações com modais estaduais, como metrô, trens e barcas. O aplicativo Jaé, disponível para Android e iOS, oferece recarga por PIX, boleto ou cartão, além de consulta de saldo e solicitação de segunda via.

Empresas que fornecem vale-transporte devem cadastrar seus funcionários no sistema Jaé, com 450 mil cartões já solicitados, conforme balanço municipal. No entanto, atrasos na entrega de cartões físicos geraram insatisfação. A empregada doméstica Ana Claudia de Souza, de 46 anos, foi impedida de embarcar com o Riocard, apesar de ser beneficiária do BUI, e precisou comprar um cartão avulso.

Problemas técnicos e falta de informação

A transição para o Jaé revelou falhas operacionais que dificultaram o primeiro dia útil. No Terminal Alvorada, filas com mais de 200 pessoas se formaram para recarregar cartões ou esclarecer dúvidas. Passageiros relataram que validadores não reconheciam o Jaé, e máquinas de autoatendimento apresentaram problemas, como cartões retidos ou falhas na leitura. A promotora de supermercados Sheila Alves, de 54 anos, destacou a perda de quase R$ 3 mil em créditos no Riocard, que não pôde ser usado em um ônibus municipal.

  • Falhas nos validadores: Alguns passageiros enfrentaram leituras inconsistentes, resultando em cobranças indevidas ou bloqueios.
  • Máquinas de autoatendimento: Casos de cartões retidos ou não emitidos foram frequentes.
  • Falta de integração clara: Passageiros do BUI enfrentam confusão sobre quando usar Riocard ou Jaé.
  • Orientação insuficiente: Informações desencontradas geraram filas e reclamações nos terminais.

A Rio Ônibus, em nota, informou estar em contato com a SMTR para resolver os problemas de embarque. A entidade destacou que o pagamento é obrigatório, mas busca minimizar transtornos causados por falhas no sistema Jaé.

Reembolso do saldo do Riocard

O saldo remanescente no Riocard não é transferido automaticamente para o Jaé, exigindo que os passageiros solicitem reembolso. O processo, gratuito, é feito por depósito bancário vinculado ao CPF do titular, com prazo de 10 a 15 dias úteis. Para cartões de vale-transporte, é necessária uma declaração do empregador autorizando a devolução. O pedido pode ser feito em lojas físicas da Riocard ou por videochamada no site oficial, exigindo documentos como CPF e identidade.

A cozinheira Georgina da Silva Santos relatou dificuldades com o reembolso, afirmando que a falta de clareza nas orientações a obrigou a recorrer a dinheiro emprestado para pagar passagens. Passageiros como Sheila Alves temem perder créditos acumulados, especialmente em cartões não vinculados ao CPF.

  • Como solicitar reembolso: Acesse o site da Riocard ou visite uma loja física com documentos pessoais.
  • Documentos necessários: CPF, identidade e dados bancários para depósito.
  • Vale-transporte: Declaração do empregador é obrigatória para devolução do saldo.
  • Prazo de pagamento: Até 15 dias úteis após a solicitação.

Esforços da prefeitura para minimizar transtornos

O prefeito Eduardo Paes acompanha a operação desde o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), garantindo que equipes estão espalhadas em terminais como Alvorada, Jardim Oceânico e Paulo da Portela para orientar os passageiros. Ele reconheceu problemas pontuais, mas destacou que a transição visa maior transparência na gestão dos transportes. Paes afirmou que os validadores foram ajustados para aceitar o Jaé e que o embarque será garantido, mesmo em casos de falhas técnicas, desde que os problemas sejam reais.

A secretária de Transportes, Maína Celidonio, reforçou a importância do cadastro antecipado das empresas para o vale-transporte, alertando que a demora de alguns empregadores contribuiu para os transtornos. Nos terminais, funcionários uniformizados distribuem informações e ajudam na recarga de cartões.

Impacto nos passageiros e adaptação ao sistema

A obrigatoriedade do Jaé gerou reações mistas. Enquanto alguns passageiros, como os beneficiários do BUI, conseguiram se adaptar, outros enfrentam dificuldades logísticas. A necessidade de carregar dois cartões (Jaé e Riocard) para quem usa modais municipais e estaduais foi criticada. Um usuário no X destacou que a falta de integração tarifária clara pode aumentar custos para quem depende do transporte intermunicipal.

  • Adaptação ao Jaé: Passageiros devem baixar o aplicativo ou adquirir o cartão físico em máquinas de autoatendimento.
  • Custo adicional: Quem usa modais estaduais e municipais sem integração precisa de dois cartões.
  • Benefícios do BUI: Continuam válidos, mas exigem Riocard para integrações estaduais.
  • Acessibilidade: O aplicativo Jaé oferece leitura em voz alta e suporte em Libras para pessoas com deficiência.

A professora Jenifer Areias, de 42 anos, relatou que abandonou o Jaé após cobranças indevidas e voltou ao Riocard, mas agora precisa se adaptar novamente. A transição, embora planejada desde 2023, foi adiada quatro vezes devido a problemas técnicos e falta de integração com modais estaduais, como metrô e trens.

Soluções para uma transição mais fluida

A prefeitura intensificou a presença de equipes nos pontos de maior movimento, como Madureira e Botafogo, para orientar sobre o uso do Jaé. Máquinas de autoatendimento estão sendo instaladas em estações de BRT e VLT, substituindo gradualmente os equipamentos da Riocard. Passageiros com gratuidades, como idosos e pessoas com deficiência, devem se cadastrar pelo aplicativo ou em lojas físicas, mas muitos ainda enfrentam dificuldades para acessar os benefícios.

A SMTR planeja manter postos de atendimento após 2 de agosto para apoiar a população. O Jaé também oferece uma caução de R$ 4,30 na primeira via do cartão, que é convertida em crédito após o cadastro. Apesar dos esforços, a falta de comunicação clara e os problemas técnicos continuam sendo os principais entraves.