Em um confronto eletrizante no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, o Botafogo garantiu sua classificação para as quartas de final da Copa do Brasil ao vencer o RB Bragantino por 1 a 0, na noite desta quarta-feira, 6 de agosto de 2025. O jogo de volta das oitavas de final, que terminou com o Alvinegro consolidando a vantagem de 2 a 0 conquistada na ida, foi marcado por lances polêmicos, revisões do VAR, cartões vermelhos e um momento de tensão com a saída de ambulância após um choque envolvendo Marlon Freitas. A partida, que teve arbitragem de Rodrigo José Pereira de Lima, assistida por Nailton Junior de Sousa Oliveira e Eduardo Gonçalves da Cruz, trouxe emoção até os minutos finais, com o Botafogo controlando o ritmo para assegurar a vaga. O gol decisivo veio de Savarino, em uma jogada que passou por análise do VAR, enquanto o Bragantino, mesmo com maior posse de bola no início, não conseguiu reverter o placar.
A noite começou com o Bragantino buscando pressionar, aproveitando o apoio da torcida local. A escalação do técnico Fernando Seabra trouxe novidades, como Nacho Laquintana no ataque e o jovem Cauê na lateral esquerda, devido a desfalques como Juninho Capixaba e Andrés Hurtado. Já o Botafogo, comandado por Davide, optou por um time misto, com Joaquín Correa atuando como falso 9 e Léo Linck no gol, substituindo John, que está de saída para o West Ham.
O primeiro tempo foi marcado por poucas chances claras, com o Bragantino dominando a posse, mas esbarrando na sólida defesa alvinegra. Um gol de Praxedes, anulado por impedimento aos 6 minutos, esfriou o ímpeto inicial do Massa Bruta. O Botafogo, por sua vez, teve dificuldades na criação, mas conseguiu equilibrar as ações nos minutos finais da etapa inicial.
Pressão inicial do Bragantino
O RB Bragantino entrou em campo determinado a reverter a desvantagem de dois gols do jogo de ida. Logo aos 2 minutos, Laquintana recebeu passe livre na direita e cruzou para Jhon Jhon, que finalizou rente à trave de Léo Linck. A pressão continuou, com o Massa Bruta trocando passes rápidos e buscando infiltrações. Aos 6 minutos, Praxedes marcou um golaço, mas o lance foi anulado pelo VAR por impedimento na origem da jogada.
Apesar do domínio inicial, o Bragantino não conseguiu converter a posse em chances reais. A defesa do Botafogo, liderada por Alexander Barboza e David Ricardo, foi eficiente em bloquear as investidas adversárias. Um lance aos 17 minutos, com Pedro Henrique cabeceando após escanteio de Gustavo Neves, foi parado por uma grande defesa de Léo Linck.
O Alvinegro, por outro lado, apostava em transições rápidas. Nathan Fernandes, uma das novidades na escalação, criou boa jogada aos 19 minutos, driblando dois marcadores, mas errou o passe final para Joaquín Correa. A partida seguia truncada, com faltas e cartões amarelos para Marlon Freitas e Nathan Mendes, ambos do Botafogo, por entradas duras.
Tensão no gramado
O segundo tempo começou com um susto. Logo no primeiro minuto, Marlon Freitas sofreu um choque de cabeça com Laquintana e caiu desacordado. A cena gerou apreensão, com jogadores de ambos os times pedindo a entrada da ambulância. O volante foi imobilizado e levado ao hospital, mas, segundo informações, estava consciente e conversando. A substituição de Marlon por Danilo, feita por protocolo de concussão, não contou no limite de trocas, permitindo ao Bragantino uma substituição extra.
A pausa para atendimento interrompeu o ritmo do jogo, mas o Botafogo voltou focado. Aos 9 minutos, Danilo recuperou a bola no meio-campo, conduziu e deu um passe preciso para Savarino, que finalizou com categoria na saída do goleiro Cleiton, marcando o gol que consolidou a vantagem alvinegra. O lance, porém, passou por revisão do VAR, que confirmou a legalidade da jogada.
Minutagem dos principais lances
- 1’ 2T: Marlon Freitas sofre choque de cabeça com Laquintana, cai desacordado e deixa o campo de ambulância, gerando preocupação.
- 9’ 2T: Savarino abre o placar com um gol validado pelo VAR após passe de Danilo, colocando o Botafogo em vantagem.
- 26’ 2T: Nathan Mendes, do Bragantino, recebe o segundo cartão amarelo por falta em Santi Rodríguez e é expulso.
- 34’ 2T: Athyrson, do Bragantino, é expulso com cartão vermelho direto por uma solada em Correa, deixando o time com dois a menos.
- 44’ 2T: Confusão entre Marçal e Gabriel, com o lateral do Botafogo segurando o pescoço do volante do Bragantino após discussão.
Jogo esquenta com expulsões
A partir do gol do Botafogo, o Bragantino intensificou a pressão, mas esbarrou em sua própria desorganização. Aos 26 minutos, Nathan Mendes, lateral do Massa Bruta, recebeu o segundo cartão amarelo por falta em Santi Rodríguez e foi expulso, dificultando ainda mais a reação do time da casa. Oito minutos depois, Athyrson cometeu uma falta dura em Correa, recebendo cartão vermelho direto após uma solada no calcanhar do argentino.
Com dois jogadores a menos, o Bragantino perdeu força ofensiva. O Botafogo, por sua vez, passou a administrar o jogo, trocando passes com tranquilidade. Substituições como a entrada de Marçal, Mastriani e Matheus Martins reforçaram o controle alvinegro, enquanto o Bragantino tentava, sem sucesso, criar jogadas com jogadores como João Neto e Huguinho.
Polêmicas com o VAR
O VAR foi protagonista em momentos cruciais. Além da validação do gol de Savarino, o sistema de arbitragem de vídeo foi acionado para analisar um possível pênalti reclamado pelo Bragantino aos 28 minutos do segundo tempo, quando Jhon Jhon cobrou uma falta e Borbas finalizou de cabeça, com a bola sendo cortada por Barboza. Os jogadores do Massa Bruta pediram toque de mão, mas o árbitro manteve a decisão de campo.
Outro lance revisado ocorreu no primeiro tempo, com a anulação do gol de Praxedes. A decisão, correta por impedimento, gerou reclamações dos jogadores do Bragantino, que sentiram o ritmo do jogo ser quebrado. A atuação do VAR garantiu precisão, mas também contribuiu para a tensão em campo, com cartões amarelos para Cleiton e Alexander Barboza por reclamações.
Estratégias e substituições
O técnico Davide, do Botafogo, apostou em um esquema tático que priorizava a solidez defensiva, com Joaquín Correa atuando como falso 9 para confundir a marcação adversária. A entrada de Danilo após a saída de Marlon Freitas trouxe equilíbrio ao meio-campo, enquanto Savarino e Nathan Fernandes exploravam os flancos. As substituições no segundo tempo, como Marçal e Mastriani, reforçaram a posse de bola e a capacidade de segurar o resultado.
No Bragantino, Fernando Seabra tentou mudar o panorama com substituições ofensivas, como Thiago Borbas e Marcelinho, mas a falta de entrosamento e as expulsões limitaram o impacto das mudanças. A equipe, que já havia vencido o Botafogo por 1 a 0 no Brasileirão, não conseguiu repetir o desempenho no Cícero de Souza Marques.
Momentos finais intensos
Nos acréscimos, com oito minutos adicionais, o Botafogo controlou o jogo com passes curtos e jogadas de segurança. Uma discussão entre Marçal e Gabriel, aos 44 minutos, quase gerou mais punições, mas o árbitro optou por acalmar os ânimos. O Bragantino, mesmo com desvantagem numérica, tentou pressionar, mas esbarrou na falta de precisão, com finalizações como a de Praxedes, que isolou um chute aos 18 minutos do segundo tempo.
O Botafogo, com inteligência tática, segurou a posse nos minutos finais, garantindo a classificação sem sustos adicionais. A vitória reforçou a boa fase do Alvinegro na competição, enquanto o Bragantino, apesar do esforço, não conseguiu superar as adversidades e a desvantagem do jogo de ida.
Detalhes táticos do confronto
- Posse de bola: O Bragantino dominou a posse no primeiro tempo, com cerca de 60%, mas caiu no segundo tempo após as expulsões.
- Finalizações: O Botafogo teve 8 finalizações, 3 no alvo, enquanto o Bragantino teve 12, mas apenas 2 com perigo real.
- Faltas: O jogo teve 22 faltas no total, com 5 cartões amarelos e 2 vermelhos, refletindo a intensidade do duelo.
- Escanteios: O Bragantino teve 6 escanteios contra 3 do Botafogo, mas não converteu as chances.
- Substituições: O Botafogo usou 4 trocas regulares, enquanto o Bragantino fez 6, aproveitando a substituição extra.
Desfalques e destaques
O Bragantino sentiu a ausência de jogadores como Guzmán Rodríguez, Eduardo e Matheus Fernandes, o que limitou suas opções táticas. No Botafogo, a ausência de John no gol não comprometeu, com Léo Linck fazendo defesas importantes. Savarino foi o destaque ofensivo, enquanto Barboza e David Ricardo brilharam na defesa.
O jogo, marcado por momentos de tensão e lances decisivos, consolidou a força do Botafogo na competição. A equipe carioca agora aguarda o sorteio para conhecer seu adversário nas quartas de final, enquanto o Bragantino foca no Brasileirão para recuperar o ritmo.

