O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), afirmou, em 6 de agosto de 2025, que os preços de hospedagem em Belém, no Pará, estão significativamente acima dos praticados em edições anteriores do evento, previsto para novembro de 2025. Durante audiência na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, em Brasília, ele destacou que o governo federal, por meio da Secretaria Extraordinária para a COP30, trabalha para encontrar soluções que garantam a realização do evento na capital paraense, sem a necessidade de um plano alternativo. A escolha de Belém, localizada no coração da Amazônia, reforça a relevância do evento para o Brasil, mas os altos custos hoteleiros geram preocupações entre delegações internacionais. Corrêa do Lago enfatizou que a questão está sendo tratada com seriedade, considerando a legislação brasileira que permite a livre precificação, mas busca formas de mitigar os impactos para os participantes.
A declaração veio em resposta às crescentes pressões de delegações estrangeiras, que questionam os valores cobrados pelos hotéis, que chegam a ser até 15 vezes superiores aos praticados em períodos normais. Apesar dos desafios, o embaixador descartou qualquer possibilidade de mudança de sede, reforçando que “o plano B é Belém”. A COP30, que reunirá líderes mundiais, cientistas e representantes da sociedade civil, é vista como uma oportunidade única para o Brasil liderar a agenda climática global.
- Principais desafios mencionados:
- Preços de hospedagem até 15 vezes acima do normal.
- Pressão de delegações estrangeiras por soluções.
- Necessidade de manter Belém como sede do evento.
- Garantir infraestrutura para receber mais de 40 mil visitantes.
O evento, marcado para ocorrer entre 10 e 21 de novembro, é considerado um marco para o Brasil, que busca consolidar sua posição em negociações climáticas internacionais.
Preços hoteleiros sob escrutínio
A escalada nos preços das diárias em Belém tem dominado as discussões preparatórias para a COP30. Hotéis na capital paraense, segundo relatos, estão cobrando valores que superam em muito os padrões de outras conferências climáticas, como as realizadas em Paris ou Dubai. Em eventos anteriores, os preços hoteleiros geralmente dobravam ou triplicavam durante o período da COP, mas em Belém, os aumentos chegam a multiplicar os custos por 10 ou 15. Essa situação gerou críticas de delegações internacionais, que temem dificuldades para garantir a presença de representantes de países menos desenvolvidos, onde os orçamentos são mais restritos.
Corrêa do Lago reconheceu que a questão dos preços é mais crítica do que a oferta de leitos. Ele destacou que o governo do Pará, em conjunto com o setor hoteleiro, já realizou um mapeamento detalhado das acomodações disponíveis. Esse levantamento visa facilitar a fiscalização e a negociação de tarifas mais acessíveis. Além disso, reuniões recentes entre autoridades estaduais e representantes do setor buscaram soluções práticas, como a criação de novos leitos e a regulamentação de preços para evitar abusos.
- Ações em andamento:
- Mapeamento de hospedagens para fiscalização.
- Negociações com hotéis para ajustar tarifas.
- Ampliação da capacidade hoteleira em Belém.
A Secretaria Extraordinária para a COP30, vinculada à Casa Civil, está liderando essas tratativas, com apoio do governo federal e estadual.
Belém como epicentro da agenda climática
A escolha de Belém como sede da COP30 carrega um simbolismo significativo. Localizada na Amazônia, a cidade representa o compromisso do Brasil com a preservação ambiental e a liderança em discussões sobre mudanças climáticas. Durante a audiência na Câmara, Corrêa do Lago destacou a relevância de realizar o evento em uma região que enfrenta diretamente os impactos da crise climática, como o desmatamento e os eventos climáticos extremos. Ele reiterou que a conferência será uma oportunidade para o Brasil mostrar avanços em áreas como energias renováveis, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono.
A COP30 também será marcada pela necessidade de ajustar as estratégias globais após a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, anunciada pelo presidente Donald Trump. Corrêa do Lago classificou o momento como um “desafio significativo” para o multilateralismo climático, mas defendeu que a conferência será um espaço para implementar ações concretas. Ele enfatizou a importância de transformar decisões multilaterais em resultados práticos, conectando as negociações com a realidade das comunidades afetadas pelo clima.
- Objetivos da COP30 em Belém:
- Fortalecer o multilateralismo climático.
- Promover ações concretas de adaptação climática.
- Alinhar metas de redução de emissões com a ciência.
- Engajar a sociedade civil e o setor privado.
Convite a líderes mundiais
Um dos pontos altos das declarações de Corrêa do Lago foi a menção ao convite feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a líderes globais, incluindo Donald Trump, para participar da COP30. Lula expressou, em 5 de agosto de 2025, sua intenção de dialogar diretamente com Trump, apesar das tensões geradas pela retirada dos EUA do Acordo de Paris. O convite também se estende a outros líderes, como Xi Jinping, da China, e Narendra Modi, da Índia, sinalizando o esforço do Brasil em manter um diálogo amplo e inclusivo.
Lula afirmou que a ausência de líderes não será por falta de convite, destacando a importância de ouvir diferentes perspectivas sobre a crise climática. Corrêa do Lago reforçou essa abordagem, sugerindo que a presença de líderes globais em Belém pode fortalecer o diálogo e abrir caminhos para soluções inovadoras. Ele também lamentou a ausência dos EUA nas negociações preparatórias em Bonn, na Alemanha, mas destacou que alguns estados americanos continuam comprometidos com metas climáticas, mesmo sem apoio federal.
- Líderes convidados por Lula:
- Donald Trump (Estados Unidos).
- Xi Jinping (China).
- Narendra Modi (Índia).
Preparativos e infraestrutura
A organização da COP30 envolve um esforço conjunto entre o governo federal, o governo do Pará e a prefeitura de Belém. Desde dezembro de 2024, obras de infraestrutura estão em andamento, como a revitalização do Mercado São Brás, a primeira intervenção concluída para o evento. O investimento federal, estimado em R$ 4,7 bilhões, inclui recursos do orçamento público, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Itaipu Binacional. Essas verbas estão sendo destinadas à melhoria da rede hoteleira, capacitação profissional e reformas em instalações essenciais.
Corrêa do Lago relatou que uma recente visita de técnicos das Nações Unidas a Belém deixou a equipe otimista sobre o progresso das obras. A cidade se prepara para receber mais de 40 mil visitantes, segundo estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Além disso, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) já registra um aumento no interesse por Belém como destino internacional, o que pode impulsionar o turismo local durante e após o evento.
- Investimentos em Belém:
- R$ 4,7 bilhões em infraestrutura.
- Revitalização do Mercado São Brás.
- Melhorias na rede hoteleira.
- Capacitação profissional para o evento.
Diálogo com o setor privado
Outro aspecto destacado por Corrêa do Lago foi a participação do setor privado na COP30. Ele anunciou que os CEOs das maiores petroleiras do mundo, como ExxonMobil, Aramco e Petrobras, foram convidados para discutir a transição energética durante o evento. Essa iniciativa, parte da agenda de ação da conferência, busca alinhar o setor de energia com metas de redução de emissões, reconhecendo a relevância das empresas que dominam 80% da produção energética global.
A abordagem reflete a estratégia do Brasil de integrar diferentes setores na luta contra as mudanças climáticas. Corrêa do Lago defendeu que a transição para uma economia de baixo carbono exige a colaboração de governos, empresas e sociedade civil. Ele também destacou a criação de uma força-tarefa climática, nos moldes da usada na presidência brasileira do G20, para coordenar esforços entre ministérios e o Banco Central.
- Setores envolvidos na COP30:
- Setor energético (petróleo e gás).
- Governos nacionais e subnacionais.
- Organizações da sociedade civil.
- Instituições financeiras.
Urgência climática em foco
A COP30 ocorre em um momento crítico, com 2024 registrado como o ano mais quente da história e janeiro de 2025 marcando o mês mais quente já documentado. Corrêa do Lago enfatizou que a conferência será a primeira realizada no epicentro da crise climática, com a Amazônia enfrentando riscos de pontos de inflexão irreversíveis. Ele defendeu que a adaptação climática será um dos pilares centrais do evento, com discussões sobre indicadores globais e ações locais para aumentar a resiliência.
O embaixador também destacou a necessidade de desburocratizar fundos climáticos para acelerar investimentos. Ele criticou a lentidão na aprovação de projetos em fundos internacionais e defendeu a criação de mecanismos mais ágeis para atender à urgência da crise climática. A COP30, segundo ele, será uma oportunidade para alinhar esforços globais e promover uma nova era de ação climática.
- Temas prioritários da COP30:
- Adaptação climática e resiliência.
- Financiamento climático desburocratizado.
- Redução de emissões alinhada à ciência.
- Preservação da Amazônia e biodiversidade.