Aposentados e pensionistas do INSS que sofreram descontos indevidos em seus benefícios, realizados por associações e sindicatos sem autorização, terão uma nova oportunidade de ressarcimento, com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciando uma fase adicional de devolução para cerca de um milhão de vítimas de falsificação de assinaturas. A medida, que começará em breve, abrange segurados que contestaram os descontos e receberam respostas com documentos falsificados pelas entidades. O processo, conduzido pelo aplicativo Meu INSS ou nas agências dos Correios, visa reparar fraudes que desviaram bilhões de reais entre 2020 e 2025, garantindo a devolução dos valores corrigidos pela inflação. A iniciativa reforça o compromisso do governo em proteger os beneficiários e combater práticas fraudulentas, com foco na transparência e segurança.
Essa nova etapa surge após a identificação de tentativas de entidades em enganar novamente os segurados, utilizando respostas com assinaturas falsificadas. O INSS já processou mais de 5,1 milhões de contestações, com 1,6 milhão de beneficiários já ressarcidos. A operação, que envolveu a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União, revelou um esquema que pode ter movimentado até R$ 6,3 bilhões. Para garantir que nenhum aposentado seja prejudicado, o INSS promete rigor na análise de documentos e suporte jurídico para casos não resolvidos.
- Canais para adesão ao ressarcimento: aplicativo Meu INSS e agências dos Correios.
- Prazo para contestação: até 14 de novembro de 2025, com adesão disponível após essa data.
- Valores: corrigidos pelo IPCA, depositados diretamente na conta do benefício.
- Proteção contra golpes: o INSS não envia links ou solicita dados por SMS ou WhatsApp.
Nova fase de combate à fraude
O INSS identificou uma nova tentativa de fraude, na qual entidades apresentaram respostas com assinaturas falsificadas para justificar descontos indevidos. Essa prática, classificada como falsidade ideológica, motivou a abertura de uma nova etapa de ressarcimento. Cerca de 1,06 milhão de respostas de entidades estão em análise, e os beneficiários serão notificados assim que o processo for concluído. O presidente do INSS, Gilberto Waller Jr., enfatizou o compromisso em proteger os segurados, garantindo que nenhum aposentado seja lesado novamente.
A análise dos documentos é um passo crucial para determinar a legitimidade das respostas fornecidas pelas associações. Caso os documentos sejam considerados inválidos, os beneficiários poderão aderir ao acordo de devolução, que não exige ação judicial. O processo é gratuito e acessível, com o INSS priorizando a agilidade para que os valores sejam depositados em até três dias úteis após a adesão. Essa etapa reforça a seriedade do órgão em reparar as vítimas e punir os responsáveis pelas fraudes.
Como funciona o processo de adesão
A adesão ao acordo de ressarcimento é simples, mas exige que o beneficiário tenha contestado previamente os descontos indevidos. Após a análise do INSS, o segurado recebe uma notificação e pode optar por aceitar ou contestar os documentos apresentados pelas entidades. O procedimento é realizado exclusivamente por canais oficiais, garantindo segurança contra golpes.
- Acesse o aplicativo Meu INSS com CPF e senha.
- Vá até “Consultar Pedidos” e clique em “Cumprir Exigência”.
- Leia os termos do acordo e selecione “Sim” em “Aceito Receber”.
- Confirme o envio e aguarde o depósito na conta do benefício.
- Em agências dos Correios, o processo é presencial, com orientação de funcionários.
Os beneficiários que já entraram com ações judiciais também podem aderir ao acordo, desde que desistam do processo contra o INSS. Nesse caso, o instituto pagará 5% de honorários advocatícios para ações iniciadas antes de 23 de abril de 2025. Para casos em que as entidades não devolverem os valores em até cinco dias úteis após nova contestação, o INSS encaminhará os casos para auditoria, com possibilidade de apoio jurídico das Defensorias Públicas Estaduais.

Escala da fraude e medidas do governo
A fraude nos descontos indevidos do INSS, descoberta em uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, revelou um esquema que pode ter causado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A prática envolvia associações que prometiam serviços como planos de saúde e auxílios diversos, mas não tinham estrutura para entregá-los, utilizando assinaturas falsificadas para justificar os descontos. Até o momento, 1,6 milhão de beneficiários receberam a devolução, totalizando cerca de R$ 330 milhões pagos.
O governo suspendeu todos os acordos com entidades suspeitas e bloqueou R$ 2,8 bilhões de 12 associações investigadas. A Advocacia-Geral da União planeja ações de regresso para recuperar os valores pagos com dinheiro público, responsabilizando as entidades fraudulentas. Além disso, o INSS realizou 254.270 contestações automáticas para proteger grupos vulneráveis, como idosos com mais de 80 anos, indígenas e quilombolas, que não precisarão iniciar o processo de contestação.
Proteção contra golpes e cuidados essenciais
O INSS alerta para o aumento de tentativas de golpes relacionados ao ressarcimento, com mensagens falsas prometendo agilizar a devolução. Essas fraudes, enviadas por SMS, e-mail ou WhatsApp, buscam roubar dados pessoais dos beneficiários. O instituto reforça que não solicita informações por esses canais e que todo o processo é gratuito, sem intermediários.
- Não clique em links recebidos por SMS, e-mail ou WhatsApp.
- Não forneça dados pessoais ou bancários fora dos canais oficiais.
- Verifique notificações apenas no aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135.
- Denuncie mensagens suspeitas às autoridades competentes.
- Consulte agências dos Correios para orientações presenciais.
A comunicação oficial é feita exclusivamente pelo aplicativo Meu INSS, site gov.br/inss, central 135 ou agências dos Correios. O INSS também intensificará ações de busca ativa a partir de agosto para alcançar beneficiários em áreas de difícil acesso, garantindo que todos tenham acesso ao ressarcimento.
Avanços no processo de devolução
Até o momento, 5,1 milhões de contestações foram registradas, com 59% feitas pelo aplicativo Meu INSS, 28,8% nas agências dos Correios e 7,3% pela central 135. A agilidade no processo permitiu que 98,5% dos 1,66 milhão de beneficiários que aderiram ao acordo já recebessem os valores. O prazo para contestação permanece aberto até 14 de novembro de 2025, e a adesão ao acordo continuará disponível após essa data.
O INSS estima que cerca de 700 mil beneficiários ainda podem aderir ao acordo. Para esses segurados, o processo é simples e seguro, com os valores corrigidos pelo IPCA depositados diretamente na conta do benefício. A iniciativa, homologada pelo Supremo Tribunal Federal, dispensa ações judiciais, agilizando a reparação. O governo também planeja estender o prazo até 31 de dezembro, se necessário, para garantir que todos os prejudicados sejam atendidos.
Histórico da operação contra fraudes
A operação “Sem Desconto”, deflagrada em abril de 2025, revelou a extensão do esquema fraudulento, que envolveu pelo menos 11 entidades associativas. A investigação apontou que os descontos indevidos começaram a aumentar significativamente após 2022, quando uma mudança legislativa encerrou a revalidação anual de autorizações para descontos associativos. Essa brecha permitiu que associações fraudulentas se credenciassem, causando prejuízos a milhões de aposentados.
- 2019-2022: Período de maior incidência das fraudes, com descontos não autorizados.
- Abril de 2025: Operação da PF e CGU expõe o esquema, levando à demissão de dirigentes do INSS.
- Julho de 2025: Início dos pagamentos de ressarcimento, com lotes diários de 100 mil beneficiários.
- Agosto de 2025: Anúncio da nova fase para vítimas de falsificação de assinaturas.
- Novembro de 2025: Prazo final para contestação, com possibilidade de extensão.
A operação resultou no afastamento de seis servidores do INSS, incluindo o ex-presidente Alessandro Stefanutto, e na exoneração do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi. O governo reforça que as fraudes ocorreram principalmente entre 2019 e 2022, mas segue monitorando casos para evitar novas irregularidades.