Aposentados e pensionistas do INSS enfrentam uma onda de fraudes que movimentou mais de R$ 6 bilhões em descontos indevidos, conforme investigação recente. Os golpes, que vão desde roubo de dados até o uso de inteligência artificial e falsificação de documentos, exploram a vulnerabilidade de beneficiários em todo o Brasil. Criminosos utilizam técnicas sofisticadas, como engenharia social e até ocultação de cadáveres, para desviar recursos da Previdência Social. A discussão sobre esses esquemas ganhou destaque em programa da TV Folha, transmitido ao vivo em 8 de agosto de 2025, com o advogado Rômulo Saraiva, especialista em Previdência. O problema, que afeta milhões de brasileiros, expõe falhas na proteção de dados e na fiscalização do sistema previdenciário, exigindo ações urgentes para conter os prejuízos.
Os esquemas fraudulentos não são novidade, mas a escala e a sofisticação dos crimes surpreendem. As fraudes envolvem desde descontos indevidos realizados por associações e sindicatos até a manipulação de informações pessoais para saques ilegais. O impacto recai diretamente sobre aposentados, muitos dos quais descobrem os golpes tarde demais.
- Roubo de dados pessoais para acesso a benefícios.
- Uso de documentos falsos para criar contas fraudulentas.
- Descontos indevidos em folha de pagamento.
- Esquemas envolvendo inteligência artificial para burlar sistemas.
Esquemas mais comuns contra o INSS
Os golpes contra o INSS se diversificaram nos últimos anos, aproveitando brechas tecnológicas e a confiança dos beneficiários. Criminosos utilizam desde métodos tradicionais, como falsificação de documentos, até tecnologias avançadas, como inteligência artificial, para burlar sistemas de segurança. A investigação apontada pela Folha revelou que sindicatos e associações estão entre os principais responsáveis pelos descontos indevidos, que totalizam mais de R$ 6 bilhões. Esses grupos se valem de contratos falsos ou autorizações forjadas para desviar valores diretamente dos benefícios.
Outro golpe recorrente é o uso de dados roubados. Criminosos obtêm informações pessoais por meio de vazamentos ou ataques cibernéticos e as utilizam para acessar contas de beneficiários. Além disso, a prática de ocultar óbitos para continuar recebendo pensões é alarmante. Familiares ou terceiros mantêm benefícios ativos mesmo após a morte do titular, gerando prejuízos milionários.
- Falsificação de contratos para descontos em folha.
- Uso de dados vazados para saques indevidos.
- Ocultação de óbitos para manter pensões ativas.
- Engenharia social para enganar idosos.

Tecnologia como aliada dos fraudadores
A inteligência artificial tem se tornado uma ferramenta poderosa nas mãos de criminosos. Softwares avançados são usados para criar perfis falsos, simular assinaturas digitais e até enganar sistemas de autenticação biométrica. Esses métodos permitem que fraudadores acessem contas do INSS sem levantar suspeitas imediatas. O advogado Rômulo Saraiva, em entrevista à TV Folha, destacou que a IA é usada para automatizar ataques em larga escala, aumentando o alcance e a eficiência dos golpes.
Além disso, a engenharia social continua sendo uma tática eficaz. Criminosos entram em contato com beneficiários, muitas vezes se passando por representantes do INSS, para obter informações sensíveis ou induzir a assinatura de documentos fraudulentos. A falta de educação digital entre idosos, principal público-alvo, facilita essas abordagens.
- IA para falsificação de assinaturas e biometria.
- Ligações fraudulentas se passando por agentes do INSS.
- E-mails e mensagens falsas solicitando dados.
- Softwares para automatizar saques em massa.
Impacto financeiro e social
Os R$ 6 bilhões desviados representam apenas uma fração do prejuízo acumulado pelo INSS nos últimos anos. Esses recursos, destinados à proteção social de milhões de brasileiros, acabam nas mãos de organizações criminosas, comprometendo a sustentabilidade do sistema previdenciário. Aposentados, muitas vezes em situação de vulnerabilidade financeira, sofrem com a redução de seus benefícios devido a descontos indevidos.
O impacto vai além do financeiro. A perda de confiança no sistema previdenciário afeta a relação entre beneficiários e o INSS. Muitos aposentados, ao descobrirem os golpes, enfrentam longos processos para recuperar valores roubados, o que gera desgaste emocional e burocrático. A falta de respostas rápidas por parte das autoridades agrava a situação, deixando vítimas desamparadas.
- Prejuízo financeiro para o sistema previdenciário.
- Desgaste emocional para aposentados lesados.
- Processos demorados para recuperação de valores.
- Erosão da confiança no INSS.
Medidas de prevenção e combate
Para combater as fraudes, o INSS tem investido em melhorias nos sistemas de segurança, como autenticação biométrica e cruzamento de dados. No entanto, especialistas apontam que a proteção de informações pessoais ainda é insuficiente. A orientação para os beneficiários é clara: nunca compartilhar senhas, dados bancários ou informações pessoais por telefone ou e-mail. O INSS não entra em contato solicitando esses dados.
Outra medida importante é a consulta regular do extrato de pagamentos no portal Meu INSS. Beneficiários podem identificar descontos indevidos e denunciá-los rapidamente. Além disso, o governo anunciou ações para investigar associações e sindicatos envolvidos nos esquemas, com foco na recuperação dos valores desviados.
- Verificar extratos regularmente no Meu INSS.
- Denunciar contatos suspeitos às autoridades.
- Evitar compartilhar dados pessoais por telefone ou e-mail.
- Acompanhar investigações contra associações fraudulentas.
Casos emblemáticos de fraudes
Rômulo Saraiva, em seu livro “Fraudes no INSS – Casos Práticos de Vazamento de Dados, Engenharia Social e Impactos na Proteção Social”, documentou mais de 400 casos de golpes. Entre os mais chocantes, estão situações em que criminosos usaram cadáveres para simular a presença de beneficiários em agências bancárias. Outros casos envolvem a criação de benefícios fictícios com documentos falsos, permitindo saques por meses ou até anos.
Esses episódios reforçam a necessidade de fiscalização rigorosa e de maior transparência no sistema previdenciário. A colaboração entre o INSS, a Polícia Federal e o Ministério Público tem sido essencial para identificar e punir os responsáveis. No entanto, a complexidade dos esquemas exige esforços contínuos e investimentos em tecnologia para proteger os beneficiários.
- Uso de cadáveres para saques fraudulentos.
- Criação de benefícios com documentos falsificados.
- Parcerias entre INSS e autoridades para investigações.
- Necessidade de maior transparência no sistema.