A inflação nos Estados Unidos ganhou força em julho de 2025, impulsionada pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que elevaram os custos de bens de consumo, como móveis, eletrodomésticos e vestuário. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) permaneceu estável em 2,7% em relação ao ano anterior, mas a inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, subiu 3,1%, a maior alta anual em cinco meses. Divulgado pelo Bureau of Labor Statistics, o relatório aponta que empresas estão repassando os custos das tarifas aos consumidores, pressionando setores sensíveis aos impostos de importação. As tarifas, que incluem um imposto universal de 10% sobre importações desde abril e taxas mais altas sobre aço, alumínio e produtos de países como China e Canadá, começaram a refletir nos preços. Apesar disso, o Federal Reserve sinaliza que pode reduzir as taxas de juros em setembro, caso a inflação não acelere além do esperado. O aumento de preços ocorre em um momento de desaceleração no mercado de trabalho, com apenas 73 mil empregos criados em julho, intensificando o desafio do Fed em equilibrar inflação e desemprego.
O impacto das tarifas tem sido sentido em categorias específicas, com destaque para o aumento de 0,7% no índice de móveis e utensílios domésticos e 3,3% em roupas infantis. Os preços de passagens aéreas também subiram 4% em julho, revertendo quedas recentes. Enquanto isso, os preços de energia, como gasolina, caíram 2,2%, ajudando a manter a inflação geral estável.

Empresas americanas que dependem de importações têm tentado absorver os custos das tarifas, mas muitas estão atingindo um limite. No início do ano, algumas companhias estocaram produtos para evitar repasses imediatos, mas o relatório de julho indica que essa estratégia está se esgotando.
- Principais impactos das tarifas:
- Móveis e eletrodomésticos: alta de 0,7% em julho.
- Vestuário infantil: aumento de 3,3% no último mês.
- Passagens aéreas: elevação de 4% após meses de queda.
- Veículos usados: alta de 0,5%, enquanto preços de carros novos permaneceram estáveis.
Efeitos das tarifas nos preços de bens
As tarifas impostas por Trump, especialmente sobre países como China, Índia e Vietnã, têm causado um impacto significativo em setores que dependem de importações. Em julho, os preços de bens como móveis, eletrodomésticos e roupas registraram altas expressivas. O índice de móveis e utensílios domésticos, por exemplo, subiu 0,7% em relação a junho, acumulando alta de 2,4% em um ano. Roupas e calçados, categorias altamente expostas às tarifas, também foram afetados, com destaque para o aumento de 1,4% nos preços de calçados.
Empresas do setor de vestuário, como Adidas e Crocs, alertaram que os custos elevados podem forçar novos aumentos de preços. Algumas companhias têm tentado mitigar os impactos buscando fornecedores alternativos ou absorvendo parte dos custos, mas o relatório de julho sugere que essa abordagem está se tornando insustentável.
Por outro lado, nem todos os setores refletiram aumentos imediatos. Os preços de eletrodomésticos, por exemplo, caíram 0,9% em julho, após uma alta de 1,9% em junho. Isso pode indicar uma resistência temporária de alguns varejistas em repassar os custos, mas analistas preveem que essa contenção não durará por muito tempo.
- Setores mais afetados:
- Roupas infantis: alta de 3,3% em julho.
- Calçados: aumento de 1,4% no último mês.
- Móveis e utensílios domésticos: elevação de 0,7%.
- Passagens aéreas: salto de 4% após quedas recentes.
Reação do mercado de trabalho e do Federal Reserve
A inflação em alta ocorre em um momento delicado para a economia americana, com o mercado de trabalho mostrando sinais de fraqueza. O relatório de empregos de julho revelou a criação de apenas 73 mil vagas, um número bem abaixo do esperado, com revisões negativas de 258 mil empregos para maio e junho. Essa desaceleração aumenta a pressão sobre o Federal Reserve, que busca equilibrar o controle da inflação com a estabilidade do emprego.
Apesar da aceleração da inflação subjacente, o Fed parece inclinado a retomar os cortes nas taxas de juros em setembro. A estabilidade do CPI geral em 2,7% e a queda nos preços de energia, como a gasolina (-2,2%), sugerem que a pressão inflacionária não é generalizada. No entanto, o aumento nos preços de serviços, como passagens aéreas e cuidados médicos, preocupa analistas, já que esses setores tendem a ter inflação mais persistente.
O presidente Trump tem criticado abertamente o presidente do Fed, Jerome Powell, por manter as taxas de juros elevadas. Trump chegou a sugerir uma ação legal contra Powell, citando supostos problemas na gestão da reforma da sede do banco central. Além disso, a nomeação de Stephen Miran, um crítico do Fed, para uma vaga no conselho do banco central, intensifica as tensões políticas em torno da política monetária.
Impacto nos consumidores e nas empresas
Os consumidores americanos estão sentindo os efeitos das tarifas em seus orçamentos. Categorias como vestuário, móveis e passagens aéreas, que registraram aumentos significativos, são essenciais para muitas famílias. O café, por exemplo, subiu 2,3% em julho, impactado pelas tarifas de 10% sobre importações e pela recente imposição de 50% sobre produtos brasileiros.
As empresas, por sua vez, enfrentam um dilema. Muitas estocaram produtos no início do ano para evitar repasses imediatos, mas o relatório de julho mostra que essa estratégia está chegando ao fim. Companhias como as do setor automotivo, que até agora evitaram aumentar os preços de carros novos, podem ser forçadas a ajustar os valores nos próximos meses, especialmente com tarifas de até 27,5% sobre veículos importados de países como Coreia do Sul e Japão.
- Estratégias das empresas:
- Estocagem de produtos para evitar repasses imediatos.
- Busca por fornecedores alternativos em países com menos tarifas.
- Absorção parcial dos custos para manter competitividade.
- Aumento de preços como última alternativa em setores como vestuário e móveis.
Setores menos impactados e tendências futuras
Nem todos os setores sentiram os efeitos das tarifas de forma imediata. Os preços de alimentos, por exemplo, permaneceram estáveis em julho, com uma queda de 0,1% nos supermercados. O preço dos ovos caiu 3,9% no último mês, embora ainda acumule alta de 16,4% em relação ao ano anterior devido a surtos de gripe aviária. Hotéis e aluguéis de carros também registraram quedas, com reduções de 1,3% e 0,4%, respectivamente, aliviando os custos de viagens de verão.
No entanto, analistas alertam que os efeitos das tarifas podem se intensificar nos próximos meses. Um estudo da Goldman Sachs estima que, até outubro, cerca de 67% dos custos das tarifas serão repassados aos consumidores, contra apenas 22% no início do ano. Isso pode elevar ainda mais os preços de bens importados, como eletrônicos, roupas e carros.
A nomeação de E.J. Antoni para liderar o Bureau of Labor Statistics, após a demissão de Erika McEntarfer, também levanta preocupações sobre a credibilidade dos dados econômicos. Economistas temem que mudanças na liderança possam comprometer a independência das estatísticas, afetando a confiança dos mercados.
- Tendências esperadas:
- Aumento nos preços de carros novos devido a tarifas sobre importações.
- Elevação gradual dos custos de bens importados, como eletrônicos.
- Possível pressão inflacionária em serviços, como saúde e transporte.
- Risco de maior instabilidade no mercado de trabalho com a desaceleração econômica.
Reações do governo e do mercado financeiro
O governo Trump defendeu os números da inflação, com a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, destacando que o relatório superou as expectativas do mercado e reflete o compromisso do presidente em reduzir custos para famílias e empresas. Stephen Miran, presidente do Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca, negou que as tarifas sejam a principal causa dos aumentos de preços, argumentando que os dados não mostram uma correlação clara.
No mercado financeiro, a reação foi moderada. O índice S&P 500 subiu 0,3% no início do dia, mas recuou em relação às máximas iniciais. Os investidores estão ajustando suas expectativas para cortes nas taxas de juros, com os mercados de futuros indicando entre dois e três cortes de 0,25 ponto percentual até dezembro. A estabilidade do dólar e a calmaria no mercado de títulos também sugerem que os números da inflação não surpreenderam negativamente.
O índice de otimismo de pequenas empresas da National Federation of Independent Business subiu 14 pontos em julho, para 36%, impulsionado pela aprovação de uma lei de política doméstica republicana que expandiu cortes de impostos para empresas. Esse otimismo, no entanto, pode ser temporário, já que as tarifas continuam a pressionar os custos operacionais.
- Reações do mercado:
- S&P 500: alta inicial de 0,3%, mas sem atingir recorde.
- Mercados de futuros: expectativa de dois a três cortes de juros até dezembro.
- Índice de otimismo de pequenas empresas: alta de 14 pontos em julho.
- Dólar: leve queda em relação a outras moedas.
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