Em um movimento sem precedentes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 11 de agosto de 2025 a federalização da polícia de Washington, D.C. e o envio de 800 tropas da Guarda Nacional para combater o que descreveu como uma “emergência de segurança” na capital. A medida, que inclui o controle temporário do Departamento de Polícia Metropolitana pelo governo federal, visa enfrentar a criminalidade e retirar pessoas em situação de rua da cidade. A prefeita Muriel Bowser, democrata, classificou a intervenção como “alarmante e ilegal”, enquanto dados oficiais apontam que o crime violento na capital caiu 26% entre 2023 e 2024. A ação, justificada por Trump com base na Lei de Autogoverno, gerou críticas de autoridades locais e levanta debates sobre os limites do poder presidencial.
A decisão de Trump ocorre após incidentes recentes, incluindo o ataque a Edward Coristine, ex-funcionário do Departamento de Eficiência Governamental, em uma tentativa de roubo de carro. O presidente, que desde janeiro de 2025 expressava intenção de federalizar a capital, alega que Washington enfrenta “crimes fora de controle”. A intervenção, inicialmente planejada para 30 dias, pode ser estendida com aprovação do Congresso.
Autoridades locais, incluindo o procurador-geral Brian Schwalb, prometem contestar a legalidade da medida, enquanto a prefeita Bowser defende que a cidade já reduziu significativamente a criminalidade. A Guarda Nacional operará sob o comando do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, com 100 a 200 soldados nas ruas a qualquer momento, desempenhando funções logísticas e de apoio à polícia.
- Objetivo da intervenção: Combater crimes violentos e retirar pessoas sem-teto da capital.
- Duração inicial: 30 dias, com possibilidade de prorrogação mediante aprovação congressional.
- Reação local: Autoridades de D.C. consideram a medida desnecessária e planejam ações legais.
Detalhes da intervenção federal
A intervenção anunciada por Trump baseia-se na Lei de Autogoverno de 1973, que permite ao presidente assumir o controle da polícia de Washington em situações de emergência. O executivo federalizou o Departamento de Polícia Metropolitana, colocando-o sob o comando da procuradora-geral Pam Bondi. A medida é válida por 48 horas, mas pode ser estendida por até 30 dias com notificação ao Congresso. Trump justificou a ação citando uma “crise de violência” que, segundo ele, ameaça a segurança de servidores públicos, cidadãos e turistas.
A Guarda Nacional, operando sob o status de Título 32, terá entre 100 e 200 soldados nas ruas, focando em apoio logístico e presença física para reforçar a polícia. O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que as tropas começarão a atuar nas ruas na semana seguinte ao anúncio. Além disso, cerca de 500 agentes federais, incluindo membros do FBI e da Agência de Imigração e Alfândega, foram designados para patrulhas noturnas, especialmente em áreas turísticas.
O presidente também anunciou planos para “limpar” a capital, incluindo a remoção de pessoas em situação de rua. Em 2024, Washington registrou cerca de 5,6 mil pessoas sem-teto, segundo o Departamento de Habitação dos EUA. Trump prometeu oferecer abrigos fora da capital, mas não detalhou como o plano será executado.
Reações das autoridades locais
A prefeita Muriel Bowser, principal autoridade executiva do Distrito de Columbia, reagiu com firmeza à intervenção. Durante uma coletiva de imprensa, ela destacou que a criminalidade na cidade está em declínio, com dados do Departamento de Polícia Metropolitana mostrando uma queda de 26% no crime violento entre 2023 e 2024. Bowser questionou a eficiência do uso da Guarda Nacional para funções policiais, sugerindo que investimentos em procuradores e juízes seriam mais eficazes.
O procurador-geral Brian Schwalb classificou a ação como “ilegal” e prometeu explorar todas as vias judiciais para contestá-la. Ele argumentou que os dados apresentados por Trump, como a taxa de homicídios de 2023, estão desatualizados e não refletem a realidade atual da cidade.
- Queda no crime violento: 26% entre 2023 e 2024, segundo a polícia local.
- Homicídios: Redução de 12% em 2025 até agosto, comparado ao mesmo período de 2024.
- Posição de Bowser: A prefeita defende que a cidade já controla a criminalidade.
- Ação legal: Schwalb planeja contestar a intervenção nos tribunais.

Contexto da criminalidade em Washington
Apesar das alegações de Trump, dados oficiais mostram que Washington, D.C. tem experimentado uma redução significativa na criminalidade. O Departamento de Justiça dos EUA relatou que, em 2024, o crime violento na capital atingiu o menor nível em 30 anos. Homicídios, que alcançaram 274 casos em 2023, caíram 32% em 2024, totalizando 187. Até agosto de 2025, os homicídios diminuíram mais 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Carjackings, um dos crimes destacados por Trump, também apresentaram declínio. Em 2023, a cidade registrou 607 casos, mas o número caiu para 299 no mesmo período de 2024 e para 188 até agosto de 2025. A redução reflete esforços locais, como a distribuição de dispositivos de rastreamento para veículos e maior presença policial em áreas críticas.
Trump, no entanto, comparou a taxa de homicídios de Washington (27,54 por 100 mil habitantes em 2024) a cidades como Bogotá (15,1) e Cidade do México (10,6). Especialistas, como Jeff Asher, da AH Datalytics, apontam que, embora 2023 tenha sido um ano de pico na violência, a tendência atual é de queda, alinhada com padrões nacionais.
Histórico de intervenções da Guarda Nacional
Esta não é a primeira vez que Trump recorre à Guarda Nacional em contextos urbanos. Durante seu primeiro mandato, em 2020, ele mobilizou tropas para conter protestos em Washington após o assassinato de George Floyd. A ação, que incluiu o uso de gás lacrimogêneo contra manifestantes pacíficos em Lafayette Square, gerou controvérsias e críticas, incluindo do então chefe do Estado-Maior, general Mark Milley, que pediu desculpas públicas.
Recentemente, em junho de 2025, Trump enviou cerca de 4 mil soldados da Guarda Nacional e 700 fuzileiros navais a Los Angeles para lidar com protestos contra operações de imigração. A ação, contestada pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom, resultou em uma batalha judicial ainda em andamento.
- 2020: Tropas da Guarda Nacional mobilizadas para conter protestos em Washington.
- 2025: Envio de tropas a Los Angeles para apoiar operações de imigração.
- Título 32: Permite que a Guarda Nacional atue em funções policiais sem violar a Lei Posse Comitatus.
- Controvérsias: Ações anteriores de Trump com a Guarda Nacional geraram críticas por uso excessivo de força.
Implicações legais e políticas
A intervenção em Washington levanta questões sobre os limites do poder presidencial. A Lei de Autogoverno de 1973 permite que o presidente assuma o controle da polícia local em emergências, mas exige justificativas claras, como ameaça de invasão ou rebelião. Críticos, incluindo a delegada não votante do Distrito de Columbia no Congresso, Eleanor Holmes Norton, chamaram a ação de “um ataque histórico à autonomia de D.C.”.
A federalização da polícia e o envio da Guarda Nacional também geram preocupações sobre os direitos dos moradores. A cidade, que não tem representação votante no Congresso, já opera sob restrições únicas, com o governo federal podendo vetar leis locais. A intervenção de Trump intensifica o debate sobre a autonomia do Distrito de Columbia.
Planos para pessoas em situação de rua
Além do combate ao crime, Trump anunciou a intenção de “limpar” Washington da população sem-teto. Em um post na rede social Truth Social, ele declarou que os sem-teto devem deixar a cidade “imediatamente”, prometendo oferecer abrigos fora da capital. O plano, porém, carece de detalhes sobre como será implementado ou financiado.
Em 2024, o Departamento de Habitação dos EUA relatou que Washington tinha 5,6 mil pessoas em situação de rua, um número significativo, mas menor que outras grandes cidades americanas. Desde março de 2025, a Polícia de Parques dos EUA, sob ordens de Trump, removeu mais de 70 acampamentos de sem-teto em áreas federais, como praças e parques da capital.
- População sem-teto: 5,6 mil em 2024, 15º maior índice entre cidades dos EUA.
- Ações anteriores: Remoção de 70 acampamentos desde março de 2025.
- Promessa de Trump: Oferecer abrigos fora da capital, sem detalhes operacionais.
- Críticas: Falta de clareza sobre a realocação e impacto social da medida.