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Dona da Fiat abre desmanche veicular e oferece peças com descontos de mais de 50%

Fiat
Fiat - Foto: tomeng/istock Fiat - Foto: tomeng/istock

A Stellantis, dona de marcas como Fiat, Jeep e Peugeot, inaugurou em 14 de agosto de 2025, em Osasco, São Paulo, o primeiro Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças da América do Sul. Com um investimento de R$ 13 milhões, a iniciativa pioneira recicla veículos sinistrados ou em fim de vida útil, incluindo modelos de outras montadoras, para reaproveitar peças e reduzir emissões de CO₂. O centro, que deve gerar 150 empregos, tem capacidade para processar até 8 mil veículos por ano, promovendo a economia circular e oferecendo peças com até 50% de desconto. A operação segue normas do Detran, garantindo rastreabilidade e qualidade, e visa combater o descarte irregular de automóveis no Brasil.

O projeto reforça a liderança da Stellantis em sustentabilidade automotiva. Ele é o segundo centro do tipo no mundo, após a unidade de Mirafiori, em Turim, Itália. A iniciativa alinha-se à estratégia global da empresa, baseada nos 4R: remanufatura, reparo, reuso e reciclagem.

  • Objetivos do centro: Reduzir impacto ambiental e prolongar a vida útil de componentes.
  • Capacidade anual: Desmontagem de até 8 mil veículos, evitando 30 mil toneladas de CO₂.
  • Impacto social: Criação de 150 empregos diretos e indiretos na região de Osasco.

A operação é um marco para o setor automotivo brasileiro, onde apenas 1,5% dos 2 milhões de veículos que chegam ao fim de sua vida útil anualmente recebem destinação adequada.

Processo inovador de desmontagem

O funcionamento do Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças é estruturado para garantir eficiência e sustentabilidade. Veículos adquiridos em leilões, sejam sinistrados ou no fim de sua vida útil, passam por um processo rigoroso. Inicialmente, os carros são descontaminados, com a remoção de fluidos como óleos e combustíveis, que recebem destinação adequada. Em seguida, técnicos realizam inspeções detalhadas para avaliar a condição de cada componente.

FIAT
FIAT – Foto: RobsonPL/Istock.com

As peças aptas ao reuso ou remanufatura são limpas com produtos biodegradáveis e recebem etiquetas de rastreamento emitidas pelo Detran. Cada veículo gera uma “carteira de desmonte”, que documenta até 49 grupos de peças, detalhando origem e qualidade. Componentes não reutilizáveis, como aço, alumínio e cobre, são separados e encaminhados para reciclagem por parceiros, como a siderúrgica ArcelorMittal.

  • Descontaminação inicial: Remoção segura de fluidos para evitar danos ambientais.
  • Inspeção técnica: Avaliação minuciosa para identificar peças reutilizáveis.
  • Rastreabilidade: Etiquetas do Detran garantem procedência e conformidade legal.
  • Reciclagem total: 100% dos materiais são reaproveitados ou reciclados.

O sistema próprio de codificação da Stellantis assegura a padronização, oferecendo ao consumidor peças confiáveis a preços acessíveis, com notas de 5 a 10 em uma escala de qualidade.

Venda de peças acessíveis e certificadas

As peças reaproveitadas no centro de Osasco são comercializadas em canais físicos e digitais, ampliando o acesso a componentes automotivos de qualidade. Em Osasco, uma loja física instalada em um contêiner atende consumidores diretamente. Online, a loja oficial da Circular AutoPeças no Mercado Livre já está ativa, e um e-commerce próprio será lançado em breve.

Os preços das peças, que podem custar até metade do valor de componentes novos, atraem consumidores que buscam economia sem abrir mão da segurança. A rastreabilidade, exigida pelo Detran, assegura que cada peça tenha sua origem documentada, evitando o uso de componentes de desmontes ilegais.

  • Loja física: Contêiner em Osasco para atendimento presencial.
  • Plataformas digitais: Vendas no Mercado Livre e futuro e-commerce próprio.
  • Preços acessíveis: Peças com até 50% de desconto em relação às novas.
  • Garantia de qualidade: Certificação e rastreamento em conformidade com a lei.

Essa estratégia não apenas reduz custos para os consumidores, mas também contribui para a formalização do mercado de peças usadas no Brasil, combatendo práticas irregulares.

Sustentabilidade como prioridade

A inauguração do centro reflete o compromisso da Stellantis com a descarbonização e a economia circular. A operação pode evitar a emissão de 30 mil toneladas de CO₂ por ano, equivalente a retirar milhares de carros de circulação. A reciclagem de materiais como aço, ferro e metais nobres reduz a necessidade de extração de novas matérias-primas, minimizando o impacto ambiental.

Além disso, o projeto se alinha ao Programa Mover do governo federal, que incentiva práticas sustentáveis na indústria automotiva. A iniciativa também responde à crescente demanda por soluções ecológicas, em um contexto onde a escassez de recursos naturais é uma preocupação global.

O centro de Osasco é parte de um ecossistema maior da Stellantis no Brasil. Em 2024, a empresa inaugurou o Centro de Recondicionamento de Veículos em Betim, Minas Gerais, que restaura carros para revenda como seminovos certificados. Juntos, esses projetos fortalecem a estratégia dos 4R, promovendo inovação e responsabilidade ambiental.

Impacto no mercado automotivo brasileiro

O mercado de reciclagem veicular no Brasil tem um potencial estimado em R$ 2 bilhões anuais, mas enfrenta desafios significativos. Com uma frota de cerca de 48 milhões de veículos, aproximadamente 2 milhões chegam ao fim de sua vida útil a cada ano. No entanto, apenas 1,5% recebem destinação correta, enquanto a maioria acaba em pátios do Detran ou abandonada, contribuindo para problemas ambientais e de segurança pública.

O Centro Circular AutoPeças busca mudar esse cenário, oferecendo uma alternativa estruturada e regulamentada. A inclusão de veículos de outras montadoras, como Honda e Chevrolet, amplia o alcance da iniciativa, beneficiando um número maior de consumidores e oficinas.

  • Mercado potencial: R$ 2 bilhões anuais em reciclagem automotiva.
  • Frota nacional: 48 milhões de veículos, com 2 milhões descartados por ano.
  • Descarte irregular: Apenas 1,5% dos veículos têm destinação adequada.
  • Combate à ilegalidade: Redução de desmontes clandestinos com peças certificadas.

A iniciativa também tem impacto social, com a geração de empregos e a capacitação de trabalhadores, incluindo jovens aprendizes em programas de formação técnica.

Expansão da economia circular na América do Sul

A Stellantis planeja usar o centro de Osasco como modelo para futuras unidades no Brasil e na América do Sul. A experiência adquirida será crucial para avaliar a viabilidade de novas plantas, dependendo da demanda e do crescimento do mercado de reciclagem.

A empresa já opera um centro semelhante em Turim, Itália, e a unidade brasileira é a primeira fora da Europa. Esse pioneirismo posiciona a Stellantis como referência em sustentabilidade na região, com potencial para inspirar outras montadoras a adotarem práticas semelhantes.

  • Modelo global: Centro de Osasco segue padrões do projeto de Turim, Itália.
  • Expansão futura: Planos para novas unidades com base na demanda.
  • Liderança regional: Stellantis como pioneira em economia circular na América do Sul.

O projeto também dialoga com tendências globais, como a crescente regulamentação de reciclagem veicular na Europa e no Japão, onde até 95% dos veículos são reciclados. No Brasil, a iniciativa pode estimular mudanças legislativas para incentivar a destinação correta de automóveis.

Benefícios para consumidores e meio ambiente

A venda de peças usadas a preços acessíveis beneficia consumidores que buscam reparos econômicos, especialmente em um contexto de aumento nos custos de manutenção de veículos. Peças com nota 9, por exemplo, têm qualidade próxima à de componentes novos, mas com preços significativamente menores.

Além disso, a iniciativa reduz a dependência de peças novas, cuja produção consome recursos naturais e energia. A reutilização de componentes pode diminuir em até 50% as emissões de CO₂ associadas à fabricação, contribuindo para um setor automotivo mais sustentável.

O combate ao descarte irregular também é um diferencial. Ao formalizar o processo de desmontagem, a Stellantis reduz o risco de peças provenientes de furtos ou desmontes clandestinos, aumentando a segurança para consumidores e oficinas.

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