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Romário cobra INSS sobre suspensão indevida do BPC para pessoas com deficiência

INSS Previdência Social
INSS Previdência Social - Foto: Rmcarvalho/ Istockphoto.com INSS Previdência Social - Foto: Rmcarvalho/ Istockphoto.com

O senador Romário (PL-RJ) questionou o Ministério da Previdência, em 15 de agosto de 2025, sobre possíveis suspensões indevidas do Benefício de Prestação Continuada (BPC) a pessoas com deficiência e idosos acamados, no âmbito da Medida Provisória (MP) do INSS. Aprovada pelo Senado, a MP visa reduzir filas na concessão e revisão de benefícios, oferecendo bônus a servidores para agilizar processos. No entanto, associações alertam para o risco de cortes abruptos, comprometendo a renda de grupos vulneráveis. Romário enviou um ofício ao ministro Wolney Queiroz, cobrando protocolos claros de proteção e notificações adequadas antes de qualquer bloqueio, para garantir o direito de defesa dos beneficiários. A iniciativa reflete a preocupação com a transparência na aplicação da MP, que pode impactar diretamente a vida de milhares de pessoas dependentes do BPC.

A pressão do senador surge em um momento de debates acalorados no Congresso. Enquanto alguns parlamentares defendem a agilidade na revisão de benefícios, outros temem que a pressa resulte em injustiças. A MP, aguardando sanção presidencial, busca eficiência, mas a falta de salvaguardas pode prejudicar quem depende do auxílio.

  • Riscos de suspensão sem notificação adequada.
  • Necessidade de prazos razoáveis para defesa.
  • Impacto na renda de pessoas com deficiência e idosos.
  • Demanda por canais de comunicação claros.

Medida provisória e os desafios da revisão

A MP do INSS, aprovada em agosto de 2025, tem como objetivo principal reduzir a fila de espera para concessão e revisão de benefícios como pensões, auxílios-doença e aposentadorias por incapacidade. O incentivo financeiro aos servidores do INSS, por meio de bônus, visa acelerar os processos administrativos. Contudo, o texto gerou controvérsias ao não prever, inicialmente, mecanismos robustos para evitar suspensões indevidas, especialmente do BPC, benefício assistencial garantido a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.

Organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência criticaram a medida, apontando que a pressa na revisão pode levar a erros administrativos. A ausência de notificações claras e prazos suficientes para que beneficiários apresentem defesa foi destacada como um problema central. Romário, em seu ofício, reforçou a necessidade de procedimentos que respeitem o devido processo legal, evitando que pessoas em condições de fragilidade sejam penalizadas sem oportunidade de contestação.

O BPC, previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), não exige contribuição prévia ao INSS, mas depende de critérios rigorosos, como renda familiar per capita inferior a 1/4 do salário mínimo. A revisão intensificada, segundo especialistas, pode interpretar de forma rígida esses critérios, excluindo beneficiários que ainda cumprem os requisitos.

  • Bônus para servidores acelera revisões, mas gera riscos.
  • Critérios de renda podem ser aplicados de forma restritiva.
  • Falta de clareza nos protocolos de notificação.
  • Possível exclusão de beneficiários vulneráveis.

Preocupações com a proteção dos beneficiários

A atuação de Romário reflete um movimento mais amplo de parlamentares e associações que buscam proteger os beneficiários do BPC. O senador questionou o Ministério da Previdência sobre os canais de notificação utilizados pelo INSS, o número de tentativas de contato e os prazos mínimos para resposta. A falta de transparência nesses processos pode comprometer o acesso a direitos fundamentais, especialmente para idosos acamados e pessoas com deficiência que enfrentam barreiras de mobilidade ou comunicação.

Associações como o Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) têm alertado para o impacto das suspensões na qualidade de vida. A interrupção do BPC, mesmo que temporária, pode significar a perda de acesso a medicamentos, alimentação e moradia. Dados do INSS, obtidos via Lei de Acesso à Informação, revelam que, entre 2019 e junho de 2025, foram identificados R$ 16,4 bilhões em pagamentos indevidos de BPC, com apenas R$ 8,7 milhões recuperados, indicando falhas no controle e na fiscalização.

A revisão do BPC exige que beneficiários mantenham o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, mas a dificuldade de acesso a Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) em regiões remotas é um obstáculo. Romário pediu que o INSS detalhe como pretende garantir que esses grupos vulneráveis sejam informados e tenham condições de responder às convocações.

  • Atualização do CadÚnico é essencial para evitar cortes.
  • Barreiras de acesso ao CRAS dificultam regularização.
  • Notificações devem ser claras e acessíveis.
  • Impacto financeiro de suspensões pode ser devastador.
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INSS Previdência Social – Foto: Rmcarvalho/ Istockphoto.com

Reações da sociedade e mobilização

A sociedade civil tem se mobilizado para pressionar o governo a ajustar a aplicação da MP. Entidades de defesa dos direitos das pessoas com deficiência organizaram campanhas e mutirões para orientar beneficiários sobre como evitar a suspensão do BPC. Profissionais jurídicos recomendam que, em caso de bloqueio, os beneficiários busquem a Defensoria Pública ou advogados especializados para apresentar defesa administrativa ou recorrer à Justiça.

Decisões judiciais recentes reforçam a importância do devido processo legal. Em um caso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), uma beneficiária com deficiência obteve indenização de R$ 30 mil após o INSS suspender seu BPC sem notificação prévia ou análise de documentos médicos. O tribunal reconheceu que a interrupção violou a dignidade da beneficiária, destacando a necessidade de cuidado com grupos vulneráveis.

A mobilização também chegou ao Congresso, onde parlamentares discutem propostas para flexibilizar os critérios de revisão e ampliar prazos para defesa. A deputada Fernanda Melchionna, por exemplo, criticou a MP, afirmando que o incentivo financeiro pode levar a cortes indiscriminados. A pressão social e política busca garantir que a eficiência administrativa não comprometa os direitos dos mais necessitados.

  • Campanhas orientam sobre regularização do BPC.
  • Decisões judiciais reforçam direito à notificação prévia.
  • Parlamentares propõem ajustes na MP.
  • Defensoria Pública oferece suporte jurídico gratuito.

Medidas para evitar a suspensão do BPC

Para evitar a suspensão do BPC, beneficiários devem estar atentos a algumas ações práticas. A atualização regular do CadÚnico é a principal recomendação, com revisões a cada dois anos ou sempre que houver mudanças na composição familiar ou renda. Pessoas com deficiência precisam comparecer a perícias médicas ou sociais quando convocadas, apresentando laudos atualizados.

O INSS utiliza canais como o aplicativo Meu INSS, a Central 135 e correspondências físicas para notificar beneficiários. No entanto, falhas nesses sistemas, como mensagens não entregues ou dificuldades de acesso, têm sido relatadas. Beneficiários devem monitorar esses canais e, em caso de notificação, reunir documentos como comprovantes de renda, residência e relatórios médicos para apresentar defesa dentro do prazo de 30 dias.

O novo Decreto nº 12.534, de 2025, ampliou a definição de renda familiar, incluindo auxílios eventuais e transferências via Pix, o que pode levar à exclusão de beneficiários que recebem ajudas esporádicas. Advogados orientam que esses casos sejam contestados com base em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que defendem uma interpretação flexível do critério de renda.

  • Atualize o CadÚnico a cada dois anos.
  • Monitore notificações no Meu INSS e Central 135.
  • Reúna documentos para defesa em 30 dias.
  • Busque apoio jurídico em caso de suspensão.
  • Conteste exclusões com base em decisões do STF.

Impacto econômico e social dos cortes

A suspensão do BPC pode ter consequências graves para famílias e comunidades. Em pequenas cidades, o benefício movimenta a economia local, sendo usado para compras no comércio e pagamento de despesas básicas. A interrupção de até R$ 1 bilhão por mês, segundo estimativas, pode agravar a pobreza e a insegurança alimentar, especialmente em regiões mais pobres.

Para pessoas com deficiência, a perda do BPC compromete o acesso a tratamentos médicos e itens essenciais, como fraldas e medicamentos. Idosos acamados, que muitas vezes dependem de cuidadores, enfrentam riscos ainda maiores. A pressão de Romário e de outros parlamentares busca evitar que a busca por eficiência resulte em exclusão social.

O Ministério da Previdência informou que trabalha em parceria com o INSS para aprimorar os processos de revisão, incluindo cruzamentos de dados para identificar inconsistências. A nova versão do CadÚnico, mais moderna, promete facilitar a gestão do benefício, mas a implementação enfrenta desafios logísticos.

  • BPC movimenta comércio em pequenas cidades.
  • Suspensões afetam acesso a saúde e moradia.
  • Novo CadÚnico visa melhorar gestão do benefício.
  • Parceria INSS-Ministério busca reduzir erros.
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