CBF planeja Fair Play Financeiro para 2026 com clubes da Série A

CBF

CBF - Foto: Diego Thomazini/shutterstock.com

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está avançando na construção de um modelo de Fair Play Financeiro para o futebol brasileiro, com proposta a ser apresentada em novembro de 2025, durante o CBF Summit, em São Paulo. Liderado pelo presidente Samir Xaud, o projeto envolve 34 clubes das Séries A e B, além de 10 federações estaduais, em um esforço para promover transparência e sustentabilidade financeira. A iniciativa, que já conta com reuniões iniciadas em agosto, busca estabelecer regras que equilibrem as finanças dos clubes, inspirando-se em modelos europeus, como o da Uefa. Clubes como Palmeiras e Flamengo lideram a defesa por maior rigor financeiro, enquanto a CBF coleta sugestões para um regulamento que promete transformar a gestão do futebol nacional.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu passos decisivos para implementar o Fair Play Financeiro no Brasil, com o objetivo de revolucionar a gestão financeira dos clubes. Sob o comando de Samir Xaud, a entidade formou um grupo de trabalho com 34 clubes e 10 federações estaduais, que se reuniu pela primeira vez em 11 de agosto de 2025, no Rio de Janeiro. A proposta final, batizada de Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), será apresentada no dia 26 de novembro, durante o CBF Summit, em São Paulo. A iniciativa responde a anos de críticas sobre a má gestão financeira de clubes, com dívidas acumuladas e negociações questionáveis no mercado de transferências.

O projeto é uma das prioridades do mandato de Xaud, que se estende até 2029, e reflete uma promessa de campanha. A ideia é criar regras que garantam maior controle sobre gastos, evitem endividamentos excessivos e promovam transparência. Clubes como Palmeiras, Flamengo e Corinthians estão entre os protagonistas, defendendo um modelo que equilibre competitividade e responsabilidade financeira.

  • Objetivo principal: Estabelecer um sistema de sustentabilidade financeira para clubes.
  • Prazo: Proposta final será apresentada em 26 de novembro de 2025.
  • Participantes: 34 clubes das Séries A e B, além de 10 federações estaduais.
  • Coordenação: Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF, lidera o grupo.

Modelos internacionais como inspiração

A CBF busca inspiração em modelos consolidados, como o da Uefa, que combina tetos de gastos e fiscalização orçamentária. Na Europa, clubes que disputam competições continentais devem limitar gastos com salários, transferências e comissões a 70% de suas receitas, além de apresentar balanços equilibrados. A Premier League inglesa, por exemplo, permite prejuízos de até 105 milhões de libras em três anos, enquanto La Liga, na Espanha, impõe limites individualizados com base nas finanças de cada clube. Essas práticas servem de referência para adaptar o Fair Play Financeiro à realidade brasileira.

No Brasil, a diversidade de clubes participantes, desde gigantes como Flamengo e Palmeiras até equipes menores como Paysandu e Clube do Remo, garante pluralidade regional. A CBF destaca que a colaboração entre clubes, federações e especialistas é essencial para criar um modelo viável. Especialistas como Pedro Daniel, da Ernst & Young, e o economista Cesar Grafietti integram o grupo, trazendo expertise em finanças e governança.

  • Modelos analisados: Uefa, Premier League e La Liga.
  • Teto de gastos da Uefa: 70% das receitas para salários e transferências.
  • Premier League: Limite de prejuízo de 105 milhões de libras em três anos.
  • Especialistas envolvidos: Pedro Daniel, Cesar Grafietti e Alexandre Cordeiro.

Demandas dos clubes brasileiros

Os clubes brasileiros têm opiniões claras sobre o que desejam do Fair Play Financeiro. O Palmeiras, liderado pela presidente Leila Pereira, é um dos mais ativos na defesa de medidas rigorosas. Pereira argumenta que clubes com boa gestão, como o próprio Palmeiras e o Flamengo, devem ser valorizados, enquanto aqueles que acumulam dívidas sem controle precisam enfrentar punições. O Internacional, por meio de seu CEO Giovane Zanardo, pede padronização nas demonstrações financeiras e um período de transição para a implementação do modelo.

O Fortaleza, representado por Marcelo Paz, sugere punições imediatas para clubes que contratam sem pagar, como a proibição de novas contratações. A crítica recai sobre a lentidão da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), que muitas vezes permite parcelamentos de dívidas sem juros, gerando insegurança jurídica. Essas demandas refletem a necessidade de um sistema que combine punições rigorosas com incentivos à boa gestão.

Impacto esperado no futebol nacional

A implementação do Fair Play Financeiro pode transformar o futebol brasileiro, trazendo maior profissionalização e credibilidade. Clubes com gestões sustentáveis, como Palmeiras e Flamengo, podem ganhar ainda mais força competitiva, enquanto equipes com histórico de dívidas terão que se reestruturar. A CBF planeja aplicar o modelo a partir de 2026, com um período de adaptação para evitar impactos drásticos. A iniciativa também busca atrair investidores, já que o modelo SAF (Sociedade Anônima do Futebol) tem crescido no Brasil, com clubes como Atlético Mineiro e Bahia adotando essa estrutura.

A participação de clubes de diferentes divisões, como Mirassol, Ferroviária e Novorizontino, reforça a intenção de criar um sistema inclusivo. A presença de federações estaduais, como as de Alagoas, Goiás e Santa Catarina, garante que o modelo contemple as particularidades regionais do futebol brasileiro. O envolvimento de especialistas externos também eleva a qualidade do debate, com foco em práticas que já deram certo em outros mercados.

  • Clubes SAF participantes: Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Vasco.
  • Federações estaduais: Alagoas, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Santa Catarina, Sergipe.
  • Início da aplicação: Previsto para 2026, com período de transição.
  • Benefício esperado: Maior transparência e atratividade para investidores.

Próximos passos do projeto

A CBF já definiu um cronograma para a elaboração do regulamento. Após a reunião inicial em agosto, os clubes têm até outubro para enviar sugestões ao departamento jurídico da entidade. Essas propostas serão analisadas para compor o documento final, que será apresentado no CBF Summit. Ricardo Gluck Paul, coordenador do grupo, destaca a importância do diálogo entre todos os envolvidos, chamando o processo de “histórico” para o futebol brasileiro.

A expectativa é que o modelo final combine tetos de gastos, fiscalização rigorosa de balanços e punições para clubes que descumprirem as regras. O presidente do Vitória, Fábio Mota, levantou a preocupação com a recuperação judicial, prática que alguns clubes usam para postergar dívidas. A CBF planeja abordar essa questão, garantindo que o Fair Play Financeiro não seja apenas um conjunto de regras, mas um compromisso com a sustentabilidade de longo prazo.

  • Prazo para sugestões: Até outubro de 2025.
  • Evento de apresentação: CBF Summit, 26 de novembro de 2025, em São Paulo.
  • Coordenador: Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF.
  • Preocupação destacada: Recuperação judicial como obstáculo à sustentabilidade.

Clubes e federações na construção do modelo

A lista de clubes participantes reflete a diversidade do futebol brasileiro, com representantes de todas as regiões. Entre os 34 clubes, estão gigantes como Flamengo, Corinthians e São Paulo, além de equipes emergentes como Red Bull Bragantino e Athletic Club. A ausência do Sport Recife na primeira reunião foi notada, mas a CBF garante que todos os inscritos terão voz no processo. As federações estaduais, incluindo a do Rio Grande do Sul, também trazem perspectivas regionais para o debate.

O envolvimento de especialistas como Alexandre Cordeiro, presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e Maria Daniela Borçatto, da Fenapaf, reforça a seriedade do projeto. A CBF busca um modelo que não apenas regule as finanças, mas também fortaleça a governança corporativa, alinhando o futebol brasileiro aos padrões internacionais.

  • Clubes notáveis: Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Grêmio, Internacional.
  • Federações regionais: Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina.
  • Especialistas: Alexandre Cordeiro (Cade), Maria Daniela Borçatto (Fenapaf).
  • Objetivo: Alinhar o futebol brasileiro a padrões internacionais de governança.
Veja Também