Autos

Chevrolet Onix 2026 mantém correia banhada a óleo com nova fórmula

onix
onix - Foto: Divulgação onix - Foto: Divulgação

A Chevrolet lançou o Onix 2026 com visual renovado e uma nova composição para a polêmica correia dentada banhada a óleo, componente que já gerou debates entre proprietários e mecânicos. Apresentado em julho de 2025, em São Paulo, o modelo busca recuperar o espaço perdido no mercado, onde suas vendas caíram para 40% do volume registrado em anos anteriores. A correia, usada também em outros modelos como Tracker e Montana, promete maior durabilidade, mas exige manutenção rigorosa com óleo específico. Especialistas avaliam os benefícios e os desafios do sistema, enquanto a General Motors (GM) reforça a confiança na tecnologia com uma garantia ampliada de cinco anos. O foco da mudança é tornar o hatch mais competitivo frente a rivais como o Hyundai HB20, mas a manutenção inadequada pode gerar custos elevados.

O modelo reestilizado chega com faróis de LED, nova grade frontal e painel digital, mas a correia banhada a óleo segue como ponto central de discussão. A GM aposta em uma nova formulação química para aumentar a resistência do componente, mesmo com óleos de baixa qualidade. A mudança ocorre em um momento em que o Onix tenta reconquistar o público em um mercado dominado por picapes como a Fiat Strada.

  • Principais novidades do Onix 2026:
  • Visual atualizado com faróis de LED e grade redesenhada.
  • Correia banhada a óleo com nova composição química.
  • Garantia de motor ampliada para cinco anos.
  • Painel de instrumentos digital e central multimídia de 11 polegadas.

Funcionamento da correia banhada a óleo

A correia dentada é essencial para sincronizar o virabrequim e o comando de válvulas, garantindo o funcionamento harmonioso do motor. Diferentemente da correia seca, que opera fora do motor e sofre com atrito e exposição ao ambiente, a versão banhada a óleo funciona dentro do motor, lubrificada constantemente. Essa característica aumenta sua vida útil, mas também eleva a complexidade da manutenção. Segundo a GM, a nova composição da correia do Onix 2026 foi projetada para resistir melhor a óleos inadequados, um problema recorrente apontado por mecânicos. A troca da correia, recomendada a cada 240 mil quilômetros, é bem menos frequente que os 60 mil quilômetros exigidos pela correia seca.

O sistema, embora eficiente, exige cuidados específicos. O uso do óleo 0W20 com certificação Dexos 1 Gen 2 é mandatório, com trocas a cada 10 mil quilômetros ou anualmente. O descumprimento dessa recomendação pode levar a desgaste prematuro, com sérias consequências para o motor. Mecânicos relatam que o uso de óleos fora do padrão causa inchaço da correia, que pode liberar resíduos e obstruir o sistema, resultando em falhas graves.

Por que a correia gera polêmica

A controvérsia em torno da correia banhada a óleo não é nova. Desde sua introdução na segunda geração do Onix, em 2019, proprietários relatam problemas como entupimento do motor e até travamento completo. Mecânicos entrevistados apontam que a raiz do problema está na manutenção inadequada, especialmente na escolha do óleo lubrificante.

  • Principais problemas relatados:
  • Degradação da correia por uso de óleo inadequado.
  • Entupimento do sistema por resíduos da correia.
  • Alto custo de reparo, que pode chegar a R$ 40 mil.
  • Dificuldade de inspeção, exigindo desmontagem parcial do motor.

Um caso extremo citado por um mecânico envolveu um Ford Ka, onde a correia danificada causou a quebra do bloco do motor, com custos de reparo elevados. No Onix, a GM reconhece que óleos fora da especificação podem comprometer a durabilidade da correia, afetando até o pedal de freio e a potência do motor. A nova formulação química busca minimizar esses riscos, mas a montadora mantém a recomendação de seguir o manual rigorosamente.

Chevrolet Onix
Chevrolet Onix – Foto: Divulgação

Vantagens do sistema adotado

Apesar das críticas, a correia banhada a óleo tem pontos positivos que justificam sua permanência no Onix 2026. A maior durabilidade é o principal destaque, com a substituição recomendada apenas após 240 mil quilômetros, contra 60 mil da correia seca. Essa longevidade reduz os custos de manutenção a longo prazo, desde que as trocas de óleo sejam feitas corretamente.

Além disso, o sistema contribui para um motor mais silencioso e com menos vibrações, uma vantagem significativa em motores de três cilindros, conhecidos pelo ruído característico. A GM também destaca a eficiência energética do componente, que ajuda a reduzir o consumo de combustível.

  • Benefícios da correia banhada a óleo:
  • Durabilidade quatro vezes maior que a correia seca.
  • Menor vibração e ruído no motor.
  • Contribuição para maior eficiência energética.
  • Menor frequência de substituição, reduzindo custos a longo prazo.

Manutenção: o calcanhar de Aquiles

A manutenção da correia banhada a óleo é o principal obstáculo para proprietários. O óleo recomendado, 0W20 Dexos 1 Gen 2, custa cerca de R$ 59 por litro, totalizando R$ 238 para a troca completa de quatro litros. Em comparação, óleos não homologados custam cerca de R$ 39 por litro, uma economia tentadora para donos de carros populares. No entanto, essa escolha pode levar a problemas graves, como a degradação da correia e entupimento do motor.

A inspeção da correia também é trabalhosa, exigindo desmontagem parcial do motor, o que eleva o custo de mão de obra. Segundo a GM, uma avaliação completa custa R$ 660, incluindo troca de óleo e verificação de componentes como a bomba de vácuo. Caso a correia precise ser substituída, o custo adicional do kit, com mais de 20 itens, é de R$ 700.

Outros modelos com a mesma tecnologia

A correia banhada a óleo não é exclusividade do Onix. Outros modelos da GM, como Tracker e Montana, também utilizam o sistema em seus motores CSS de três cilindros, nas versões 1.0 e 1.2. Fora da Chevrolet, veículos como Ford Ka, Ford EcoSport, Peugeot 208 e Citroën C3 também adotam a tecnologia, mas o Onix concentra a maior atenção devido ao seu alto volume de vendas.

  • Modelos com correia banhada a óleo:
  • Chevrolet Tracker e Montana.
  • Ford Ka, Ka Sedan, EcoSport e Fiesta.
  • Peugeot 208 e Citroën C3 (motores 1.2 de três cilindros).

Dados da Fenabrave mostram que o Onix, mesmo com queda nas vendas, emplacou 42.078 unidades em 2025, superando o Tracker (34.212) e a Montana (11.784). Esse volume explica por que os problemas com a correia são mais associados ao hatch.

Resposta da Chevrolet às críticas

A GM mantém a confiança na tecnologia da correia banhada a óleo, destacando sua modernidade e benefícios como menor consumo e ruído. A nova geração da correia, com composição química aprimorada, é uma resposta direta às críticas sobre desgaste prematuro. A montadora também ampliou a garantia do motor para cinco anos, válida inclusive para veículos usados, desde que avaliados em concessionárias.

A empresa reconhece a presença de óleos adulterados no mercado e reforça a importância de seguir as especificações do manual. A nova formulação da correia não elimina os riscos de falhas, mas aumenta sua resistência a condições adversas.

  • Medidas adotadas pela GM:
  • Nova composição química da correia.
  • Garantia de cinco anos para o motor.
  • Inspeção em concessionárias por R$ 660.
  • Kit de substituição da correia por R$ 700.

Histórico da correia no Onix

O Onix nem sempre usou a correia banhada a óleo. Na primeira geração, lançada em 2015, o modelo adotava a correia seca, com substituição a cada 60 mil quilômetros ou seis anos. A mudança para a correia banhada a óleo veio em 2019, com a segunda geração, trazendo maior durabilidade, mas também novos desafios de manutenção.

A transição reflete a aposta da GM em tecnologias mais modernas, mas o sistema exige maior atenção dos proprietários. A nova formulação do Onix 2026 é um passo para equilibrar durabilidade e confiabilidade, mas o sucesso dependerá do cuidado dos donos na manutenção.

Impacto no mercado e concorrência

O Onix 2026 chega em um mercado competitivo, onde enfrenta rivais como o Hyundai HB20 e o Volkswagen Polo. A queda nas vendas, de acordo com a Fenabrave, reflete não apenas os desafios com a correia, mas também a crescente preferência por SUVs e picapes. A Fiat Strada, por exemplo, lidera as vendas de veículos zero km desde 2021.

A GM espera que as mudanças no Onix, incluindo o visual renovado e a garantia ampliada, atraiam novos compradores. No entanto, a manutenção rigorosa da correia banhada a óleo pode ser um obstáculo para consumidores que buscam economia a curto prazo.

  • Concorrentes diretos do Onix 2026:
  • Hyundai HB20.
  • Volkswagen Polo.
  • Fiat Mobi.
  • Renault Kwid.

Futuro da tecnologia no Brasil

A correia banhada a óleo é uma tendência em motores modernos, especialmente em modelos compactos com motores de três cilindros. Sua adoção por marcas como Ford, Peugeot e Citroën mostra que a tecnologia tem potencial, mas exige um mercado mais maduro em termos de manutenção. No Brasil, onde a busca por economia imediata é comum, o sistema enfrenta resistência.

A GM, ao manter a tecnologia no Onix 2026, sinaliza confiança em sua evolução. A nova formulação e a garantia esticada são esforços para reduzir a percepção negativa, mas a educação dos consumidores sobre a manutenção será crucial para o sucesso do modelo.

To Top