Cerca de 100 torcedores organizados do Santos invadiram o Centro de Treinamento Rei Pelé, em Santos, na tarde de 19 de agosto de 2025, em um protesto contra a goleada de 6 a 0 sofrida para o Vasco, no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro. Liderados pela Torcida Jovem, os manifestantes quebraram um portão do estacionamento, usaram rojões e gritaram contra o elenco e a diretoria, com Neymar como principal alvo. O camisa 10, acompanhado do diretor Alexandre Mattos, dialogou com os torcedores, afirmando: “Estamos tentando mudar as coisas”. A Polícia Militar foi acionada, mas os torcedores já haviam acessado o local. A ação reflete a insatisfação com a penúltima colocação do time no Brasileirão e a crise técnica e financeira do clube. A invasão ocorreu no dia da reapresentação do elenco, após folga na segunda-feira, expondo a pressão por resultados imediatos.
O protesto começou por volta das 14h, com torcedores forçando a entrada pelo estacionamento. Faixas com dizeres como “Elenco de Finados” e gritos como “Time sem vergonha” marcaram a manifestação. Neymar, presente no CT, foi o primeiro a dialogar, tentando acalmar os ânimos.
- Principais alvos: Neymar, Alexandre Mattos e o presidente Marcelo Teixeira.
- Demandas: Melhora imediata no desempenho e maior comprometimento do elenco.
- Contexto: Goleada histórica de 6 a 0 para o Vasco, no Morumbis, com 54.474 torcedores.
- Reação: Treinos interrompidos e clima tenso no CT Rei Pelé.
A conversa, gravada e compartilhada nas redes sociais, mostrou Neymar pedindo apoio, mas enfrentando críticas por sua suspensão para o próximo jogo, devido a um cartão amarelo recebido contra o Vasco.
Reação de Neymar e diretoria
Neymar, visivelmente abalado, tentou explicar a situação do time, destacando esforços para reverter a crise. “Estamos tentando mudar as coisas, mas precisamos de apoio”, disse o jogador, segundo relatos de torcedores presentes. A suspensão do camisa 10 para o jogo contra o Bahia, devido a um cartão amarelo, intensificou as críticas, com torcedores questionando sua liderança em campo. Alexandre Mattos, diretor executivo, também participou do diálogo, prometendo ações para melhorar o desempenho, mas sem detalhar planos específicos. A ausência do presidente Marcelo Teixeira no momento da invasão foi alvo de críticas, com gritos como “Marcelo Teixeira, com esse time você está de brincadeira!” ecoando no CT.
O Santos vive um momento delicado, com a demissão do técnico Cleber Xavier após a goleada. Matheus Bachi, auxiliar técnico, assumiu interinamente, mas a incerteza sobre a contratação de um novo treinador aumenta a pressão. A diretoria avalia nomes como Jorge Sampaoli, mas exigências por reforços têm travado negociações.
Histórico de protestos no CT Rei Pelé
Protestos no CT Rei Pelé não são novidade. A relação entre torcida e clube, marcada por paixão e cobranças, já registrou episódios semelhantes em momentos de crise.
- 2018: Invasão após queda para a Série B, com torcedores cobrando elenco e diretoria.
- 2023: Protesto após goleada de 7 a 1 para o Internacional, com demandas por mudanças.
- Abril de 2025: Manifestação após derrota para o Red Bull Bragantino, por 2 a 1.
- Atual: Invasão após goleada de 6 a 0 para o Vasco, com foco em Neymar e diretoria.
Esses episódios refletem a insatisfação recorrente da torcida, especialmente da Torcida Jovem, que lidera ações diretas. Em 2023, a organizada chegou a prometer apoio após diálogo, mas exigiu resultados, cenário que se repete agora. A interrupção dos treinos nesta terça-feira prejudicou a preparação para o jogo contra o Bahia, no domingo, na Fonte Nova.
Crise técnica e financeira do Santos
A goleada de 6 a 0 para o Vasco, no Morumbis, foi a maior derrota do Santos como mandante no Brasileirão, superando placares históricos como o 5 a 1 sofrido em outros confrontos. O jogo, marcado por falhas defensivas e falta de eficiência nas finalizações, expôs fragilidades do elenco. Philippe Coutinho, do Vasco, brilhou com dois gols, ofuscando Neymar, que deixou o campo chorando e descreveu a derrota como “a maior vergonha” de sua carreira.
O Santos ocupa a 15ª colocação no Brasileirão, com 21 pontos, próximo à zona de rebaixamento. A crise financeira limita a contratação de reforços, e a diretoria enfrenta dificuldades para atrair um técnico experiente. A gestão de Marcelo Teixeira, que retornou à presidência em 2024, é criticada por promessas de reestruturação não cumpridas.
- Problemas defensivos: Time sofreu cinco gols em 17 minutos no segundo tempo contra o Vasco.
- Ausência de treinador: Cleber Xavier demitido, com Matheus Bachi como interino.
- Limitações financeiras: Dificuldade para contratar reforços e novo técnico.
- Pressão da torcida: Exigência por resultados imediatos para evitar rebaixamento.
A hashtag #SantosFC esteve entre as mais comentadas no Brasil na terça-feira, com torcedores divididos entre apoio ao protesto e críticas à invasão. Alguns elogiaram a paixão da torcida, enquanto outros destacaram que a ação pode prejudicar a preparação do time.
Impacto nas redes sociais e na torcida
A invasão do CT Rei Pelé gerou grande repercussão nas redes sociais, com vídeos da conversa entre Neymar e torcedores viralizando. A torcida santista expressou sentimentos mistos, com muitos pedindo união entre elenco e arquibancada, mas destacando que a paciência está no limite.
- Reações no X: Torcedores compartilharam vídeos do protesto, com críticas a Neymar e elogios à Torcida Jovem.
- Memes: A goleada do Vasco gerou piadas, com referências à “humilhação” e à atuação de Coutinho.
- Críticas à diretoria: Ausência de Marcelo Teixeira e demora na contratação de técnico foram alvos.
- Apoio condicional: Parte da torcida promete apoio se houver melhora em campo.
A falta de um pronunciamento oficial do clube reforça a percepção de desorganização. Enquanto isso, a torcida mantém a pressão por mudanças, exigindo reforços e maior comprometimento do elenco.
Preparação para o próximo jogo
O Santos tem uma semana livre para treinar antes de enfrentar o Bahia, no domingo, pela 21ª rodada do Brasileirão. Sem Neymar, suspenso, Matheus Bachi terá a missão de reorganizar o time em meio à crise. Jogadores como Léo Godoy e João Schmidt, também alvos do protesto, precisarão mostrar reação em campo.
- Desfalque: Neymar cumpre suspensão automática por cartão amarelo.
- Interino: Matheus Bachi comanda treinos até a definição de um novo técnico.
- Adversário: Bahia, na Fonte Nova, em jogo crucial para sair da crise.
- Prioridades: Ajustes defensivos e maior eficiência nas finalizações.
A torcida, apesar da insatisfação, mantém a esperança de uma recuperação, mas exige resultados imediatos. A semana de treinos será decisiva para o futuro do Santos no campeonato.