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Ernesto Barajas, ícone dos narcocorridos, é vítima de atentado fatal em Zapopan

Ernesto Barajas
Ernesto Barajas - Foto: Reprodução/ YouTube Ernesto Barajas - Foto: Reprodução/ YouTube

Em um ataque violento na tarde de 19 de agosto de 2025, Ernesto Barajas, vocalista e fundador da banda Enigma Norteño, foi assassinado em Zapopan, Jalisco, México, em uma pensão de automóveis na colônia Arenales Tapatíos. Dois homens armados, em uma motocicleta, abriram fogo contra Barajas, de 38 anos, e dois acompanhantes, matando o cantor e um outro homem no local, enquanto uma mulher ficou gravemente ferida com um tiro na perna. A tragédia chocou a comunidade do regional mexicano e intensificou debates sobre os riscos enfrentados por artistas do gênero narcocorrido, frequentemente associados a disputas entre cartéis. A Fiscalía de Jalisco abriu investigação, mas nenhum suspeito foi identificado até o momento. A morte de Barajas, conhecido por músicas que narravam histórias de figuras do crime organizado, como “Los Chapitos” e “El Chino Ántrax”, pode estar ligada a rivalidades entre o Cártel Jalisco Nova Geração (CJNG) e o Cártel de Sinaloa, conforme sugerem informações preliminares.

A execução, realizada com precisão em uma área residencial, reflete a crescente insegurança em Jalisco, um estado dominado pelo CJNG, um dos grupos criminosos mais poderosos do México. Barajas, que já havia recebido ameaças do CJNG em 2023, incluindo uma narcomanta em Baja California, tornou-se mais um símbolo das tensões entre a música e o crime organizado.

  • Vítimas do ataque: Ernesto Barajas e um acompanhante mortos; uma mulher ferida.
  • Local do crime: Pensão de automóveis em Arenales Tapatíos, Zapopan.
  • Contexto: Suspeita de ajuste de contas entre CJNG e Cártel de Sinaloa.
  • Investigação: Fiscalía de Jalisco busca pistas, sem suspeitos detidos.

Trajetória de um ícone do regional mexicano

Nascido em 16 de setembro de 1986, em Culiacán, Sinaloa, Ernesto Barajas fundou a Enigma Norteño aos 18 anos, ao lado de Humberto Pérez. A banda lançou seu primeiro álbum independente, “El Jardinero”, em 2004, marcando o início de uma carreira de duas décadas. Com a entrada de José Baldenegro e Freddy Hernández, o grupo assinou com a Discos Sol e alcançou notoriedade com o álbum “Infiel”, de 2008. Barajas, com sua voz marcante e habilidades como baixista e produtor, transformou a Enigma Norteño em referência no gênero narcocorrido, com sucessos como “Mayito Gordo” e “Chavo Félix”.

A popularidade da banda se estendeu aos Estados Unidos, onde suas músicas dominaram rádios e plataformas digitais, acumulando mais de 4 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Apesar do sucesso, o gênero trouxe controvérsias. Barajas admitiu em entrevistas que recebia encomendas para compor corridos personalizados, cobrando cerca de 421 mil pesos mexicanos por música, aprovadas por intermediários ligados a figuras do crime.

  • Início da banda: Enigma Norteño fundada em 2004, em Culiacán.
  • Primeiro sucesso: Álbum “El Jardinero” lançou a banda no cenário independente.
  • Popularidade nos EUA: Músicas alcançaram grande público em rádios americanas.
  • Controvérsias: Narcocorridos geraram críticas e ameaças de cartéis.

Ameaças e a sombra dos cartéis

A vida de Barajas foi marcada por tensões com grupos criminosos. Em 2023, uma narcomanta atribuída ao CJNG, exibida em Baja California, acusou o cantor de ser protegido pelos irmãos Alfonso e René Arzate García, conhecidos como “El Aquiles” e “La Rana”, operadores do Cártel de Sinaloa em Tijuana. A mensagem proibia Barajas de se apresentar na Feria de Rosarito, alertando que ele não deveria “cantar corridos de sua bandeira”. Por segurança, o show foi cancelado, seguindo recomendações das autoridades locais.

Esse não foi o primeiro incidente. Em 2017, uma narcomanta em Tijuana advertiu artistas de narcocorridos a evitarem certas composições, refletindo disputas territoriais entre o CJNG e o Cártel de Sinaloa. Tais ameaças levaram Barajas a deixar Culiacán e se mudar para Guadalajara, buscando maior segurança. A mudança, porém, não o protegeu do ataque fatal em Zapopan, que autoridades suspeitam estar ligado a essas rivalidades.

A violência em Jalisco cresceu nos últimos anos. Dados estaduais apontam 1.200 homicídios em 2024, muitos relacionados a disputas por rotas de tráfico. Zapopan, em particular, é um ponto estratégico onde o CJNG busca consolidar seu domínio, frequentemente em confronto com o Cártel de Sinaloa.

  • Narcomanta de 2023: CJNG acusou Barajas de laços com o Cártel de Sinaloa.
  • Cancelamento de show: Apresentação em Rosarito suspensa por segurança.
  • Mudança para Guadalajara: Barajas buscou refúgio após ameaças.
  • Violência em Jalisco: Estado registrou 1.200 homicídios em 2024.
Ernesto Barajas nota
Ernesto Barajas nota – Foto: Instagram

Impacto na música regional mexicana

A morte de Ernesto Barajas gerou comoção imediata. Fãs e artistas usaram redes sociais para prestar homenagens, destacando o legado do cantor no regional mexicano. Barajas mantinha um podcast, “Puntos de Vista”, onde entrevistava figuras como Tano Elizalde e Eduin Caz, conectando-se com o público de forma direta. Sua presença digital, com postagens sobre família, carros de luxo e paixão pelo clube Chivas, reforçava sua imagem carismática.

O assassinato reacendeu discussões sobre os perigos enfrentados por artistas de narcocorridos. Casos semelhantes, como os assassinatos de Valentín Elizalde em 2006 e Sergio Gómez, da K-Paz de la Sierra, em 2007, mostram que a violência contra cantores do gênero não é novidade. A pressão de cartéis rivais, que veem as letras como propaganda ou desafio, coloca esses artistas em uma linha tênue entre expressão artística e risco de vida.

  • Homenagens nas redes: Fãs e artistas lamentaram a perda de Barajas.
  • Podcast “Puntos de Vista”: Plataforma conectava Barajas ao público.
  • Riscos do gênero: Narcocorridos atraem ameaças de grupos criminosos.
  • Precedentes históricos: Assassinatos de Elizalde e Gómez marcaram o gênero.

Investigação e o futuro da Enigma Norteño

A Fiscalía de Jalisco conduz as investigações, mas o caso permanece sem solução. A falta de pistas concretas mantém o ataque envolto em mistério, embora a suspeita de um ajuste de contas entre cartéis seja a principal linha de apuração. O crime, ocorrido em uma área residencial, reforça a percepção de insegurança em Zapopan, um dos epicentros da violência ligada ao CJNG.

A morte de Barajas levanta dúvidas sobre o futuro da Enigma Norteño. A banda, que celebrou 20 anos em 2024, planejava turnês nos Estados Unidos, mas enfrentava dificuldades com vistos de trabalho. Sem seu líder criativo, o grupo pode ter dificuldades para manter sua relevância. Barajas era o coração da banda, responsável por composições e pela conexão com o público.

  • Investigação em curso: Fiscalía busca responsáveis, sem avanços significativos.
  • Insegurança em Zapopan: Cidade é palco de conflitos entre cartéis.
  • Futuro incerto: Enigma Norteño enfrenta desafios sem Barajas.
  • Dificuldades recentes: Problemas com vistos limitaram shows nos EUA.

Vida pessoal e legado de Barajas

Além da música, Ernesto Barajas era conhecido por sua vida familiar. Casado com Alexis Sillas desde 2012, ele leaves dois filhos e compartilhava momentos pessoais nas redes sociais, mostrando um lado humano que conquistava fãs. Sua paixão pelo futebol, especialmente pelo Chivas, e seu estilo de vida discreto, mas ativo digitalmente, o tornavam próximo do público.

O legado de Barajas no regional mexicano é inegável. Suas composições, que narravam histórias do submundo do crime, refletiam a realidade de regiões marcadas pela violência, mas também geravam controvérsias. A Enigma Norteño, com mais de 4 milhões de ouvintes mensais no Spotify, consolidou-se como um marco do gênero, mas a perda de seu fundador pode representar o fim de uma era.

  • Vida familiar: Barajas era casado e pai de dois filhos.
  • Paixão pelo futebol: Fã declarado do Chivas, compartilhava momentos nas redes.
  • Presença digital: Postagens sobre família e carros conectavam com fãs.
  • Legado musical: Enigma Norteño deixa marca no regional mexicano.
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