O Santos anunciou, nesta quinta-feira (21), a contratação de Juan Pablo Vojvoda como novo técnico para a temporada 2025, encerrando semanas de especulações após a demissão de Cléber Xavier. A decisão veio após o clube romper negociações com Jorge Sampaoli, cujo retorno era aguardado por parte da torcida, mas esbarrou em exigências financeiras e técnicas. O Peixe, que enfrenta dificuldades no Brasileirão, ocupando a 14ª posição com 21 pontos, busca estabilidade com Vojvoda, conhecido por sua passagem bem-sucedida pelo Fortaleza. A contratação ocorre em meio a uma crise desencadeada por uma goleada de 6 a 0 sofrida para o Vasco, no Morumbi, em 17 de agosto. A diretoria, liderada por Marcelo Teixeira, espera que o argentino traga organização tática e aproveite o elenco atual, incluindo Neymar, para evitar o risco de rebaixamento.
A escolha por Vojvoda marca uma mudança de rumo no projeto santista. Após intensas negociações, o clube optou por um perfil mais alinhado com a realidade financeira e a valorização das categorias de base. A torcida, dividida, vê na chegada do treinador uma chance de recuperação, mas cobra resultados imediatos.
- Motivos da escolha: Vojvoda aceitou manter a comissão técnica atual e trabalhar com o elenco existente.
- Contrato: O vínculo vai até dezembro de 2026, com possibilidade de renovação.
- Desafios imediatos: Reorganizar o time para o jogo contra o Bahia, em 24 de agosto, na Arena Fonte Nova.
Novo rumo com Vojvoda
A contratação de Juan Pablo Vojvoda representa uma aposta em um técnico com experiência no futebol brasileiro, mas sem o peso das exigências de nomes como Sampaoli. O argentino, de 50 anos, deixou o Fortaleza em julho de 2025, após cinco temporadas marcadas por conquistas históricas, como três Campeonatos Cearenses (2021, 2022 e 2023) e duas Copas do Nordeste (2022 e 2024). Sua passagem pelo clube cearense incluiu 310 jogos, com 145 vitórias, 77 empates e 88 derrotas, além de participações inéditas na Copa Libertadores.

Vojvoda se destacou por sua capacidade de organizar elencos enxutos e implementar um estilo de jogo sólido, com ênfase na defesa e transições rápidas. No Santos, ele terá a missão de recuperar a confiança de um time abalado por resultados ruins e pela pressão da torcida. O treinador, que inicialmente planejava um período sabático até 2026, foi convencido pela proposta de longo prazo do clube, que inclui um contrato até dezembro de 2026.
- Estilo de jogo: Foco em solidez defensiva e contra-ataques rápidos.
- Experiência internacional: Levou o Fortaleza a três edições da Libertadores.
- Aprovação da diretoria: Alexandre Mattos, diretor de futebol, endossa o projeto.
- Reencontro com jogadores: Trabalhará com Escobar e Guilherme, ex-Fortaleza.
Por que Sampaoli não voltou
Jorge Sampaoli era o nome mais aguardado pela torcida santista, que ainda guarda na memória sua passagem em 2019, quando o Santos terminou como vice-campeão brasileiro com 74 pontos e um futebol ofensivo que marcou 102 gols em 63 jogos. No entanto, as negociações com o argentino, que está sem clube desde sua saída do Rennes, em janeiro de 2025, não avançaram devido a exigências consideradas inviáveis pela diretoria.
O treinador pediu a contratação de três reforços de peso, incluindo um atacante que disputa a Champions League, além de mudanças estruturais no departamento médico e o afastamento de mais de dez jogadores, incluindo jovens da base como Robinho Jr. e Souza. A diretoria, liderada por Marcelo Teixeira, viu os pedidos como incompatíveis com a realidade financeira do clube, que enfrenta limitações após o acesso à Série A em 2024.
- Demanda por reforços: Sampaoli queria um zagueiro, um volante e um centroavante.
- Custo elevado: O treinador custava R$ 1,5 milhão por mês em 2019, incluindo sua equipe técnica.
- Resistência à base: Ele sugeriu afastar jovens por considerar que não estavam prontos.
- Falta de consenso: Parte da diretoria questionava sua personalidade explosiva.
Sampaoli, em entrevista ao canal Lucas Musetti, explicou sua decisão de recusar a proposta, destacando que sua presença poderia ser “prejudicial” sem as condições ideais para implantar seu estilo de jogo. A postura do treinador gerou críticas internas, com relatos de que ele alterava exigências constantemente, dificultando o acordo.
Pressão da torcida e papel de Neymar
A torcida santista vive um misto de esperança e frustração. Durante a goleada contra o Vasco, cânticos pedindo a volta de Sampaoli ecoaram no Morumbi, mas a desistência do argentino reacendeu debates sobre a gestão do clube. A invasão ao CT por torcedores organizados, que cobraram Neymar diretamente, aumentou a pressão sobre a diretoria para definir um novo comandante rapidamente.
Neymar, repatriado em 2025 e com contrato até dezembro do mesmo ano, é peça central no projeto santista. O craque endossou a volta de Sampaoli, com quem trabalhou em 2019, mas também se mostrou aberto a apoiar Vojvoda. Após a derrota para o Vasco, ele classificou o resultado como “inaceitável” e prometeu liderar o elenco para reverter a má fase. Sua influência vai além do campo, participando de decisões estratégicas e atraindo jovens talentos para a base.
- Liderança de Neymar: O jogador é visto como um motivador para o elenco.
- Relação com Vojvoda: Não há histórico de conflitos, o que facilita a adaptação.
- Pressão da torcida: Cânticos e protestos intensificam a cobrança por resultados.
Reforços e desafios no Brasileirão
Com a janela de transferências aberta até 2 de setembro, o Santos planeja contratações pontuais para atender às necessidades do elenco. A diretoria trabalha para trazer pelo menos três jogadores, focando em posições carentes como zaga, meio-campo e ataque. Nomes como Mayke, Igor Vinícius e Willian Arão, que rescindiram contratos com outros clubes, são vistos como opções viáveis e de baixo custo.
O próximo jogo, contra o Bahia, no dia 24 de agosto, será comandado interinamente por Matheus Bachi, mas a diretoria espera que Vojvoda assuma o comando logo após o anúncio oficial. Com 18 rodadas restantes no Brasileirão, o Santos precisa de uma reviravolta para garantir a permanência na Série A. A média de 2,4 gols sofridos por jogo reflete a fragilidade defensiva, enquanto a ausência de um volante titular, após a saída de Diego Pituca, limita a criação no meio-campo.
- Janela de transferências: Fecha em 2 de setembro, com três contratações planejadas.
- Posição na tabela: 14ª colocação, com 21 pontos, a dois da zona de rebaixamento.
- Próximo jogo: Bahia, fora de casa, em 24 de agosto, pela 21ª rodada.
- Carências do elenco: Zaga, volante e centroavante são prioridades.
Expectativas para o novo projeto
A chegada de Vojvoda traz otimismo cauteloso à Vila Belmiro. Sua experiência no Fortaleza, onde transformou o clube em uma potência regional e competitiva internacionalmente, é vista como um trunfo. A diretoria aposta em sua capacidade de extrair o melhor de jogadores como Neymar, Escobar e Guilherme, enquanto mantém a filosofia de valorização da base. O contrato de longo prazo, até 2026, sinaliza a intenção de construir um projeto sólido, mas os resultados imediatos serão cruciais para aliviar a pressão da torcida.
O Santos enfrenta um momento delicado, mas a escolha por Vojvoda reflete a busca por estabilidade e competitividade. A torcida, que lotará a Arena Fonte Nova com cerca de 30 mil pessoas, espera ver um time mais organizado e combativo. A integração do treinador com o elenco atual, aliada às contratações planejadas, pode ser o diferencial para a recuperação do Peixe no Brasileirão.
- Objetivo principal: Evitar o rebaixamento e buscar vaga em competições continentais.
- Apoio da diretoria: Marcelo Teixeira e Alexandre Mattos confiam no projeto.
- Torcida engajada: Expectativa de 30 mil santistas no jogo contra o Bahia.
- Base valorizada: Vojvoda planeja usar jovens como Robinho Jr. e Souza.