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Ernesto Barajas, líder do Enigma Norteño, é assassinado em ataque a tiros em Zapopan

Ernesto Barajas
Ernesto Barajas - Foto: Instagram Ernesto Barajas - Foto: Instagram

Na tarde de 19 de agosto de 2025, Ernesto Barajas, vocalista e fundador da banda Enigma Norteño, foi brutalmente assassinado em Zapopan, Jalisco, em um ataque armado que chocou o cenário da música regional mexicana. O crime ocorreu em uma pensão de automóveis no bairro Arenales Tapatíos, quando dois homens em uma motocicleta abriram fogo contra Barajas e dois acompanhantes. O cantor, conhecido por seus narcocorridos, morreu no local, junto com um homem não identificado, enquanto uma mulher ficou ferida com um tiro na perna. A polícia de Zapopan investiga o caso, mas até o momento não há suspeitos detidos. Especulações apontam para um possível acerto de contas ligado a rivalidades entre cartéis, reacendendo debates sobre os riscos enfrentados por artistas do gênero. A tragédia abalou fãs e a comunidade musical, especialmente em Culiacán, Sinaloa, onde Barajas nasceu e fundou a banda em 2004.

O ataque, ocorrido em um ponto movimentado de Zapopan, levantou questões sobre a segurança em Jalisco, um estado marcado pela presença do Cártel Jalisco Nova Geração (CJNG). A morte de Barajas, aos 38 anos, não é um caso isolado, mas reflete a violência que atinge músicos do gênero narcocorrido, frequentemente associados a disputas entre grupos criminosos. A banda Enigma Norteño, com mais de 4 milhões de ouvintes mensais no Spotify, é conhecida por sucessos como “Mayito Gordo” e “El Ondeado”, que narram histórias de figuras do crime organizado.

  • Local do crime: Pensão de automóveis em Arenales Tapatíos, Zapopan.
  • Vítimas: Ernesto Barajas e um homem morreram; uma mulher ficou ferida.
  • Investigação: Fiscalía de Jalisco abriu inquérito, sem pistas concretas.
  • Contexto: Suspeita de ligação com rivalidades entre CJNG e Cártel de Sinaloa.

Trajetória de Ernesto Barajas na música regional mexicana

Nascido em 16 de setembro de 1986, em Culiacán, Sinaloa, Ernesto Barajas fundou o Enigma Norteño aos 18 anos, ao lado de Humberto Pérez. Com um estilo marcante, ele assumiu papéis como vocalista, baixista, produtor e diretor, levando a banda a se destacar no gênero norteño e nos narcocorridos. O primeiro álbum independente, “El Jardinero”, lançado em 2004, marcou o início de uma carreira de duas décadas. Com a entrada de José Baldenegro e Freddy Hernández, o grupo assinou com a Discos Sol e lançou “Infiel” em 2008, consolidando sua fama no México e nos Estados Unidos.

Barajas era conhecido por sua voz potente e pela habilidade de compor músicas que narravam histórias de figuras do crime organizado, como “Chavo Félix” e “Los Lujos del R”. Apesar da popularidade, o gênero narcocorrido trouxe controvérsias. O cantor negava laços diretos com organizações criminosas, mas admitia receber pedidos para compor corridos personalizados, cobrando cerca de 421 mil pesos mexicanos por música, sempre com aprovação de intermediários.

  • Início da carreira: Enigma Norteño fundado em 2004 em Culiacán.
  • Primeiro sucesso: Álbum “El Jardinero” marcou estreia independente.
  • Expansão nos EUA: Músicas como “Mayito Gordo” tocaram em rádios americanas.
  • Controvérsias: Narcocorridos atraíram críticas e ameaças de grupos criminosos.

Ameaças anteriores e rivalidades entre cartéis

Em 2023, Ernesto Barajas foi alvo de uma narcomanta atribuída ao CJNG, exposta em Baja California. O recado acusava o cantor de ser protegido pelos irmãos Alfonso Arzate García, conhecido como “El Aquiles”, e René Arzate García, apelidado de “La Rana”, supostos operadores do Cártel de Sinaloa envolvidos no tráfico de fentanil em Tijuana. A mensagem proibia Barajas de se apresentar na Feria de Rosarito, alertando-o para não “cantar corridos de sua bandeira”. Seguindo recomendações das autoridades, o show foi cancelado, e o cantor optou pelo silêncio sobre as acusações.

As ameaças não eram novidade. Em 2017, uma narcomanta em Tijuana alertou artistas do gênero a evitarem certos corridos, refletindo disputas territoriais entre o CJNG e o Cártel de Sinaloa. Temendo represálias, Barajas deixou Culiacán e se mudou para Guadalajara, onde acreditava estar mais seguro. Contudo, o ataque em Zapopan sugere que as tensões o seguiram. Essas rivalidades entre cartéis intensificam a violência em regiões como Jalisco e Baja California, colocando artistas de narcocorridos em risco constante.

  • Narcomanta de 2023: CJNG acusou Barajas de proteção do Cártel de Sinaloa.
  • Cancelamento de show: Apresentação em Rosarito suspensa por segurança.
  • Mudança de cidade: Barajas buscou refúgio em Guadalajara após ameaças.
  • Disputas de cartéis: CJNG e Cártel de Sinaloa intensificam conflitos regionais.
Enigma Norteño líder Ernesto Barajas
Enigma Norteño líder Ernesto Barajas – Foto: Instagram

Reações e impacto no cenário musical

A morte de Ernesto Barajas gerou comoção nas redes sociais, com fãs e artistas lamentando a perda de uma figura carismática da música regional mexicana. Barajas também era conhecido por seu podcast “Puntos de Vista”, onde entrevistava nomes como Tano Elizalde, primo de Valentín Elizalde, e Eduin Caz, do Grupo Firme, aproximando o gênero de seu público. Suas postagens nas redes sociais, mostrando momentos com a família, carros de luxo e sua paixão pelo time de futebol Chivas, o tornavam uma figura acessível e admirada.

A violência contra artistas do gênero não é novidade. Casos como os assassinatos de Valentín Elizalde, em 2006, e Sergio Gómez, do K-Paz de la Sierra, em 2007, evidenciam os perigos enfrentados por músicos que abordam temas ligados ao narcotráfico. A morte de Barajas reacende o debate sobre a segurança desses artistas e a pressão exercida por grupos criminosos, que muitas vezes exigem lealdade ou proíbem menções a rivais em suas letras.

  • Homenagens: Fãs e artistas prestaram tributos nas redes sociais.
  • Podcast “Puntos de Vista”: Espaço para entrevistas com figuras do gênero.
  • Riscos do gênero: Narcocorridos atraem pressões e ameaças de cartéis.
  • Casos anteriores: Assassinatos de Valentín Elizalde e Sergio Gómez marcaram o gênero.

Investigação em andamento e contexto de violência

A Fiscalía do Estado de Jalisco conduz a investigação, mas a ausência de pistas concretas mantém o caso envolto em incertezas. O ataque, ocorrido em uma área residencial de Zapopan, reforça a percepção de insegurança em Jalisco, um estado dominado pela presença do CJNG. Dados recentes apontam que a violência relacionada a cartéis cresceu na região, com 1.200 homicídios registrados em Jalisco em 2024, segundo fontes estaduais.

O vínculo entre narcocorridos e o crime organizado permanece um tema sensível. Embora Barajas negasse envolvimento direto com cartéis, suas letras frequentemente glorificavam figuras do Cártel de Sinaloa, como “Los Chapitos” e “El Chino Ántrax”. Essa associação, mesmo que artística, pode ter contribuído para as tensões que culminaram em sua morte. A violência em Zapopan, um reduto do CJNG, levanta suspeitas de um ataque motivado por rivalidades entre cartéis.

  • Investigação: Fiscalía de Jalisco busca pistas, mas sem suspeitos identificados.
  • Violência em Jalisco: Estado registrou 1.200 homicídios em 2024.
  • Narcocorridos: Letras que glorificam criminosos expõem artistas a riscos.
  • Contexto local: Zapopan é palco de disputas entre CJNG e Cártel de Sinaloa.

Legado de Ernesto Barajas

Ernesto Barajas deixa um vazio na música regional mexicana, mas seu trabalho com o Enigma Norteño continua a ecoar. A banda, que celebrou 20 anos em 2024, planejava turnês nos Estados Unidos, embora enfrentasse dificuldades com vistos de trabalho. A morte de Barajas levanta dúvidas sobre o futuro do grupo, que perde sua principal figura criativa e carismática.

Além da música, Barajas era conhecido por sua vida pessoal discreta, mas pública nas redes sociais, onde compartilhava momentos com a esposa, Alexis Sillas, e seus dois filhos. Sua paixão pelo futebol e dedicação à família o tornavam próximo dos fãs, que agora lamentam sua perda. O impacto de sua morte vai além da música, destacando os desafios enfrentados por artistas em um gênero marcado por controvérsias e perigos.

  • Carreira de 20 anos: Enigma Norteño celebrou duas décadas em 2024.
  • Desafios recentes: Banda enfrentava problemas com vistos para turnês nos EUA.
  • Vida pessoal: Barajas compartilhava momentos com esposa e filhos nas redes.
  • Legado: Sua morte levanta questões sobre o futuro do Enigma Norteño.
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