A partir desta quarta-feira (27), a Sabesp implementará a redução da pressão da água em toda a Região Metropolitana de São Paulo, das 21h às 5h, como medida preventiva para economizar água e preservar os reservatórios diante da estiagem prolongada. A ação, determinada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), visa minimizar perdas por vazamentos e garantir o abastecimento na região, que enfrenta níveis críticos nos mananciais, como o Sistema Cantareira, com apenas 35,7% de sua capacidade. A medida, que pode deixar bairros mais altos sem água durante a noite, é temporária, mas não tem prazo definido para encerramento. Moradores de áreas periféricas, como Itaim Paulista, já relatam impactos significativos, enquanto a Sabesp recomenda o uso consciente da água e destaca que imóveis com caixas-d’água sentirão menos os efeitos.
A decisão ocorre em um contexto de seca severa, com chuvas muito abaixo da média em agosto, mês historicamente seco. A estratégia, já utilizada em crises hídricas anteriores, como entre 2014 e 2016, busca proteger os reservatórios até a recuperação dos níveis, que atualmente estão em 38,2% na média geral.
- Medida preventiva: Reduz perdas por vazamentos subterrâneos.
- Horário de aplicação: Das 21h às 5h, período de menor consumo.
- Impacto esperado: Economia de cerca de 4 mil litros de água por segundo.
- Áreas afetadas: Bairros altos e afastados podem ficar sem água.
Motivos da redução de pressão
A estiagem prolongada e a baixa pluviosidade nos últimos anos são os principais fatores que levaram à adoção da medida. Nos períodos chuvosos de 2023 e 2024, os reservatórios da Grande São Paulo não conseguiram recuperar o volume necessário para garantir o abastecimento durante a seca. O Sistema Cantareira, que abastece cerca de 7,5 milhões de pessoas, está entre os mais afetados, operando com menos de 36% de sua capacidade. A Sabesp aponta que a redução de pressão é uma estratégia eficaz para minimizar o desperdício, já que a força da água em tubulações antigas pode agravar vazamentos não detectados.
A Arsesp reforça que a medida é uma resposta à situação crítica dos mananciais, agravada por apenas 8% da chuva esperada para agosto de 2025. Essa escassez comprometeu a reposição de água, especialmente no período seco, que vai de abril a setembro. A redução noturna, segundo a agência, é planejada para coincidir com o menor consumo, mas moradores de áreas elevadas ou distantes dos centros de distribuição podem enfrentar interrupções completas no fornecimento.
- Período seco: Chuvas abaixo da média desde abril de 2025.
- Nível crítico: Sistema Cantareira com 35,7% de capacidade.
- Estratégia antiga: Medida já foi usada na crise hídrica de 2014-2016.
- Objetivo principal: Reduzir perdas em tubulações com vazamentos.
Impactos nos bairros da Grande SP
A redução da pressão da água terá impactos variados na Região Metropolitana. Bairros localizados em áreas altas, como Itaim Paulista, na Zona Leste, e outros nas periferias de cidades como Guarulhos e Osasco, são os mais vulneráveis à falta de água durante o período noturno. Moradores dessas regiões relatam dificuldades recorrentes, especialmente em lares com pessoas idosas ou doentes, que dependem de água para necessidades básicas.
No Itaim Paulista, por exemplo, a aposentada Teresa Godois destacou que a falta de água à noite já é um problema crônico, agravado pela nova medida. Outro morador, Paulo Roberto, técnico de edificações, relatou que o fornecimento costuma ser interrompido por volta das 22h30, retornando apenas às 4h30. Com a ampliação do horário de redução para oito horas, a situação pode se tornar ainda mais desafiadora. A Sabesp recomenda que os imóveis tenham caixas-d’água adequadas, com capacidade para ao menos 24 horas de consumo, para mitigar os impactos.
- Bairros afetados: Zonas altas e periféricas, como Itaim Paulista.
- Duração da interrupção: Até 8 horas por noite, das 21h às 5h.
- Solução sugerida: Uso de caixas-d’água com capacidade suficiente.
- Reclamações locais: Moradores relatam dificuldades há meses.
Histórico de crises hídricas
A estratégia de redução de pressão não é novidade na Grande São Paulo. Durante a crise hídrica de 2014 a 2016, a Sabesp adotou medidas semelhantes, que resultaram em falta de água em diversas regiões, especialmente nas periferias. Em 2021, uma situação parecida gerou reclamações de moradores que enfrentaram interrupções além do horário anunciado. A atual medida, embora planejada, reacende temores de um desabastecimento mais grave, especialmente se as chuvas continuarem escassas no próximo período chuvoso, entre outubro e março.
A comparação com crises anteriores mostra que a situação atual, embora preocupante, ainda não alcançou a gravidade de 2014, quando o Sistema Cantareira chegou a operar com menos de 20% de sua capacidade. A Arsesp destaca que a redução de pressão é uma ação preventiva para evitar um colapso maior, mas a recuperação dos reservatórios depende de chuvas significativas nos próximos meses.
- Crise de 2014-2016: Cantareira atingiu níveis abaixo de 20%.
- Ano de 2021: Redução de pressão gerou falta de água em periferias.
- Previsão atual: Dependência de chuvas entre outubro e março.
Medidas para uso consciente da água
A Sabesp tem intensificado campanhas para o uso racional da água, especialmente em um cenário de estiagem prolongada. A empresa recomenda que os moradores evitem desperdícios, como lavar calçadas com mangueiras ou manter torneiras abertas por longos períodos. Além disso, a instalação de equipamentos que reduzem o consumo, como redutores de vazão em torneiras e chuveiros, é incentivada.
A população também é orientada a verificar vazamentos internos em suas residências, já que pequenas falhas, como torneiras pingando, podem representar perdas significativas ao longo do tempo. A Sabesp estima que a economia gerada pela redução de pressão, combinada com o uso consciente, pode poupar até 4 mil litros de água por segundo, o equivalente ao consumo diário de uma cidade de médio porte.
- Uso racional: Evitar lavar calçadas ou carros com mangueiras.
- Equipamentos sugeridos: Redutores de vazão em torneiras e chuveiros.
- Vazamentos domésticos: Verificação regular para evitar perdas.
- Economia esperada: Até 4 mil litros por segundo com a medida.
Cenário dos reservatórios
Os reservatórios da Grande São Paulo enfrentam um cenário preocupante. O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento, opera com 35,7% de sua capacidade, enquanto a média geral dos sete sistemas que atendem a região é de 38,2%. Nos últimos dois anos, as chuvas não foram suficientes para recompor os estoques de água, especialmente após perdas significativas durante os períodos secos. Em 2024, por exemplo, os reservatórios perderam 617 milhões de litros, enquanto as chuvas repuseram apenas 177 milhões.
A estiagem de 2025, com chuvas correspondendo a apenas 8% do esperado para agosto, agravou ainda mais a situação. A Sabesp monitora diariamente os níveis dos mananciais e alerta que, sem chuvas significativas no próximo período chuvoso, medidas mais drásticas podem ser necessárias. A redução de pressão é, por enquanto, a principal estratégia para evitar um racionamento formal.
- Nível do Cantareira: 35,7% da capacidade em agosto de 2025.
- Média geral: 38,2% nos sete sistemas da Grande SP.
- Perdas recentes: 617 milhões de litros na estiagem de 2024.
- Chuva escassa: Apenas 8% do esperado em agosto de 2025.