Forbes 2025: conheça as 10 mulheres mais ricas do Brasil

Cristina Junqueira

Cristina Junqueira - Foto: Instagram

Em 2025, o Brasil viu um aumento no número de mulheres bilionárias, com 60 nomes na lista da Forbes, contra 48 no ano anterior, representando 20% do total de bilionários do país. Liderando o ranking, Vicky Sarfati Safra, com uma fortuna de R$ 120,5 bilhões, mantém-se como a mulher mais rica do Brasil, seguida por nomes como Maria Helena Moraes Scripilliti e Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela. Apenas duas das dez mais ricas construíram suas fortunas do zero: Cristina Junqueira, do Nubank, e Lucia Maggi, da Amaggi. A lista, publicada na edição 133 da Forbes Brasil, destaca a influência feminina em setores como finanças, indústria e agronegócio, com um patrimônio conjunto de R$ 343,7 bilhões. Novas entrantes, como Íris Pássaro Abravanel e suas filhas, também marcam presença.

O cenário reflete a força de herdeiras e empreendedoras em um ranking ainda dominado por homens. A valorização de empresas como Nubank e WEG impulsionou fortunas, enquanto a desvalorização do real impactou a representatividade brasileira no cenário global.

  • Setores de destaque: finanças, indústria, agronegócio e saúde.
  • Novas bilionárias: Íris Abravanel e filhas, Priscila Barreto e Mariana Botelho.
  • Self-made: Cristina Junqueira e Lucia Maggi se destacam por fortunas próprias.

Vicky Safra: a liderança consolidada

Vicky Sarfati Safra, com 73 anos, segue no topo com uma fortuna de R$ 120,5 bilhões, herdada do marido Joseph Safra, falecido em 2020. Nascida na Grécia e naturalizada brasileira, ela comanda a Vicky and Joseph Safra Philanthropic Foundation, que investe em saúde, educação e artes. Seus filhos Jacob, Esther, Alberto e David dividem a herança, mas a compra da participação de Esther por Jacob e David em 2025 reforçou a gestão familiar no Banco Safra. A instituição financeira, uma das mais sólidas do país, é a base de sua riqueza. Vicky ocupa a segunda posição no ranking geral dos bilionários brasileiros, atrás apenas de Eduardo Saverin.

O Banco Safra, fundado por Joseph, mantém operações no Brasil, Suíça e Nova York, consolidando sua relevância no setor financeiro global. A filantropia de Vicky também ganhou destaque, com projetos que beneficiam comunidades em áreas carentes. Sua trajetória reflete a força de herdeiras que assumem papéis estratégicos na gestão de fortunas familiares.

  • Fortuna: R$ 120,5 bilhões, a maior entre mulheres brasileiras.
  • Setor: Finanças, com foco no Banco Safra.
  • Filantropia: Lidera iniciativas em saúde, educação e artes.
  • Gestão familiar: Filhos Jacob e David consolidam controle do banco.

Herdeiras da Votorantim: tradição e riqueza

Maria Helena Moraes Scripilliti, com 94 anos e R$ 26,8 bilhões, e Neide Helena de Moraes, com 90 anos e R$ 8,4 bilhões, representam a força da família Votorantim no ranking. Maria Helena, viúva de Clóvis Scripilliti, e Neide, neta do fundador José Ermírio de Moraes, herdaram participações no grupo, que atua em setores como alumínio, celulose e energia. O grupo Votorantim, fundado em 1918, é o quinto maior conglomerado industrial diversificado da América Latina, com presença em mais de 20 países.

A reestruturação do grupo em 2017 afastou Maria Helena da gestão ativa, mas sua fortuna permanece robusta devido à valorização dos ativos. Neide, junto com os irmãos José Ermírio e José Roberto, herdou a participação do pai, dividida igualmente. A fusão da Votorantim Celulose e Papel com a Aracruz, que formou a Fibria (incorporada pela Suzano em 2018), foi um marco na gestão de José Roberto, reforçando a relevância do grupo.

  • Setor: Diversos, com destaque para alumínio e celulose.
  • Herança: Fortunas oriundas do grupo Votorantim.
  • Reestruturação: Mudanças em 2017 reduziram papéis executivos.
  • Presença global: Votorantim opera em mais de 20 países.

Ana Lúcia Villela: finanças e impacto social

Com R$ 9,8 bilhões, Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela, de 51 anos, é a terceira mulher mais rica do Brasil. Única mulher no Conselho de Administração do Itaú Unibanco, ela herdou sua fortuna da família fundadora do banco Itaú. Após a tragédia que matou seus pais em 1982, Ana Lúcia e seu irmão Alfredo foram criados pela tia Milú Villela. Formada em Pedagogia pela PUC-SP, ela preside o Instituto Alana, uma organização sem fins lucrativos focada em educação e desenvolvimento infantil.

O Itaú Unibanco, resultado da fusão entre Itaú e Unibanco em 2008, é o maior banco privado do Brasil, com forte presença no mercado financeiro. A atuação de Ana Lúcia no conselho reforça seu papel estratégico, enquanto o Instituto Alana destaca seu compromisso social. Sua fortuna reflete a solidez do setor bancário e a influência de famílias tradicionais no mercado brasileiro.

  • Fortuna: R$ 9,8 bilhões, ligada ao Itaú Unibanco.
  • Setor: Investimentos, com foco no setor bancário.
  • Filantropia: Preside o Instituto Alana, voltado para crianças.
  • Gestão: Única mulher no conselho do Itaú Unibanco.

Cristina Junqueira: a força do empreendedorismo

Cristina Junqueira, de 41 anos, é a maior bilionária self-made do Brasil, com R$ 8,7 bilhões. Cofundadora do Nubank, ela entrou no ranking após o IPO da fintech na Bolsa de Nova York, em 2021. Com cerca de 2,9% das ações do banco digital, avaliado em US$ 65 bilhões em junho de 2025, Cristina é a primeira mulher a se tornar bilionária por meio de uma fintech no Brasil. Antes do Nubank, ela liderou a divisão de cartões de crédito do Itaú.

Formada em engenharia e com MBA pela Northwestern University, Cristina atua como Chief Growth Officer do Nubank, impulsionando sua expansão no México e na Colômbia. O crescimento do banco digital, que atingiu 100 milhões de clientes em 2024, reflete o impacto da tecnologia no setor financeiro. Sua trajetória inspira outras mulheres a empreenderem em setores dominados por homens.

  • Fortuna: R$ 8,7 bilhões, construída com o Nubank.
  • Setor: Finanças, com foco em tecnologia financeira.
  • Expansão: Nubank opera no Brasil, México e Colômbia.
  • Self-made: Uma das poucas mulheres a construir sua própria fortuna.

WEG e a nova geração de herdeiras

Anne Werninghaus, Dora Voigt de Assis e Lívia Voigt representam a nova geração de bilionárias ligadas à WEG, maior fabricante de motores elétricos da América Latina. Anne, de 39 anos, com R$ 9,1 bilhões, é a maior acionista individual da empresa, enquanto Dora e Lívia, de 27 e 21 anos, respectivamente, possuem R$ 6,6 bilhões cada. Todas herdaram ações de familiares, mas não ocupam cargos executivos na companhia, fundada por Geraldo Werninghaus e Werner Ricardo Voigt.

A WEG, com faturamento de R$ 32,5 bilhões em 2023, opera em mais de 10 países, impulsionando as fortunas dessas herdeiras com a valorização de suas ações. Anne administra uma empresa de moda, enquanto Dora e Lívia, netas de Werner Voigt, seguem carreiras fora da companhia. A presença de jovens no ranking destaca a transferência geracional de riqueza em empresas familiares.

  • Fortuna: R$ 9,1 bilhões (Anne), R$ 6,6 bilhões (Dora e Lívia).
  • Setor: Indústria, com foco em motores elétricos.
  • Herança: Ações herdadas de fundadores da WEG.
  • Globalização: WEG opera em mais de 10 países.

Lucia Maggi: pioneira no agronegócio

Lucia Borges Maggi, de 92 anos, é outra bilionária self-made, com R$ 6,6 bilhões. Cofundadora da Amaggi em 1977, ao lado de André Antônio Maggi, ela ajudou a construir uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro. Com sede em Cuiabá, a Amaggi atua na produção de soja, milho e algodão, além de navegação e energia. Lucia se afastou do conselho em 2015, mas permanece como acionista.

Seus filhos Blairo e Marli, e os genros Itamar e Hugo, controlam a companhia, que se destaca por sua logística integrada, incluindo operações portuárias e fluviais. A trajetória de Lucia reflete o crescimento do agronegócio como pilar econômico do Brasil, com a Amaggi liderando exportações e inovação no setor.

  • Fortuna: R$ 6,6 bilhões, construída com a Amaggi.
  • Setor: Agronegócio, com foco em grãos e logística.
  • Self-made: Cofundou a Amaggi em 1977.
  • Operações: Inclui fazendas, portos e energia.

Estreantes no ranking: Íris Abravanel e família

Íris Pássaro Abravanel, viúva de Silvio Santos, e suas seis filhas estrearam na lista com R$ 6,4 bilhões. A fortuna, herdada após a morte do apresentador e empresário em 2024, vem do grupo Silvio Santos, que inclui o SBT, a Jequiti e a Liderança Capitalização. Íris, de 74 anos, é autora de novelas e presidente do conselho do grupo, enquanto suas filhas dividem participações nos negócios.

O grupo Silvio Santos enfrentou desafios, como a crise no Banco Pan, adquirido pelo BTG Pactual em 2021, mas a valorização de ativos como a Jequiti garantiu a entrada da família no ranking. A estreia reflete a força de marcas consolidadas no entretenimento e varejo brasileiros.

  • Fortuna: R$ 6,4 bilhões, ligada ao grupo Silvio Santos.
  • Setor: Mídia, cosméticos e capitalização.
  • Herança: Fortuna de Silvio Santos, falecido em 2024.
  • Liderança: Íris preside o conselho do grupo.

Outras bilionárias: saúde e finanças

Priscila Barreto Moreira Silva, com R$ 2,2 bilhões, e Mariana Botelho Ramalho Cardoso, com R$ 2,1 bilhões, são as outras estreantes. Priscila é acionista do grupo Hapvida, líder em saúde suplementar no Brasil, enquanto Mariana é diretora de compliance do BTG Pactual. Ambas representam a crescente influência de mulheres em setores estratégicos como saúde e finanças.

O Hapvida, com forte presença no Nordeste, cresceu com a fusão com a NotreDame Intermédica, enquanto o BTG Pactual, sob a gestão de André Esteves, registrou lucro recorde em 2024. A entrada de Priscila e Mariana no ranking destaca a diversificação de fortunas femininas em setores de alto impacto.

  • Fortuna: R$ 2,2 bilhões (Priscila) e R$ 2,1 bilhões (Mariana).
  • Setores: Saúde (Hapvida) e finanças (BTG Pactual).
  • Crescimento: Hapvida e BTG lideram seus mercados.
  • Estreantes: Refletem novos rostos no ranking de 2025.
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