Investimentos

Ibovespa dispara e supera 142 mil com força de bancos e varejistas

Ibovespa
Ibovespa - Foto: EDSON DE SOUZA NASCIMENTO/Shutterstock.com Ibovespa - Foto: EDSON DE SOUZA NASCIMENTO/Shutterstock.com

O Ibovespa alcançou um marco histórico nesta quinta-feira, 28 de agosto de 2025, ao ultrapassar os 142 mil pontos pela primeira vez, fechando com alta de 1,32% aos 141.049,20 pontos, impulsionado por ganhos expressivos de grandes bancos, varejistas e empresas do setor de combustíveis. A máxima do dia chegou a 142.138,27 pontos, superando o recorde anterior de 4 de julho. O desempenho reflete o otimismo do mercado com a economia brasileira, apesar do déficit primário de R$ 59,124 bilhões em julho, divulgado pelo Tesouro Nacional. A megaoperação contra fraudes no setor de combustíveis, liderada pela Polícia Federal e Receita Federal, também movimentou o pregão, beneficiando empresas como Raízen, Ultrapar e Vibra. Enquanto isso, o dólar caiu 0,19%, cotado a R$ 5,406, e os juros futuros recuaram, sinalizando expectativas de cortes na taxa Selic. No exterior, Wall Street registrou ganhos tímidos, com o S&P 500 superando os 6,5 mil pontos, mesmo com resultados mistos da Nvidia.

A performance robusta do mercado brasileiro ocorre em um cenário de busca por alternativas comerciais, com o governo intensificando laços com o México após tarifas impostas pelos EUA. A comitiva liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin negocia a liberação de mais frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina. No campo político, a pesquisa AtlasIntel, que aponta vantagem de Tarcísio de Freitas sobre Lula para 2026, também anima investidores. O mercado aguarda a divulgação da taxa de desemprego de julho e o índice PCE nos EUA, que podem influenciar as decisões do Federal Reserve sobre cortes de juros.

  • Principais destaques do pregão:
    • Alta de 9,19% da Magazine Luiza (MGLU3), liderando os ganhos.
    • Bancos como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) com altas acima de 2%.
    • Queda de apenas cinco ações no Ibovespa, com destaque para GPA (PCAR3), que caiu 1,39%.
    • Volume financeiro de R$ 22,90 bilhões, refletindo forte liquidez.

Avanço histórico do Ibovespa

O pregão desta quinta-feira foi marcado por um otimismo generalizado, com o Ibovespa superando a barreira dos 142 mil pontos pela primeira vez. A alta de 1,32% consolidou a bolsa brasileira como um dos destaques globais, acumulando ganho de 17,26% no ano e 6% em agosto. Grandes bancos lideraram o movimento, com Itaú (ITUB4) subindo 2,08% e Bradesco (BBDC4) avançando 2,92%. A B3 (B3SA3), operadora da bolsa, também teve forte desempenho, com alta de 2,84%. O setor financeiro reagiu positivamente à decisão da Receita Federal de enquadrar fintechs como instituições financeiras, equiparando suas obrigações às dos grandes bancos.

A operação Carbono Oculto, que mirou esquemas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, trouxe alívio ao mercado. A ação, considerada a maior contra o crime organizado na história do país, envolveu movimentações ilícitas de R$ 23 bilhões. Empresas como Raízen (RAIZ4), Ultrapar (UGPA3) e Vibra (VBBR3) dispararam, com altas de até 10,38%, impulsionadas pela expectativa de redução da concorrência desleal.

  • Fatores que impulsionaram o Ibovespa:
    • Ação contra fraudes no setor de combustíveis, beneficiando empresas regulares.
    • Otimismo com a possibilidade de corte de juros no Brasil a partir de 2026.
    • Resultados positivos de varejistas, como Magazine Luiza, após ajustes estratégicos.
    • Negociações comerciais com o México, reduzindo dependência dos EUA.

Setor de combustíveis no foco

A megaoperação contra fraudes no setor de combustíveis foi um dos principais catalisadores do pregão. A Polícia Federal e a Receita Federal cumpriram mandados em oito estados, mirando um esquema bilionário ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Fundos de investimento e fintechs foram usados para ocultar recursos ilícitos, segundo as investigações. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que a ação é resultado de um trabalho iniciado em 2023, com a criação de uma equipe dedicada a fraudes estruturadas na Receita Federal.

Empresas do setor, como Raízen, Ultrapar e Vibra, registraram fortes altas, beneficiadas pela perspectiva de um mercado mais regulado. Analistas do UBS BB apontaram que a repressão a operadores irregulares pode sustentar margens para empresas em conformidade, embora alertem para a criatividade de operadores ilícitos em burlar regulamentações. A Reag Investimentos (REAG3), por outro lado, sofreu forte queda de 15,69% após busca e apreensão em sua sede.

  • Impactos da operação no setor:
    • Redução de práticas de concorrência desleal no mercado de combustíveis.
    • Fortalecimento de empresas listadas na B3, como Raízen e Vibra.
    • Aumento da fiscalização sobre fintechs, equiparadas a bancos.
    • Possível recuperação de R$ 1,2 bilhão em autuações fiscais.
Ibovespa, moeda real, gráficos
Ibovespa, moeda real, gráficos – Foto: Edson Souza/ Istockphoto.com

Negociações internacionais e cenário político

O governo brasileiro intensificou esforços para diversificar parcerias comerciais em resposta às tarifas impostas pelos EUA. A comitiva liderada por Geraldo Alckmin no México busca ampliar exportações, com auditorias previstas para liberar 14 frigoríficos brasileiros para o mercado mexicano. A medida é estratégica, já que o México superou os EUA como o segundo maior comprador de carne bovina brasileira em agosto.

No cenário político, a pesquisa AtlasIntel trouxe otimismo ao mercado ao indicar Tarcísio de Freitas como favorito para 2026, com 48% de aprovação contra 51% de desaprovação de Lula. Analistas apontam que a antecipação do cenário eleitoral, aliada a dados econômicos positivos, reforça a confiança em investimentos de renda variável. A expectativa de queda nos juros a partir de 2026 também contribui para o bom humor do mercado.

Desempenho global e perspectivas

No exterior, os índices americanos registraram altas modestas, com o S&P 500 superando os 6,5 mil pontos pela primeira vez. A Nvidia, apesar de resultados acima das estimativas, viu suas ações recuarem devido a preocupações com a receita de data centers e restrições na China. A segunda prévia do PIB dos EUA no segundo trimestre, com expansão de 3,3%, trouxe cautela sobre os cortes de juros do Federal Reserve, embora as apostas para setembro permaneçam.

No Brasil, o dólar comercial caiu 0,19%, refletindo o enfraquecimento global da moeda americana. Os preços do petróleo subiram, com o Brent a US$ 68,62, beneficiando a Petrobras (PETR4), que avançou 0,88%. A Vale (VALE3) teve alta tímida de 0,04%, impactada por negociações sobre concessões ferroviárias.

  • Indicadores aguardados:
    • Taxa de desemprego de julho no Brasil, a ser divulgada na sexta-feira.
    • Índice PCE nos EUA, que pode influenciar decisões do Fed.
    • Desempenho das varejistas após recuperação recente.

Setor financeiro e varejo em destaque

O setor financeiro foi um dos pilares da alta do Ibovespa, com grandes bancos registrando ganhos consistentes. A equiparação das fintechs às instituições financeiras tradicionais, anunciada por Haddad, deve aumentar a transparência e a fiscalização, beneficiando bancos como Itaú e Bradesco. No varejo, a Magazine Luiza liderou as altas, impulsionada por ajustes estratégicos e otimismo com o consumo interno.

A Vamos (VAMO3) também se destacou, com alta de 7,92%, após o Citi elevar sua recomendação e preço-alvo. A recuperação do varejo reflete a confiança em um cenário econômico mais favorável, com inflação controlada e expectativa de queda nos juros.

To Top