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Quem é J.D. Vance, o novo vice-presidente dos EUA ao lado de Donald Trump

J.D. Vance
J.D. Vance - Foto> Maxim Elramsisy / Shutterstock.com J.D. Vance - Foto> Maxim Elramsisy / Shutterstock.com

James David Vance, conhecido como J.D. Vance, tomou posse como vice-presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2025, ao lado de Donald Trump, em Washington, D.C. Aos 40 anos, o ex-senador por Ohio, autor do best-seller Hillbilly Elegy, passou de crítico ferrenho a aliado leal de Trump, consolidando-se como uma figura central do movimento “Make America Great Again” (MAGA). Sua ascensão meteórica na política, com apenas três anos de experiência nacional, reflete uma transformação ideológica que o colocou como herdeiro político do presidente. A escolha de Vance visa reforçar a base conservadora e atrair eleitores mais jovens, enquanto sua postura protecionista e anti-imigração molda o novo governo. Este texto explora sua trajetória, polêmicas e papel na administração Trump.

Vance nasceu em Middletown, Ohio, em 2 de agosto de 1984, em uma região marcada pelo declínio industrial. Criado pelos avós maternos devido ao vício em drogas de sua mãe, ele superou uma infância difícil, narrada em seu livro de memórias. Sua experiência no Corpo de Fuzileiros Navais, incluindo serviço no Iraque, e sua formação em Direito pela Universidade de Yale o projetaram como uma voz influente da classe trabalhadora branca.

Trump escolhe JD Vance para vice-presidente dos EUA
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  • ** marcos da trajetória inicial de Vance**:
    • Nascimento em Ohio, em uma família de classe trabalhadora.
    • Serviço militar no Iraque como jornalista do Corpo de Fuzileiros Navais.
    • Publicação de Hillbilly Elegy em 2016, best-seller adaptado pela Netflix.
    • Eleição ao Senado em 2022, com apoio crucial de Trump.

Ascensão política e mudança de postura

A trajetória política de J.D. Vance começou em 2021, quando anunciou sua candidatura ao Senado por Ohio, endossado por Donald Trump. Antes disso, ele era um crítico declarado do ex-presidente, chamando-o de “idiota”, “nocivo” e até comparando-o a Adolf Hitler em 2016. Sua mudança de posição, iniciada em 2018, culminou em uma aliança sólida com Trump, marcada por um pedido público de desculpas. No Senado, Vance adotou uma agenda conservadora, com foco em políticas protecionistas, como taxação de importações, e posições duras contra imigração e ajuda internacional, como à Ucrânia.

Sua eleição em 2022, derrotando o democrata Tim Ryan por mais de 200 mil votos, consolidou sua posição como uma liderança emergente no Partido Republicano. A escolha como vice-presidente em julho de 2024, durante a Convenção Nacional Republicana, foi impulsionada por figuras como Donald Trump Jr. e o bilionário Peter Thiel, que já havia apoiado Vance financeiramente.

  • Mudanças marcantes na postura de Vance:
    • Críticas a Trump em 2016, chamando-o de “repreensível” e “fraude moral”.
    • Apoio à narrativa de Trump sobre suposta fraude nas eleições de 2020.
    • Defesa de políticas anti-imigração e protecionistas no Senado.
    • Escolha como vice em 2024, reforçando a agenda MAGA.

Polêmicas e impacto na campanha

Durante a campanha presidencial de 2024, Vance esteve no centro de controvérsias que amplificaram sua visibilidade, mas também atraíram críticas. Uma das mais notórias foi a disseminação de um boato falso sobre imigrantes haitianos em Springfield, Ohio, que supostamente sequestravam e consumiam animais de estimação. A alegação, compartilhada por Vance e ecoada por Trump em um debate contra Kamala Harris, gerou mais de 30 ameaças de bomba em escolas e prédios públicos locais, além de ameaças de morte ao prefeito da cidade. Vance admitiu que os relatos poderiam ser falsos, mas defendeu a divulgação para chamar atenção à imigração ilegal.

Outra polêmica envolveu suas declarações sobre “mulheres sem filhos” no poder, apelidadas por ele de “cat ladies”. Em uma entrevista à Fox News, Vance sugeriu que os Estados Unidos eram governados por pessoas “amarguradas” que projetavam sua infelicidade no país. Essas falas geraram críticas de democratas, que o acusaram de misoginia e extremismo.

  • Principais controvérsias de Vance na campanha:
    • Disseminação de boato falso sobre imigrantes em Ohio, gerando tensões locais.
    • Declarações polêmicas sobre mulheres sem filhos, chamadas de “cat ladies”.
    • Críticas à ajuda à Ucrânia, priorizando recursos para políticas internas.

Perfil ideológico e visão de mundo

J.D. Vance se destaca como um conservador nacionalista e populista de direita, influenciado pela teologia católica, à qual se converteu em 2019. Sua visão política prioriza a classe trabalhadora americana, com ênfase em políticas que protejam empregos locais e limitem a imigração. Ele também se posiciona contra o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, embora tenha suavizado sua postura sobre o aborto após eleitores de Ohio aprovarem uma emenda pró-direitos reprodutivos em 2023.

No cenário internacional, Vance causou surpresa em sua estreia na Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro de 2025, ao criticar líderes europeus por políticas migratórias e de liberdade de expressão, chamando-as de antidemocráticas. Ele também protagonizou um atrito com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, acusando-o de ingratidão pela ajuda americana. Essas posturas reforçam sua visão de “America First”, alinhada à de Trump, com foco em reduzir o envolvimento dos EUA em conflitos globais.

  • Pilares da visão política de Vance:
    • Nacionalismo econômico, com taxação de importações e proteção de empregos.
    • Oposição a políticas de imigração e ajuda internacional, como à Ucrânia.
    • Influência católica em posições sociais, como contra o aborto.
    • Crítica a elites globais, defendendo interesses da classe trabalhadora.

Papel na administração Trump

Como vice-presidente, Vance atua como uma ponte entre Trump e o Congresso, sendo descrito como “os olhos e ouvidos” do presidente no legislativo. Sua juventude e habilidade de comunicação são vistas como ativos para articular a agenda MAGA, especialmente entre eleitores mais jovens e da classe trabalhadora. Ele também assumiu o papel de presidente do Comitê Nacional Republicano, reforçando sua influência no partido.

Sua relação com figuras do Vale do Silício, como Peter Thiel e Elon Musk, que apoiaram sua campanha ao Senado, fortalece sua posição em um governo que busca parcerias com a indústria tecnológica. No entanto, sua lealdade a Trump o diferencia de seu antecessor, Mike Pence, que enfrentou conflitos com o ex-presidente durante o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Vance declarou que, ao contrário de Pence, teria seguido as orientações de Trump na certificação dos resultados eleitorais de 2020.

  • Funções de Vance na administração:
    • Articulação da agenda de Trump no Congresso.
    • Liderança no Comitê Nacional Republicano.
    • Representação em eventos diplomáticos, como encontros com líderes globais.

Vida pessoal e legado cultural

Casado com Usha Chilukuri Vance, uma advogada de origem indiana, desde 2014, Vance tem três filhos: Ewan, Vivek e Mirabel. Sua conversão ao catolicismo, influenciada por Thiel e pela leitura de Santo Agostinho, moldou sua visão política e pessoal. O livro Hillbilly Elegy não apenas trouxe fama, mas também críticas por retratar comunidades operárias como responsáveis por sua própria decadência, ignorando fatores econômicos sistêmicos. Apesar disso, a obra ressoou entre eleitores republicanos, consolidando Vance como uma voz da América rural.

Sua trajetória, de uma infância marcada por desafios a um dos cargos mais altos dos Estados Unidos, reflete a narrativa de superação que ele vendeu ao público. No entanto, sua rápida ascensão também levanta questões sobre sua consistência ideológica, dado o passado de críticas a Trump.

  • Aspectos da vida pessoal de Vance:
    • Casamento inter-religioso com Usha, filha de imigrantes indianos.
    • Conversão ao catolicismo em 2019, com influência de Peter Thiel.
    • Três filhos, mantendo um perfil familiar discreto em Washington.
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