A proposta orçamentária do governo federal para 2026, apresentada ao Congresso Nacional em 29 de agosto de 2025, estabelece o salário mínimo em R$ 1.631, um aumento de 7,44% em relação aos atuais R$ 1.518. O reajuste, que entra em vigor a partir de janeiro de 2026, beneficia diretamente 59,9 milhões de brasileiros, incluindo trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o PIS-Pasep. O cálculo considera a inflação medida pelo INPC até novembro de 2024 e o crescimento real do PIB de 2024, que alcançou 3,4%. A medida, que também ajusta valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), impacta as contas públicas, elevando despesas em bilhões. O objetivo é fortalecer o poder de compra, mas o aumento pressiona o equilíbrio fiscal do governo.
O novo valor do salário mínimo reflete a política de valorização real, retomada em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, garantindo ganhos acima da inflação. A proposta ainda pode sofrer ajustes até dezembro de 2025, quando o valor final será definido.
- Principais pontos do reajuste:
- Aumento de R$ 113 no salário mínimo, passando de R$ 1.518 para R$ 1.631.
- Impacto direto em benefícios sociais, aposentadorias e programas trabalhistas.
- Aplicação a partir de janeiro de 2026, com reflexo no pagamento de fevereiro.
- Cálculo baseado no INPC e no PIB de 2024, garantindo ganho real.
Novo valor do BPC em 2026
O Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado para idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, será ajustado para R$ 1.631 a partir de janeiro de 2026. Esse incremento de R$ 113 beneficia cerca de 5,5 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O BPC é um suporte essencial para famílias com renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo, funcionando como uma renda mínima para quem não tem condições de se sustentar.
O aumento do BPC, embora positivo para os beneficiários, eleva os gastos públicos. Cada R$ 1 de reajuste no salário mínimo gera um impacto de aproximadamente R$ 430 milhões nas contas do governo, considerando o número de beneficiários. Para as famílias, o novo valor pode facilitar o acesso a itens básicos, como alimentos e medicamentos, mas a alta de 7,44% pode não acompanhar integralmente a inflação em setores como saúde e moradia.
- Detalhes do ajuste no BPC:
- Valor mensal sobe para R$ 1.631, acompanhando o salário mínimo.
- Benefício atende idosos e pessoas com deficiência em vulnerabilidade.
- Reajuste melhora qualidade de vida, mas não cobre integralmente alta de preços.
- Impacto fiscal estimado em bilhões devido ao número de beneficiários.

Aposentadorias ajustadas ao novo piso
Cerca de 26 milhões de aposentados e pensionistas do INSS que recebem o piso previdenciário terão seus benefícios ajustados para R$ 1.631 em 2026. O reajuste, que segue a fórmula de INPC mais o crescimento do PIB, representa um ganho real, fortalecendo o poder de compra de idosos e pensionistas. Esse grupo, segundo o Ministério da Previdência Social, é um dos mais impactados pela política de valorização do salário mínimo.
No entanto, o aumento também pressiona o orçamento federal, já que as aposentadorias vinculadas ao mínimo representam uma parcela significativa dos gastos obrigatórios. Em 2024, o governo enfrentou dificuldades para equilibrar as contas públicas, e o cenário pode se repetir em 2026, com menos espaço para investimentos em áreas como infraestrutura. Para os beneficiários, o novo valor pode aliviar despesas com itens essenciais, mas a inflação em setores como energia e transporte pode reduzir o impacto do ganho real.
- Pontos principais das aposentadorias:
- 26 milhões de beneficiários terão o piso ajustado para R$ 1.631.
- Reajuste garante ganho real acima da inflação de 2024.
- Pressão nas contas públicas reduz margem para investimentos.
- Alta de preços em itens essenciais pode limitar benefícios do aumento.
Impactos no FGTS com o novo mínimo
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também será ajustado com base no novo salário mínimo de R$ 1.631. O aumento influencia o cálculo de multas rescisórias, que correspondem a 40% do saldo do fundo em caso de demissão sem justa causa, elevando os custos para empregadores. Além disso, os depósitos mensais no FGTS, feitos por empregadores com base no salário do trabalhador, terão valores maiores para aqueles que recebem o mínimo.
Cerca de 40 milhões de trabalhadores com carteira assinada, segundo a Caixa Econômica Federal, terão suas contas no FGTS impactadas pelo reajuste. O novo valor também eleva o teto de rendimentos para acesso a benefícios ligados ao fundo, como saques para compra de imóveis. O aumento no salário mínimo fortalece os saldos do FGTS, mas pode pressionar pequenas empresas, que enfrentam custos trabalhistas mais altos.
- Efeitos do reajuste no FGTS:
- Multa rescisória de 40% será calculada com base no novo mínimo.
- Depósitos mensais no fundo terão valores ajustados.
- Benefício alcança cerca de 40 milhões de contas ativas.
- Empregadores terão custos maiores em rescisões contratuais.
PIS-Pasep e o novo teto de elegibilidade
O abono salarial PIS-Pasep, pago a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos, terá seu teto de elegibilidade ajustado para R$ 3.262 em 2026. O valor do abono, que varia conforme o tempo trabalhado no ano-base, poderá chegar a R$ 1.631 para quem trabalhou 12 meses. Cerca de 22 milhões de trabalhadores recebem o benefício anualmente, segundo o Ministério do Trabalho, e o reajuste eleva o custo do programa, que é uma das principais despesas vinculadas ao salário mínimo.
O pagamento do PIS-Pasep, realizado entre fevereiro e julho, seguirá o calendário de 2026, ainda a ser divulgado. O aumento no valor do abono pode estimular o consumo em setores como varejo e serviços, já que o benefício atua como um complemento de renda para trabalhadores de baixa renda. No entanto, o impacto fiscal do programa reforça a necessidade de equilíbrio nas contas públicas.
- Detalhes do PIS-Pasep em 2026:
- Teto de elegibilidade sobe para R$ 3.262 (dois salários mínimos).
- Abono máximo será de R$ 1.631 para trabalhadores com 12 meses de serviço.
- Programa beneficia cerca de 22 milhões de trabalhadores.
- Reajuste eleva custos do programa, impactando o orçamento federal.
Efeitos do reajuste na economia
O aumento do salário mínimo para R$ 1.631 em 2026 deve aquecer setores como comércio e serviços, que dependem do consumo de trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais. Com 59,9 milhões de brasileiros impactados, segundo o Dieese, o incremento no poder de compra pode impulsionar a economia, especialmente em regiões onde o salário mínimo é a principal fonte de renda. A política de valorização real, retomada em 2023, busca recuperar perdas acumuladas entre 2017 e 2022, quando os reajustes foram limitados à inflação.
Por outro lado, o aumento pressiona as contas públicas, com cada R$ 1 de reajuste gerando um impacto de R$ 430 milhões em despesas. Isso reduz o espaço para investimentos em áreas como educação e saúde. Além disso, empregadores, especialmente de pequenas empresas, enfrentarão custos trabalhistas mais altos, como contribuições ao FGTS e multas rescisórias. O mercado de trabalho também pode ser afetado, já que muitos salários, formais e informais, usam o mínimo como referência, elevando o salário médio no país.
- Impactos econômicos do novo salário mínimo:
- Estímulo ao consumo em setores como varejo e serviços.
- Aumento dos custos trabalhistas para empregadores.
- Redução do espaço para investimentos públicos.
- Elevação do salário médio no mercado de trabalho.
Histórico da valorização do salário mínimo
A política de valorização real do salário mínimo, retomada em 2023, tem raízes em períodos anteriores, como entre 2003 e 2016, quando os reajustes combinaram inflação e crescimento do PIB. Esse modelo garantiu ganhos reais consistentes, elevando o poder de compra de trabalhadores e beneficiários de programas sociais. Entre 2017 e 2022, no entanto, os reajustes foram limitados à inflação, reduzindo o impacto na economia.
O reajuste de 2026, baseado no INPC e no PIB de 2024 (3,4%), reflete o compromisso do governo com a recuperação do poder de compra. Dados históricos mostram que o salário mínimo, em valores corrigidos, já foi significativamente mais baixo: em 2003, por exemplo, equivalia a cerca de R$ 600 em valores atuais. A valorização contínua é essencial para milhões de brasileiros, mas exige equilíbrio fiscal para evitar pressões inflacionárias ou cortes em outras áreas.
- Marcos da política de valorização:
- 2003-2016: Reajustes combinaram inflação e PIB, com ganhos reais.
- 2017-2022: Reajustes limitados à inflação, sem ganho real.
- 2023: Retomada da política de valorização real.
- 2026: Reajuste de 7,44% com base em INPC e PIB de 2024.