Iuri Gomes Oliveira Ramires, conhecido como Yuri Ramirez, de 47 anos, foi assassinado com oito tiros na manhã de 30 de agosto de 2025, dentro de sua casa no bairro Santa Emília, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O cantor sertanejo, que também era compositor, levava uma vida dupla marcada por uma extensa ficha criminal, com prisões desde 2001 por crimes como roubo, tráfico de drogas e armas, além de uma recente investigação por estupro de vulneráveis. Dois homens armados invadiram o imóvel, se passando por policiais, e executaram a vítima, que cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso, que envolve 12 cápsulas de pistola encontradas na cena do crime. A motivação do assassinato ainda não foi esclarecida, mas o passado de Ramirez sugere possíveis conexões com o crime organizado. A execução chocou a comunidade local e reacendeu debates sobre segurança e a influência do tráfico na região.
O caso ganhou notoriedade devido ao contraste entre a carreira artística de Yuri e seu envolvimento com atividades ilícitas. Ele havia deixado a prisão menos de um mês antes do crime, após ser flagrado com 14,8 kg de maconha em fevereiro de 2025. A investigação, conduzida em sigilo pelo delegado Rodolfo Daltro, busca identificar os autores e a motivação do homicídio qualificado.
- Histórico criminal extenso: Desde 2001, Yuri acumulou prisões por roubo, tráfico de drogas e armas, sendo considerado um dos maiores traficantes da Região Noroeste de Goiânia.
- Vida artística: Apesar do passado, ele mantinha uma carreira musical ativa, com apresentações em três estados e composições como “Boca Errada”.
- Investigação em curso: A DHPP trabalha para esclarecer se o crime tem relação com o passado de Ramirez ou com disputas no tráfico.
Trajetória criminal de Yuri Ramirez
A vida de Yuri Ramirez foi marcada por repetidos conflitos com a lei. Em 2001, ele foi preso pela primeira vez, acusado de roubo. Dois anos depois, em 2003, enfrentou nova prisão por tráfico de drogas, iniciando uma série de detenções que se estenderam por mais de duas décadas. Em 2006, foi condenado a 10 anos de prisão em regime fechado após ser flagrado com entorpecentes em São Gabriel do Oeste, Mato Grosso do Sul. Durante o cumprimento dessa pena, em 2016, foi encontrado com 3,1 kg de maconha no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, mas acabou absolvido por esse caso específico em 2017.

Menos de um ano após deixar a prisão, em 2018, Yuri foi detido novamente em Goiânia, acusado de liderar um esquema de tráfico de drogas e armas. A Polícia Civil de Goiás o classificou como o maior traficante da Região Noroeste da capital goiana, apontando que ele negociava grandes quantidades de maconha vindas do Paraguai e até um fuzil AK-47. Na ocasião, ele usava um documento falso, o que agravou sua situação.
- 2001: Prisão por roubo, marcando o início de sua ficha criminal.
- 2006: Condenação a 10 anos por tráfico de drogas em São Gabriel do Oeste.
- 2018: Detenção em Goiânia por tráfico de drogas e armas, com uso de documento falso.
- 2025: Flagrante com 14,8 kg de maconha, resultando em prisão domiciliar.
Suspeita de estupro e medidas cautelares
Em 2024, Yuri Ramirez passou a ser investigado por um crime grave: o estupro de duas meninas, de 8 e 13 anos. A denúncia, feita pela mãe das vítimas em julho de 2025, levou a Justiça a conceder medidas protetivas às crianças cerca de um mês antes do assassinato do cantor. As vítimas relataram os abusos em depoimento à polícia, detalhando episódios ocorridos em setembro de 2024. A investigação desse caso ainda estava em andamento quando Yuri foi executado, e não há informações públicas sobre sua conclusão.
No momento de sua morte, Yuri cumpria prisão domiciliar, autorizada em 23 de julho de 2025, após ser preso em fevereiro do mesmo ano com 14,8 kg de maconha no bairro Jardim Tarumã. A Justiça havia imposto medidas cautelares rigorosas, incluindo:
- Proibição de sair de Campo Grande sem autorização judicial por cinco dias.
- Recolhimento domiciliar das 22h às 5h, com restrição total nos fins de semana.
- Uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias.
Apesar das restrições, a execução do cantor dentro de sua própria casa levanta questionamentos sobre a eficácia do monitoramento e a segurança de pessoas em prisão domiciliar.
Detalhes da execução e investigação policial
O homicídio de Yuri Ramirez ocorreu de forma planejada. Por volta das 6h30 de 30 de agosto, dois homens armados invadiram a residência no bairro Santa Emília, onde ele vivia havia cerca de um mês com uma mulher que o acolhia. Os suspeitos se identificaram como policiais ao abordar a moradora, dirigiram-se ao quarto onde Yuri estava e dispararam oito vezes contra ele. A vítima caiu de bruços e morreu no local. A perícia encontrou 12 cápsulas de pistola espalhadas pela cena do crime, indicando o uso de armamento de alto calibre.
A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu o caso, que foi registrado como homicídio qualificado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol. O delegado Rodolfo Daltro informou que as investigações estão em sigilo, mas a polícia trabalha para identificar os autores e esclarecer a motivação. A hipótese de acerto de contas ligado ao tráfico de drogas é considerada, dado o histórico de Yuri e sua reputação como traficante em Goiás.
- Invasão planejada: Os suspeitos se passaram por policiais, sugerindo organização prévia.
- Armamento usado: As 12 cápsulas encontradas indicam uma ação violenta e direcionada.
- Sigilo na investigação: A DHPP mantém detalhes sob reserva para proteger o andamento do inquérito.
Carreira musical e vida dupla
Yuri Ramirez construiu uma carreira artística paralela à sua trajetória criminal. Natural de Campo Grande, ele começou a se interessar por música na adolescência, inicialmente influenciado pelo rock. Mais tarde, sob a orientação de seu pai, migrou para o gênero sertanejo, onde compôs canções baseadas em experiências pessoais. Em 2020, formou uma dupla sertaneja e se apresentou em estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso, dividindo o palco com nomes como Maria Cecília e Rodolfo.
Após seguir carreira solo, Yuri lançou músicas como “Boca Errada” e “Novo Engano”, esta última em outubro de 2024. Em uma entrevista à TV Morena em 2024, ele afirmou compor de três a quatro músicas por semana, acumulando cerca de 240 composições inéditas. Sua atividade artística, porém, era frequentemente ofuscada por suas prisões e investigações, criando uma dualidade que intrigava fãs e autoridades.
Repercussão e impacto na comunidade
A morte de Yuri Ramirez gerou comoção em Campo Grande, especialmente no bairro Santa Emília, onde ele vivia. Moradores relataram surpresa com a violência do crime, enquanto outros destacaram que o passado do cantor já era conhecido na região. A execução reacendeu debates sobre a presença do crime organizado em Mato Grosso do Sul, estado que faz fronteira com o Paraguai e é rota conhecida para o tráfico de drogas.
A polícia local intensificou rondas no bairro após o crime, e a DHPP trabalha para evitar retaliações ou novos episódios de violência. A conexão de Yuri com o tráfico em Goiás também levanta a possibilidade de que o homicídio tenha sido ordenado por grupos criminosos, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que já esteve ligado a outros casos na região.
- Reação local: Moradores do bairro Santa Emília expressaram preocupação com a segurança.
- Tráfico na região: A proximidade com o Paraguai torna Mato Grosso do Sul vulnerável ao crime organizado.
- Prevenção policial: Ações da DHPP buscam evitar escalada de violência após o crime.
Contexto da criminalidade em Campo Grande
Campo Grande tem enfrentado desafios com a criminalidade, especialmente crimes ligados ao tráfico de drogas. Nos últimos anos, a DHPP assumiu a investigação de homicídios sem autoria definida, como o de Yuri, refletindo a complexidade desses casos. Dados recentes indicam que a capital sul-mato-grossense registrou aumento nos crimes violentos em 2025, com execuções como a de Yuri destacando a influência de facções criminosas.
A prisão de outros envolvidos em casos semelhantes, como a execução de pai e filho em 2024, também investigada pela DHPP, sugere que disputas no tráfico têm motivado homicídios na cidade. A polícia busca reforçar o combate ao crime organizado, mas a localização estratégica de Mato Grosso do Sul continua atraindo atividades ilícitas.