William Bonner, ícone do jornalismo brasileiro, anunciou sua saída da bancada do Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo, após 29 anos como apresentador e 26 anos como editor-chefe. A mudança, revelada no dia 1º de setembro de 2025, coincide com a comemoração dos 56 anos do programa. A partir de 3 de novembro, César Tralli assume o comando ao lado de Renata Vasconcellos, que permanece na apresentação. Bonner, que seguirá na Globo, migrará para o Globo Repórter em 2026, onde dividirá a apresentação com Sandra Annenberg. A decisão, planejada há cinco anos, reflete o desejo do jornalista de reduzir a carga de trabalho e priorizar a família. A transição também inclui mudanças em outros telejornais da emissora, como Jornal Hoje e Hora Um.
A notícia marca o fim de uma era no telejornalismo brasileiro, com Bonner sendo o âncora mais longevo da história do Jornal Nacional. Ele assumiu a bancada em 1996, ao lado de Lillian Witte Fibe, e desde então se tornou referência na cobertura de eventos marcantes, como eleições, crises políticas e a pandemia de Covid-19. A reformulação na Globo reflete um planejamento estratégico para manter a relevância de seus telejornais em um cenário midiático em transformação.
- Principais mudanças anunciadas:
- William Bonner deixa a bancada e a chefia editorial do Jornal Nacional.
- César Tralli assume como novo apresentador a partir de 3 de novembro.
- Cristiana Sousa Cruz será a nova editora-chefe do JN.
- Roberto Kovalick comandará o Jornal Hoje; Tiago Scheuer assume o Hora Um.
Trajetória de William Bonner na Globo
Bonner, nascido em Ribeirão Preto (SP) em 1963, começou sua carreira na Globo em 1986, após passagens por Rádio USP FM e TV Bandeirantes. Inicialmente, apresentou o SPTV, telejornal local de São Paulo, antes de migrar para o Rio de Janeiro, onde comandou programas como Fantástico e Jornal da Globo. Em 1996, assumiu o Jornal Nacional, consolidando-se como uma das vozes mais reconhecidas do Brasil. Durante quase três décadas, dividiu a bancada com nomes como Fátima Bernardes, Patrícia Poeta e Renata Vasconcellos, marcando a história do telejornal com seu estilo direto e carismático. Sua saída, segundo o próprio, foi motivada por um desejo de reduzir responsabilidades executivas e dedicar mais tempo à família, especialmente aos filhos, dois dos quais vivem na França.
- Marcos da carreira de Bonner:
- 1986: Início na Globo como apresentador do SPTV.
- 1989-1992: Âncora do Jornal da Globo ao lado de Fátima Bernardes.
- 1996: Estreia no Jornal Nacional, substituindo Cid Moreira e Sérgio Chapelin.
- 1999: Assume a chefia editorial do JN, acumulando funções de apresentador e editor.
Bonner também foi responsável por inovações no formato do Jornal Nacional, como a adoção de uma linguagem mais coloquial e a flexibilização do estilo rígido da bancada, permitindo maior interação com repórteres ao vivo. Sua atuação durante a pandemia, com discursos marcantes sobre a desinformação, reforçou sua relevância como comunicador.
Motivações para a mudança
A decisão de Bonner de deixar o Jornal Nacional começou a ser planejada em 2020, durante a pandemia, quando ele expressou à Globo o desejo de uma rotina menos intensa. O jornalista destacou a exaustão acumulada após décadas de coberturas eleitorais e crises, além da necessidade de estar mais presente para a família. A Globo, ciente de sua importância, negociou a transição ao longo de cinco anos, garantindo a preparação de sucessores. Bonner permanecerá na emissora, mas em um papel menos exigente, apresentando o Globo Repórter, programa que ele sempre admirou e no qual nunca havia atuado.
A escolha do Globo Repórter como novo destino reflete o interesse de Bonner em um jornalismo mais aprofundado e menos centrado na urgência do noticiário diário. Ele descreveu a oportunidade como um “sonho” compartilhado com Sandra Annenberg, sua futura colega de programa. A mudança também sinaliza a intenção da Globo de manter Bonner como uma figura central em seu jornalismo, mas em um formato que respeite suas prioridades pessoais.
- Fatores que influenciaram a decisão:
- Exaustão após 29 anos no JN e coberturas intensas, como eleições e pandemia.
- Desejo de mais tempo com a família, com dois filhos morando na França.
- Interesse em um formato jornalístico mais reflexivo, como o do Globo Repórter.
- Planejamento estratégico da Globo para uma transição suave.
César Tralli: o novo rosto do Jornal Nacional
César Tralli, de 54 anos, assume a bancada do Jornal Nacional com uma trajetória consolidada na Globo, onde está há 33 anos. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, ele começou como repórter e se destacou em coberturas internacionais, como a morte de Lady Diana e a prisão de Pinochet. Tralli já comandou o SPTV e o Jornal Hoje, acumulando experiência que o preparou para o novo desafio. Ele descreveu a oportunidade como uma “honra” e afirmou estar pronto para manter a qualidade do telejornal ao lado de Renata Vasconcellos.
Renata, que permanece na bancada, elogiou a chegada de Tralli, destacando a continuidade da parceria dedicada que marcou sua trajetória com Bonner. A escolha de Tralli foi respaldada por pesquisas internas da Globo, que confirmaram sua credibilidade junto ao público. Sua experiência como repórter do JN, somada à familiaridade com o telejornalismo diário, garante uma transição natural.
- Destaques da carreira de Tralli:
- 1993: Ingressa na Globo como repórter.
- Coberturas internacionais: Morte de Lady Diana (1997) e prisão de Pinochet (1998).
- Apresentador do SPTV e, posteriormente, do Jornal Hoje.
- Contribuições regulares com reportagens especiais para o JN.
Reformulação nos telejornais da Globo
A saída de Bonner desencadeou uma reformulação em outros programas jornalísticos da Globo. Roberto Kovalick, atual apresentador do Hora Um, assumirá o Jornal Hoje, trazendo sua experiência como correspondente internacional, com destaque para a cobertura do tsunami no Japão em 2011. Tiago Scheuer, por sua vez, comandará o Hora Um, reforçando a grade matinal da emissora. Cristiana Sousa Cruz, que trabalha há seis anos como editora-chefe adjunta do JN, assumirá a chefia editorial, garantindo continuidade na linha editorial do telejornal.
Essas mudanças, planejadas ao longo de cinco anos, refletem a estratégia da Globo de renovar sua programação sem perder a conexão com o público. Ricardo Villela, diretor-geral de Jornalismo, destacou que as alterações foram pensadas para preservar a confiança conquistada pelos telejornais. A emissora, que completa 60 anos em 2025, busca se adaptar às transformações do mercado midiático, com ênfase em qualidade e proximidade com os telespectadores.
- Alterações nos telejornais da Globo:
- Jornal Nacional: César Tralli e Renata Vasconcellos na bancada; Cristiana Sousa Cruz como editora-chefe.
- Jornal Hoje: Roberto Kovalick assume a apresentação.
- Hora Um: Tiago Scheuer comandará o telejornal matinal.
Reações do público e colegas
A notícia da saída de Bonner gerou comoção nas redes sociais, com telespectadores lamentando o fim de uma era marcada pelo seu “Boa noite”, pronunciado mais de 10 mil vezes. Muitos destacaram a relevância de Bonner como símbolo de credibilidade no jornalismo brasileiro, enquanto outros celebraram a chegada de Tralli. Colegas como Sandra Annenberg e Renata Vasconcellos expressaram gratidão pela parceria com Bonner e entusiasmo com as novas fases. Annenberg, em particular, destacou a felicidade de recebê-lo no Globo Repórter, reforçando a amizade de décadas entre os dois.
A transição também foi comparada a momentos históricos da Globo, como a saída de Fátima Bernardes do JN em 2011, que gerou memes e emoção entre o público. A expectativa é que a passagem de bastão entre Bonner e Tralli, marcada para 3 de novembro, seja igualmente marcante, com possíveis momentos de homenagem ao longo do telejornal.
- Reações marcantes do público:
- Lamento pelo fim do “Boa noite” de Bonner, ícone do telejornalismo.
- Entusiasmo com a escolha de César Tralli, visto como preparado para o cargo.
- Comparações com transições anteriores, como a de Fátima Bernardes para o Encontro.
- Expectativa por uma despedida emocionante no JN em novembro.
Legado de Bonner no Jornal Nacional
William Bonner deixa o Jornal Nacional como o âncora mais longevo do programa, superando até Cid Moreira, que comandou o telejornal por 26 anos. Sua trajetória inclui coberturas históricas, como os ataques de 11 de setembro, a morte de Tim Lopes e a pandemia de Covid-19, quando emocionou o público ao criticar a desinformação. Bonner também escreveu o livro “Jornal Nacional: Modo de Fazer” (2009), doando a renda para a ECA-USP, onde se formou.
Sua influência vai além da apresentação, com contribuições significativas para a modernização do JN. A introdução de uma linguagem mais próxima do público e a flexibilização do formato consolidaram o telejornal como referência em um cenário de crescente concorrência digital. A Globo, ciente do peso de sua imagem, planejou a transição com cuidado, garantindo que Bonner continue a contribuir com seu talento em outro formato.
- Contribuições de Bonner ao JN:
- Modernização do formato com linguagem mais coloquial e interativa.
- Coberturas marcantes, como os ataques de 11 de setembro e a pandemia.
- Liderança editorial por 26 anos, definindo pautas e estratégias.
- Publicação do livro “Jornal Nacional: Modo de Fazer” em 2009.