Em 1º de setembro de 2025, a campanha Setembro Amarelo, promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), inicia mais uma edição com o tema “Se precisar, peça ajuda!”. Realizada em todo o Brasil, a iniciativa marca o mês em que se comemora o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, 10 de setembro, e busca conscientizar sobre a importância de abordar a saúde mental sem tabus. A campanha destaca serviços gratuitos, como o Centro de Valorização da Vida (CVV) e a Rede de Atenção Psicossocial do SUS, para acolher pessoas com ideação suicida. Com ações em escolas, empresas e redes sociais, o movimento visa reduzir as mais de 700 mil mortes anuais por suicídio no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
A campanha deste ano reforça a mensagem de que o suicídio é prevenível. Identificar sinais de alerta, como frases de desespero ou mudanças bruscas de comportamento, é o primeiro passo para oferecer apoio. A mobilização ocorre em diversas cidades brasileiras, com palestras, iluminação de prédios públicos na cor amarela e distribuição de materiais informativos.
- Sinais de alerta: Frases como “não vejo sentido na vida” ou retraimento social.
- Apoio imediato: Contato com o CVV (188) ou SAMU (192) em emergências.
- Prevenção: Busca por tratamento em CAPs ou com profissionais de saúde mental.
Importância da abordagem precoce
A identificação precoce de sinais de sofrimento mental é essencial para prevenir o suicídio. Especialistas apontam que transtornos como depressão, ansiedade e dependência química estão presentes em cerca de 96,8% dos casos de suicídio, mas fatores como violência doméstica, bullying ou perdas significativas também elevam o risco. A campanha Setembro Amarelo 2025 enfatiza que a conversa aberta sobre saúde mental pode salvar vidas. Iniciativas em escolas e universidades têm se intensificado, com rodas de diálogo e oficinas para jovens, que representam um grupo vulnerável.
A psicóloga Ethel Poll, da Holiste Psiquiatria, destaca que o estigma ainda impede muitas pessoas de buscar ajuda. “Muitas vezes, a pessoa sente vergonha ou teme ser julgada. É crucial que a sociedade normalize o pedido de socorro”, explica. Além disso, o acolhimento por familiares e amigos, sem minimizar a dor alheia, é um passo inicial para conectar a pessoa a serviços profissionais.
Rede de apoio no Brasil
O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel central na oferta de atendimento gratuito para quem enfrenta ideação suicida. A Rede de Atenção Psicossocial inclui Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) e hospitais de referência. Em casos de emergência, o SAMU (192) pode ser acionado para intervenções imediatas.
- UBS: Encaminhamento inicial para psicólogos e psiquiatras.
- CAPs: Atendimento especializado para transtornos mentais graves.
- SAMU: Suporte em crises agudas, com equipes preparadas.
- CVV: Apoio emocional 24 horas pelo telefone 188 ou chat online.
Em Minas Gerais, por exemplo, há mais de 100 CAPs distribuídos pelo estado, com equipes multidisciplinares que oferecem terapia e acompanhamento medicamentoso. O CVV, por sua vez, atende cerca de 3 milhões de chamadas por ano no Brasil, com voluntários treinados para ouvir sem julgamento. O site oficial da campanha (setembroamarelo.org.br) lista contatos de serviços regionais e instituições parceiras, facilitando o acesso a ajuda especializada.
Papel da comunidade no acolhimento
Amigos e familiares têm um papel crucial na construção de uma rede de apoio. A campanha incentiva que as pessoas próximas estejam atentas a sinais de alerta, como isolamento, perda de interesse em atividades ou comentários autodepreciativos. Ouvir com empatia e sugerir ajuda profissional são atitudes que podem fazer a diferença.
A ABP orienta evitar frases como “você precisa ser forte” ou “isso é frescura”, que podem agravar o sofrimento. Em vez disso, é recomendado oferecer companhia e, se necessário, acompanhar a pessoa até um serviço de saúde. Reduzir o acesso a meios letais, como medicamentos ou objetos cortantes, também é uma medida preventiva, já que impulsos suicidas tendem a ser momentâneos.
Prevenção e tratamento especializado
O tratamento de transtornos mentais é um dos pilares da prevenção ao suicídio. Psiquiatras e psicólogos afirmam que a combinação de terapia e, em alguns casos, medicação pode reduzir significativamente o risco. No Brasil, o SUS oferece acesso a esses serviços, mas a demanda crescente tem gerado filas em algumas regiões. Organizações como o CVV complementam o sistema público, oferecendo apoio emocional imediato.
- Terapia cognitivo-comportamental: Ajuda a reestruturar pensamentos suicidas.
- Acompanhamento psiquiátrico: Fundamental para casos de depressão ou bipolaridade.
- Grupos de apoio: Espaços para compartilhar experiências e reduzir o isolamento.
- Prevenção comunitária: Ações em escolas e igrejas para promover a saúde mental.
A psicóloga Ethel Poll reforça que o suicídio não é apenas um ato isolado, mas um sintoma de questões mais amplas. “Fatores como desigualdade social, traumas e falta de suporte familiar podem agravar a vulnerabilidade. A prevenção exige um esforço coletivo”, diz. Programas de capacitação para professores e líderes comunitários têm sido implementados em várias cidades, com o objetivo de treinar mais pessoas para identificar e encaminhar casos de risco.
Mobilização nacional e impacto
A campanha Setembro Amarelo ganhou força nos últimos anos, com ações que vão além da conscientização. Prédios como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e o Congresso Nacional, em Brasília, são iluminados de amarelo durante o mês. Empresas também aderem, promovendo palestras e distribuindo materiais educativos para funcionários.
Em 2025, a campanha ampliou sua presença nas redes sociais, com hashtags como #SetembroAmarelo e #PeçaAjuda, que incentivam o compartilhamento de histórias de superação. Influenciadores digitais e artistas têm se engajado, ampliando o alcance da mensagem. Dados da OMS indicam que campanhas de conscientização podem reduzir em até 20% as taxas de suicídio em comunidades engajadas.
Recursos disponíveis para todos
A acessibilidade a serviços de apoio é um dos focos da campanha. Além do CVV e do SUS, outras iniciativas, como ONGs e clínicas universitárias, oferecem atendimento gratuito ou a baixo custo. O portal da campanha lista recursos por estado, incluindo telefones de emergência e endereços de CAPs.
- CVV online: Chat e e-mail disponíveis no site cvv.org.br.
- Aplicativos de saúde mental: Ferramentas como o “Vida Segura” oferecem dicas e contatos.
- Campanhas locais: Eventos em praças públicas e escolas para engajar a comunidade.
- Linha 188: Gratuita, confidencial e acessível em todo o Brasil.
A campanha também incentiva a criação de espaços seguros, como grupos de apoio em igrejas, escolas e associações comunitárias. Esses locais permitem que pessoas em sofrimento compartilhem suas experiências sem medo de julgamento, promovendo um senso de pertencimento.
Engajamento nas escolas e universidades
O público jovem, especialmente entre 15 e 29 anos, é um dos mais afetados pelo suicídio. Por isso, o Setembro Amarelo tem investido em ações educativas em escolas e universidades. Oficinas, palestras e dinâmicas em grupo buscam ensinar os jovens a reconhecerem sinais de sofrimento em si mesmos e nos colegas.
Professores e coordenadores pedagógicos também recebem treinamento para identificar comportamentos de risco. Em São Paulo, por exemplo, o programa “Escuta Ativa” capacitou mais de 2 mil educadores em 2024, com resultados positivos na redução de casos de automutilação e tentativas de suicídio entre estudantes.
Como a sociedade pode contribuir
A participação de todos é essencial para o sucesso da campanha. Pequenas atitudes, como compartilhar informações sobre o CVV ou participar de eventos locais, ajudam a disseminar a mensagem. A campanha também incentiva que empresas implementem programas de bem-estar para funcionários, com foco na saúde mental.
- Redes sociais: Compartilhar posts com a hashtag #SetembroAmarelo.
- Eventos comunitários: Organizar rodas de conversa ou caminhadas.
- Capacitação: Cursos gratuitos online sobre primeiros socorros psicológicos.
- Apoio local: Divulgar serviços de saúde mental disponíveis na região.
A mobilização coletiva é vista como uma forma de quebrar o tabu em torno do suicídio. Ao normalizar conversas sobre saúde mental, a sociedade pode criar um ambiente mais acolhedor, onde pedir ajuda seja visto como um ato de coragem, não de fraqueza.oo