Daniel Levy deixa presidência do Tottenham após 24 anos de transformações

Daniel Levy

Daniel Levy - Foto: Instagram

Daniel Levy, presidente executivo do Tottenham Hotspur, anunciou sua saída do cargo após quase 25 anos à frente do clube londrino, em um movimento que pegou torcedores e especialistas de surpresa nesta quinta-feira, 4 de setembro de 2025. A decisão, comunicada pelo site oficial do clube, marca o fim de uma era que transformou os Spurs de um time de meio de tabela em uma potência global, com destaque para a construção do Tottenham Hotspur Stadium e a conquista da Europa League na última temporada. Levy, que assumiu o comando em 2001, deixa o posto após protestos de torcedores e uma campanha irregular na Premier League, com o clube terminando em 17º lugar. Peter Charrington, diretor da ENIC, assume como presidente não executivo, em um papel recém-criado, enquanto Vinai Venkatesham lidera como CEO. A mudança ocorre em meio a um projeto de reestruturação, com Thomas Frank como novo técnico, visando sucesso esportivo de longo prazo. A saída de Levy não altera a estrutura acionária do clube, mantida pela ENIC.

O anúncio da saída de Levy gerou reações imediatas entre torcedores e analistas. Enquanto alguns celebram o fim de um ciclo marcado por críticas à falta de investimentos em contratações, outros reconhecem os avanços estruturais e financeiros sob sua gestão. A temporada passada, embora vitoriosa na Europa, foi marcada por tensões, incluindo a demissão de Ange Postecoglou após o título europeu.

  • Principais marcos da gestão de Levy:
    • Construção do Tottenham Hotspur Stadium, inaugurado em 2019.
    • Conquista da Europa League em 2025, primeiro troféu em 17 anos.
    • Transformação do clube em uma marca global, com valuation de US$ 3,3 bilhões segundo a Forbes.
    • Participação em competições europeias em 18 das últimas 20 temporadas.

Novo capítulo para os Spurs

A nomeação de Peter Charrington como presidente não executivo sinaliza uma nova abordagem na gestão do Tottenham. Charrington, que já integrava o conselho da ENIC, assume com a missão de garantir estabilidade e empoderar a equipe executiva liderada por Vinai Venkatesham. O novo CEO, contratado recentemente, traz experiência do Arsenal, onde atuou como diretor executivo. A chegada de Thomas Frank como técnico do time masculino e Martin Ho no comando da equipe feminina reforça a reestruturação. Levy, em sua declaração, destacou a construção de uma comunidade e o orgulho pelo legado deixado. A transição ocorre sem mudanças na propriedade do clube, com a ENIC mantendo 85,55% das ações, segundo registros de 2007.

O Tottenham vive um momento de renovação após um verão agitado, com contratações de peso como Xavi Simons, Mohammed Kudus e João Palhinha. Apesar do sucesso europeu, a 17ª colocação na Premier League gerou insatisfação, culminando em protestos com faixas como “24 anos, 16 técnicos, 1 troféu – hora de mudar”. A pressão dos torcedores, aliada à necessidade de resultados consistentes, pode ter influenciado a decisão de Levy.

Legado de transformações e críticas

A gestão de Levy é marcada por dualidades. Por um lado, ele transformou o Tottenham em um dos clubes mais valiosos do mundo, com um estádio de £1,2 bilhão que sedia jogos da NFL e eventos de grande porte. A receita de dias de jogos e acordos comerciais cresceu significativamente, como destacou o especialista em finanças do futebol Kieran Maguire, que classificou os Spurs como o clube mais lucrativo da história da Premier League. Por outro, a cautela nos gastos com transferências e salários gerou críticas. O Tottenham registrou uma proporção de 42% entre salários e receita na temporada 2023-24, a menor entre os 20 clubes europeus com maior folha salarial, segundo a The Athletic.

  • Fatores que moldaram a gestão de Levy:
    • Investimento em infraestrutura, como o centro de treinamento Hotspur Way.
    • Contratação de técnicos renomados, como José Mourinho e Antonio Conte.
    • Política de salários conservadora, limitando contratações de alto custo.
    • Expansão da marca Tottenham em mercados internacionais.

A saída de Levy também reflete um momento de transição no futebol inglês, com clubes buscando maior competitividade. A chegada de Thomas Frank, conhecido por seu trabalho no Brentford, é vista como um passo para um estilo de jogo mais consistente. A decisão de excluir jogadores como Mathys Tel do elenco da Champions League, no entanto, gerou debates sobre as prioridades do clube.

Reações e expectativas dos torcedores

A notícia da saída de Levy dividiu opiniões. Nas redes sociais, torcedores expressaram alívio e otimismo, mas também cautela sobre o futuro. Alguns temem que a ENIC, controlada por Joe Lewis, possa vender o clube a investidores estatais, algo que Levy sempre evitou. Outros destacam o impacto financeiro de sua gestão, com o Tottenham alcançando a nona posição na lista de clubes mais ricos da Forbes, avaliado em US$ 3,3 bilhões.

  • Sentimentos predominantes entre torcedores:
    • Alívio pela mudança após protestos e resultados abaixo do esperado.
    • Reconhecimento pelo estádio e pela estabilidade financeira.
    • Preocupação com a possibilidade de venda do clube.
    • Esperança com a nova liderança de Charrington e Venkatesham.

A temporada 2025-26 será um teste para a nova estrutura. Com Frank no comando e reforços no elenco, o Tottenham busca melhorar sua posição na Premier League e avançar na Champions League. A pressão por resultados imediatos permanece, especialmente após a campanha decepcionante do último ano.

O impacto do estádio e da gestão financeira

O Tottenham Hotspur Stadium, inaugurado em 2019, é o maior legado de Levy. Com capacidade para 62 mil torcedores, o estádio gerou receitas recordes, especialmente por sediar eventos como jogos da NFL e shows. A construção, no entanto, deixou o clube com uma dívida de £1,177 bilhão, a maior entre clubes europeus, segundo análise de 2021. Apesar disso, a infraestrutura moderna posicionou os Spurs como referência em inovação.

A gestão financeira de Levy também foi marcada por uma abordagem conservadora. Diferentemente de rivais como Manchester City e Chelsea, o Tottenham evitou gastos excessivos, mantendo uma política de sustentabilidade. Essa estratégia, embora elogiada por especialistas, gerou críticas de torcedores que viam a falta de investimento em jogadores como um obstáculo para títulos. A conquista da Europa League em 2025, sob o comando de Postecoglou, foi um alívio, mas a demissão do técnico semanas após o título reacendeu debates sobre a visão de Levy.

Um novo rumo com Charrington e Frank

Peter Charrington, novo presidente não executivo, prometeu foco em estabilidade e sucesso esportivo. Sua experiência como diretor da ENIC sugere continuidade na visão estratégica, mas com menos envolvimento no dia a dia. Vinai Venkatesham, como CEO, terá a tarefa de alinhar os objetivos esportivos e comerciais. Thomas Frank, por sua vez, traz um estilo de jogo ofensivo, que já rendeu seis pontos em três jogos na Premier League.

  • Prioridades da nova gestão:
    • Melhorar o desempenho na Premier League após a 17ª colocação.
    • Aproveitar os reforços de verão para competir na Champions League.
    • Manter a sustentabilidade financeira sem sacrificar ambições esportivas.
    • Fortalecer a conexão com os torcedores, abalada por protestos.

A saída de Levy marca o fim de um ciclo de transformações, mas também abre espaço para questionamentos sobre o futuro do Tottenham. A nova liderança terá o desafio de equilibrar o legado financeiro com a demanda por resultados em campo, em um momento em que o futebol inglês exige competitividade máxima.

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